Sensação de cansaço o tempo todo? Mudança de hábito ao acordar pode
aumentar disposição ao longo do dia
A grande maioria dos brasileiros sente algum tipo
de dificuldade para dormir, seja por conta da insônia ou qualquer outro tipo de
distúrbio do sono, o que pode ser um dos motivos para o sentimento de cansaço
excessivo durante o dia. Uma pesquisa realizada pela Fundação Oswaldo Cruz
(Fiocruz) revelou que mais de 70% dos brasileiros sofrem com algum distúrbio
relacionado ao sono. Além disso, um levantamento feito pela YouGov mostrou que
uma a cada oito pessoas se sente cansada o tempo todo, enquanto um em cada
quatro entrevistados relata estar cansado a maior parte do tempo.
Entretanto, os problemas na hora de dormir não são
os únicos culpados nesse sentimento de cansaço excessivo que aflige grande
parte da sociedade. Alguns comportamentos matinais que são comumente cometidos
podem potencializar o cansaço durante o dia. Por isso, ações tomadas logo ao
acordar podem ajudar a sentir-se mais descansado ao longo do dia.
Boa parte de manter o processo de se tornar ativo e
estar disposto o dia inteiro está relacionada à manutenção de rotina, que tem
início desde a hora de dormir, conforme explica o fisiologista e professor dos
cursos de Educação Física e Enfermagem da Universidade Positivo (UP), Ricardo
Cunha. “A programação do sono nos diz que deve haver uma programação de pelo
menos 30 minutos antes de se deitar. Por exemplo, tomar um banho relaxante, com
uma temperatura mais alta, causa a vasodilatação e gera uma maior circulação de
sangue; diminuir os elementos estimulantes, como TV, celular, tablet, e as
luzes do ambiente também faz parte da ‘higiene do sono’”, detalha Ricardo,
ressaltando que, a partir disso, é criada uma rotina, que é essencial para o
cérebro conseguir descansar, pois grande parte do cansaço físico vem de ordem
psíquica.
O professor aponta que sair ao ar livre logo nos
primeiros instantes após acordar pode contribuir para uma série de condições
hormonais, com a produção de dopamina e serotonina no cérebro, aumentando a
disposição para o resto do dia, pois o corpo humano precisa da homeostasia, que
é o equilíbrio do organismo. “Entretanto, depende também da condição ambiental
dessas primeiras horas do dia. Sair em um ambiente muito frio não favorece
tanto quanto a gente pensa, pois essa variação de temperatura e a baixa
luminosidade podem causar um estresse fisiológico”, alerta.
Outro comportamento comum do brasileiro é beber uma
xícara de café imediatamente após acordar. No entanto, esse hábito pela manhã
pode ser um importante fator para a sensação de cansaço ao longo do dia, pois,
durante o sono, alguns hormônios são mais atuantes nesse período de grandes
horas de jejum, como o GH, que é responsável por tentar preservar a massa
muscular, e, ao acordar, é preciso diminuir a atuação desse hormônio até que o
corpo melhore, aos poucos e naturalmente, as condições de absorção energética.
“O café causa um choque muito grande ao ser ingerido imediatamente após
acordar, pois a pessoa estava em uma área muito latente, como é o sono, e a
ingestão de cafeína interfere na homeostase do corpo, criando um estresse que
pode gerar um desequilíbrio do organismo”, alerta Ricardo.
O especialista aponta que outra questão que
interfere no cansaço durante o dia é a brusca queda de temperatura que o corpo
sofre no despertar. Ricardo explica que, ao dormir, o metabolismo é
desacelerado, o que nos torna mais suscetíveis a sentir frio. O corpo precisa
manter a temperatura de homeostase por volta de 37 graus, por isso a
necessidade de usar cobertor durante o sono. “Ao acordar, a pessoa se expõe a
uma temperatura diferente da que estava, causando um estresse fisiológico por
conta da variação de temperatura. Por isso é importante manter a temperatura do
corpo ao acordar, para evitar esse choque térmico que, além de interferir no
cansaço, pode ser um gatilho para reações alérgicas, como a rinite, por exemplo”,
revela Ricardo, que recomenda praticar exercícios físicos ou tomar um banho
gelado logo após levantar da cama para aumentar a temperatura interna do corpo.
Segundo o especialista, manter uma alimentação
minimamente saudável durante o dia, ingerindo uma menor quantidade de alimentos
no jantar, e praticar exercícios físicos são comportamentos fundamentais para
uma boa qualidade de sono. Além disso, o professor ressalta a importância de
respeitar os hábitos saudáveis próximo à hora de dormir. “Manter a higiene do
sono é fundamental para uma noite bem dormida e, consequentemente, um dia
seguinte mais descansado e com mais disposição”, finaliza.
Dor
crônica tem relação intrínseca com sono e saúde mental
Um portador de dor crônica, embora desenvolva mecanismos
para lidar com seu sofrimento (diário e constante), com o intuito de se manter
produtivo, nunca consegue se desligar totalmente da agonia que sente, pela
própria natureza de sua condição. Ainda mais, explica a médica intervencionista
em dor e autora do livro “Existe vida além da dor” dra. Amelie Falconi, porque
esse sofrimento nunca vem sozinho. Com ele arrasta uma série de limitações que
impedem seu portador de levar uma vida plenamente satisfatória. Não à toa, a
maioria dos pacientes atendidos pela médica durante anos de prática clínica
reclamam inicialmente de desejos, sonhos e momentos que foram roubados pela
dor, em vez da própria dor.
A dor interfere em diversos aspectos da vida, mas
dois deles, segundo dra. Amelie, merecem maior destaque, por terem como
característica não serem apenas influenciados pela dor, como também serem
fatores que causam impacto nela, agravando-a, quando negligenciados. Estes
aspectos são: o sono e a saúde mental. “Juntos, a dor crônica, o sono e a saúde
mental formam um sistema de retroalimentação, no qual a presença da dor impacta
negativamente o sono e a saúde mental, aumentando a intensidade de problemas
relativos a estes dois fatores, que respondem da mesma maneira e aumentam a
intensidade da dor”, explica.
Que a dor pode interferir no sono, parece óbvio,
tanto que existe um termo cunhado por portadores de dor crônica para descrever
essa condição: painsônia, (uma junção de dor, em inglês, com insônia) que diz
respeito à incapacidade de adormecer devido a dores prolongadas e intensas.
Contudo, de acordo com a médica intervencionista em dor, estudos
epidemiológicos mostraram que a má qualidade e a duração insuficiente do sono
são fatores de risco para o desenvolvimento de dor crônica. “Existem ainda
evidências de que um sono curto e perturbado pode causar amplificação da dor
(hiperalgesia) e desenvolvimento de sintomas espontâneos de dor, como dores
musculares ou dores de cabeça”, diz.
A relação bidirecional entre dor crônica e a saúde
mental também é facilmente comprovada empiricamente. Segundo dra. Amelie, é
muito difícil alguém sofrer tantos anos com dor sem apresentar algum impacto na
saúde mental, ao mesmo tempo que, em seus anos atendendo pacientes com esse
tipo de condição, não raramente ouviu de seus acompanhantes, que a dor
costumava piorar quando eles ficavam nervosos. Uma das explicações para essa
associação pode residir no fato que a dor crônica e a saúde mental compartilham
as mesmas áreas anatômicas e mecanismos neurais no sistema nervoso, conforme
mostram estudos científicos. “Como as duas funções compartilham áreas
semelhantes, elas acabam interferindo no funcionamento da outra”, explica a
médica.
Dessa forma, levando em consideração a relação
intrínseca entre sono, saúde mental e dor crônica, não há como tratar essa sem
zelar pela boa qualidade daquelas. E para isso, segundo a médica
intervencionista em dor, não basta tomar medicamentos visando dormir melhor ou
combater distúrbio emocionais, como a
depressão ou a ansiedade. “Os remédios possuem um papel importante, mas
a abordagem dessas situações vai muito além de um comprimido ou vários”,
pondera. Para tratar de maneira eficiente a insônia e distúrbios psiquiátricos,
é necessário também, conforme dra. Amelie, combater as raízes destes problemas
associadas ao estilo de vida. Isto porque, um sono de baixa qualidade e
distúrbios psiquiátricos muitas vezes refletem uma saúde ruim, que por sua vez
está relacionada diretamente a um estilo de vida ruim. Inversamente, uma boa
saúde está ligada a um estilo de vida saudável.
A médica intervencionista compara o tratamento da
dor crônica em um paciente com saúde de boa qualidade ao plantio de sementes em
um solo bem-preparado: com nutrientes, irrigado, sem ervas daninhas e com
iluminação adequada. “É óbvio que a colheita tem mais chances de dar certo em
um solo assim do que em um terreno descuidado, abandonado”, diz. Do mesmo modo,
segundo a médica intervencionista em dor, as chances de uma pessoa com um
estilo de vida saudável colher resultados melhores em um tratamento para dor
crônica são maiores do que de uma pessoa com estilo de vida ruim.
Então, conforme dra. Amelie, como parte do
planejamento estratégico em busca do alívio das dores, é imprescindível que
sejam realizadas alterações no estilo de vida. “Assim, o portador de dor
crônica zela por seu sono e por sua saúde mental e consequentemente trata suas
dores”, diz. Além disso, ao adotar um estio de vida mais saudável o paciente
ganha um outro prêmio: aumento com qualidade na sua expectativa de vida. A
médica intervencionista em dor ressalta que o fato de as pessoas estarem
vivendo mais atualmente não significa que estão vivendo melhor. “O aumento da
expectativa de vida tem gerado uma maior incidência de doenças crônicas que
provocam limitações na vida. Ao realizar mudanças no estilo de vida agora, é
possível prevenir e tratar estas doenças crônicas”, conclui.
Fonte: Saúde & Bem Estar

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