sábado, 2 de setembro de 2023

Dean Baker: Acordos como o TPP nunca se tratou de 'livre comércio' – podemos parar com essa farsa estúpida?

Acordos de 'livre comércio', como o TPP, costumam ter mais a ver com distribuir riqueza entre os ricos do que com eliminar ou reduzir barreiras comerciais

Nas últimas quatro décadas, as administrações de ambos os partidos políticos norte-americanos promoveram acordos comerciais destinados a redistribuir a renda entre os mais ricos. Esses acordos foram rotineiramente chamados de acordos de "livre comércio", dando a entender que se destinavam a eliminar barreiras ao comércio.

Isso claramente não corresponde à verdade. Os acordos comerciais de fato eliminaram as barreiras ao comércio de produtos manufaturados, pressionando para baixo os salários dos trabalhadores do setor manufatureiro e dos trabalhadores sem formação universitária em geral. Entretanto, pouco ou nada fizeram para eliminar as barreiras nos serviços profissionais altamente remunerados, como os prestados por médicos e dentistas. E aumentaram algumas barreiras, principalmente em relação aos monopólios de patentes e direitos autorais concedidos pelo governo.

Essa combinação de reduções e aumentos de barreiras teve o efeito inequívoco de transferir a renda dos trabalhadores comuns para os trabalhadores altamente qualificados. Proteções mais rígidas de patentes e direitos autorais enriquecem pessoas como Bill Gates e trabalhadores do setor de biotecnologia; elas não colocam dinheiro no bolso de funcionários do setor de comércio varejista, motoristas de caminhão e zeladores. Na verdade, as patentes e os direitos autorais tiram dinheiro de seus bolsos, pois os fazem pagar mais por medicamentos, equipamentos médicos, software e milhares de outros itens, reduzindo assim seus salários reais.

É compreensível que os proponentes desses acordos comerciais gostem de chamá-los de "livre comércio". Afinal de contas, isso soa muito melhor do que "acordos de manipulação de mercado". Por alguma razão bizarra, os oponentes desses acordos comerciais também costumam chamá-los de acordos de "livre comércio".

Aparentemente, eles acham que, politicamente, é melhor atacar o "livre comércio" do que os acordos comerciais que redistribuem a renda entre as classes mais altas. Isso me parece quase uma loucura, mas sou um economista, não um estrategista político.  

De qualquer forma, com esse pano de fundo em mente, fiquei muito feliz em ver um recente artigo do New York Times sobre os possíveis riscos para a economia dos EUA decorrentes de um crescimento mais lento na China. Perto do final, o artigo discute as implicações geopolíticas de uma economia chinesa enfraquecida:

"Além de quaisquer repercussões financeiras e econômicas diretas, vale a pena considerar se uma China em declínio altera significativamente a dinâmica geopolítica e os interesses americanos.

Há muito tempo, Washington teme que um bloco comercial dominado pela China possa limitar o acesso das empresas norte-americanas aos mercados, estabelecendo regras que, por exemplo, contenham proteções fracas para a propriedade intelectual. Um acordo comercial nesse sentido entrou em vigor no início de 2022, depois que os Estados Unidos abandonaram sua tentativa de formar a Parceria Transpacífica (TPP)."

Observem que o artigo diz muito explicitamente que um dos principais objetivos da Parceria Transpacífica (TPP) era a forte proteção à propriedade intelectual reivindicada pelas empresas dos EUA. É claro que isso é verdade. O acordo provavelmente teria sido finalizado pelo menos dois anos antes se os Estados Unidos não estivessem brigando por regras de exclusividade de uso de informações para o setor farmacêutico.

Incrivelmente, a TPP foi muitas vezes chamada de acordo de livre comércio, embora tivesse muito pouco a ver com a redução das barreiras comerciais tradicionais. Na verdade, os Estados Unidos já tinham acordos de "livre comércio" com seis dos outros onze países do pacto proposto e tinham tarifas baixas com a maioria dos outros. (O Vietnã foi a exceção).

De qualquer forma, é bom ver o New York Times falando honestamente sobre a TPP. Não se tratava de um acordo de livre comércio, mas de um acordo comercial estruturado para aumentar os lucros das empresas dos EUA.

 

Ø  Governo monitora de perto trajetória dos juros nos EUA e desaceleração da China, diz Haddad

 

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que o governo monitora de perto a trajetória dos juros nos Estados Unidos e a desaceleração econômica da China. Segundo ele, como esses dois países são os maiores parceiros comerciais do Brasil, estes fatores podem influenciar os rumos da economia local e precisam ser observados pela equipe econômica do País.

“Estamos muito preocupados com os juros no Estados Unidos e com a desaceleração na China”, disse ele a jornalistas nesta sexta-feira, na sede do Ministério na capital paulista.

Haddad afirmou que, nesta sexta-feira, o noticiário econômico internacional trouxe dados positivos.

Entre outros, indicadores da atividade industrial norte-americana caíram menos que o esperado, mas a geração de empregos nos EUA em agosto veio abaixo do esperado. Os dois dados mandaram sinais conflitantes sobre o possível rumo da política monetária do Banco Central americano (Fed, o banco central norte-americano).

O ministro afirmou ainda que na frente de comércio exterior, o governo tem o desafio de trabalhar no acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, que tem esbarrado em questões ambientais. “Temos o desafio de fechar o acordo com a União Europeia, que é muito importante.”

 

Ø  Lula volta a criticar Campos Neto e sugere que ele mantém contato ‘com quem o indicou’

 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva elevou o tom contra o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, e criticou a falta de diálogo com o presidente da instituição. Chamando-o de “cidadão”, Lula sugeriu que Campos Neto mantém contato com “quem o indicou”, em referência ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

“O presidente do Banco Central não foi indicado por nós, foi indicado pelo governo anterior e o Banco Central, agora, é autônomo, não tem mais interferência da presidência da República que podia chamá-lo para conversar”, disse o petista. “Esse cidadão, se ele conversa com alguém, não conversa comigo. Ele deve conversar com quem o indicou e, quem o indicou, não fez coisas boas neste País.”

As declarações foram feitas durante a cerimônia comemorativa de 18 anos de criação do Programa Agroamigo, nesta sexta-feira, 1º, em Fortaleza, no Ceará. Nas falas, o chefe do Executivo voltou a criticar a taxa básica de juros, a Selic, a 13,25%, após um corte do Comitê de Política Monetária (Copom) no início de agosto. Desde então, Lula ainda não havia comentado sobre a queda da Selic.

O cidadão precisa saber que ele é presidente do Banco Central do Brasil, e não do Banco Central de um país que não seja o Brasil”, comentou, pedindo queda na taxa básica de juros.

Campos Neto, no entanto, foi o responsável pelo voto de desempate que definiu, na última reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central (BC), a queda da Selic em 0,5 ponto porcentual, quando a maior parte do mercado apostava em um corte de 0,25 ponto.

Mencionando seu antecessor e principal adversário político, Bolsonaro, o presidente voltou a dizer que “o mandato para quem está no governo passa muito rápido, mas para quem está na oposição esperando, a vaga demora muito”. “O Bolsonaro deve estar coçando as unhas e mordendo porque vai demorar para ele. Vai demorar e, certamente, ele não voltará”, declarou.

Desde que assumiu a presidência da República em janeiro deste ano, Lula vem fazendo consecutivos ataques a Campos Neto por causa do patamar dos juros. Também fez críticas à independência do Banco Central, a qual classificou como “bobagem”. O presidente chegou a fazer pressão no Congresso para rediscutir a autonomia do BC.

·         Oferecimento de crédito

Lula disse que o governo precisa encontrar dinheiro para oferecer crédito a quem quer trabalhar e produzir, inclusive quando a demanda pelos empréstimos é maior que o orçamento original dos programas. O presidente também se referiu aos programas Agroamigo e Crediamigo, do Banco do Nordeste. “Os juros estão altos, porque 2,16% ao mês é muita coisa”, declarou. Segundo Lula, “precisamos baixar mais ainda”, mas sem quebrar o banco.

De acordo com o presidente, a Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, Banco da Amazônia, Banco do Nordeste e Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) “só têm sentido de existir se for para fazer as coisas diferentes do que fazem os bancos privados”. Em sua avaliação, o BNDES precisa de muito dinheiro, mas não lhe é oferecido a quantidade necessária. “Precisamos de dinheiro para investir a juros baratos”, afirmou.

Na esteira do oferecimento de crédito, o petista disse que os grandes produtores rurais são muito importantes, mas que são os pequenos que produzem mais alimentos.

 

Fonte: CEPR/Opera Mundi/IstoÉ/Agencia Estado

 

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