sábado, 16 de dezembro de 2023

Banco de Desenvolvimento da América Latina aprova empréstimo de US$ 960 milhões para Argentina

O Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF, na sigla em espanhol) aprovou nesta sexta-feira (15) um empréstimo de US$ 960 milhões (cerca de R$ 48 bilhões) para a Argentina. O objetivo é que o país possa cumprir com os juros da dívida pendente junto ao Fundo Monetário Internacional (FMI), de cerca de US$ 44 bilhões (cerca de R$ 220 bilhões).

A operação foi analisada em reunião virtual extraordinária do Conselho de Administração do banco, que conta atualmente com 21 países acionistas. O empréstimo tem previsão de ocorrer em curto prazo.

O empréstimo foi aprovado há menos de uma semana da posse do novo presidente da Argentina, Javier Milei. Quando iniciou a campanha presidencial, a taxa de inflação do país havia ultrapassado 100%, em fevereiro, atingindo quase 143% em outubro. Em novembro, a inflação se aproximou de 13%, e alcançando cerca de 161% no ano.

Em outubro, o Banco Central chinês disponibilizou US$ 6,5 bilhões (cerca de R$ 31 bilhões) ao país sul-americano pela linha de swap cambial, após uma reunião entre o então presidente argentino Alberto Fernández e seu homólogo chinês, Xi Jinping, em Pequim. O dinheiro foi utilizado para pagar parte da dívida com o FMI.

No início da semana, Milei enviou carta a Xi Jinping, não apenas para reparar a diplomacia que esteve prestes a romper, mas, sobretudo, para não perder o processo de renovação do swap cambial com Pequim em yuans que equivale a US$ 5 bilhões (cerca de R$ 25 bilhões).

O ministro da Economia da Argentina, Luis Caputo, que comandou o Banco Central na época do ex-presidente Mauricio Macri, anunciou mais cedo que o objetivo do novo governo continua sendo o de promover o dólar dos EUA como moeda oficial do país, com forte desvalorização do peso já executada durante esta semana.

Javier Milei, presidente da Argentina, ainda pretende acabar com o peso argentino depois de desvalorizar drasticamente a moeda como parte de uma rodada inicial de "terapia de choque", afirmou o ministro da Economia argentino.

·        Governo Milei ainda quer dolarização e fechar Banco Central da Argentina, diz ministro da Economia

Sem dar prazos, o alto responsável afirmou que o objetivo continua sendo o de promover o dólar dos EUA como moeda oficial do país, com uma forte desvalorização do peso já executada durante esta semana.

Javier Milei, presidente da Argentina, ainda pretende acabar com o peso argentino depois de desvalorizar drasticamente a moeda como parte de uma rodada inicial de terapia de choque, afirmou o ministro da Economia argentino.

O objetivo "continua sendo chegar [à] dolarização", disse Luis Caputo em uma entrevista publicada na sexta-feira (15) no jornal argentino La Nación.

Após anunciar na terça-feira (12) que o novo governo estava desvalorizando o peso em mais da metade, Caputo recusou-se a oferecer um prazo para o abandono total da moeda, mas admitiu que a medida terá de durar algum tempo.

"O presidente sempre fez campanha sobre a dolarização e o encerramento do banco central" do país, referiu Caputo.

"Essas bandeiras de mobilização não foram deixadas de lado", garantiu ele.

A chamada contação com liquidação (CCL, na sigla em espanhol), uma taxa de câmbio não oficial que reflete o que os argentinos podem obter por seu dinheiro no mercado negro, estava antes do anúncio de Caputo em 365 pesos para um dólar dos EUA, e atingiu 800 após ele. Na quinta-feira (14) ele chegou a cerca de 1.040 pesos por dólar, gerando grandes saltos nos preços dos produtos e serviços do país, segundo relatos. Após o corte inicial, Caputo reiterou que a taxa oficial será reduzida em 2% a cada mês daqui para frente.

O novo governo quer aproximar a taxa oficial das taxas observadas em tais mercados paralelos, disse o ministro da Economia argentino. O objetivo, declarou, é "conter essa inflação reprimida", as respectivas expectativas, e evitar que os ganhos mensais de preços ultrapassem 20%, acrescentou.

A inflação mensal na Argentina atingiu quase 13% em novembro, e quase 161% em termos anuais.

 

Ø  Estatal chinesa State Grid arremata maior lote em leilão do setor energético brasileiro

 

A estatal chinesa State Grid, maior empresa de transmissão de energia elétrica do mundo, saiu vitoriosa no maior leilão de transmissão de energia da história do Brasil. A companhia conseguiu arrematar o lote principal das negociações, que ocorrem na B3, em São Paulo.

Ainda há outros dois lotes a serem ofertados no leilão. Juntos, os três lotes alcançam investimentos de R$ 21,7 bilhões e preveem a construção de 4.471 quilômetros de novas linhas, reforços de subestações e conexões com o Sistema Interligado Nacional (SIN). Destes, R$ 18 bilhões são previstos apenas no lote arrematado pela gigante da China.

A State Grid é considerada a terceira maior empresa do mundo por receita, ficando atrás apenas do Walmart e da petroleira estatal saudita Aramco. Com sua vitória no certame, a empresa atuará na construção de linhas de transmissão de energia nos estados de Goiás, Maranhão e Tocantins.

Os lotes são leiloados com base nos lances que oferecem maior deságio da Receita Anual Permitida (RAP) contratada, isto é, ganha a empresa que garante o maior desconto para operar as linhas. Pelo lote principal, a State Grid ofertou R$ 1,9 bilhão, um deságio de 39,9%.

O governo federal está investindo na expansão da infraestrutura da rede elétrica nos estados do Norte e Nordeste, que atualmente produzem mais energia do que consomem, muito em parte devido às produções eólica e solar. Este é o segundo leilão do setor de energia feito no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Em junho foi realizado o leilão de nove lotes em sete estados, garantindo a construção de 6.184 quilômetros de linhas de transmissão e subestações em um total de R$ 15,7 bilhões. Outro leilão está previsto para acontecer em março do ano que vem, com 15 lotes e a construção de 6.460 quilômetros de linhas e subestações, com um total de investimentos previstos de R$ 18,2 bilhões.

 

Ø  Deputados peruanos apresentam moção de vacância contra a presidente Dina Boluarte

 

Legisladores de esquerda no Congresso peruano apresentaram uma moção de vacância contra a presidente Dina Boluarte, alegando "abandono do cargo".

"A declaração da vacância da Presidência da República, na pessoa de Dina Ercilia Boluarte Zegarra, com base no artigo 113, número 4, da Constituição Política do Peru, e, consequentemente, a aplicação do artigo 115 da Constituição, que regula a sucessão presidencial", afirmaram os legisladores na moção divulgada nas redes sociais nesta sexta-feira (15).

Eles indicaram que, embora Boluarte tivesse autorização do Congresso para viajar, não estava em conformidade com o "marco constitucional", pois deixou o país sem um vice-presidente para assumir a Presidência. Portanto, sua saída "configura abandono do cargo".

Na moção, os parlamentares explicam que o artigo 113 estabelece que "a Presidência da República permanece vaga quando o titular sai do território nacional sem autorização do Congresso ou não retorna no prazo estabelecido".

O artigo 115 da Constituição estabelece que, em caso de "impedimento temporário ou permanente do presidente, o primeiro vice-presidente assume suas funções". Essa não é a primeira vez que isso acontece.

Boluarte enfrenta sua terceira moção de vacância em pouco mais de um ano de mandato. Para prosseguir com essa medida, ela deve ser aprovada por 52 votos no plenário do Congresso.

Posteriormente, a presidente peruana deverá comparecer ao local para exercer seu direito de defesa. Após ouvir as palavras do chefe de Estado, os legisladores precisarão de 87 votos para aprovar o pedido de vacância.

Dina Boluarte assumiu o cargo em 7 de dezembro de 2022, quando o ex-presidente peruano, Pedro Castillo, tentou fechar o Congresso e assumir o controle do Poder Judiciário, do Ministério Público e do Tribunal Constitucional por meio da criação de um "governo de exceção".

Esse evento foi interpretado pelo Parlamento como uma tentativa de golpe de Estado, e a sessão plenária o destituiu imediatamente do cargo, sob a causa constitucional de incapacidade moral para exercer a presidência.

Após a saída de Castillo, os cidadãos realizaram diversas manifestações para solicitar o avanço das eleições, a dissolução do Congresso e a instalação de uma Assembleia Constituinte.

 

Fonte: Sputnik Brasil

 

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