O que é uma tempestade, como ela se forma e outras 7 perguntas sobre o
fenômeno
O que é uma tempestade? A
pergunta aparentemente simples de responder está entre as que mais tiveram
aumento nas pesquisas feitas pelos brasileiros em 2023 no Google.
Segundo a empresa, nunca se buscou tanto sobre
esse fenômeno
natural no Brasil desde o início da série histórica, em 2004.
As pesquisas pelo termo "tempestade"
cresceram mais de 50% na comparação com o ano passado e mais de 70% nos últimos
três anos.
Os moradores da região Sul do país — Santa
Catarina, Rio Grande do Sul e Paraná — foram os que mais tiveram interesse no
tema.
Entre os dias 12 e 18 de novembro foi o período em
que as perguntas bateram recorde, sendo a semana em que mais brasileiros se
interessaram pelo assunto.
Foi justamente nesse período que a região Sul do
país enfrentou ventos de até 80 km/h e chuvas acima da média devido ao fenômeno
El Niño.
Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia
(Inmet), as chuvas se intensificaram e causaram diversos transtornos como
alagamentos e enchentes em cidades do Rio Grande do Sul e Santa Catarina,
principalmente.
As pesquisas em alta mostram que os brasileiros
também têm bastante dúvida sobre como uma tempestade se forma e em relação a
situações do dia-a-dia, como se podem usar o celular ou até mesmo tomar banho.
Confira a seguir as perguntas feitas no Google
sobre um dos assunto mais populares no Brasil em 2023, respondidas por
especialistas ouvidos pela BBC News Brasil.
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1. O que é uma tempestade?
Uma tempestade é um fenômeno meteorológico que
"tem como características ventos fortes, chuva, trovoadas, relâmpagos,
granizo e raios", explica Paulo Cezar Mendes, professor de climatologia na
Universidade Federal de Uberlândia (UFU).
Ou seja, é uma chuva forte com raios ou granizos -
chuvas que não têm pelo menos um desses fenômenos não são consideradas
tempestades.
As tempestades se formam em nuvens grandes
verticais, chamadas cumulonimbus.
Já chuvas mais amenas são formadas em nuvens cirrus (fibrosas,
altas, brancas e finas) ou stratus (nuvens com menos formato,
que ficam um pouco mais baixas no céu).
O tipo de nuvem que é formado é o que determina a intensidade
da chuva, o tempo que ela vai demorar para cair e, consequentemente, se ela é
uma tempestade ou não.
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2. Como se forma uma tempestade? O que causa uma
tempestade?
Apesar de se tratar de perguntas diferentes, elas
são semelhantes, e as respostas se completam. Por isso, vamos respondê-las
juntas.
Uma tempestade é um fenômeno meteorológico
caracterizado por muita instabilidade atmosférica, que faz com que as moléculas
presentes na superfície terrestre se movimentem de maneira muito intensa
provocando a formação de nuvens.
Elas se formam a partir da movimentação do ar em
uma área de baixa pressão atmosférica.
“A tempestade está associada, principalmente, ao
encontro de duas massas de ar com características diferentes (quente/seca e
úmida/fria) que provoca uma variação de temperatura na atmosfera. Esse choque
provoca uma movimentação intensa das moléculas presentes na superfície da terra
e essa agitação”, explica Rafael de Ávila Rodrigues, professor e climatologista
do Instituto de Geografia da Universidade Federal de Catalão (UFCAT).
"Ou seja, o ar quente (menos denso) eleva-se
para a atmosfera, enquanto o ar frio (mais denso) desce em direção à superfície
do solo, proporcionando uma redução da pressão atmosférica”, detalha o
climatologista.
"Esse choque entre massas de ar é o que causa
a tempestade."
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3. Como uma tempestade acontece?
Uma tempestade é um fenômeno meteorológico
caracterizado por muita instabilidade atmosférica, ou seja, quando o céu está
"agitado".
A instabilidade acontece quando as moléculas
presentes na superfície terrestre se movimentem de maneira muito intensa
provocando a formação de nuvens.
Elas se formam a partir da movimentação do ar em
uma área de baixa pressão atmosférica.
“A tempestade está associada, principalmente, ao
encontro de duas massas de ar com características diferentes (quente/seca e
úmida/fria) que provoca uma variação de temperatura na atmosfera”, explica
Rafael de Ávila Rodrigues, professor e climatologista do Instituto de Geografia
da Universidade Federal de Catalão (UFCAT).
"Ou seja, o ar quente (menos denso) eleva-se
para a atmosfera, enquanto o ar frio (mais denso) desce em direção à superfície
do solo, proporcionando uma redução da pressão atmosférica”, detalha o
climatologista.
"Esse choque entre massas de ar é o que causa
a tempestade, porque ele provoca uma movimentação intensa das moléculas e essa
agitação", afirma.
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4. Quanto tempo dura uma tempestade?
O tempo de duração de uma tempestade pode variar de
poucos minutos a várias horas.
O fator determinante para isso é se chove granizo
(gelo) ou não. A chuva com granizos é mais comum em dias de muito calor.
Ela acontece quando o ar quente da superfície
terrestre encontra nuvens muito frias em pontos mais altos da atmosfera. O
contraste brusco de temperatura faz com que as gotas de água se solidifiquem,
formando o granizo. As pedras de gelo se formam em nuvens de grande extensão
vertical, chamadas cumulonimbus.
Quando essas nuvens não conseguem mais sustentar o
peso das pedras de gelo em seu interior, elas despencam de uma única vez,
formando as precipitações de granizo.
As tempestades com granizo, duram, em média, de 10
a 30 minutos, explica Mendes.
"Porque a nuvem se forma e ela descarrega
rapidinho toda aquela energia contida nela em forma de tempestade”, diz o
professor da UFU.
Já outras formas de tempestade sem granizo são
formadas em nuvens que se espalham por áreas mais extensas e descarregam mais
lentamente, podendo durar de uma hora até uma tarde inteira, acrescenta Mendes.
"É justamente esse grande acúmulo de água que
pode causar problemas, como enchentes e alagamentos."
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5. O que fazer em uma tempestade de raios?
Um raio é uma descarga elétrica atmosférica que
parte de uma nuvem e atinge o solo ou outra nuvem.
Ele é formado dentro das nuvens verticais, as que
causam as tempestades, a partir da atração entre cargas opostas (positivas e
negativas) que estão presentes nela.
As cargas positivas ficam na parte superior da
nuvem e as negativas na parte inferior. Esta diferença de cargas gera o raio,
que faz a liberação dessa carga de energia, que pode atingir o solo.
Já o trovão é o barulho gerado quando essa descarga
de energia (o raio) atravessa o ar. E o relâmpago é a radiação eletromagnética
produzida pelo plasma que se forma no ar quando o raio (a descarga) passa —
parte dessa radiação é luz visível, ou seja, é o "clarão" que a gente
vê no céu.
Quando há raios em uma tempestade, a recomendação é
não ficar em locais abertos. O indicado é sempre se proteger.
“A primeira coisa é procurar abrigo, seja em um
imóvel ou pode ser o carro", diz Mendes.
Mas, se isso não for possível, há como minimizar os
riscos de ser atingido por um raio, como não ficar próximo de árvores, por
exemplo.
"Deve-se evitar ficar debaixo de árvores,
porque o raio procura a menor distância entre a nuvem e o solo", afirma o
climatologista.
"Nesse caso, recomenda-se que a pessoa sente
ou deite no chão para impedir que o corpo se transforme em um para-raios.”
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6. Posso usar celular durante uma tempestade?
Os especialistas ouvidos pela BBC News Brasil dizem
que o risco associado a usar um telefone celular durante uma tempestade
depende, na verdade, da situação em que cada pessoa se encontra.
"Se você estiver em um ambiente abrigado,
dentro de casa ou do carro, e o celular não estiver conectado na tomada, não há
problema em usar o equipamento", explica Mendes.
Mas, se uma pessoa estiver com o aparelho ligado na
tomada, a recomendação do especialista é não o usar ou então retirá-los da
tomada para fazer o uso.
"Pode cair um raio nessa rede elétrica e
chegar ao seu aparelho causando algum acidente, como descarga elétrica",
acrescenta o professor da UFU.
E em casos de ambientes abertos, descampados ou em
altitudes elevadas, como morros e montanhas, a recomendação também é não usar o
aparelho porque ele pode se tornar um para-raios – também ocasionando uma
descarga elétrica.
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7. Posso tomar banho durante uma tempestade?
O perigo associado a tomar banho depende do
chuveiro que uma pessoa tem em casa, segundo os especialistas.
O chuveiro elétrico, como o próprio nome já diz, é
um condutor de energia.
Durante as tempestades, não é indicado usar ou
ficar em contato equipamentos que funcionam com eletricidade de forma geral.
"Se um raio atingir a rede elétrica e não for
barrado pelos disjuntores da casa, pode atingir o chuveiro e causar uma
descarga elétrica em quem estiver no banho", explica Mendes.
Essa descarga elétrica pode causar queimaduras na
pele ou uma parada cardíaca podendo até mesmo levar a pessoa a morte, devido ao
choque elétrico.
No entanto, se o chuveiro não estiver ligado à rede
elétrica, como aqueles abastecidos por um aquecedor, não há problema em fazer o
uso durante uma tempestade.
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8. Qual é a diferença entre tempestade e temporal?
Apesar de parecer que são fenômenos diferentes, os
especialistas ouvidos pela BBC News Brasil explicam que temporal e tempestade
são a mesma coisa.
"As palavras são sinônimas, significam um
fenômeno meteorológico muito forte com relâmpago, raio, trovão, vento e chuva
intensa", diz Mendes.
"Você pode ter uma chuva forte e falar que é
uma tempestade, ou, sobre essa mesma chuva forte, você pode falar que foi um
temporal."
E sinônimos para tempestade é o que não faltam na
linguagem popular brasileira. Com certeza você já ouviu termos como pé-d'água,
chuva de acabar o mundo ou aguaceiro para se referir a ela.
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9. Por que tempestades têm nome de gente?
Na verdade, são os furacões que são batizados com
nomes de pessoas.
Furacões são ciclones tropicais muito fortes — a
nomenclatura é usada exclusivamente para os que tem origem do Atlântico norte
do nordeste do Pacífico.
Ciclones (e furacões) são fenômenos mais amplos do
que tempestades. São grandes regiões da atmosfera que formam um centro de baixa
pressão que facilita a formação de grandes nuvens de tempestade.
De certa forma, os ciclones e furacões podem ser
entendidos como um sistema de tempestades.
Para um fenômeno ser classificado como furacão, os
ventos devem atingir velocidades acima de 119 km/h.
Ciclones também são chamados de tufões quando
afetam o noroeste do oceano Pacífico.
Segundo o Exército americano, usar nomes humanos,
em vez de números ou termos técnicos, tem o objetivo de evitar erros e
confusões.
Os nomes são mais fáceis de lembrar na hora de
divulgar um alerta, por exemplo.
As listas de nomes são feitas pela Organização
Meteorológica Mundial (OMM), agência da Organização das Nações Unidas (ONU).
"Assim, todos os anos são feitos uma lista com
os nomes associados com as letras do alfabeto e essa lista deve ser seguida”,
explica Rodrigues.
Os nomes dados a esses fenômenos podem ser
femininos ou masculinos, a exemplo do furacão Otis, que atingiu Acapulco, no
México, no final de outubro.
Outro furacão recente é o Idalia atingiu a Flórida
e Geórgia, nos Estados Unidos em agosto.
Fonte: BBC News Brasil

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