quinta-feira, 14 de dezembro de 2023

CPI da Covid, indulto de Bolsonaro... Os processos que Dino herdará

Quando assumir a cadeira no Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Flávio Dino vai herdar um acervo de 343 processos em tramitação, entre ações e recursos.

As ações e os recursos que inicialmente vão ficar sob a relatoria do futuro ministro eram da ministra Rosa Weber, que se aposentou em outubro. Este procedimento segue as regras internas do tribunal.

O conjunto de processos conta com 106 recursos e 237 ações. Deste total, a maior parte dos procedimentos trata de temas de Direito Administrativo.

São pelo menos 43 ações constitucionais — aquelas que discutem a validade de leis diante da Constituição.

Veja quais são os principais processos que passarão à análise do novo ministro:

  • conclusões da CPI da Covid: o novo ministro será o relator de um dos pedidos preliminares de apuração enviados pela Procuradoria-Geral da República a partir das conclusões do relatório final da CPI da Covid, do Senado. Neste procedimento, um dos alvos é o ex-presidente Jair Bolsonaro, além de ministros e outros agentes públicos de sua gestão.
  • indulto natalino: passará às mãos de Dino recursos e ações que discutem o indulto concedido pelo ex-presidente Jair Bolsonaro a pessoas com pena de prisão não superior a cinco anos.
  • aborto: Dino não votará na ação que trata da descriminalização do aborto, já que a ministra Rosa Weber apresentou seu voto pouco antes de se aposentar. Mas o novo ministro vai herdar uma nova ação, apresentada em setembro deste ano pelo PL, que pede que a punição para abortos provocados por terceiros seja equiparada à do crime de homicídio qualificado.

Assim que tomar posse no cargo, Flávio Dino também passa a fazer parte da distribuição dos processos que chegarem ao tribunal.

Pode assumir os casos por sorteio ou pela chamada prevenção — se tiver, em seu gabinete, ação ou recurso que trate de tema semelhante ao novo processo.

Na ordem das votações, em regra, será o primeiro a votar logo depois do relator, já que será o ministro mais novo do tribunal.

Na Corte, Dino também deve integrar a Primeira Turma, que conta com os ministros Alexandre de MoraesCármen LúciaCristiano Zanin e Luiz Fux. O colegiado voltará a ter competência para análise de ações penais, com a mudança nas regras internas do tribunal feitas no começo de dezembro.

 

Ø  Aprovação de Dino foi a 2ª mais apertada

Senado aprovou a indicação de Flávio Dino para o Supremo Tribunal Federal (STF), seguindo a tradição de chancelar todos os nomes escolhidos pelos presidentes da República desde a Constituição de 1988.

Em três décadas e meia, 29 pessoas foram indicadas para o cargo de ministro do STF – veja os placares no infográfico abaixo – por oito presidentes. O que mais indicou foi Lula, com dez nomes.

A aprovação de Dino, nesta quarta-feira (13), foi pelo placar de 47 a 31. A votação só não foi mais acirrada que o placar de aprovação de André Mendonça, em 2021 (47x32).

Também indicado pelo presidente Lula (PT), Flávio Dino (PSB), vai ocupar a vaga deixada no STF após a aposentadoria de Rosa Weber, em setembro deste ano.

·        Quem é Dino

Flávio Dino de Castro e Costa tem 55 anos, é advogado, ex-juiz, professor e político. Ele nasceu em São Luís (MA) e é formado em Direito pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA) e mestre pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

Dino foi juiz federal entre 1994 e 2006. Também atuou como juiz auxiliar no Supremo, quando presidia a Corte o então ministro Nelson Jobim. Os juízes auxiliares trabalham nos gabinetes dos ministros, na análise de processos que chegam ao tribunal.

Em 2007, deixou a magistratura para exercer o cargo de deputado federal (2007-2011). Em seguida, assumiu a presidência da agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo (Embratur), no governo da ex-presidente Dilma Rousseff, entre 2011 e 2014.

Nos anos seguintes, foi eleito governador do Maranhão por duas vezes (2015-2022). Em 2022, renunciou aos meses finais no cargo para concorrer ao Senado Federal.

Nas eleições de 2022, Dino foi eleito senador da República pelo estado do Maranhão com 63,38% dos votos. Ele pediu licença do Senado para assumir o Ministério da Justiça.

·        'Feliz e honrado', diz Flávio Dino após ser aprovado para o STF

Após ser aprovado para assumir o cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino publicou uma mensagem em uma rede social dizendo estar "feliz e honrado". O post foi feito no fim da noite desta quarta-feira (13).

"Estou feliz e honrado. Agradeço a confiança do Presidente da República e do Senado Federal, que aprovaram a minha Indicação ao Supremo Tribunal Federal", escreveu.

"Milhões de pessoas me ajudaram, com mensagens, postagens, orações, torcida. A todos o meu abraço afetuoso."

Dino foi indicado por Lula (PT) para assumir a vaga deixada no STF pela ministra Rosa Weber, que se aposentou em outubro.

Ministro da Justiça durante o atual governo, Dino foi sabatinado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado nesta quarta-feira, em uma sessão que durou mais de 10 horas.

Em seguida, o plenário do Senado votou a indicação, aprovando o nome de Dino para o STF com o placar de 47 votos favoráveis e 31 contrários.

Após a aprovação, autoridades do governo, membros do Congresso Nacional e ministros do STF parabenizaram Flávio Dino.

O futuro ministro, que ainda será empossado, vai herdar um acervo de 343 processos em tramitação, entre ações e recursos, que eram de Rosa Weber.

 

Ø  Paulo Gonet é aprovado para comandar a PGR com 65 votos a 11

 

O plenário do Senado aprovou nesta quarta-feira (13) a indicação do subprocurador Paulo Gonet para o comando da Procuradoria-Geral da República (PGR). Ele foi indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para o cargo. Minutos antes, o plenário do Senado também aprovou a indicação de Flávio Dino para o STF.

A votação no plenário foi secreta e o placar foi de:

  • Gonet: 65 votos a favor e 11 contra.
  • Dino: 47 votos a favor e 31 contra.

Mais cedo, Gonet e Flávio Dino foram aprovados em votação na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ). Essa votação também foi secreta.

  • Dino: 17 votos a favor e 10 contra.
  • Gonet: 23 votos a favor e 4 contra.

Dino e Gonet foram sabatinados pela CCJ em sessão que durou cerca de 10 horas. Ao longo da sabatina, os dois procuraram se esquivar de polêmicas e de embates com a oposição.

Agora, os nomes precisam ser publicados no Diário Oficial da União (DOU).

No plenário do Senado, a indicação Gonet precisava receber, no mínimo, 41 votos favoráveis dos parlamentares.

Veja alguns placares de votações para procuradores da República:

  • Augusto Aras (2ª indicação) - 55 votos a favor e 10 contra
  • Augusto Aras (1ª indicação) - 68 votos a favor e 10 contra
  • Raquel Dodge - 74 votos a favor e 1 contra
  • Rodrigo Janot (2ª indicação) - 59 votos a favor e 12 contra
  • Rodrigo Janot (1ª indicação) - 60 votos a favor e 4 contra
  • Roberto Gurgel (2ª indicação) - 56 votos a favor e 6 contra
  • Roberto Gurgel (1ª indicação) - 60 votos a favor e 5 contra

<<< Quem é Paulo Gonet?

Paulo Gonet ingressou na carreira do Ministério Público Federal em 1987, como procurador da República, responsável por processos na primeira instância da Justiça Federal.

Entre 1989 e 1993, ocupou o cargo de procurador regional da República, que representa o MP em processos em tribunais regionais federais. Em 2012, alcançou o cargo de subprocurador-geral da República, o último nível da carreira.

Na PGR, também já atuou como secretário de Assuntos Constitucionais. Representou o MPF na Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) e foi diretor-geral da Escola Superior do Ministério Público da União (ESMPU), cargo que ocupava quando foi nomeado para assumir a função de vice-PGE.

Paulo Gonet é graduado em Direito pela Universidade de Brasília (UnB). Na carreira acadêmica, fez mestrado em Direitos Humanos, pela University of Essex do Reino Unido. Além disso, ele é doutor em Direito, Estado e Constituição, também pela UnB.

·        Vice-PGR eleitoral

O subprocurador-geral Paulo Gonet atua desde julho de 2021 como o vice-procurador-geral eleitoral, ou seja, representa o Ministério Público Eleitoral nos processos que tramitam no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Na função, assinou o parecer que defendeu tornar o ex-presidente Jair Bolsonaro inelegível, no âmbito da ação em que o político do PL foi acusado de abuso de poder político e uso indevido de meios de comunicação. Em julgamento em junho deste ano, a Corte Eleitoral aplicou a inelegibilidade a Bolsonaro.

É também de sua autoria o parecer que levou o ex-presidente à segunda inelegibilidade e tirou seu vice, Braga Netto, das urnas até 2030.

O processo em questão, no TSE, apurou as condutas dos dois nos atos de 7 de setembro de 2022, quando foi comemorado o Bicentenário da Independência, em eventos em Brasília (DF) e no Rio de Janeiro (RJ).

Ainda na função de vice-procurador-geral eleitoral, Paulo Gonet opinou pelo arquivamento de outras ações contra Bolsonaro, que questionavam o uso de sedes oficiais para atos de campanha, como lives eleitorais.

O subprocurador também se posicionou pela rejeição de ações de investigação contra a chapa vencedora das eleições, a do presidente Lula e seu vice, Geraldo Alckmin. Estes processos tratavam de acusações de uso do serviço do Google de forma a modular e filtrar as buscas dos eleitores; e concessão de entrevistas coletivas do presidente no primeiro turno.

CCJ do Senado aprova Flávio Dino para o Supremo Tribunal Federal — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução

·        Dino no Ministério da Justiça

Dino foi anunciado por Lula como ministro da Justiça no início de dezembro de 2022, no período de transição governamental, quando o petista ainda não tinha tomado posse como presidente.

No primeiro discurso no cargo, disse que o caso do assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL) seria definitivamente solucionado. A Polícia Federal passou a colaborar com as investigações e, em julho deste ano, mais um envolvido no crime foi preso. Os mandantes, no entanto, ainda não foram identificados.

Logo nos primeiros dias à frente do Ministério da Justiça, Dino teve de lidar no governo com a crise gerada pelos atos golpistas de 8 de janeiro. A atuação da pasta que chefia nos dias que antecederam os atos de vandalismo e na data dos ataques foi contestada e criticada por opositores do governo Lula.

Em decorrência desse episódio, Dino foi convocado várias vezes pela oposição para participar de sessões na Câmara e do Senado e prestar esclarecimentos sobre decisões que tomou ou supostamente deixou de tomar.

Escolhido como um dos principais alvos de adversários do governo, Dino ganhou fama de "lacrador" em razão dos bate-bocas que teve com parlamentares oposicionistas nas sessões com senadores e deputados.

No período em que chefiou o MJ, Dino também trabalhou na elaboração de um novo decreto sobre armas, revogando regras definidas na gestão Jair Bolsonaro (PL) e restringindo o acesso de civis a armamentos e munições.

Ele também determinou o recadastramento e operações da Polícia Federal para apreensão de armas irregulares.

Recentemente, Flávio Dino atuou na elaboração de um decreto de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) para enfrentamento da crise de segurança no país, sobretudo, nos estados de Rio de Janeiro e São Paulo. Militares das Forças Armadas foram deslocados para atuar na fiscalização de portos e aeroportos dos dois estados.

Em razão da morte de uma jovem no show da cantora norte-americana Taylor Swift no Rio de Janeiro em novembro, Dino editou uma portaria para permitir a entrada de garrafas de água para uso pessoal em eventos no país. Outra medida anunciada foi a que obriga produtores de shows a oferecer água de graça em dias de forte calor.

 

Fonte: g1

 

Nenhum comentário: