domingo, 3 de setembro de 2023

Dieta mediterrânea ajuda a reduzir o risco de mortalidade

A dieta mediterrânea tem se tornado cada vez mais popular. E não é à toa, já que oferece uma grande variedade de benefícios à saúde, promovendo melhor qualidade de vida, maior aporte de nutrientes, prevenção de doenças crônicas e até contribuindo com a perda de peso. Porém, embora oas vantagens à saúde do estilo de vida mediterrâneo já tenham sido estudadas, poucas pesquisas foram realizadas sobre esses hábitos fora de sua região de origem.

No entanto, essa situação foi corrigida com a publicação de um estudo do UK Biobank (estudo de biobanco do Reino Unido) que mostrou que o estilo de vida mediterrâneo não apenas é capaz de reduzir o risco de mortalidade por todas as causas, como também pode ser perfeitamente transferido para outras regiões do mundo, com todos os benefícios.

"O estudo mostra que é possível que populações não mediterrâneas adotem esse estilo de vida e conquistem seus benefícios com produtos disponíveis localmente e em seus próprios contextos culturais e sociais", destaca a Dra. Caroline Reigada, médica nefrologista.

•        Dados avaliados pela pesquisa

Para chegar aos benefícios oferecidos pela dieta em outras regiões, os pesquisadores analisaram o estilo de vida de mais de 110 mil pessoas entre 40 e 75 anos que vivem no Reino Unido com base em três categorias: ingestão de alimentos específicos da região mediterrânea, adoção de hábitos alimentares, como limitação do consumo de sal, e adesão a práticas saudáveis, como cochilos regulares, atividade física e socialização. Cada um desses itens recebeu uma pontuação, sendo que, quanto maior pontuação de um indivíduo, maior a adesão ao estilo de vida mediterrâneo.

•        Benefícios do estilo de vida mediterrâneo

Após 9 anos, quando os pesquisadores retomaram o estudo para avaliar a saúde dos participantes, foi possível observar uma relação inversa entre a adesão ao estilo de vida mediterrâneo e o risco de mortalidade. Por exemplo, participantes com uma maior pontuação apresentaram risco 29% menor de mortalidade por todas as causas e 28% menor de mortalidade por câncer em comparação com aqueles com menor pontuação de adesão ao estilo de vida mediterrâneo.

E mesmo a adesão a apenas uma das categorias citadas já foi capaz de resultar em uma redução no risco de mortalidade. Especificamente, a categoria composta por atividade física, descanso e hábitos sociais foi a principal associada à diminuição desses riscos, além de também ter sido relacionada a uma redução mais significativa do risco de mortalidade por doenças cardiovasculares.

"Isso nos mostra que não é preciso modificar todo o seu estilo de vida de uma única vez. A mudança gradual dos hábitos de vida, com pequenos passos, já apresenta grandes benefícios para a saúde do organismo, além de tornar esse processo muito mais fácil", destaca a especialista.

•        Importância dos cuidados integrais com a saúde

Segundo a Dra. Caroline Reigada, para além de confirmar os benefícios desse tipo de estilo de vida e mostrar sua aplicabilidade em regiões fora do mediterrâneo, o estudo serve para reforçar a importância de um cuidado integral com a saúde.

"Estar saudável não significa apenas estar livre de doenças. A adoção de um estilo de vida saudável, como o destacado pelo estudo, também faz parte desse conceito de saúde, pois nossos hábitos diários possuem um grande impacto em todo o organismo, não apenas ajudando a prevenir e tratar doenças e reduzir a mortalidade, mas também melhorando a qualidade de vida como um todo", expõe a médica.

A especialista reforça que também é importante que os profissionais de saúde estejam atentos aos hábitos dos pacientes. "Não apenas pacientes, mas também médicos devem estar atentos a essa questão para enxergar o paciente de maneira global e auxiliá-lo a melhorar seu estilo de vida de forma a contribuir com a prevenção de doenças e com a manutenção da saúde", finaliza a Dra. Caroline Reigada.

 

       Vegetariano pode consumir leite e derivados? Entenda o 'paradoxo do queijo'

 

Você já ouviu falar em "paradoxo do queijo"? Ele tem como objetivo incitar a reflexão sobre uma aparente incoerência na lógica de vegetarianos que consomem produtos lácteos. Esse conceito emergiu de um estudo publicado na revista científica "Appetite", voltado a investigações sobre alimentação e nutrição humanas.

Nessa pesquisa, acadêmicos examinaram a conduta de voluntários autodeclarados vegetarianos que continuavam a ingerir derivados animais, como ovos, leite e queijo, excluindo apenas a carne de sua alimentação.

A premissa era a seguinte: se os vegetarianos evitam carne por motivos éticos relacionados aos animais, como justificar o consumo de ovos, leite e queijo, dado que a produção desses alimentos também envolve a exploração dos animais? Seria essa uma contradição intrínseca?

Para solucionar essa dúvida, os pesquisadores conduziram entrevistas com os voluntários. Os resultados apontaram que os vegetarianos analisados reconheciam a aparente discrepância, mas, procuravam mitigá-la mediante argumentos que embasassem sua decisão de consumir produtos de origem animal.

•        Quais foram os argumentos para legitimar o consumo de queijo?

O estudo revelou que os participantes da pesquisa optavam por se abster da carne devido a convicções morais e éticas. Eles admitiam que o consumo de outros produtos animais poderia contradizer esse posicionamento, mas alegavam que não consumir carne era mais viável do que renunciar a ovos, leite e queijo.

Outra descoberta do estudo foi que diversos participantes consideravam a abstenção de carne como uma forma de contribuir para suas causas, e a ingestão de ovos, leite e queijo reduzia o desafio inerente ao vegetarianismo.

Os pesquisadores notaram que, quanto mais industrializado era um produto, como o queijo, menos era associado aos animais ou à adversidade vinculada à sua produção.

Muitos dos voluntários demonstraram aversão ao leite, mas essa mesma relutância não se estendia ao queijo. Em termos práticos, o consumo de queijo parece causar um impacto mais negativo para a causa animal do que o consumo de leite, considerando que cerca de 10 litros de leite integral são necessários para fabricar um quilo de queijo.

Outro argumento utilizado para justificar o consumo desses alimentos residia na sua origem, alinhada a padrões de produção consciente que, em teoria, respeitariam os animais, incluindo a produção de itens orgânicos.

•        Paradoxo do queijo é uma dissonância cognitiva?

A dissonância cognitiva surge quando uma pessoa se sente desconfortável devido à discrepância entre seus pensamentos, sentimentos e ações. Esse conflito interior pode emergir em diversas áreas da vida.

No contexto do paradoxo do queijo, muitos dos vegetarianos participantes experimentaram esse desconforto. Afinal, eles adotaram o vegetarianismo por razões morais (proteger os animais), porém, ao continuar a consumir queijo, alimentavam uma aparente incoerência que, quando reconhecida, gerava desconforto.

Frente a essa situação, é frequente que as pessoas busquem argumentos para minimizar esse mal-estar. No entanto, também é possível que o enfrentem de maneira direta, abdicando do que contraria sua crença inicial, ou até abandonem tal crença.

Curiosamente, indivíduos que consomem carne enquanto afirmam gostar de animais podem enfrentar experiências semelhantes.

 

Fonte: Portal EdiCase/Degusta

 

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