Bolsonaro ganhou ‘pássaro’ de R$ 100 mil no Catar e Taj Mahal de R$ 60
mil da Índia
Em meio a investigação sobre as joias sauditas
presenteadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro que acabaram retidas no Aeroporto
de Guarulhos, a Polícia Federal analisou não só a lista dos 9 mil presentes
recebidos pelo ex-presidente Jair Bolsonaro durante seu mandato, mas também
arquivos do Gabinete Adjunto de Documentação Histórica que detalham as
características e os altos valores de outros objetos entregues ao ex-chefe do
Executivo não só por expoentes das arábias, mas também líderes de outros
Países.
Nos documentos é citado por exemplo um relógio de
mesa de prata, parcialmente banhado em ouro e cravejado de rubis, diamantes e
esmeraldas. O objeto, avaliado em R$ 97 mil, foi dado a Bolsonaro pelo Xeique
Tamim Bin Hamad Bin Khalifa Al Thani, em almoço em Doha em 17 de novembro de
2021.
Também em Doha, Bolsonaro recebeu das mãos de Tamim
uma escultura avaliada em R$ 101.473. A obra de arte, entregue durante almoço
oferecido por Mohamed Bin Zayed Al Nahyan, príncipe herdeiro de Abu Dhabi, em
28 de outubro de 2019, retratava o pássaro ‘Yellow Wagtail’ (Alvéola-amarela),
ave nacional do Catar.
O órgão responsável por analisar e documentar o que
é presenteado a Presidência elabora listas descrevendo todos os detalhes dos
presentes encaminhados ao chefe do Executivo, com fotos e a avaliação do valor
dos objetos, desde livros, até joias, quadros e obras de arte.
Algumas de tais relações foram encartadas no
inquérito sobre as joias sauditas, que era conduzido pela Polícia Federal em
São Paulo e acabou remetido ao Supremo Tribunal Federal após a abertura da
Operação Lucas 12:2 - investigação sobre suposto esquema de venda de presentes
dados a Bolsonaro enquanto chefe de Estado.
>>>> Veja a seguir a lista de alguns
dos presentes de alto valor entregues a Bolsonaro durante missões oficiais:
• Miniatura
de um capacete antigo de samurai, avaliado em R$ 20 mil e presenteado a
Bolsonaro pelo Primeiro Ministro do Japão, Shinzo Abe, na posse do
ex-presidente em 2019;
• Quadro
que mostra Jerusalém com o Templo de Salomão, avaliado em R$ 5.020,00, dado ao
ex-chefe do Executivo pelo Primeiro Ministro de Israel, Benjamin Netanyahu,
durante viagem oficial a Jerusalém em 31 de março de 2019;
• Vaso
confeccionado em prata 925, avaliado em R$ 16.440,62, presenteado ao
ex-presidente pelo presidente do Peru Martin Vizcarra Cornejo na posse em 2019;
• Pote
de 6x6x3 cm, confeccionado em metal prateado polido, avaliado em R$ 13.327,35
dado a Bolsonaro pelo Primeiro Ministro do Japão Shinzo Abe, na cerimônia de
proclamação da entronização do Imperador do Japão em 22 de outubro de 2019;
• Escultura
do pássaro ‘Yellow Wagtail’ (Alvéola-amarela), ave nacional do Catar, avaliado
em R$ 101.473, presenteado ao ex-presidente por Tamim Bin Hamad Al Thani,
durante almoço oficial oferecido por Mohamed Bin Zayed Al Nahyan, príncipe
herdeiro de Abu Dhabi, em Doha em 28 de outubro de 2019
• Porta-joias
de metal dourado trabalhado esmalte cloisonné, avaliado em R$ 4.316,76,
entregue a Bolsonaro em encontro com o presidente da China, Xi Jinping, no
Palácio do Itamaraty, em 13 de novembro de 2019
• Escultura
de cavalo em metal prateado, avaliada em R$ 8.981,12, dado a Bolsonaro pelo
presidente da Índia, Ram Nath Kovind, em viagem oficial a Nova Delhi em 25 de
janeiro de 2020.
• Maquete
do templo Taj Mahal confeccionada em mármore branco, avaliada em R$ 59.469,20,
dada a Bolsonaro pelo presidente da Índia, Ram Nath Kovind, em viagem oficial a
Nova Delhi em 25 de janeiro de 2020.
• Quadro
revestido em ossos de camelo, avaliado em R$ 7.164,95, presenteado ao
ex-presidente pelo presidente da Índia, Ram Nath Kovind, em viagem oficial a
Nova Delhi em 25 de janeiro de 2020.
• Quatro
porta-retratos com moldura esculpida em osso avaliados em R$ 3.826,56 cada,
dados a Bolsonaro pelo presidente da Índia, Ram Nath Kovind, em viagem oficial
a Nova Delhi em 25 de janeiro de 2020.
• Relógio
de mesa confeccionado em prata 925, tendo partes com banho de ouro, avaliado em
R$ 97.890,83, dado a Bolsonaro pelo Xeique Tamim Bin Hamad Bin Khalifa Al Thani,
em almoço em Doha em 17 de novembro de 2021;
Governistas
dizem que FBI indicou ter mais informações sobre Bolsonaro
Deputados governistas da CPMI do 8 de Janeiro
apontam que o próximo grande problema para Jair Bolsonaro virá dos Estados
Unidos. Mais especificamente da colaboração do FBI com a Polícia Federal
brasileira.
À coluna, parlamentares afirmam que receberam
extraoficialmente a informação de que o FBI avisou à PF possuir mais
informações sobre Jair Bolsonaro do que o requisitado na investigação sobre as
joias de luxo.
Segundo os deputados, o órgão de investigação
americano enviou um ofício à PF pedindo uma “lista de prioridades”, diante da
quantidade de informações que podem ser compartilhadas com as autoridades
brasileiras.
No início de agosto, o ministro do STF Alexandre de
Moraes autorizou a cooperação da Polícia Federal com o FBI para investigar
Bolsonaro e seus aliados pela venda de joias de luxo recebidas de delegações
estrangeiras.
Na quinta-feira (31/8), Bolsonaro, a
ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e outros aliados como o tenente-coronel
Mauro Cid prestaram depoimento sobre a tentativa de vender joias dadas como
presentes por autoridades estrangeiras.
Bolsonaro e Michelle ficaram em silêncio, alegando
que consideram a 1ª instância, e não o STF, como autoridade competente para
conduzir as investigações. Já Cid e seu pai, Mauro Lourena Cid, responderam às
perguntas da PF.
Além
de Cid, defesa de Bolsonaro quer jogar culpa em Wassef
Os advogados de Jair Bolsonaro (PL) e de sua mulher
Michelle adotaram uma nova estratégia depois dos depoimentos à Polícia Federal
(PF) na última quinta-feira (31/08). Na ocasião, houve um grupo que ficou em
silêncio e outro que falou. Um dos que falaram foi o advogado Frederick Wassef
–que “falou demais” na avaliação da defesa do ex-presidente.
Wassef falou por quatro horas na sede da PF em São
Paulo, enquanto o seu chefe ficou em silêncio em Brasília. Além de Bolsonaro e
Michelle, Fábio Wajngarten (um dos advogados de defesa) e Marcelo Câmara também
ficaram calados. Falaram Mauro Cid, Mauro Lourena Cid e Osmar Crivelatti.
O blog apurou que a estratégia do silêncio foi
repassada pelos advogados de Bolsonaro também a Câmara e a Lourena Cid. O
general do Exército negou o plano. Seu filho, Mauro Cid, falou por 10 horas,
assumindo todo o planejamento de resgate das joias nos Estados Unidos. Nesta
confissão, o ex-ajudante de ordens estaria mancomunado com Frederick Wassef.
O advogado de Mauro Cid, Cezar Bitencourt, está
atuando para afastar a responsabilidade de Bolsonaro, e não a de seu cliente.
Ontem (01/09), disse ao G1 que o ex-ajudante de ordens “assumiu tudo”. “Não tem
nenhuma acusação de corrupção, envolvimento de Bolsonaro, envolvimento ou
suspeita de Bolsonaro”, disse.
Sobrou para Wassef. O advogado foi apontado como o
operador do esquema de recompra das joias. Ele já admitiu que foi aos Estados
Unidos para recuperar o Rolex de ouro branco e diamantes. Em seu depoimento,
Wassef também falou sobre o outro relógio desviado, da marca Patek Philippe,
segundo apurou o blog. Essa fala foi reprovada pela defesa de Bolsonaro.
Cid
disse a Wajngarten que ‘o pior é que está tudo documentado’ no escândalo das
joias de Bolsonaro
Em março de 2023, o Estadão deu um pontapé inicial
no que se tornaria a investigação do escândalo de joias do ex-presidente Jair
Bolsonaro (PL) ao revelar que o governo tentou trazer ilegalmente colar e
brincos de diamante da Arábia Saudita. A denúncia se desdobrou, descobriram-se
mais itens, envolveram-se militares e o ex-presidente hoje é investigado por um
esquema de venda de joias no exterior. E, aparentemente, o ex-ajudante de
ordens Mauro Cid já previa, desde março, o risco dessa avalanche.
Em troca de mensagens revelada pela coluna de
Juliana Dal Piva, no UOL, o tenente-coronel, que atuava como auxiliar de
Bolsonaro, enviou a reportagem para o então secretário de Comunicação Fábio
Wajngarten ainda no dia da publicação, 3 de março. O texto apontava que joias
então estimadas em R$16,5 milhões (mais tarde a PF atualizou a estimativa para
“mais de R$ 5 milhões”) teriam sido apreendidas no aeroporto de Guarulhos em
outubro de 2021, na mochila de um militar, assessor do então ministro de Minas
e Energia, Bento Albuquerque. O governo Bolsonaro tentou por oito vezes reaver
esses itens, sem sucesso, mas com grande atuação de Cid e uma última tentativa
logo antes de o ex-presidente viajar aos Estados Unidos em dezembro de 2022.
Wajngarten recebeu a reportagem e respondeu a Cid:
“Eu nunca vi tanta gente ignorante na minha vida”. O diálogo não deixa claro a
quem o advogado se refere, mas Cid logo responde: “Difícil mesmo. O pior é que
está tudo documentado”.
Como mostrado pelo Estadão, as joias retidas na
receita eram apenas uma parte dos vários presentes recebidos pela Presidência
em viagens internacionais e apropriados indevidamente. No início de agosto, a
Polícia Federal deflagrou a operação Lucas 12:2 para investigar um grupo de
aliados do ex-presidente que teriam vendido joias e outros objetos de valor
entregues a autoridades brasileiras em missões oficiais — e tanto Mauro Cid
quanto Fábio Wajngarten acabaram envolvidos na investigação. Ambos foram
intimados a depor na PF na última quinta, 31, ao mesmo tempo em que Jair
Bolsonaro, Michelle e mais quatro pessoas.
Wajngarten, que atua como advogado do ex-presidente,
ficou em silêncio, mas Cid, que já está preso, deu um depoimento que durou
horas.
A conversa de março entre os dois aliados de
Bolsonaro já dá sinais sobre esse envolvimento. Em resposta à mensagem de Cid,
Wajngarten questionou: “Documentado como? explique-me por favor”. Cid enviou
uma série de mensagens, mas apagou-as e não foi possível saber o que ele disse.
No entanto, enviou um áudio afirmando: “O presidente só ficou sabendo no final
do ano, quando o chefe da Receita [Federal] avisou que tinha um bem presenteado
para ele que tava ali. Então foi só bem no final do ano que ele ficou sabendo.
Não sei dizer a data. Tanto que, em 2022, ninguém tocou nisso aí. Por isso, que
entrou para leilão porque ficou mais de um ano”.
Wajngarten, então, perguntou a localização de um
segundo pacote de joias também revelado pelo Estadão. Cid disse que Bolsonaro
“recebe centenas de presentes” e “nem sabe o que ele recebeu nesses quatro
anos”, mas alegou não saber onde estaria esse acervo. O advogado quis saber “quem
cuida”, mas o ex-ajudante de ordens foi evasivo. “Deve estar em algum depósito.
Cel Câmara”, afirmou, em referência ao coronel Marcelo Câmara, também auxiliar
de Bolsonaro.
Mais tarde, a partir de 7 de março, Wajngarten
passa a defender que as joias desse segundo pacote deveriam ser devolvidas ao
Tribunal de Contas da União (TCU). “Acho que tínhamos de disponibilizar o bem
imediatamente através do advogado”, disse. Cid concordou, mas não falou nada
sobre a tentativa de venda dos itens nos Estados Unidos.
• ‘Se
não fosse o Fábio, o negócio estaria muito mais enrolado’
Um áudio obtido pelo Estadão revela outra conversa
entre Cid e Wajngarten, dessa vez em 13 de março. 10 dias depois da revelação
do primeiro estojo de joias, o ex-ajudante de ordens disse ao advogado que nem
sabia que ele “estava no circuito”, mas que se não fosse por ele “nessa guerra
toda, o negócio estaria muito mais enrolado”.
Em outra conversa entre os dois, em 15 de março, a
PF viu possível ligação de Wajngarten com a recompra de um Rolex vendido em
Miami. Na ocasião, Cid diz que “parece que vão cassar a decisão do Augusto
Nardi [sic]”. O ministro Augusto Nardes, do TCU, havia colocado Bolsonaro como
fiel depositário das joias durante o decorrer da investigação.
Wajngarten responde: “Vao mesmo. Por isso era muito
melhor agente [sic] se antecipar”.
A ideia de “antecipar”, para a PF, resultou na
operação que levou o advogado de Bolsonaro Frederick Wassef a ir aos Estados
Unidos recomprar o Rolex, que foi entregue ao TCU na sequência. Quem vendeu o
relógio nos Estados Unidos foi o general Mauro César Lourena Cid, pai de Mauro
Cid.
Fonte: Agencia Estado/Metrópoles

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