Pesquisa: seis em cada 10 brasileiras não se dedicam ao próprio prazer
Pesquisa quantitativa de O
Boticário ouviu mais de duas mil mulheres, de 18 a 60 anos, de todas as regiões
do Brasil e traz uma perspectiva sobre o prazer feminino, revelando o impacto
de tabus sociais - das imposições de gênero aos padrões de beleza - no
comportamento de mulheres brasileiras com vida sexual ativa.
Encomendada pelo Boticário, o
levantamento foi conduzido pela Think Eva, consultoria que promove soluções
para as desigualdades de gênero. A pesquisa "Prazer e Mulheres"
revela que seis em cada 10 mulheres não dedicam tempo suficiente para
explorarem e vivenciarem este prazer. As principais justificativas atribuídas à
resposta são stress, sobrecarga causada pelas múltiplas jornadas e falta de
informação a respeito do assunto.
Os dados conclusivos reforçam
a importância de debater de forma responsável uma pauta relevante,
especialmente entre mulheres, fomentando o acesso à informação e questionando o
papel em que as mulheres são, socialmente, colocadas durante diferentes
estágios da vida. Além da pesquisa quantitativa, o estudo usou como metodologia
o Desk Research, analisando 45 artigos e pesquisas sobre o tema para coletar os
insights e traçar conclusões. Entre as descobertas: o impacto da economia do
cuidado na busca pelo prazer; o peso dos padrões estéticos; a importância da
autoestima e a falta de acesso à informação.
Para Bruna Buás, diretora de
marketing do Boticário, atuar ativamente acerca de temas de interesse social,
de forma empática e acolhedora, é um dos principais objetivos da marca ao
investigar o prazer feminino enquanto pauta, incentivando mulheres a ocuparem
um papel de protagonistas dessa jornada: "Promover um debate sem tabus,
acolhedor, intimista e, ao mesmo tempo, educativo é o objetivo do Boticário,
que - há 46 anos - lidera pautas femininas - sempre acompanhando o
comportamento da mulher brasileira, que representa seu principal público. Fazer
beleza vai muito além de oferecer um portfólio robusto de produtos, capazes de
atender às demandas de milhares de brasileiras, porque ao olharmos para os
insights dessa pesquisa entendemos a relevância que o bem-estar e o prazer
trazem para a autoestima de nossas consumidoras. Isso mostra a importância e
necessidade de fomentarmos conversas sobre o tema de forma genuína".
A necessidade de fortalecer
esse debate é uma resposta à grande defasagem de conhecimento de grande parte
das mulheres, acompanhada de certa resistência para falar sobre o assunto
abertamente. Ainda segundo os dados obtidos, 22% das entrevistadas afirmam ter
pouco conhecimento sobre o próprio corpo. Ainda que 64% delas afirmem que nunca
sentiram a necessidade de buscar ajuda em relação a sexo, a discrepância fica
evidente quando descobrimos que 32% delas não sabem o que são zonas erógenas e
79% afirmam que já fingiram orgasmo. Por outro lado, observa-se uma evolução
gradual sobre o avanço da pauta: 40% das mulheres dizem que sabem o que gostam
e o que não gostam no sexo, já entre as mulheres maduras, o número salta para
50%.
• A cultura interfere na relação da mulher com seru próprio
corpo
Para Maíra Liguori, fundadora
da Think Eva, a pesquisa representa um retrato de como a cultura interfere na
relação da mulher com seu próprio corpo: "Vivemos em um contexto que
limita e afasta as mulheres do prazer sexual. Seja fetichizando sua sexualidade
ou simplesmente impedindo que ela conheça seu próprio corpo, a pesquisa
demonstra o tabu imposto a esta parcela da população, tabu que acaba gerando
falta de conhecimento e até uma baixa expectativa em relação aos
parceiros".
• Autoestima e autoamor
Outra grande trava para essas
mulheres é a relação com sua autoestima. Além de entender como essas questões
impactam no prazer das mulheres, é importante levar em consideração as
interseccionalidades de corpos, raça e classe social. Muitas vezes, pessoas com
corpos são colocadas em um lugar de solidão, em que a responsabilização do
afeto recai sobre o discurso de amor-próprio. Neste sentido, 30% das
entrevistadas na pesquisa se sentem mais abertas a buscar o prazer quando estão
se sentindo bem consigo mesmas e 24% acham que a vida seria mais prazerosa sem
os padrões de beleza.
• Prazer é só sexo?
O entendimento de prazer na
pesquisa não é exclusivamente sexual - muitas das entrevistadas sentem prazer
em momentos do dia a dia. Apenas 12% das respondentes escolheram a alternativa
"fazer sexo", quando questionadas sobre momentos que sentem prazer.
Para 36% prazer está associado a se sentir desejada pelo(a) parceiro(a); mais
de 27% sentem prazer quando fazem uma viagem; mais de 22% têm sensação de
prazer quando se sentem bem com o próprio corpo e 21% atribuem prazer a uma boa
noite de sono.
• Economia do cuidado
Historicamente, o papel do
cuidado com a família, com a casa e com o outro são atribuídos e executados majoritariamente
às mulheres, de forma não remunerada. Esse conjunto de ações relacionadas aos
cuidados para a manutenção da vida de outras pessoas é conhecido como Economia
do Cuidado. Esse peso, vem sendo um obstáculo para que elas acessem e destravem
seu prazer.
Quando perguntadas, durante a
pesquisa, sobre o que tira a vontade de ir atrás do próprio prazer, vemos que o
foco das mulheres está em todas as outras atividades, menos nelas mesmas. 45,6%
das mulheres se queixam do stress do dia a dia e do cansaço como um dos
obstáculos para atingir este objetivo e 19,5% delas dizem não ter tempo para si
mesmas.
"Queremos entender as
dores das nossas consumidoras para, assim, promovermos conversas emancipadoras
para a mulher, que está no centro do nosso negócio durante todos estes anos. A
pesquisa que encomendamos a Think Eva vem muito para nos ajudar a traçar um
panorama de como está a relação delas com seu próprio prazer, uma pauta que
vemos negligenciada e ainda um estigma na sociedade. Com este instrumento tão poderoso
em mãos, somos capazes de abrir debates importantíssimos para o empoderamento
feminino", destaca Bruna.
Fonte: em.com

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