domingo, 3 de setembro de 2023

Mídias sociais e saúde mental: Psicóloga dá 6 dicas para o uso equilibrado das redes

As mídias sociais têm transformado a maneira como nos conectamos, comunicamos e compartilhamos informações. Segundo dados do IBGE (2019), 78,3% das pessoas de 10 anos ou mais (143,5 milhões) estão conectadas à internet. E à medida que a presença online se torna cada vez mais predominante, é necessário explorar o impacto desse uso na saúde mental, com destaque para os crescentes casos de ansiedade e baixa autoestima entre os usuários.

Leia também – Ansiedade segue alta entre os brasileiros

“A constante exposição a múltiplas tarefas, informações e estímulos visuais cria uma sobrecarga cognitiva que pode levar ao aumento da ansiedade. Além disso, o consumo incessante de conteúdo nas redes sociais pode gerar gatilhos emocionais e estresse, impactando a estabilidade emocional do indivíduo”, pontua Karen Valéria da Silva, coordenadora de psicologia da Docway, empresa pioneira em soluções de telemedicina no país.

A especialista destaca ainda a natureza seletiva das mídias sociais, que levo o usuário a comparar sua vida com os destaques das vidas dos outros. “Esse comportamento de comparação pode levar a uma baixa autoestima, pois muitas vezes nos medimos em relação às supostas vidas perfeitas que vemos online”, diz. Segundo ela, a busca incessante por validação online pode minar a confiança pessoal e gerar sentimentos de desvalorização.

Outro problema recorrente do mal uso das redes sociais é o cyberbullying que, apesar de estar presente em todas as fases da vida, é ainda mais preocupante na infância e adolescência. “A natureza impessoal da comunicação online pode levar as pessoas a agirem de maneiras que não fariam pessoalmente, o que pode resultar em comentários negativos, ataques pessoais e assédio”, revela.

Para minimizar esses riscos, algumas estratégias para um uso equilibrado das mídias sociais podem ser adotadas. Confira seis dicas de Karen Valéria da Silva:

1.       Autoconhecimento: Reflita sobre como as mídias sociais afetam você emocionalmente e esteja atento aos momentos em que se sente ansioso, triste ou inadequado após o uso. Isso permitirá que você tome medidas proativas para minimizar essas emoções negativas.

2.       Conteúdo positivo: Selecione cuidadosamente o conteúdo que você consome online. Siga contas que promovam positividade – acima de tudo a positividade realista, e não a idealizada e inalcançável –, bem-estar e inspiração. Reduza o tempo gasto em plataformas que frequentemente desencadeiam sentimentos negativos.

3.       Limite de tempo: Estabeleça limites de tempo para o uso das mídias sociais. Utilize ferramentas disponíveis em smartphones para rastrear e gerenciar seu tempo de tela. Defina intervalos regulares de desligamento para permitir momentos de desconexão.

4.       Diversificação das atividades: Equilibre o tempo gasto online com atividades offline significativas. Invista em hobbies, exercícios e interações sociais cara a cara para promover o bem-estar geral.

5.       Promoção da empatia: Ao interagir online, pratique a empatia e o respeito mútuo. Lembre-se de que, do outro lado da tela, há seres humanos reais com emoções reais.

6.       Comunicação aberta: Caso seja vítima de cyberbullying ou experiências negativas, fale com alguém de confiança. Não hesite em buscar apoio emocional, seja de amigos, familiares ou profissionais de saúde mental.

 

       Conheça os sinais de que é preciso buscar um psicólogo

 

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil é o país com a maior incidência de ansiedade no mundo, cerca de 9,3% da população. Com a comemoração do dia do psicólogo, em 27 de agosto, se mostra cada vez mais essencial participar do diálogo sobre saúde mental no país com o envolvimento dos profissionais de psicologia.

Além disso, após a pandemia, os casos de transtornos mentais associados ao trabalho aumentaram. O Observatório de Segurança e Saúde no Trabalho mostrou que a frequência desses casos dobraram entre 2020 e 2022.

“Boa parte dos casos referentes ao ambiente de trabalho são de síndrome de burnout, depressão e ansiedade. É importante ressaltar que um ambiente corporativo que não seja saudável favorece a frequência de colaboradores com transtornos mentais”, comenta Camila de Cássia Ribeiro, psicóloga na Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo.

Dentro disso, a especialista reforça alguns sintomas que podem ser sinais para que a pessoa busque ajuda profissional:

•        lapsos de memória frequentes;

•        falta de motivação para realizar atividades rotineiras ou que costumam ser prazerosas;

•        mudanças bruscas de humor, irritabilidade e baixa autoestima;

•        sensação de vazio, ansiedade e pessimismo;

•        dificuldade de concentração.

A OMS, junto da Organização Internacional do Trabalho (OIT), apontam que cerca de 15% dos trabalhadores no mundo possuem algum tipo de transtorno mental. “Além da questão psicológica, os transtornos também podem gerar sintomas e consequências físicas no paciente”, explica Ribeiro.

As diretrizes apresentadas pela OMS e pela OIT em 2021 também mostraram que cerca de 745 mil pessoas foram vítimas de acidente vascular cerebral (AVC) ou doença isquêmica do coração, em 2016, em decorrência de jornadas de trabalho semanal de 55 horas ou mais.

No entanto, Ribeiro ressalta que não é somente as questões envolvendo trabalho que podem ser trabalhadas nas consultas com um psicólogo. O principal papel do profissional de psicologia é acolher e auxiliar o paciente com os conflitos internos que ele pode ter.

•        Como buscar ajuda?

A especialista da rede de hospitais São Camilo ressalta que o primeiro passo é reconhecer que é preciso e saudável buscar ajuda para que a questão não vá se agravando com o passar do tempo.

“Uma das formas de identificar que alguém está passando por uma questão são mudanças repentinas de comportamento, porém, nesse momento, é preciso ter paciência para buscar uma conversa saudável com a pessoa sem punir ela pela forma como está se sentindo”, comenta Ribeiro.

Outro ponto importante da busca por ajuda é criar uma atmosfera segura para dialogar sobre saúde mental, o que pode ser feito por meio de literatura e cinema acompanhado de diálogos sobre o tema, por exemplo. Dessa forma, a especialista aponta que se torna cada vez mais fácil conversar.

Para seus colaboradores, a Rede São Camilo de São Paulo oferece atendimento com especialistas em saúde mental nas suas três Unidades (Santana, Pompeia e Ipiranga), permitindo consultas e exames em um único local.

Além disso, é possível buscar ajuda pelo número 188 e conversar, anonimamente, com um voluntário do Centro de Valorização da Vida (CVV), assim como também existe o atendimento via e-mail e chat (https://www.cvv.org.br/). Ressaltando que a ajuda profissional é essencial em qualquer cenário.

 

Fonte: Saúde & Bem Estar 

 

Nenhum comentário: