Weintraub sobre família Bolsonaro: 'Ratos, em breve, estarão presos'
O ex-ministro da Educação do governo de Jair
Bolsonaro (PL), Abraham Weintraub, chamou o ex-presidente de “cafetão” e
classificou sua família como “ratos”, em uma publicação nas redes sociais. O
antigo aliado defendeu aqueles que se isentaram de escolher entre Bolsonaro e o
presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições de 2022.
“O cafetão
quer saber onde andam os que se isentaram de escolher entre ele e o carniça. Eu
estou na piscina, livre de suas mentiras. Já você e sua "família" de
ratos, em breve, estarão presos. Vagabundo! Ladrão! Mentiroso! E ainda vou
falar isso na sua cara. Rato!”, esbravejou no Twitter, publicando uma foto em
um clube.
Desde que rompeu com o núcleo bolsonarista,
Weintraub tem feito críticas contundentes ao ex-presidente, principalmente
agora que Bolsonaro enfrenta uma série de inquéritos policiais que suspeitam de
corrupção. Em uma referência ao escândalo do desvio de joias, ele já afirmou
que o bolsonarismo está cheio de “ladrões e mentirosos”.
“Passando
aqui só para lembrar que o Bolsonarismo é uma LEPRA, que está cheio de ladrões
e mentirosos, que suas "damas" não valem nada, que os ‘degenerais’
são ainda piores e que eu avisei vocês disso tudo”, disse.
<><> “Joias” para rei Charles achadas
sob cama de Michelle são bijuteria
As joias encontradas sob a cama usada pelo então
presidente Jair Bolsonaro (PL) e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, na
embaixada do Brasil em Londres, eram, na verdade, bijuterias, segundo o
Itamaraty. Como revelado pelo Metrópoles, uma caixa de papelão com os objetos
foi encontrada sob a cama do casal durante uma viagem oficial à Inglaterra, em
setembro de 2022.
A caixa foi trazida ao Brasil por um militar da
Ajudância de Ordens em um voo do escalão avançado (Scav), que prepara a chegada
do presidente no seu destino, e colocada no cofre utilizado pelos ajudantes de
ordem. Após autorização do tenente-coronel Mauro Cid, chefe da equipe e
braço-direito de Bolsonaro, a caixa foi entregue no Palácio da Alvorada para
uma assessora de Michelle no dia 21 de setembro.
As informações constam em e-mails de ex-ajudantes
de ordens de Jair Bolsonaro, que foi a Londres para o funeral da rainha
Elizabeth II, sepultada no dia 19 de setembro.
Por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI), o
Itamaraty informou à reportagem que a caixa de papelão continha outras três
caixas com dois colares e um par de brincos de bijuteria da marca Marré
Infinito, pesando, em conjunto, cerca de 200g. A marca mineira diz vender
semijoias de luxo, com pedras naturais e swarovski.
Email sobre caixa de joias esquecida embaixo da
cama de Michelle e Bolsonaro na embaixada do Brasil em Londre
No último dia 11, depois de questionada pelo
Metrópoles, a assessoria de Michelle afirmou que a caixa com as joias não era
da primeira-dama e que foram trazidas ao Brasil por engano. A assessoria
explicou que o objeto seria um presente de um anônimo para o então príncipe
Charles, e que foi devolvido à embaixada.
O Itamaraty afirma que após devolvido, o objetivo
foi enviado novamente para a embaixada do Brasil em Londres no dia 29 de
setembro, e chegou ao local no dia 5 de outubro. Conforme o ministério, como
“os itens foram recebidos em um momento de luto nacional, não houve ocasião
para sua entrega oficial”. “Os objetos encontram-se na Embaixada do Brasil em
Londres”, informou.
O caso
No mês passado, questionada sobre as informações
que constam em relatório dos ajudantes de ordem, a equipe de Michelle alegou
que houve um equívoco no relato, e que, na verdade, o objeto não tinha sido
esquecido na embaixada.
A assessoria afirmou que as joias seriam “um
adereço de pescoço, aparentemente de fabricação artesanal”, que teria sido
entregue a uma assessora de Michelle em Londres por uma pessoa que se
encontrava em uma multidão em um local por onde passaria o ex-casal
presidencial.
“A dinâmica de movimentação das comitivas é muito
acelerada e, portanto, a assessora, num gesto de gentileza e consideração,
apenas recebeu o embrulho e o levou para Embaixada do Brasil para que,
posteriormente, fossem adotadas as medidas cabíveis pelos servidores
responsáveis”, justificou. Diante do forte esquema de segurança, no entanto,
não foi possível entregar o presente à realeza.
A equipe de Michelle Bolsonaro afirmou que, “ao que
tudo indica”, um membro da comitiva responsável por checar os aposentos “teria
pegado o embrulho e trazido para o país supondo pertencer à primeira-dama ou a
algum outro membro da comitiva que a acompanhava”.
Já no Brasil, segundo nota, quando as assessoras de
Michelle receberam o pacote e perceberam que foi trazido por engano, elas o
entregaram a um diplomata que servia à presidência e pediram para que o objeto
fosse devolvido à embaixada do Brasil em Londres via mala diplomática.
Moisés
Mendes: Mauro Cid sofre para deixar de ser o ajudante de Bolsonaro e Michelle
Alguns argumentos básicos para quem acredita mesmo
na decisão do coronel Mauro Cid de recuar da delação de Bolsonaro e de gente do
seu entorno por envolvimento nos crimes do Planalto.
O ex-ajudante de ordens, que acorda delator e dorme
conciliador, pode ter chegado à conclusão de que não precisa dedurar o
ex-chefe. As provas contra Bolsonaro estariam chegando à Polícia Federal de
todos os lados.
É uma munição pesada que ele não precisaria gastar,
porque envolve altos riscos, pelos estilhaços que provoca e porque pode ter
efeitos duvidosos.
Com o recuo, Cid assumiria a sua parte, obediente à
orientação do advogado Cezar Bitencourt. Detalharia à PF como as operações com
as joias aconteciam e poderia sugerir fidelidade pública e eterna a Bolsonaro.
E ficaria esperando que o sujeito se enredasse em
informações fornecidas por outros protagonistas da venda e recompra das
muambas, principalmente o advogado Frederick Wassef.
Mauro Cid deixaria que a PF chegasse às conclusões
incriminadoras a partir do que ele mesmo conta e do que outros irão contar,
inclusive os que silenciam, mas sem delação explícita.
Sendo assim, o resto ficaria por conta da devassa
em celulares e rastros deixados pelos operadores dos negócios com os presentes.
Só que Mauro Cid era o três em um de Bolsonaro.
Resolver a sua parte na questão das joias pode significar apenas que uma das
três frentes estará perto de solução.
Ficaria faltando a sua contribuição para a
amarração dos rolos das fraudes nos cartões de vacina e das conversas sobre a
articulação do golpe. Cid é protagonista nas três áreas.
É possível que ele contribua para o esclarecimento
do caso das joias e deixe os outros crimes, em especial os que envolvem o
golpe, serem empurrados adiante pela inércia, sem a sua contribuição ativa?
É possível que o coronel recue da intenção de fazer
revelações muito drásticas sobre os parceiros de delinquência e deixe as coisas
acontecerem?
Bolsonaro e Michelle, que também se encarregaram de
disseminar a informação de que o coronel não irá incriminá-lo, passaram a
sensação, em evento do PL em Brasília no sábado, de que estão confiantes.
O clima no encontro era de vamos-lá-que-dá e de
reforço da aposta em Michelle, com um Bolsonaro feminista exaltando o
fortalecimento das mulheres na política e citando a companheira como exemplo.
Bolsonaro referiu-se à esposa como “a senhora
Michelle”, o que passa uma certa formalidade e pode indicar que o tom, a partir
de agora, será cerimonioso. A senhora Michelle é uma aposta.
Mauro Cid está sabendo dessa desenvoltura, do
deboche do projeto da Mijoias e de outras ironias de Michelle com o sistema de
Justiça e em especial com Alexandre de Moraes.
Os Bolsonaros ainda se apresentam no circo do PL,
dentro do calhambeque de Valdemar Costa Neto, e ele, o ex-ajudante, dorme com o
elefante desde 3 de maio.
Mauro Cid não vai livrar a cara do casal por
desprendimento ou total submissão à dupla que o usou como mandalete pessoal e
transformou seu pai em sacoleiro de muambas das arábias.
O coronel precisa de uma estratégia e essa agora
pode ser a sua saída. Assumir com a PF o que não tem como negar que fez e
deixar que Bolsonaro seja comido pelas informações de outros asseclas.
Mauro Cid pode estar mesmo num cantinho, encolhido
como um bom mandalete, como pode também estar fingindo que está no cantinho.
Mauro
Cid admite que joias recebidas por Bolsonaro eram de ‘interesse público’
O tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens
do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), já sabia em março deste ano que as joias
recebidas pelo governo eram bens de interesse público. Além disso, tinha
consciência de que, mesmo se os itens fizessem parte legalmente do acervo
pessoal do então presidente – o que não é o caso, por não serem personalíssimos
-, a União teria direito de preferência para a aquisição se fossem vendidas.
A revelação aparece em mensagens trocadas entre Cid
e o advogado Fábio Wajngarten, que integra a defesa de Bolsonaro no caso das
joias e foi seu secretário de Comunicação durante o mandato. Os arquivos do
celular de Cid foram obtidos pela coluna de Juliana Dal Piva, no UOL.
A conversa ocorreu em 5 de março, depois da
revelação, feita pelo Estadão, de que o governo Bolsonaro tentou trazer
ilegalmente colar e brincos de diamante da Arábia Saudita. Cid compartilhou com
Wajngarten a matéria que mostra a tentativa de entrar no País com os itens
escondidos na mochila de um militar, ao que o advogado responde: “Eu nunca vi
tanta gente ignorante na minha vida”. Cid acrescenta: “Difícil mesmo. O pior é
que está tudo documentado”.
A conversa entre os dois continua, com
desdobramentos sobre outros itens recebidos pela Presidência, mas não
encaminhados ao acervo da União – o que seria o correto de acordo com a legislação
brasileira. O próprio Cid demonstra ter conhecimento dessa ilegalidade, pois
envia a Wajngarten uma série de mensagens sobre as determinações legais para
recebimento e tratamento de presentes pela Presidência.
Entre o conteúdo enviado por Cid e revelado pela
coluna de Juliana Dal Piva, está uma imagem da Lei 8.394, de 30 de dezembro de
1991, que trata da preservação, organização e proteção dos acervos documentais
privados dos presidentes da República. Na imagem enviada pelo militar, há um
círculo verde destacando o trecho: “em caso de venda, a União terá direito de
preferência”.
Há uma série de problemas com esse trecho, que
mostram a ilegalidade das ações de aliados do ex-presidente. Até o momento não
era de conhecimento público, mas no início de agosto a Polícia Federal apontou
indícios de que Bolsonaro, Mauro Cid e outros dois assessores ‘atuaram para
desviar presentes de alto valor recebidos em razão do cargo pelo ex-Presidente
para posteriormente serem vendidos no exterior’.
A mesma lei enviada por Cid acrescenta que itens do
acervo pessoal do presidente “não poderão ser alienados para o exterior sem
manifestação expressa da União”. No entanto, a apuração da PF aponta vendas no
exterior sem qualquer direito de preferência ou manifestação expressa da União.
Além disso, como já mostrou o Estadão, os itens
recebidos por Bolsonaro nem poderiam estar em seu acervo. A principal
referência sobre os critérios para presentes do exterior é um entendimento
fixado pelo Tribunal de Contas da União (TCU) em 2016, que determina que
presentes recebidos em agendas e viagens oficiais devem ser incorporados ao
patrimônio da União. As únicas exceções são “itens de natureza personalíssima”.
Como exemplo, o TCU cita “medalhas personalizadas,
bonés, camisetas, gravata, chinelo e perfumes”. Ou seja: para que um presidente
possa ficar com o material, é preciso que seja algo pessoal e também que tenha
um valor baixo – o que não é o caso, no escândalo das joias.
O pior, no entanto, é que muitos dos itens
recebidos sequer haviam sido declarados, como é caso das joias reveladas pelo
Estadão em março. Os itens foram retidos na receita federal em 2021 justamente
por terem entrado no País sem registro. O pedido de encaminhamento ao acervo
pessoal de Bolsonaro foi feito por Mauro Cid apenas em dezembro de 2022, em uma
última tentativa infrutífera de recuperar as joias.
• ‘Pergunta
se Collor, FHC, Lula e Dilma pagaram algum imposto?’
Depois de enviar as imagens de leis para
Wajngarten, Cid tentou ligar para o advogado quatro vezes entre 11h31 e 12h48
do dia 5 de março. Wajngarten não atendeu, mas, às 17h12, eles voltaram a
conversar sobre a legislação – Cid buscava uma justificativa legal para
Bolsonaro ficar com as joias.
É nesse momento que ele admite que os itens são, de
fato, de interesse público, mas questiona a situação de presidentes anteriores
que, segundo ele, teriam ficado com presentes. “São bens de interesse público.
Pergunta para eles se os ben (sic) de Collor, FHC, Lula e Dilma pagaram algum
imposto?”, diz a mensagem do ex-ajudante de ordens.
Wajngarten responde que “não é isso” e que “não
existe culpa ou absolvição pela comparação simples”.
Moraes
trabalha para que depoimento de Cid não vaze
O ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre
de Moraes, deu um salve geral em todos os delegados da Polícia Federal (PF) que
trabalham na investigação do caso das joias. Moraes fez com que os agentes
garantam que nada será vazado do depoimento de Mauro Cid, ex-ajudante de ordens
de Jair Bolsonaro (PL), sobre o desvio e recompra de relógios e outros itens de
luxo presentados por delegações estrangeiras.
Se depender destes delegados e do ministro do STF,
nada será vazado pela PF. A preocupação real é com os vazamentos protagonizados
pelo advogado de Cid, Cezar Bitencourt. Na semana passada, ele disse que o
ex-ajudante de ordens “assumiu tudo”. “Não tem nenhuma acusação de corrupção,
envolvimento de Bolsonaro, envolvimento ou suspeita de Bolsonaro”, afirmou.
Apesar da preocupação, já é quase considerado
consenso que o depoimento vai vazar quando (ou se) for compartilhado com a
defesa de Bolsonaro. Na última semana, os advogados de Jair e Michelle Bolsonaro
pediram acesso à íntegra dos depoimentos prestados –não só de Cid, mas como o
do pai dele, Mauro Lourena Cid e Osmar Crivelatti. Moraes já havia concedido
acesso a outras provas.
O desassossego de Moraes é justamente para que as
defesas não combinem versões. Ele já proibiu que Mauro Cid se comunique com
Bolsonaro e Michelle.
Fonte: em.com/Brasil 247/IstoÉ/Metrópoles

Nenhum comentário:
Postar um comentário