Estudo revela por que jovens dedicam
pouco tempo à prática de esportes
Um estudo promovido pelo Grupo Allianz, em parceria
com o Comitê Olímpico Internacional (COI), trouxe dados importantes sobre o
envolvimento da juventude com a prática esportiva. A pesquisa ouviu 5 mil jovens entre 12 e 24
anos e 2 mil pais, em dez países: Brasil, Austrália, França, Alemanha,
Indonésia, Itália, Nigéria, Espanha, Suíça e Estados Unidos.
De acordo com a pesquisa, 72% dos jovens entendem
ser importante a participação esportiva e 90% dos entrevistados dizem que
praticar esportes melhora a saúde física. No entanto, o tempo gasto pelos
jovens nessas atividades é considerado baixo. Somente 20% das pessoas ouvidas
são fisicamente ativas por cinco ou mais horas por semana. O estudo afirma que
82% dos jovens entrevistados fazem alguma atividades físicas, 66% praticam
esporte e 61% assistem esportes na televisão.
Na pesquisa, os jovens apontaram quatro principais
motivos para não praticarem esportes por mais tempo ao longo da semana. A carga
horária dividida com outras obrigações é colocada como o maior empecilho para
ampliar o tempo de atividade física esportiva.
"O mais importante é mostrar ao jovem que o
sedentarismo é a maior causa de mortalidade na vida adulta. A juventude precisa
entender que se manter ativo é uma poupança para uma vida adulta saudável. A
gente tem visto cada vez menos campinhos de futebol, áreas de lazer... Essa
consciência tem de ser coletiva para alcançar a juventude", diz Fabrício
Buzatto, médico do esporte e fisiatra.
Outro situação apontado pelos entrevistados diz
respeito à realização de atividades sozinho ou na companhia de desconhecidos.
Os jovens preferem praticar esportes com pessoas do seu convívio. O custo de
vida também é lembrado como um desafio por 37% dos entrevistados. Apesar de a
pandemia da covid-19 ter se encerrado em maio de 2023 com a queda no número de
casos, ela é citada por 34% dos jovens como uma preocupação constante que
impede a prática esportiva com maior frequência.
"A pandemia foi um divisor de águas no
comportamento da população. As restrições e adesão a telas e práticas não
esportivas foi muito grande pelo bloqueio de contato. O poder público precisa
se engajar para explorar mais opções de lazer, competições, praças públicas,
principalmente onde a oferta de lazer é muito baixa", complementa Buzatto.
"O esporte é um grande elemento de melhoria na
vida de qualquer pessoa, de qualquer idade. As marcas e principalmente as
instituições ligadas ao esporte precisam se envolver cada vez mais com projetos
que colaborem para que as pessoas cuidem do seu corpo, pois, assim, estarão
automaticamente cuidando da mente e da alma delas", afirma Renê Salviano,
CEO da Heatmap e especialista em marketing esportivo.
Entre os entrevistados, a diversão foi apontada por
56% como o primeiro motivo para praticar esportes. Depois são citadas: melhorar
a saúde física (54%), estar em forma (50%), ficar com mais energia (47%) e
melhorar a saúde mental (47%). Quem pratica esporte se sente mais contente e
autoconfiante e ainda relata evolução na performance escolar.
"Criar cultura é uma tarefa que precisa de
apoio coletivo e movimento em massa constante. Só assim o cenário poderá sofrer
uma mudança significativa, haja vista os números que demonstram que, uma vez
estimuladas e identificadas as preferências e as individualidades, os jovens
topam praticar esporte. Os ganhos com saúde, bem estar e o aumento da
probabilidade de termos cidadãos mais conscientes em todos os aspectos da vida,
seguramente causaram um efeito rebote positivo em diversos aspectos de comportamento
da sociedade", afirma Reginaldo Diniz, CEO e sócio-fundador da End to End,
empresa de soluções e engajamento para o mercado esportivo.
A pesquisa traz um recorte que demonstra que a
percepção da importância da prática esportiva é maior entre homens (77%) do que
entre mulheres (67%) e que essa noção decai com a idade: 12 a 15 anos (75%), 16
a 19 anos (71%) e 20 a 24 anos (70%).
Ø Exercícios
garantem mais saúde e melhor qualidade de vida
As atividades físicas são mantras de quem procura
ter qualidade
de vida. Pilares nos discursos de especialistas, são protagonistas da
longevidade.
No Brasil, um dos principais problemas enfrentados
é o sedentarismo. O último
levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta
que cerca de 47% dos brasileiros não praticam nenhum tipo de atividade
física. Entre os jovens o percentual é de 84%.
Para reverter essa tendência, diversas iniciativas
têm sido implementadas pelos setores público e privado para incentivar a
prática de atividades físicas. Entre os diversos pontos da capital, espaços
comunitários têm ganhado a atenção dos brasilienses, que veem neles uma
alternativa para se exercitar em equipamentos adequados e ao ar livre.
·
Mudança de vida
A aposentada Zeila Oliveira, 83 anos, pedala todos
os dias de casa, na Asa Sul, até o Parque da Cidade. E isso não é de hoje.
"Desde que eu me entendo por gente sempre fiz exercícios. Gostava muito de
fazer ginástica. Agora, fico mais na musculação", contou.
Em uma das visitas diárias ao local, ela conheceu o
projeto Mude, que desde julho tem no Parque da Cidade um espaço completo para
atividade física. "Não basta só caminhar. Isso ajuda também, mas tem que
fazer mais", reforçou.
Além da melhora no bem-estar físico, a aposentada
conta que os benefícios se estendem à vida social. Se exercitar na companhia de
outras pessoas trouxe uma nova alegria à Zeila. "É a melhor coisa que tem:
você vem aqui e faz ótimas amizades. Velho não pode ficar em casa que morre,
meu filho", satirizou.
A constatação de que a felicidade está no convívio
também é do professor Pedro Henrique, 33 anos, um dos colaboradores do espaço.
"É muito bom ver a evolução dos alunos. Aconselho que todos façam alguma
atividade física. Saúde em primeiro lugar. É uma mudança pontual, mas que
reverbera para todas as outras áreas da vida", disse.
·
Corpo e mente
Enquanto uns preferem se exercitar na companhia de
muitas pessoas, outros têm na atividade física um momento de meditação. Esse é
o caso da aposentada Rosa Bezerra, 70 anos, outra praticante a marcar presença
todos os dias no Parque da Cidade.
Ela também é amante das atividades físicas, as
quais pratica desde a adolescência. A idade chegou e os tempos mudaram, mas a
paixão pelos exercícios continuou a mesma. "Hoje, faço hidroginástica
regularmente numa unidade do Serviço Social do Comércio (Sesc) e faço caminhada
aqui no parque todos os dias. Sempre aproveito para me aquecer um pouco no
Ponto de Encontro Comunitário (PEC)", descreveu. "A atividade física
se incorporou à minha vida. Tenho saúde e equilíbrio emocional. Passei a ser
uma pessoa mais feliz. Fiquei mais paciente, perseverante e durmo muito bem! Os
exercícios são a mola propulsora da minha vida."
·
Devagar e sempre
Além do foco nos resultados, é importante ter em
mente que grandes mudanças não acontecem do dia para a noite. Pensando assim, é
que o aposentado Geraldo Caixeta, 63 anos, seguiu se exercitando pelos últimos
30 anos. Quando era mais novo, ele não abria mão do futebol com os amigos. A
idade foi chegando e ele resolveu pegar mais leve. Agora, todas as terças e
sextas ele sai de casa, no Lago Sul, e e vai para o Parque da Cidade.
"Gosto muito daqui. É um ambiente bom e tranquilo", pontuou calmamente.
Para ele, a constância é fundamental. A atividade
no parque acontece em dois dias específicos, mas continua nos outros dias da
semana, mesmo que mais perto de casa. Tudo começa com um breve aquecimento nos
aparelhos dos PECs. Depois, os movimentos ganham velocidade. "Vou me
esticando ali e logo inicio com uma caminhada. Aí então, começo a correr",
detalhou.
Geraldo conta que os benefícios são inúmeros.
"Me sinto muito bem. Zero dor, até o momento. Estou com 63 anos e há
tempos que não sei o que é uma dor de cabeça, dor na perna, nada. Sempre corro
devagar, não gosto de exceder. É aquela coisa, devagar e sempre. Quero correr
mais uns 20 ou 30 anos", brincou.
·
Vida mais saudável
O cardiologista Renato David da Silva, do
Hospital Santa Marta, é um dos que reforça a relevância dos exercícios físicos
para a saúde. O especialista destaca que as atividades podem trazer uma série
de benefícios para o organismo, principalmente para o coração. "Além de
promover um bem-estar físico, reduz o risco de doenças cardiovasculares como,
por exemplo, infarto, os acidentes vasculares cerebrais conhecidos como
derrames e outras doenças também", explicou.
Fazer exercícios físicos também é essencial para
quem possui algum tipo de doença cardiovascular. "Naqueles pacientes que
são portadores de doenças, como hipertensão e diabetes, a atividade física
auxilia no seu controle, minimizando complicações futuras."
"Com o envelhecimento, nosso organismo passa
por algumas mudanças típicas em pessoas mais velhas, como a perda óssea e
também uma alteração da musculatura esquelética, o que resulta na redução
da força e massa muscular. A atividade física pode prevenir esses eventos,
resultando em menor risco de queda, fraturas e complicações geradas por essas
alterações", esclarece.
·
Outro lado
Se por um lado os pontos positivos são numerosos,
por outro a falta de atividade física pode trazer malefícios. "Pacientes
sedentários têm maior predisposição a doenças degenerativas, como diabetes e
aumento do colesterol, que é um fator associado a riscos de infarto e Acidente
Vascular Cerebral (AVC). Eles têm maior risco de lesões ortopédicas, doenças
articulares e obesidade", alertou.
Porém, é essencial que qualquer mudança no estilo
de vida seja feita de forma gradual e acompanhada por profissionais de saúde.
"Sabemos que, muitas vezes, o início da atividade sem adequada orientação
pode resultar em complicações, que além de trazer dores e desconforto podem
prejudicar que esse indivíduo mantenha atividade regular", advertiu Silva.
Mas um ponto é consensual entre os especialistas: é preciso começar a praticar
atividades físicas. "Comece e que se estenda para a vida inteira",
conclui o cardiologista.
Fonte: Agencia Estado/Correio Braziliense

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