sábado, 16 de dezembro de 2023

Estudo revela por que jovens dedicam pouco tempo à prática de esportes

Um estudo promovido pelo Grupo Allianz, em parceria com o Comitê Olímpico Internacional (COI), trouxe dados importantes sobre o envolvimento da juventude com a prática esportiva. A pesquisa ouviu 5 mil jovens entre 12 e 24 anos e 2 mil pais, em dez países: Brasil, Austrália, França, Alemanha, Indonésia, Itália, Nigéria, Espanha, Suíça e Estados Unidos.

De acordo com a pesquisa, 72% dos jovens entendem ser importante a participação esportiva e 90% dos entrevistados dizem que praticar esportes melhora a saúde física. No entanto, o tempo gasto pelos jovens nessas atividades é considerado baixo. Somente 20% das pessoas ouvidas são fisicamente ativas por cinco ou mais horas por semana. O estudo afirma que 82% dos jovens entrevistados fazem alguma atividades físicas, 66% praticam esporte e 61% assistem esportes na televisão.

Na pesquisa, os jovens apontaram quatro principais motivos para não praticarem esportes por mais tempo ao longo da semana. A carga horária dividida com outras obrigações é colocada como o maior empecilho para ampliar o tempo de atividade física esportiva.

"O mais importante é mostrar ao jovem que o sedentarismo é a maior causa de mortalidade na vida adulta. A juventude precisa entender que se manter ativo é uma poupança para uma vida adulta saudável. A gente tem visto cada vez menos campinhos de futebol, áreas de lazer... Essa consciência tem de ser coletiva para alcançar a juventude", diz Fabrício Buzatto, médico do esporte e fisiatra.

Outro situação apontado pelos entrevistados diz respeito à realização de atividades sozinho ou na companhia de desconhecidos. Os jovens preferem praticar esportes com pessoas do seu convívio. O custo de vida também é lembrado como um desafio por 37% dos entrevistados. Apesar de a pandemia da covid-19 ter se encerrado em maio de 2023 com a queda no número de casos, ela é citada por 34% dos jovens como uma preocupação constante que impede a prática esportiva com maior frequência.

"A pandemia foi um divisor de águas no comportamento da população. As restrições e adesão a telas e práticas não esportivas foi muito grande pelo bloqueio de contato. O poder público precisa se engajar para explorar mais opções de lazer, competições, praças públicas, principalmente onde a oferta de lazer é muito baixa", complementa Buzatto.

"O esporte é um grande elemento de melhoria na vida de qualquer pessoa, de qualquer idade. As marcas e principalmente as instituições ligadas ao esporte precisam se envolver cada vez mais com projetos que colaborem para que as pessoas cuidem do seu corpo, pois, assim, estarão automaticamente cuidando da mente e da alma delas", afirma Renê Salviano, CEO da Heatmap e especialista em marketing esportivo.

Entre os entrevistados, a diversão foi apontada por 56% como o primeiro motivo para praticar esportes. Depois são citadas: melhorar a saúde física (54%), estar em forma (50%), ficar com mais energia (47%) e melhorar a saúde mental (47%). Quem pratica esporte se sente mais contente e autoconfiante e ainda relata evolução na performance escolar.

"Criar cultura é uma tarefa que precisa de apoio coletivo e movimento em massa constante. Só assim o cenário poderá sofrer uma mudança significativa, haja vista os números que demonstram que, uma vez estimuladas e identificadas as preferências e as individualidades, os jovens topam praticar esporte. Os ganhos com saúde, bem estar e o aumento da probabilidade de termos cidadãos mais conscientes em todos os aspectos da vida, seguramente causaram um efeito rebote positivo em diversos aspectos de comportamento da sociedade", afirma Reginaldo Diniz, CEO e sócio-fundador da End to End, empresa de soluções e engajamento para o mercado esportivo.

A pesquisa traz um recorte que demonstra que a percepção da importância da prática esportiva é maior entre homens (77%) do que entre mulheres (67%) e que essa noção decai com a idade: 12 a 15 anos (75%), 16 a 19 anos (71%) e 20 a 24 anos (70%).

 

Ø  Exercícios garantem mais saúde e melhor qualidade de vida

 

As atividades físicas são mantras de quem procura ter qualidade de vida. Pilares nos discursos de especialistas, são protagonistas da longevidade. 

No Brasil, um dos principais problemas enfrentados é o sedentarismo. O último levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta que cerca de 47% dos brasileiros não praticam nenhum tipo de atividade física. Entre os jovens o percentual é de 84%.

Para reverter essa tendência, diversas iniciativas têm sido implementadas pelos setores público e privado para incentivar a prática de atividades físicas. Entre os diversos pontos da capital, espaços comunitários têm ganhado a atenção dos brasilienses, que veem neles uma alternativa para se exercitar em equipamentos adequados e ao ar livre.

·        Mudança de vida

A aposentada Zeila Oliveira, 83 anos, pedala todos os dias de casa, na Asa Sul, até o Parque da Cidade. E isso não é de hoje. "Desde que eu me entendo por gente sempre fiz exercícios. Gostava muito de fazer ginástica. Agora, fico mais na musculação", contou.

Em uma das visitas diárias ao local, ela conheceu o projeto Mude, que desde julho tem no Parque da Cidade um espaço completo para atividade física. "Não basta só caminhar. Isso ajuda também, mas tem que fazer mais", reforçou.

Além da melhora no bem-estar físico, a aposentada conta que os benefícios se estendem à vida social. Se exercitar na companhia de outras pessoas trouxe uma nova alegria à Zeila. "É a melhor coisa que tem: você vem aqui e faz ótimas amizades. Velho não pode ficar em casa que morre, meu filho", satirizou.

A constatação de que a felicidade está no convívio também é do professor Pedro Henrique, 33 anos, um dos colaboradores do espaço. "É muito bom ver a evolução dos alunos. Aconselho que todos façam alguma atividade física. Saúde em primeiro lugar. É uma mudança pontual, mas que reverbera para todas as outras áreas da vida", disse.

·        Corpo e mente

Enquanto uns preferem se exercitar na companhia de muitas pessoas, outros têm na atividade física um momento de meditação. Esse é o caso da aposentada Rosa Bezerra, 70 anos, outra praticante a marcar presença todos os dias no Parque da Cidade.

Ela também é amante das atividades físicas, as quais pratica desde a adolescência. A idade chegou e os tempos mudaram, mas a paixão pelos exercícios continuou a mesma. "Hoje, faço hidroginástica regularmente numa unidade do Serviço Social do Comércio (Sesc) e faço caminhada aqui no parque todos os dias. Sempre aproveito para me aquecer um pouco no Ponto de Encontro Comunitário (PEC)", descreveu. "A atividade física se incorporou à minha vida. Tenho saúde e equilíbrio emocional. Passei a ser uma pessoa mais feliz. Fiquei mais paciente, perseverante e durmo muito bem! Os exercícios são a mola propulsora da minha vida."

·        Devagar e sempre

Além do foco nos resultados, é importante ter em mente que grandes mudanças não acontecem do dia para a noite. Pensando assim, é que o aposentado Geraldo Caixeta, 63 anos, seguiu se exercitando pelos últimos 30 anos. Quando era mais novo, ele não abria mão do futebol com os amigos. A idade foi chegando e ele resolveu pegar mais leve. Agora, todas as terças e sextas ele sai de casa, no Lago Sul, e e vai para o Parque da Cidade. "Gosto muito daqui. É um ambiente bom e tranquilo", pontuou calmamente.

Para ele, a constância é fundamental. A atividade no parque acontece em dois dias específicos, mas continua nos outros dias da semana, mesmo que mais perto de casa. Tudo começa com um breve aquecimento nos aparelhos dos PECs. Depois, os movimentos ganham velocidade. "Vou me esticando ali e logo inicio com uma caminhada. Aí então, começo a correr", detalhou.

Geraldo conta que os benefícios são inúmeros. "Me sinto muito bem. Zero dor, até o momento. Estou com 63 anos e há tempos que não sei o que é uma dor de cabeça, dor na perna, nada. Sempre corro devagar, não gosto de exceder. É aquela coisa, devagar e sempre. Quero correr mais uns 20 ou 30 anos", brincou.

·        Vida mais saudável

O cardiologista Renato David da Silva, do Hospital Santa Marta, é um dos que reforça a relevância dos exercícios físicos para a saúde. O especialista destaca que as atividades podem trazer uma série de benefícios para o organismo, principalmente para o coração. "Além de promover um bem-estar físico, reduz o risco de doenças cardiovasculares como, por exemplo, infarto, os acidentes vasculares cerebrais conhecidos como derrames e outras doenças também", explicou.

Fazer exercícios físicos também é essencial para quem possui algum tipo de doença cardiovascular. "Naqueles pacientes que são portadores de doenças, como hipertensão e diabetes, a atividade física auxilia no seu controle, minimizando complicações futuras."

"Com o envelhecimento, nosso organismo passa por algumas mudanças típicas em pessoas mais velhas, como a perda óssea e também uma alteração da musculatura esquelética, o que resulta na redução da força e massa muscular. A atividade física pode prevenir esses eventos, resultando em menor risco de queda, fraturas e complicações geradas por essas alterações", esclarece.

·        Outro lado

Se por um lado os pontos positivos são numerosos, por outro a falta de atividade física pode trazer malefícios. "Pacientes sedentários têm maior predisposição a doenças degenerativas, como diabetes e aumento do colesterol, que é um fator associado a riscos de infarto e Acidente Vascular Cerebral (AVC). Eles têm maior risco de lesões ortopédicas, doenças articulares e obesidade", alertou.

Porém, é essencial que qualquer mudança no estilo de vida seja feita de forma gradual e acompanhada por profissionais de saúde. "Sabemos que, muitas vezes, o início da atividade sem adequada orientação pode resultar em complicações, que além de trazer dores e desconforto podem prejudicar que esse indivíduo mantenha atividade regular", advertiu Silva. Mas um ponto é consensual entre os especialistas: é preciso começar a praticar atividades físicas. "Comece e que se estenda para a vida inteira", conclui o cardiologista.

 

Fonte: Agencia Estado/Correio Braziliense

 

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