sexta-feira, 15 de dezembro de 2023

CRISE MINERAL: Maceió está afundando?

A cidade de Maceió, capital de Alagoas, enfrenta uma crise profunda que se desenrola há mais de cinco anos, culminando na desocupação forçada de áreas nesta semana. Mais de 60 mil pessoas já foram evacuadas devido ao risco iminente de colapso em minas de sal-gema exploradas pela Braskem. O drama ganhou um novo capítulo com a decisão da Justiça Federal, baseada em relatórios técnicos, que determinou a inclusão de novas áreas na zona de risco, resultando na criação de bairros fantasmas na cidade.

A ação judicial atendeu ao pedido do Ministério Público Federal, da Defensoria Pública da União e do Ministério Público do Estado de Alagoas, que solicitaram a inclusão de mais áreas no programa de realocação da Braskem. Além disso, a Justiça estabeleceu a intensificação do monitoramento, dada a gravidade da situação.

Segundo a Defesa Civil de Maceió, a zona afetada já estava praticamente desocupada, e medidas preventivas foram adotadas, como a solicitação para que embarcações e a população evitem transitar na região até nova atualização do órgão. O risco iminente de colapso poderia resultar na formação de sinkholes, caracterizados pelo afundamento da superfície e a criação de crateras devido ao esvaziamento do subsolo.

Em resposta à crise, a Prefeitura de Maceió decretou estado de emergência por 180 dias e estabeleceu um Gabinete de Crise para acompanhar de perto a situação. O governo federal também demonstrou preocupação, com o presidente em exercício, Geraldo Alckmin, orientando ministros a acompanharem a situação de perto.

O problema do afundamento na região das 35 minas de sal-gema da Braskem veio à tona em março de 2018, após um forte tremor atingir a área. Desde então, cerca de 55 mil pessoas já haviam sido evacuadas devido ao risco iminente de formação de crateras. A exploração das minas pela Braskem, que começou na década de 1970, está relacionada ao afundamento progressivo da região.

A situação levou a Prefeitura a decretar estado de emergência, e o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, entrou em contato com o ministro da Integração e Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, buscando apoio da Defesa Civil Nacional para lidar com as graves consequências da exploração das minas.

No âmbito do Senado Federal, o senador Renan Calheiros apresentou um requerimento para a instauração de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o caso. Apesar do presidente do Senado ter lido o requerimento em outubro, a instalação formal da CPI ainda depende de acertos políticos entre os líderes partidários.

 

·        Afundamento em Maceió pode abrir cratera do tamanho do Maracanã

 

A possibilidade de desabamento de uma das minas da Braskem, empresa responsável pela mineração que afetou cinco bairros de Maceió, provocou a evacuação de residências e até de um hospital. A gravidade da situação levou a prefeitura a decretar situação de emergência.

<<< Entenda a situação

 

Ø  Colapso de mina em Maceió é “a maior tragédia urbana do mundo”, diz prefeito

 

O prefeito de Maceió, João Henrique Caldas (PL), definiu a iminência do colapso de uma mina da Braskem, situada na capital alagoana, como “a maior tragédia urbana no mundo, em curso”. Ele disse que a Prefeitura evita cravar horários para a ocorrência com o intuito de amenizar a ansiedade da população.

Ainda de acordo com o prefeito, equipamentos modernos estão sendo utilizados para calcular o afundamento do solo, para qual direção está se movimentando e qual a intensidade desse movimento. Cerca de 350 profissionais de órgãos públicos estão mobilizados nas ações de monitoramento.

O objetivo principal da Prefeitura tem sido salvar vidas. “Todo o plano de contingência está funcionando, protocolos estão sendo seguidos rigorosamente pela Defesa Civil de Maceió, que já se comunicou com todas as autoridade pertinentes”, informou o prefeito.

A mina em questão é a número 18; há 35 instaladas na capital alagoana. A região mais afetada é o bairro do Mutange, mas 60 mil pessoas de cinco bairros da cidade foram realocadas e a área de risco foi completamente evacuada.

Segundo JHC, o plano de contingência calcula diversas hipótese de colapso. “Claro que nós nos preparamos para a pior situação possível, mas torcemos que ela seja de uma maneira mais branda”, explicou o mandatário.

“Nesse momento devemos esperar, monitorar e supervisionar essa área”, conclui o prefeito, que explicou que o problema persiste desde março de 2018, quando aconteceu o primeiro abalo sísmico na região, chamando a atenção de autoridades e da imprensa nacional.

·        Entenda o caso

A Prefeitura de Maceió decretou situação de emergência, nesta quarta-feira (29), por risco iminimente de colapso de uma mina da petroquímica Braskem na Lagoa Mundaú, no bairro do Mutange. Segundo o governo do estado, houve cinco abalos sísmicos na área no mês de novembro, e o possível desabamento pode ocasionar a formação de grandes crateras na região.

Defesa Civil de Alagoas alertou que uma ruptura no local pode ter um efeito cascata em outras minas.

·        O que diz a empresa

Em nota, a Braskem informou que a situação vem se intensificando e que estão sendo tomadas todas as medidas cabíveis para a diminuição do impacto. A empresa reforçou ainda que segue acompanhando e compartilhando os dados de monitoramento em tempo real com as autoridades competentes.

·        Minas de Maceió

As minas da Braskem em Maceió são cavernas abertas pela extração de sal-gema durante décadas de mineração na região. Essas cavernas estavam sendo fechadas desde 2019, quando o Serviço Geológico do Brasil (SGB) confirmou que a atividade realizada havia provocado o fenômeno de afundamento do solo na região, o que obrigou a interdição de uma série de bairros da capital alagoana.

Ainda em 2018, foram identificados danos semelhantes em imóveis e ruas do bairro do Mutange, localizado abaixo do Pinheiro e à margem da Lagoa Mundaú; e no bairro do Bebedouro vizinho aos outros dois. Em junho de 2019, moradores do bairro do Bom Parto relataram danos graves em imóveis.

Desde então, o Ministério Público Federal em Alagoas (MPF-AL) acompanha o caso, tendo assumido, em dezembro de 2018, a apuração dos fatos e iniciado atuação preventiva em favor dos moradores.

Em julho deste ano, a prefeitura da cidade fechou um acordo com a empresa assegurando ao município uma indenização de R$ 1,7 bilhão em razão do afundamento dos bairros, que teve início em 2018.

 

Ø  “Situação é surreal”, diz ex-morador de área afetada

 

Ex-morador do bairro do Pinheiro, um dos mais tradicionais da capital alagoana, o empresário Alexandre Sampaio foi duplamente afetado pelo afundamento do solo em diversas regiões da cidade.

Ele perdeu empresas e sua casa em meio ao fenômeno geológico causado pelo trabalho de mineração desenvolvido pela mineradora Braskem desde o anos 1970 na área.

Sampaio, que hoje é presidente da Associação de Empreendedores e Vítimas da Mineração em Maceió, perdeu as três empresas que tinha no bairro em 2019, quando foi desalojado um ano depois de um tremor de terra que fez surgir rachaduras nos imóveis, fendas nas ruas, afundamentos de solo e crateras que se abriram.

Em 2022, precisou deixar seu apartamento, no mesmo bairro, após rachaduras aparecerem no prédio. “Minha mulher não dormia mais de medo. Aí a prefeitura avisou que tínhamos até dezembro pra sair”.

Segundo ele, só no Pinheiro mais de 6.000 empresas foram diretamente afetadas pelo afundamento do solo. Indiretamente, esse número chega a mais de 10 mil.

Sem receber indenização pelo desalojamento, Sampaio decidiu criar com outros moradores a associação que busca reparação pelos danos na cidade. Como presidente, acompanhou de perto a situação nesta semana após a prefeitura de Maceió decretar situação de emergência por risco iminente de colapso da mina 18, na Lagoa Mundaú, no bairro do Mutange.

“A situação de Maceió é surreal. No começo desta semana a Defesa Civil disse que ninguém precisava entrar em pânico porque não havia problema nenhum. Um dia depois, mandaram as pessoas procurar um lugar seguro sem dizer quais eram os locais seguros. E três dias depois já veio o aviso de remoção forçada com uso da força policial”, conta.

Ainda de acordo com Sampaio, muitas pessoas ainda não tinham saído dos locais de risco porque não receberam indenizações e não tinham pra onde ir. “Querem que as pessoas saiam à força sem ter pra onde ir. A vitima é duplamente lesada”.

Sampaio diz que recebeu, no começo deste ano, um valor quatro vezes menor do que o pedido para cobrir o prejuízo que teve com a perda das empresas e do apartamento.

“Só aceitei por que já estava no limite financeiro, não tinha outra alternativa”. O empresário se mudou para Coruripe, a cerca de 100 km de Maceió, para reconstruir sua vida.

 

Fonte: Fórum/g1/CNN Brasil

 

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