domingo, 3 de setembro de 2023

Liberalismo em crise é resposta dos que não aceitam mais Ocidente ser a medida das coisas, diz Dugin

O liberalismo está caminhando para a "catástrofe" após décadas de hegemonia ideológica global, disse o filósofo político Aleksandr Dugin, acrescentando que "era apenas uma questão de tempo" até que a ideologia começasse a tentar desconstruir o próprio conceito de humanidade.

Em entrevista ao podcast Novas Regras da Sputnik, Dugin disse que as recentes convulsões populistas nos Estados Unidos e na Europa expuseram o crescente descontentamento com a incapacidade das instituições liberais para lidar com a política externa e os fracassos econômicos. Ao mesmo tempo, novas potências emergentes, como Rússia, China e Índia, entre outras, começaram a apresentar as suas próprias alternativas ideológicas.

Para o filósofo, o liberalismo não tinha soluções para os problemas que ajudou a criar.

"Se considerarmos a visão futurista do cinema e da arte do Ocidente liberal, não vemos um único cenário positivo. Tudo é um 'Mad Max', tudo é 'Armagedom' – catástrofe atômica, atmosférica ou catástrofe ecológica. Portanto, não há outra visão possível do futuro na moderna civilização liberal ocidental fora da decadência global. Isto oferece uma revelação do vazio interior do liberalismo porque o liberalismo começou como uma versão individualista do humanismo, mas agora está a aproximar-se do individualismo anti-humano e transumano", afirmou o especialista.

Em sua visão essa "é precisamente a agenda política de Joe Biden, de Kamala Harris, dos progressistas modernos nos Estados Unidos que são abertamente pós-humanos".

Dugin também argumentou que o liberalismo foi um "caminho disfarçado para o abismo" desde o início devido ao seu desejo intrínseco de destruir todas as formas de identidade coletiva, tais como religião, família e nacionalidade, em nome do individualismo.

"A última coisa que [os liberais] precisavam realizar no seu caminho é libertar os indivíduos da sua identidade humana – precisamente porque é a última forma de identidade coletiva", disse ele.

Segundo o filósofo russo, o liberalismo começou a sua rápida degradação após o fim da Guerra Fria, acrescentando que durante o século XX, a competição ideológica do liberalismo com o comunismo e o fascismo forçou-o a conquistar potenciais apoiantes.

"Vemos agora que sem estas alternativas políticas, o liberalismo global moderno torna-se uma pura ditadura – um sistema totalitário que impõe a toda a humanidade a necessidade de ser liberal. Se você não é liberal, você está condenado, totalmente destruído. Assim, com o liberalismo a mostrar agora a sua natureza totalitária, ele deixa de tentar ser atraente. Em vez disso, impõe-se universalmente sem explicar o porquê."

·         Desmascarando mitos liberais

O liberalismo defende que sua filosofia proporciona o progresso econômico e tecnológico, mas Dugin desconstruiu esse mito, afirmando que, primeiro: todos os "sucessos" econômicos do liberalismo foram acompanhados por uma regressão em outras áreas-chave, nomeadamente "a destruição do ambiente social, a devastação crescente das mentes humanas e a redução da cultura intelectual humana a uma cultura simplista de reações".

Em segundo, Dugin salientou que as reivindicações de superioridade econômica do liberalismo ocidental eram comprovadamente falsas. Desde o final da década de 1970, a China, por exemplo, tem registrado um rápido crescimento, mantendo ao mesmo tempo um modelo político altamente "iliberal".

Em contraste, muitas nações em desenvolvimento que seguiram as recomendações das instituições financeiras internacionais lideradas pelo Ocidente atravessaram várias décadas de estagnação econômica.

Entretanto, mesmo ainda sendo praticado e reverenciado, principalmente pelo lado ocidental, Dugin diz que o liberalismo "está gradualmente a perder o seu domínio ideológico global", e que Moscou está colaborando para acelerar esse processo. Embora a Rússia tenha lançado a operação militar especial na Ucrânia, o conflito rapidamente evoluiu para uma luta mais ampla contra a supremacia geopolítica ocidental.

A busca pela vitória, argumentou o filósofo, forçou o Estado russo a romper completamente com o "niilismo profundo e a natureza tóxica do sistema liberal ocidental" e a redescobrir a sua "verdadeira identidade civilizacional".

"Não é contra o Ocidente que estamos a lutar. Estamos lutando contra a pretensão do Ocidente de ser universal, de ser a medida das coisas. Estamos a lutar contra a recusa do Ocidente em considerar que a cultura, o sistema político e a sociedade russos possam ser construídos sobre princípios totalmente diferentes. O Ocidente não aceita qualquer alternativa aos seus princípios e enquanto continuar a seguir esta linha de comportamento, não temos hipótese de parar a guerra."

Por fim, Dugin chama atenção para o fato de que esse processo não acontecerá apenas em território russo, uma vez que "os chineses, mais cedo ou mais tarde, enfrentarão a mesma situação. Os mundos africano e islâmico já estão meio despertos contra esta ameaça do racismo ocidental. América Latina e Índia também".

"Somos a humanidade, somos a maioria global que luta não contra o Ocidente, mas contra o racismo, a hegemonia e a pretensão ocidental de ser universal. Enquanto existir esta pretensão ocidental de ser universal, a nossa luta continuará", complementou.

 

Ø  Bancos centrais conseguiram criar 'tendência desinflacionária', mas riscos permanecem, diz analista

 

A executiva da agência de classificação de risco Moody's, Marie Diron, apontou os principais problemas para a economia global no momento e citou países que podem ser "um raio de esperança" para este cenário.

Durante recente entrevista à CNBC, a analista traçou três fatores que contribuem para a desaceleração do crescimento econômico: a persistência de taxas de juros elevadas, a situação tensa no setor financeiro e a lenta recuperação do PIB da China.

Segundo Diron, os bancos centrais conseguiram criar uma "tendência desinflacionária" ao aumentar as taxas, mas os riscos inflacionistas permanecem.

"Ainda existe o risco de que a inflação seja mais difícil de vencer do que parece agora, e isso levará a um período mais longo de crescimento lento", observou a executiva acrescentando que ao longo do último ano e meio, a Reserva Federal dos EUA aumentou a taxa dos fundos de 5,25% para 5,5%, e espera-se um novo aumento.

Neste sentido, Diron acredita que são as mesmas taxas de juros elevadas que criam tensões no setor financeiro.

"Vimos os bancos absorverem aquele período de taxas mais elevadas, o que teve alguns impactos positivos nas margens para alguns, mas também precisou de ajustamento nos negócios para continuar a atrair depósitos. Pode ser que existam focos de stress que ainda não surgiram e que podem materializar-se até ao final deste ano ou no próximo", acrescentou.

Diron também alertou que a lenta recuperação do crescimento do PIB da China após bloqueios prolongados durante a pandemia está tendo um forte impacto na economia global. Neste sentido, a especialista não vê perspectivas de reativação da produção no gigante asiático a médio prazo, o que, segundo ela, aumenta o risco de incumprimento na região Ásia-Pacífico.

Ao mesmo tempo, Diron destacou que há países que representam um raio de esperança que, na sua opinião, são a Índia e a Indonésia. Ambas as nações asiáticas registam atualmente "um crescimento relativamente forte e condições favoráveis", complementou.

 

Ø  Mídia norte-americana vê 'oportunidade' para os EUA na expansão do BRICS

 

Segundo um artigo no The New York Times, o BRICS tem um apoio real em muitos países, e os EUA podem "reaprender a cooperação prática" com o reforço da entidade.

A expansão do BRICS sinalizou o enfraquecimento do domínio global dos EUA, mas Washington pode aprender uma importante lição com isso, escreveu um cientista político em uma coluna de sexta-feira (1º) no jornal norte-americano The New York Times.

Segundo Sarang Shidore, por mais de uma década os EUA ignoraram amplamente o grupo, que integra o Brasil, mas agora essa complacência parece insustentável. Na cúpula de Joanesburgo, na África do Sul, o BRICS convidou seis países do Sul Global a aderir, e em seguida a indiferença dos EUA "foi substituída por surpresa e até mesmo alarme". Se o BRICS tem uma longa fila de cerca de 20 nações esperando para se juntar, ele deve estar "fazendo algo certo", de acordo com o autor do artigo.

"A expansão do BRICS é um sinal seguro da insatisfação de muitas potências com a ordem mundial existente e uma evidência de seu desejo de melhorar sua posição nessa ordem", comenta Shidor no artigo de opinião.

Para os Estados Unidos, cujo domínio global está se enfraquecendo gradualmente, esse é um desafio significativo e uma boa oportunidade, diz o cientista político.

"A crescente atratividade do BRICS, mais do que qualquer outra coisa, sinaliza que o domínio global dos EUA está em declínio", ressalta.

De acordo com o autor, os EUA, que enfrentam problemas domésticos intratáveis, deveriam ver a expansão do BRICS como uma "oportunidade" em vez de uma ameaça.

"Ele [o BRICS] dá aos EUA a chance de reaprender a cooperação prática, e também de abandonar alguns de seus compromissos distantes e se livrar de noções de seu próprio excepcionalismo que vão contra seus próprios interesses nacionais. Washington, e talvez até mesmo o mundo, pode se tornar um lugar melhor no processo dessa mudança", conclui Shidor.

John Kirby, coordenador de comunicações estratégicas do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca, afirmou que os EUA não veem uma ameaça na expansão do BRICS e não consideram a aliança como sendo antiamericana.

O BRICS atualmente é composto por cinco nações: Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. Na semana passada, a cúpula do BRICS foi realizada em Joanesburgo, onde os líderes decidiram convidar a Argentina, o Egito, o Irã, a Etiópia, os Emirados Árabes Unidos e a Arábia Saudita para se tornarem membros plenos da aliança. Formalmente, a expansão do grupo ocorrerá em 1º de janeiro de 2024.

 

Ø  Itália volta a preparar terreno para deixar Nova Rota da Seda da China: 'Resultados insatisfatórios'

 

Segundo especialistas, é altamente improvável que Roma renove o acordo com Pequim. Se o fizer, precisar se retirar formalmente até dezembro, e não saindo, o mesmo será prorrogado por cinco anos automaticamente.

O comércio entre a Itália e a China não melhorou como esperado desde que Roma aderiu à Nova Rota da Seda há quatro anos, disse o ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, neste sábado (2).

"A Rota da Seda não trouxe os resultados que esperávamos. Teremos que avaliar, o Parlamento terá que decidir se renova ou não a nossa participação", afirmou o chanceler citado pela Reuters.

Sob o governo anterior, a Itália tornou-se em 2019 a primeira grande nação ocidental a aderir à iniciativa de infraestruturas da China, apesar dos protestos dos Estados Unidos à época.

Tajani disse que partiria esta tarde para uma missão diplomática de três dias em Pequim. A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, disse que planeja visitar a China em uma de suas próximas viagens ao exterior.

Apesar das visitas de Estado é notória o distanciamento dos italianos da renovação do pacto apesar dos esforços chineses.

No final de julho, o ministro da Defesa italiano, Guido Crosetto, disse que Roma tomou uma decisão "improvisada e atroz" ao ingressar no programa chinês em 2019, conforme noticiado.

 

Ø  Rússia faz história e entra no top 5 de maiores exportadores de grãos para o Brasil

 

Os dados recolhidos pela Sputnik determinaram que no período até julho de 2023 a Rússia se tornou o quarto país com maior suprimento da mercadoria para o Brasil.

O Brasil comprou US$ 108,5 milhões (R$ 536,86 milhões) em grãos russos de janeiro a julho, tornando a Rússia um dos cinco maiores fornecedores pela primeira vez, segundo cálculos da Sputnik baseados em dados estatísticos brasileiros.

Assim, o Brasil importou 380.000 toneladas de trigo e mistura de farinhas da Rússia nos primeiros sete meses deste ano, enquanto nenhuma compra foi feita no mesmo período de 2022. Segundo os dados do Brasil, a Rússia forneceu apenas trigo e mistura de trigo com centeio em 2023. A análise também teve em conta dados sobre outros tipos de grãos, que o Brasil compra de outros países.

Como resultado, no período de janeiro a julho de 2023, a Rússia entrou pela primeira vez na lista dos cinco maiores exportadores de grãos para o Brasil, ocupando o quarto lugar. Antes disso, a Rússia vendeu grãos para esse país nesse período em 2010, 2013, 2014 e 2019, particularmente em 2010, quando vendeu a mercadoria por US$ 5,6 milhões (R$ 27,71 milhões).

A Argentina tem sido o líder tradicional no fornecimento de grãos ao Brasil, vendendo quase dois milhões de toneladas de grãos por US$ 736,3 milhões (R$ 3,64 bilhões) nos primeiros sete meses de 2023. O Paraguai foi o segundo maior exportador, de onde o Brasil importou 886.000 toneladas de grãos no valor de US$ 290 milhões (R$ 1,43 bilhão). No entanto, os suprimentos desses países caíram duas vezes e 1,5 vez em relação ao ano anterior, respectivamente.

O terceiro maior exportador de grãos para o Brasil foi o Uruguai, que, ao contrário, aumentou acentuadamente os embarques, exportando 544 mil toneladas no valor de US$ 211 milhões (R$ 1,04 bilhão), contra 290 mil toneladas no valor de US$ 100 milhões (R$ 494,8 milhões) no ano anterior. Além da Rússia em quarto lugar, os EUA aumentaram as cargas de grãos para o Brasil em 1,7 vez, para 80.000 toneladas, e em 1,4 vez em valor, para US$ 20,85 milhões (R$ 103,17 milhões), completando assim o top 5.

<><> Turquia nomeia sugestões para um novo acordo de grãos e a Rússia diz que as provisões não são novas

O ministro das Relações Exteriores da Turquia teria dito à mídia turca que houve discussões com as Nações Unidas para ultrapassar o atual impasse, que impede o funcionamento do acordo de grãos.

A ONU e a Turquia chegaram a novas sugestões para reativar o corredor seguro do mar Negro para o transporte de grãos dos portos ucranianos, noticiou no sábado (2) a agência turca Anadolu.

As propostas, de acordo com Hakan Fidan, ministro das Relações Exteriores da Turquia, incluem conectar uma filial europeia do banco russo Rosselkhozbank no sistema de pagamentos SWIFT e liberar ativos congelados na Europa de empresas russas fornecedoras de fertilizantes.

Uma das fontes disse à Anadolu que as outras propostas, como alternativa ao acordo de grãos que teve a participação de Moscou, apresentam problemas em termos de segurança e custos. Enquanto isso, continua, se a iniciativa seguir de onde parou, antes de a Rússia abandonar o acordo devido aos ataques de Kiev à península da Crimeia e à Ponte da Crimeia, o envio de 220.000 toneladas de grãos, que devem alimentar 810.000 pessoas por um ano, poderia começar imediatamente após um breve reparo nos portos ucranianos.

No entanto, Maria Zakharova, representante oficial do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, respondeu que a reconexão do Rosselkhozbank ao sistema SWIFT e o descongelamento dos ativos das empresas russas na Europa não são novidades.

"Isso também estava 'implícito' antes, mas nunca funcionou", escreveu ela neste sábado (2) em seu canal no Telegram.

Vladimir Putin, presidente russo, disse ao seu homólogo turco, Recep Tayyip Erdogan, que não fazia sentido prolongar o pacto de grãos, tendo em conta que as exportações de produtos agrícolas e fertilizantes russos para os mercados globais não foram desbloqueadas como esperado. Ao mesmo tempo, ele expressou a vontade de Moscou de retornar aos acordos de Istambul "assim que o Ocidente cumprir todas as suas obrigações com a Rússia".

 

Fonte: Sputnik Brasil

 

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