Banco de Desenvolvimento da América Latina aprova empréstimo de US$ 960
milhões para Argentina
O Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF,
na sigla em espanhol) aprovou nesta sexta-feira (15) um empréstimo de US$ 960
milhões (cerca de R$ 48 bilhões) para a Argentina. O objetivo é que o país
possa cumprir com os juros da dívida pendente junto ao Fundo Monetário
Internacional (FMI), de cerca de US$ 44 bilhões (cerca de R$ 220 bilhões).
A operação foi analisada em reunião virtual
extraordinária do Conselho de Administração do banco, que conta atualmente com
21 países acionistas. O empréstimo tem previsão de ocorrer em curto prazo.
O empréstimo foi aprovado há menos de uma semana da
posse do novo presidente da Argentina, Javier Milei. Quando iniciou a campanha
presidencial, a taxa de inflação do país havia ultrapassado 100%, em fevereiro,
atingindo quase 143% em outubro. Em novembro, a inflação se aproximou de 13%, e
alcançando cerca de 161% no ano.
Em outubro, o Banco Central chinês disponibilizou
US$ 6,5 bilhões (cerca de R$ 31 bilhões) ao país sul-americano pela linha de
swap cambial, após uma reunião entre o então presidente argentino Alberto
Fernández e seu homólogo chinês, Xi Jinping, em Pequim. O dinheiro foi
utilizado para pagar parte da dívida com o FMI.
No início da semana, Milei enviou carta a Xi
Jinping, não apenas para reparar a diplomacia que esteve prestes a romper, mas,
sobretudo, para não perder o processo de renovação do swap cambial com Pequim
em yuans que equivale a US$ 5 bilhões (cerca de R$ 25 bilhões).
O ministro da Economia da Argentina, Luis Caputo,
que comandou o Banco Central na época do ex-presidente Mauricio Macri, anunciou
mais cedo que o objetivo do novo governo continua sendo o de promover o dólar
dos EUA como moeda oficial do país, com forte desvalorização do peso já
executada durante esta semana.
Javier Milei, presidente da Argentina, ainda
pretende acabar com o peso argentino depois de desvalorizar drasticamente a
moeda como parte de uma rodada inicial de "terapia de choque",
afirmou o ministro da Economia argentino.
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Governo Milei ainda quer dolarização e fechar Banco Central da
Argentina, diz ministro da Economia
Sem dar prazos, o alto responsável afirmou que o
objetivo continua sendo o de promover o dólar dos EUA como moeda oficial do
país, com uma forte desvalorização do peso já executada durante esta semana.
Javier Milei, presidente da Argentina, ainda
pretende acabar com o peso argentino depois de desvalorizar drasticamente a
moeda como parte de uma rodada inicial de terapia de choque, afirmou o ministro
da Economia argentino.
O objetivo "continua sendo chegar [à]
dolarização", disse Luis Caputo em uma entrevista publicada na sexta-feira
(15) no jornal argentino La Nación.
Após anunciar na terça-feira (12) que o novo
governo estava desvalorizando o peso em mais da metade, Caputo recusou-se a
oferecer um prazo para o abandono total da moeda, mas admitiu que a medida terá
de durar algum tempo.
"O presidente sempre fez campanha sobre a
dolarização e o encerramento do banco central" do país, referiu Caputo.
"Essas bandeiras de mobilização não foram
deixadas de lado", garantiu ele.
A chamada contação com liquidação (CCL, na sigla em
espanhol), uma taxa de câmbio não oficial que reflete o que os argentinos podem
obter por seu dinheiro no mercado negro, estava antes do anúncio de Caputo em
365 pesos para um dólar dos EUA, e atingiu 800 após ele. Na quinta-feira (14)
ele chegou a cerca de 1.040 pesos por dólar, gerando grandes saltos nos preços
dos produtos e serviços do país, segundo relatos. Após o corte inicial, Caputo
reiterou que a taxa oficial será reduzida em 2% a cada mês daqui para frente.
O novo governo quer aproximar a taxa oficial das
taxas observadas em tais mercados paralelos, disse o ministro da Economia
argentino. O objetivo, declarou, é "conter essa inflação reprimida",
as respectivas expectativas, e evitar que os ganhos mensais de preços
ultrapassem 20%, acrescentou.
A inflação mensal na Argentina atingiu quase 13% em
novembro, e quase 161% em termos anuais.
Ø Estatal
chinesa State Grid arremata maior lote em leilão do setor energético brasileiro
A estatal chinesa State Grid, maior empresa de
transmissão de energia elétrica do mundo, saiu vitoriosa no maior leilão de
transmissão de energia da história do Brasil. A companhia conseguiu arrematar o
lote principal das negociações, que ocorrem na B3, em São Paulo.
Ainda há outros dois lotes a serem ofertados no
leilão. Juntos, os três lotes alcançam investimentos de R$ 21,7 bilhões e
preveem a construção de 4.471 quilômetros de novas linhas, reforços de
subestações e conexões com o Sistema Interligado Nacional (SIN). Destes, R$ 18
bilhões são previstos apenas no lote arrematado pela gigante da China.
A State Grid é considerada a terceira maior empresa
do mundo por receita, ficando atrás apenas do Walmart e da petroleira estatal
saudita Aramco. Com sua vitória no certame, a empresa atuará na construção de
linhas de transmissão de energia nos estados de Goiás, Maranhão e Tocantins.
Os lotes são leiloados com base nos lances que
oferecem maior deságio da Receita Anual Permitida (RAP) contratada, isto é,
ganha a empresa que garante o maior desconto para operar as linhas. Pelo lote
principal, a State Grid ofertou R$ 1,9 bilhão, um deságio de 39,9%.
O governo federal está investindo na expansão da
infraestrutura da rede elétrica nos estados do Norte e Nordeste, que atualmente
produzem mais energia do que consomem, muito em parte devido às produções
eólica e solar. Este é o segundo leilão do setor de energia feito no governo do
presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Em junho foi realizado o leilão de nove lotes em
sete estados, garantindo a construção de 6.184 quilômetros de linhas de
transmissão e subestações em um total de R$ 15,7 bilhões. Outro leilão está
previsto para acontecer em março do ano que vem, com 15 lotes e a construção de
6.460 quilômetros de linhas e subestações, com um total de investimentos
previstos de R$ 18,2 bilhões.
Ø Deputados
peruanos apresentam moção de vacância contra a presidente Dina Boluarte
Legisladores de esquerda no Congresso peruano
apresentaram uma moção de vacância contra a presidente Dina Boluarte, alegando
"abandono do cargo".
"A declaração da vacância da Presidência da
República, na pessoa de Dina Ercilia Boluarte Zegarra, com base no artigo 113,
número 4, da Constituição Política do Peru, e, consequentemente, a aplicação do
artigo 115 da Constituição, que regula a sucessão presidencial", afirmaram
os legisladores na moção divulgada nas redes sociais nesta sexta-feira (15).
Eles indicaram que, embora Boluarte tivesse
autorização do Congresso para viajar, não estava em conformidade com o
"marco constitucional", pois deixou o país sem um vice-presidente
para assumir a Presidência. Portanto, sua saída "configura abandono do
cargo".
Na moção, os parlamentares explicam que o artigo
113 estabelece que "a Presidência da República permanece vaga quando o
titular sai do território nacional sem autorização do Congresso ou não retorna
no prazo estabelecido".
O artigo 115 da Constituição estabelece que, em
caso de "impedimento temporário ou permanente do presidente, o primeiro
vice-presidente assume suas funções". Essa não é a primeira vez que isso
acontece.
Boluarte enfrenta sua terceira moção de vacância em
pouco mais de um ano de mandato. Para prosseguir com essa medida, ela deve ser
aprovada por 52 votos no plenário do Congresso.
Posteriormente, a presidente peruana deverá
comparecer ao local para exercer seu direito de defesa. Após ouvir as palavras
do chefe de Estado, os legisladores precisarão de 87 votos para aprovar o
pedido de vacância.
Dina Boluarte assumiu o cargo em 7 de dezembro de
2022, quando o ex-presidente peruano, Pedro Castillo, tentou fechar o Congresso
e assumir o controle do Poder Judiciário, do Ministério Público e do Tribunal
Constitucional por meio da criação de um "governo de exceção".
Esse evento foi interpretado pelo Parlamento como
uma tentativa de golpe de Estado, e a sessão plenária o destituiu imediatamente
do cargo, sob a causa constitucional de incapacidade moral para exercer a
presidência.
Após a saída de Castillo, os cidadãos realizaram
diversas manifestações para solicitar o avanço das eleições, a dissolução do
Congresso e a instalação de uma Assembleia Constituinte.
Fonte: Sputnik Brasil

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