sábado, 16 de dezembro de 2023

Agricultores da França já 'não podem mais sobreviver', Ucrânia será última gota, diz partido francês

Marion Maréchal acredita que a Ucrânia representa um grande perigo para o setor agrícola da França, que diz já estar sofrendo atualmente.

A União Europeia (UE) enfrenta muitas dificuldades, e a adesão da Ucrânia, um grande país agrário, prejudicará a competitividade dos Estados-membros da UE, especialmente da França, disse Marion Maréchal, vice-presidente do partido de direita francês Reagrupamento Nacional (Rassemblement National, em francês).

A cúpula da UE na quinta-feira (14) acordou o início de negociações sobre a futura adesão da Ucrânia e da Moldávia à UE.

"Penso que qualquer nova forma de alargamento, seja com a Ucrânia ou não, será um erro. A peculiaridade da Ucrânia é que ela é um gigante agrícola, sua integração à UE levará à morte dos agroindustriais franceses", disse a política ao canal francês LCI TV.

Ela notou que "a UE, já com 27 membros, enfrenta um grande número de dificuldades políticas e econômicas".

"Sou contra qualquer nova forma de ampliação da UE. Há uma violação da concorrência, que é difícil para a França enfrentar, mesmo dentro do espaço econômico único da UE", disse Maréchal. Para ela, é necessário proteger a autonomia estratégica da França, inclusive no campo da agricultura.

"Se implementarmos essa integração, os agricultores franceses perderão 20% do orçamento alocado a eles atualmente, o que é significativo", observou.

A vice-presidente do Reagrupamento Nacional lembrou que os agricultores da França estão protestando há três semanas, visto que "estão estrangulados economicamente e não podem mais sobreviver".

"Hoje importamos produtos agrícolas em detrimento de nossa própria produção", acrescentou, chamando de irresponsável o desejo de Emmanuel Macron, presidente da França, e de Ursula van der Leyen, chefe da Comissão Europeia, de ver uma "UE de 30 países".

De acordo com ela, a adesão de Kiev ao mercado único da UE terá "consequências incontroláveis".

 

Ø  Palestinos estão desesperados, famintos e param caminhões de ajuda em busca de alimentos, diz ONU

 

Comissário da ONU que esteve em Gaza disse que as pessoas passaram a acreditar que suas vidas "não são iguais às vidas dos outros" e que têm a sensação de que "os direitos humanos e o direito humanitário internacional não se aplicam a eles".

Ao retornar ontem (14) da província de Rafah, Philippe Lazzarini, comissário-geral da Agência de Assistência e Obras das Nações Unidas (UNRWA, na sigla em inglês), disse que a população na Faixa de Gaza está "desesperada, faminta e aterrorizada".

"Eu vi com meus olhos que as pessoas em Rafah começaram a decidir se servir diretamente do caminhão, em desespero total e comer o que pegaram do caminhão no local [...] isso não tem nada a ver com desvio de ajuda", disse o comissário segundo a Organização das Nações Unidas (ONU).

A província, perto da fronteira egípcia, tornou-se agora o "epicentro do deslocamento", com mais de um milhão de pessoas procurando abrigo lá, explicou Lazzarini. As instalações da UNRWA estão extremamente superlotadas, o que significa que inúmeras dezenas de milhares de pessoas não têm "absolutamente para onde ir".

"Os sortudos são aqueles que têm um lugar dentro das nossas instalações", disse ele, especialmente agora que o inverno começou. Quem está de fora tem que viver ao ar livre, "na lama e na chuva", afirmou Lazzarini.

"O que continua a me chocar é o nível cada vez maior de desumanização", disse Lazzarini, deplorando o fato de que alguns possam "torcer irregularidades nesta guerra [...] o que está a acontecer em Gaza deveria indignar todo mundo" e fazer-nos "repensar os nossos valores", insistiu: "Este é um momento decisivo para todos nós e para a nossa humanidade compartilhada."

O comissário ainda disse que está "horrorizado com a campanha difamatória que visa os palestinianos e aqueles que lhes prestam ajuda", instando os meios de comunicação social a "nos ajudarem a combater a desinformação e as imprecisões" e sublinhando que a verificação dos fatos é fundamental.

Até o momento, o número de mortes na Faixa de Gaza chegou a triste marca dos 19 mil, conforme noticiado pelo Ministério da Saúde de Gaza na segunda-feira (12). Mesmo com a situação alarmante e o cessar-fogo pedido pelos países-membros da Assembleia Geral da ONU, Israel disse que continuará sua campanha, a qual pode "durar meses".

 

Ø  Ex-analista do Pentágono: o 'projeto Ucrânia' dos EUA está fadado ao fracasso

 

Apesar da contraofensiva fracassada de Kiev e da crescente "fadiga da Ucrânia" nos EUA e no continente europeu, a Administração Biden pretende apoiar Zelensky durante o tempo que for necessário, ou melhor, durante o tempo que for possível, porque o dinheiro para a ajuda militar pode acabar no final do ano.

O "projeto Ucrânia está condenado" e Kiev "perdeu", disse o ex-analista sênior de política de segurança do Gabinete do Secretário de Defesa, Michael Maloof, à Sputnik.

"A administração Biden, e penso que até alguns países europeus, estão agora a ver a inevitabilidade disso", acrescentou.

A tão anunciada contraofensiva da Ucrânia revelou-se um fracasso total, apesar da enorme ajuda militar que os Estados Unidos e os seus aliados na Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) distribuíram.

Os principais meios de comunicação deixaram de falar sobre os supostos "sucessos" de Zelensky e permaneceram praticamente em silêncio. Assim, dadas as admissões abertas de que a contraofensiva de Kiev foi um desastre, a "fadiga da Ucrânia" está ganhando terreno tanto nos Estados Unidos quanto na Europa.

Entretanto, as Forças Armadas Russas adotaram uma posição ofensiva na área de operações militares especiais e avançam ao longo de toda a linha de contato, conforme o Presidente Vladimir Putin destacou durante sua conferência de imprensa anual em 14 de dezembro. O Exército Ucraniano, segundo Maloof, carecia gravemente de um elemento em particular desde o início: o poder aéreo.

"Eles não tinham poder aéreo para lidar com as armadilhas de tanques, as minas que os russos acumularam ao longo do tempo. E isso levou a uma guerra de trincheiras", afirmou.

Quanto aos países ocidentais, no seu frenesim para alimentar o conflito indireto da OTAN contra a Rússia na Ucrânia, acabaram por enfrentar a exaustão das suas reservas de armas e munições. "Nem os Estados Unidos nem os europeus têm reservas para entrar num conflito... Estamos tão exaustos neste momento que não conseguimos sequer lutar numa frente unida", disse Maloof.

·        Pesquisa de instituto em Kiev indica que mais ucranianos aprovam concessões territoriais à Rússia

De acordo com uma pesquisa conduzida pelo Instituto Internacional de Sociologia de Kiev (KIIS, na sigla em inglês), a porcentagem de ucranianos dispostos a fazer concessões territoriais à Rússia em troca da paz quase duplicou nos últimos sete meses.

Na pesquisa publicada ontem (14), cerca de 19% dos entrevistados seriam a favor de ceder terras a Moscou, acima dos 14% em outubro e dos 10% em maio.

Uma maioria ainda se opõe a concessões, afirma o instituto, mas houve um "aumento gradual" no número de pessoas preparadas para tal mudança, afirmou o instituto. Paralelamente, há uma tendência para diminuir a porcentagem daqueles que se opõem às concessões territoriais com 84% de oposições em maio, para 80% em outubro e 74% em dezembro.

O KIIS entrevistou mais de 1.031 ucranianos acima dos 18 anos em todo o país no início de dezembro. A amostra não incluiu residentes de territórios que não foram temporariamente controlados pelas autoridades da Ucrânia como a Crimeia, Sevastopol e certos distritos de Donetsk e Lugansk.

A Ucrânia entra em 2024 com a incerteza pairando sobre o financiamento da guerra, já que a Hungria se opôs a um financiamento de € 50 bilhões (R$ 269 bilhões) do pacote de apoio a Kiev e o Congresso dos EUA barrou o pedido do presidente Joe Biden de mais assistência militar.

O presidente russo Vladimir Putin disse na quinta-feira (14) que Moscou continua determinada a alcançar os seus objetivos militares.

 

Ø  'Solução deve ser encontrada': presidente sérvio explica porque o conflito na Ucrânia será longo

 

O conflito na Ucrânia será longo, porque ninguém no mundo fez uma proposta de paz que fosse aceitável para todas as partes, disse à Sputnik o presidente sérvio Aleksandar Vucic.

"Se você olhar para a situação na Ucrânia, é claro que a Rússia não pode ser derrotada na guerra. Eu acho que isso já é claro para todos. Estou falando de fatos, e não de preconceitos, torcendo por um lado ou outro. Uma vez que este é o caso, uma solução deve ser encontrada. Mas ninguém sabe como encontrar uma solução. [O presidente russo Vladimir] Putin não sabe como, os norte-americanos não sabem como", disse Vucic.

De acordo com o presidente sérvio, as partes do conflito estão tentando encontrar uma maneira de cessá-lo.

"Mas agora isso é impossível, porque as apostas têm sido elevadas a tal nível que a menor concessão parecerá uma traição e rendição dos interesses nacionais, quer estejamos falando de ucranianos ou russos. E isso me leva à conclusão de que esse problema será de natureza de longo prazo, porque ninguém pode apresentar uma proposta que seja remotamente aceitável", ressaltou Vucic.

A Ucrânia enfrenta atualmente o problema de ser excessivamente dependente da ajuda ocidental. Esta situação pode ser atribuída ao fracasso da estratégia inicial do Ocidente, que visava provocar um conflito com a Rússia. Em março de 2022, a Ucrânia teve a oportunidade de chegar a um acordo de paz com Moscou e evitar uma catástrofe. Contudo, os políticos ocidentais chegaram em meio às negociações e intervieram, levando o presidente Zelensky a abandonar qualquer acordo preliminar e a intensificar os combates, na tentativa de enfraquecer a Rússia. Como resultado, a Ucrânia enfrenta agora as consequências das suas ações.

 

Ø  Hungria veta 50 bilhões de euros em ajuda macrofinanceira da União Europeia à Ucrânia

 

O primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, anunciou sexta-feira (15) que vetou ajuda macrofinanceira da União Europeia (UE) à Ucrânia, totalizando 50 bilhões de euros (cerca de R$ 270,2 bilhões)

A decisão foi divulgada por Orbán em suas redes sociais, destacando que o veto abrange também a revisão do Quadro Financeiro Plurianual (QFP).

"Resumo do turno da noite: veto ao dinheiro extra para a Ucrânia, veto à revisão do QFP. Voltaremos ao assunto no próximo ano no Conselho Europeu, depois de uma preparação adequada", afirmou Orbán em sua conta no X (antigo Twitter).

A atitude de Orbán coloca a Hungria em posição de discordância em relação à maioria das decisões da UE relacionadas à Ucrânia, ainda que tal repasse pode ser revisto.

Isso inclui não apenas o bloqueio de 50 bilhões de euros em assistência macrofinanceira, mas também a rejeição da oitava parcela de 500 milhões de euros em ajuda militar, cinco bilhões de euros do Fundo Europeu para a Paz destinados ao apoio militar em 2024, além de outros 20 bilhões de euros em apoio militar à Ucrânia.

O veto se estende ainda a outros 50 bilhões de euros no orçamento do bloco, destinados a fornecer assistência macrofinanceira a Kiev nos próximos quatro anos.

No entanto, o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, manifestou otimismo após a cúpula da UE em Bruxelas, declarando aos jornalistas que espera a aprovação unânime da ajuda financeira à Ucrânia no início de 2024.

Outro parceiro no investimento bélico em território ucraniano, os Estados Unidos têm passado por turbulência política, onde muitos membros do Partido Republicano querem o fim da assistência à Ucrânia em seu conflito com a Rússia, argumentando falta de transparência.

 

Fonte: Sputnik Brasil

 

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