domingo, 3 de setembro de 2023

Bolsonaro ganhou ‘pássaro’ de R$ 100 mil no Catar e Taj Mahal de R$ 60 mil da Índia

Em meio a investigação sobre as joias sauditas presenteadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro que acabaram retidas no Aeroporto de Guarulhos, a Polícia Federal analisou não só a lista dos 9 mil presentes recebidos pelo ex-presidente Jair Bolsonaro durante seu mandato, mas também arquivos do Gabinete Adjunto de Documentação Histórica que detalham as características e os altos valores de outros objetos entregues ao ex-chefe do Executivo não só por expoentes das arábias, mas também líderes de outros Países.

Nos documentos é citado por exemplo um relógio de mesa de prata, parcialmente banhado em ouro e cravejado de rubis, diamantes e esmeraldas. O objeto, avaliado em R$ 97 mil, foi dado a Bolsonaro pelo Xeique Tamim Bin Hamad Bin Khalifa Al Thani, em almoço em Doha em 17 de novembro de 2021.

Também em Doha, Bolsonaro recebeu das mãos de Tamim uma escultura avaliada em R$ 101.473. A obra de arte, entregue durante almoço oferecido por Mohamed Bin Zayed Al Nahyan, príncipe herdeiro de Abu Dhabi, em 28 de outubro de 2019, retratava o pássaro ‘Yellow Wagtail’ (Alvéola-amarela), ave nacional do Catar.

O órgão responsável por analisar e documentar o que é presenteado a Presidência elabora listas descrevendo todos os detalhes dos presentes encaminhados ao chefe do Executivo, com fotos e a avaliação do valor dos objetos, desde livros, até joias, quadros e obras de arte.

Algumas de tais relações foram encartadas no inquérito sobre as joias sauditas, que era conduzido pela Polícia Federal em São Paulo e acabou remetido ao Supremo Tribunal Federal após a abertura da Operação Lucas 12:2 - investigação sobre suposto esquema de venda de presentes dados a Bolsonaro enquanto chefe de Estado.

>>>> Veja a seguir a lista de alguns dos presentes de alto valor entregues a Bolsonaro durante missões oficiais:

•        Miniatura de um capacete antigo de samurai, avaliado em R$ 20 mil e presenteado a Bolsonaro pelo Primeiro Ministro do Japão, Shinzo Abe, na posse do ex-presidente em 2019;

•        Quadro que mostra Jerusalém com o Templo de Salomão, avaliado em R$ 5.020,00, dado ao ex-chefe do Executivo pelo Primeiro Ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, durante viagem oficial a Jerusalém em 31 de março de 2019;

•        Vaso confeccionado em prata 925, avaliado em R$ 16.440,62, presenteado ao ex-presidente pelo presidente do Peru Martin Vizcarra Cornejo na posse em 2019;

•        Pote de 6x6x3 cm, confeccionado em metal prateado polido, avaliado em R$ 13.327,35 dado a Bolsonaro pelo Primeiro Ministro do Japão Shinzo Abe, na cerimônia de proclamação da entronização do Imperador do Japão em 22 de outubro de 2019;

•        Escultura do pássaro ‘Yellow Wagtail’ (Alvéola-amarela), ave nacional do Catar, avaliado em R$ 101.473, presenteado ao ex-presidente por Tamim Bin Hamad Al Thani, durante almoço oficial oferecido por Mohamed Bin Zayed Al Nahyan, príncipe herdeiro de Abu Dhabi, em Doha em 28 de outubro de 2019

•        Porta-joias de metal dourado trabalhado esmalte cloisonné, avaliado em R$ 4.316,76, entregue a Bolsonaro em encontro com o presidente da China, Xi Jinping, no Palácio do Itamaraty, em 13 de novembro de 2019

•        Escultura de cavalo em metal prateado, avaliada em R$ 8.981,12, dado a Bolsonaro pelo presidente da Índia, Ram Nath Kovind, em viagem oficial a Nova Delhi em 25 de janeiro de 2020.

•        Maquete do templo Taj Mahal confeccionada em mármore branco, avaliada em R$ 59.469,20, dada a Bolsonaro pelo presidente da Índia, Ram Nath Kovind, em viagem oficial a Nova Delhi em 25 de janeiro de 2020.

•        Quadro revestido em ossos de camelo, avaliado em R$ 7.164,95, presenteado ao ex-presidente pelo presidente da Índia, Ram Nath Kovind, em viagem oficial a Nova Delhi em 25 de janeiro de 2020.

•        Quatro porta-retratos com moldura esculpida em osso avaliados em R$ 3.826,56 cada, dados a Bolsonaro pelo presidente da Índia, Ram Nath Kovind, em viagem oficial a Nova Delhi em 25 de janeiro de 2020.

•        Relógio de mesa confeccionado em prata 925, tendo partes com banho de ouro, avaliado em R$ 97.890,83, dado a Bolsonaro pelo Xeique Tamim Bin Hamad Bin Khalifa Al Thani, em almoço em Doha em 17 de novembro de 2021;

 

       Governistas dizem que FBI indicou ter mais informações sobre Bolsonaro

 

Deputados governistas da CPMI do 8 de Janeiro apontam que o próximo grande problema para Jair Bolsonaro virá dos Estados Unidos. Mais especificamente da colaboração do FBI com a Polícia Federal brasileira.

À coluna, parlamentares afirmam que receberam extraoficialmente a informação de que o FBI avisou à PF possuir mais informações sobre Jair Bolsonaro do que o requisitado na investigação sobre as joias de luxo.

Segundo os deputados, o órgão de investigação americano enviou um ofício à PF pedindo uma “lista de prioridades”, diante da quantidade de informações que podem ser compartilhadas com as autoridades brasileiras.

No início de agosto, o ministro do STF Alexandre de Moraes autorizou a cooperação da Polícia Federal com o FBI para investigar Bolsonaro e seus aliados pela venda de joias de luxo recebidas de delegações estrangeiras.

Na quinta-feira (31/8), Bolsonaro, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e outros aliados como o tenente-coronel Mauro Cid prestaram depoimento sobre a tentativa de vender joias dadas como presentes por autoridades estrangeiras.

Bolsonaro e Michelle ficaram em silêncio, alegando que consideram a 1ª instância, e não o STF, como autoridade competente para conduzir as investigações. Já Cid e seu pai, Mauro Lourena Cid, responderam às perguntas da PF.

 

       Além de Cid, defesa de Bolsonaro quer jogar culpa em Wassef

 

Os advogados de Jair Bolsonaro (PL) e de sua mulher Michelle adotaram uma nova estratégia depois dos depoimentos à Polícia Federal (PF) na última quinta-feira (31/08). Na ocasião, houve um grupo que ficou em silêncio e outro que falou. Um dos que falaram foi o advogado Frederick Wassef –que “falou demais” na avaliação da defesa do ex-presidente.

Wassef falou por quatro horas na sede da PF em São Paulo, enquanto o seu chefe ficou em silêncio em Brasília. Além de Bolsonaro e Michelle, Fábio Wajngarten (um dos advogados de defesa) e Marcelo Câmara também ficaram calados. Falaram Mauro Cid, Mauro Lourena Cid e Osmar Crivelatti.

O blog apurou que a estratégia do silêncio foi repassada pelos advogados de Bolsonaro também a Câmara e a Lourena Cid. O general do Exército negou o plano. Seu filho, Mauro Cid, falou por 10 horas, assumindo todo o planejamento de resgate das joias nos Estados Unidos. Nesta confissão, o ex-ajudante de ordens estaria mancomunado com Frederick Wassef.

O advogado de Mauro Cid, Cezar Bitencourt, está atuando para afastar a responsabilidade de Bolsonaro, e não a de seu cliente. Ontem (01/09), disse ao G1 que o ex-ajudante de ordens “assumiu tudo”. “Não tem nenhuma acusação de corrupção, envolvimento de Bolsonaro, envolvimento ou suspeita de Bolsonaro”, disse.

Sobrou para Wassef. O advogado foi apontado como o operador do esquema de recompra das joias. Ele já admitiu que foi aos Estados Unidos para recuperar o Rolex de ouro branco e diamantes. Em seu depoimento, Wassef também falou sobre o outro relógio desviado, da marca Patek Philippe, segundo apurou o blog. Essa fala foi reprovada pela defesa de Bolsonaro.

 

       Cid disse a Wajngarten que ‘o pior é que está tudo documentado’ no escândalo das joias de Bolsonaro

 

Em março de 2023, o Estadão deu um pontapé inicial no que se tornaria a investigação do escândalo de joias do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) ao revelar que o governo tentou trazer ilegalmente colar e brincos de diamante da Arábia Saudita. A denúncia se desdobrou, descobriram-se mais itens, envolveram-se militares e o ex-presidente hoje é investigado por um esquema de venda de joias no exterior. E, aparentemente, o ex-ajudante de ordens Mauro Cid já previa, desde março, o risco dessa avalanche.

Em troca de mensagens revelada pela coluna de Juliana Dal Piva, no UOL, o tenente-coronel, que atuava como auxiliar de Bolsonaro, enviou a reportagem para o então secretário de Comunicação Fábio Wajngarten ainda no dia da publicação, 3 de março. O texto apontava que joias então estimadas em R$16,5 milhões (mais tarde a PF atualizou a estimativa para “mais de R$ 5 milhões”) teriam sido apreendidas no aeroporto de Guarulhos em outubro de 2021, na mochila de um militar, assessor do então ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque. O governo Bolsonaro tentou por oito vezes reaver esses itens, sem sucesso, mas com grande atuação de Cid e uma última tentativa logo antes de o ex-presidente viajar aos Estados Unidos em dezembro de 2022.

Wajngarten recebeu a reportagem e respondeu a Cid: “Eu nunca vi tanta gente ignorante na minha vida”. O diálogo não deixa claro a quem o advogado se refere, mas Cid logo responde: “Difícil mesmo. O pior é que está tudo documentado”.

Como mostrado pelo Estadão, as joias retidas na receita eram apenas uma parte dos vários presentes recebidos pela Presidência em viagens internacionais e apropriados indevidamente. No início de agosto, a Polícia Federal deflagrou a operação Lucas 12:2 para investigar um grupo de aliados do ex-presidente que teriam vendido joias e outros objetos de valor entregues a autoridades brasileiras em missões oficiais — e tanto Mauro Cid quanto Fábio Wajngarten acabaram envolvidos na investigação. Ambos foram intimados a depor na PF na última quinta, 31, ao mesmo tempo em que Jair Bolsonaro, Michelle e mais quatro pessoas.

Wajngarten, que atua como advogado do ex-presidente, ficou em silêncio, mas Cid, que já está preso, deu um depoimento que durou horas.

A conversa de março entre os dois aliados de Bolsonaro já dá sinais sobre esse envolvimento. Em resposta à mensagem de Cid, Wajngarten questionou: “Documentado como? explique-me por favor”. Cid enviou uma série de mensagens, mas apagou-as e não foi possível saber o que ele disse. No entanto, enviou um áudio afirmando: “O presidente só ficou sabendo no final do ano, quando o chefe da Receita [Federal] avisou que tinha um bem presenteado para ele que tava ali. Então foi só bem no final do ano que ele ficou sabendo. Não sei dizer a data. Tanto que, em 2022, ninguém tocou nisso aí. Por isso, que entrou para leilão porque ficou mais de um ano”.

Wajngarten, então, perguntou a localização de um segundo pacote de joias também revelado pelo Estadão. Cid disse que Bolsonaro “recebe centenas de presentes” e “nem sabe o que ele recebeu nesses quatro anos”, mas alegou não saber onde estaria esse acervo. O advogado quis saber “quem cuida”, mas o ex-ajudante de ordens foi evasivo. “Deve estar em algum depósito. Cel Câmara”, afirmou, em referência ao coronel Marcelo Câmara, também auxiliar de Bolsonaro.

Mais tarde, a partir de 7 de março, Wajngarten passa a defender que as joias desse segundo pacote deveriam ser devolvidas ao Tribunal de Contas da União (TCU). “Acho que tínhamos de disponibilizar o bem imediatamente através do advogado”, disse. Cid concordou, mas não falou nada sobre a tentativa de venda dos itens nos Estados Unidos.

•        ‘Se não fosse o Fábio, o negócio estaria muito mais enrolado’

Um áudio obtido pelo Estadão revela outra conversa entre Cid e Wajngarten, dessa vez em 13 de março. 10 dias depois da revelação do primeiro estojo de joias, o ex-ajudante de ordens disse ao advogado que nem sabia que ele “estava no circuito”, mas que se não fosse por ele “nessa guerra toda, o negócio estaria muito mais enrolado”.

Em outra conversa entre os dois, em 15 de março, a PF viu possível ligação de Wajngarten com a recompra de um Rolex vendido em Miami. Na ocasião, Cid diz que “parece que vão cassar a decisão do Augusto Nardi [sic]”. O ministro Augusto Nardes, do TCU, havia colocado Bolsonaro como fiel depositário das joias durante o decorrer da investigação.

Wajngarten responde: “Vao mesmo. Por isso era muito melhor agente [sic] se antecipar”.

A ideia de “antecipar”, para a PF, resultou na operação que levou o advogado de Bolsonaro Frederick Wassef a ir aos Estados Unidos recomprar o Rolex, que foi entregue ao TCU na sequência. Quem vendeu o relógio nos Estados Unidos foi o general Mauro César Lourena Cid, pai de Mauro Cid.

 

Fonte: Agencia Estado/Metrópoles

 

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