sábado, 5 de julho de 2025


 

'Luta de classes' melhora aprovação do governo Lula e pode indicar caminho para 2026

A reação do governo Lula (PT) à derrubada do decreto do IOF pelo Congresso Nacional, marcada por uma contundente defesa dos mais pobres diante dos interesses do mercado financeiro, provocou efeitos além da crise política: ministros comemoram, nos bastidores, uma suposta melhora na avaliação do governo, apontada por pesquisas internas encomendadas por bancos, informa Igor Gadelha, do Metrópoles.

Ainda que a crítica aberta ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), tenha sido contida publicamente por auxiliares do presidente, internamente a percepção é de que a oposição deu munição para um discurso com forte apelo social. “Uma semana de campanha ‘ricos contra pobres’ funcionou. A oposição deu um presente para o governo”, disse, sob reserva, um ministro com influência direta sobre a estratégia do Planalto.

As chamadas pesquisas tracking, usadas por bancos e partidos para medir oscilações quase diárias na percepção da opinião pública, não são registradas no TSE nem divulgadas oficialmente. Mas circulam com frequência entre ministros e aliados. De acordo com interlocutores, os dados recentes desses levantamentos indicam melhora na aprovação do governo Lula desde a queda do IOF, sobretudo entre eleitores de baixa renda e nas regiões Nordeste e Norte.

<><> Caminho para 2026: discurso social entra no radar

Mais do que um alívio momentâneo em meio às pressões por ajuste fiscal e cortes de gastos, a reação positiva captada nos trackings reacende o debate sobre qual discurso deve nortear a caminhada rumo à eleição presidencial de 2026. O confronto simbólico entre os interesses dos ricos e os direitos dos pobres pode voltar a ser central na narrativa.

Essa estratégia não é nova: foi fundamental na campanha de Lula em 2002. A crise recente — provocada pela revogação do decreto que elevava o IOF para financiar políticas públicas — forneceu ao governo um novo pretexto para reativar a retórica da desigualdade, com resultados perceptíveis, ainda que não mensurados oficialmente por institutos.

<><> Oposição pode ter reforçado a pauta do governo

A derrota do governo no Congresso, com o revés do IOF, não foi vista como um tropeço isolado. Ao barrar o aumento da alíquota do imposto, os parlamentares da oposição acabaram oferecendo ao governo um terreno fértil para contrastar seus valores com os de seus adversários.

¨      Lula diz estar confiante de que será o primeiro presidente da história do Brasil a ser eleito para um quarto mandato

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu nesta sexta-feira uma nova indicação de que vai tentar a reeleição, e mostrou confiança em ser eleito pela quarta vez para o cargo.

"Tem gente que pensa que o governo já acabou. Tem gente que já está pensando em eleição. Eles não sabem o que eu estou pensando", disse Lula em cerimônia de anúncio de investimentos da Petrobras em refino e petroquímica, na cidade de Duque de Caxias (RJ).

"Então se preparem, se preparem, porque se tudo estiver como eu estou pensando esse país vai ter pela primeira vez um presidente eleito quatro vezes", acrescentou.

Em um momento de atrito com o Legislativo por conta da alta do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), Lula também disse ser grato pela relação que tem com o Congresso.

Segundo ele, é bom quando existe divergência com o Congresso porque é possível conversar e resolver as diferenças.

¨      Há risco de "cancelamento" de Lula? Por Arnóbio Rocha

"Homem picado por cobra tem medo de comer linguiça"

A tentativa de simular o cenário do golpe de 2016 — por meio da ameaça constante de impeachment — transporta, de forma mecânica, uma realidade passada para o presente. E isso nada tem a ver com ser Lula ou Dilma.

A consolidação do "ódio" a Dilma teve um componente fundamental: a queda da economia, que antecedeu as jornadas de junho, a operação Lava Jato e o desgaste provocado pelo “pouso suave” após o crescimento expressivo do segundo mandato de Lula. Na época, a adoção de políticas anticíclicas diante da crise de 2008 — com o consequente aumento dos gastos públicos, de forma correta — também gerou tensões.

As consequências macroeconômicas de 2009 se estenderam por vários anos, e Dilma "pagou o pato".

Hoje, mesmo diante de um Congresso ainda mais conservador, o cenário é outro: a economia dá sinais de recuperação e há uma disposição política distinta.

A resposta do governo, uma semana após o "massacre" parlamentar, mostra que houve reação e rearticulação — e isso não nasceu do pragmatismo derrotista.

Sigamos em frente, sem medo de ser feliz. Nem de Hugo Mamata.

¨      Governo parte para o combate, sai das cordas e retoma iniciativa política. Por Bepe Damasco

Política tem coisas imprevisíveis. Às vezes uma fagulha inesperada basta para produzir incêndios no panorama político. A derrubada pelo Congresso Nacional do decreto do presidente Lula com pequenas modificações no IOF (o governo recorreu ao STF), que tinham como base a justiça tributária e o equilíbrio das contas públicas, desencadeou uma crescente onda de críticas ao Legislativo nas redes sociais, tachando-o de inimigo do povo, pior da história e por aí vai.

Para piorar sua imagem pública, o Congresso aprovou o aumento do número de deputados, medida que conta com alta reprovação dos brasileiros, segundo algumas pesquisas já divulgadas.

O fato é que pela primeira vez em mais de dois anos e meio de mandato, vemos o governo unificar seu discurso e sua estratégia, com o presidente Lula, o ministro Haddad, demais ministros e parlamentares do campo progressista batendo firme na tecla da taxação dos super-ricos, da justiça social através de uma tributação justa e da urgência da aprovação do projeto que isenta de pagamento de Imposto de Renda quem ganha até R$ 5 mil.

Mais do que um discurso, caiu no colo do governo uma marca de gestão, que, registre-se, ele está sabendo aproveitar. E o fenômeno da mudança na opinião pública não se limita apenas às redes. Ontem testemunhei uma conversa de dois trabalhadores de uma lanchonete se queixando de que "só pobre paga imposto no Brasil."

O PT tem dado uma contribuição importante para esse começo de virada com a produção de vídeos criativos e contundentes, nos quais desnuda a injustiça tributária brasileira, e que têm viralizado na internet. Aliás, o lema da campanha petista é um achado político e de marketing: "Taxação BBB: Bancos, Bets e Bilionários."

Deputados e senadores do Centrão e da extrema-direita, que compõem hoje a grande maioria do Congresso Nacional, reagem da forma esperada, em linha com seu padrão político rasteiro, acusando o o governo de promover a "polarização social" e de "jogar pobres contra ricos."

Eles ameaçam não aprovar mais nenhuma matéria de interesse do governo, indicar um bolsonarista raiz para a relatoria da CPI do INSS, além de colocar em votação o projeto de anistia para os golpistas de 8 de janeiro, para beneficiar Bolsonaro.

É curioso notar que muitos congressistas que se elegem com o apoio de banqueiros, grandes empresários e agronegócio e usam seus mandatos para defender as causas dos ricaços, em detrimento dos pobres, viram bicho quando a sociedade, finalmente, passa a enxergar essa realidade. 

O sorriso amarelo da turma da GloboNews é outra evidência do acerto do novo caminho adotado pelo governo. Esperavam que Lula seguisse prisioneiro exclusivo das chantagens do Congresso, colhendo derrotas até chegar enfraquecido em 2026. Quebraram a cara.

"Um presidente não rompe com o Congresso", foi taxativo Lula, durante entrevista na Bahia. Claro que as negociações entre os poderes devem ser retomadas. Só que em um patamar que respeite a independência e a a harmonia entre os poderes, com "cada macaco no seu galho", como diz o presidente da República. 

¨      Marco Aurélio de Carvalho vê "sabotagem clara" da base de Lula e diz que Congresso tenta "impor o parlamentarismo" ao país

O coordenador do grupo Prerrogativas, Marco Aurélio de Carvalho, fez duras críticas a partidos com ministérios no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), após a decisão dessas siglas de recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) para manter a revogação do aumento do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras). A declaração foi divulgada pela Folha de S. Paulo. Segundo ele, a atitude representa uma “sabotagem clara” à agenda do Executivo e exige uma repactuação urgente da aliança política.

Oito partidos, incluindo PP, Republicanos e União Brasil — que controlam os ministérios do Esporte, Portos e Aeroportos, Comunicações, Turismo e Desenvolvimento Regional — anunciaram que vão protocolar uma Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) no STF para validar o decreto do Congresso que anulou os reajustes do IOF. A medida é vista por Carvalho como incompatível com o compromisso de reconstrução do país.

“Eu acho, no mínimo, uma ousadia um partido da base entrar com uma medida dessa”, afirmou o advogado e coordenador do Prerrogativas. Para ele, o momento exige uma reavaliação profunda da coalizão. “Tem que haver uma repactuação de governabilidade. Nós temos que construir com esses partidos que fazem parte da base uma agenda mínima. Quem quiser continuar conosco tem que ter compromisso com a reconstrução do Brasil. É o momento de a gente fazer uma repactuação, de discutirmos a relação, fazer uma DR.”

Marco Aurélio reforçou que a decisão de ir ao STF contra uma política do governo do qual fazem parte é um movimento político que ultrapassa os limites aceitáveis de divergência. “O projeto que se sagrou vencedor nas eleições é muito claro. Ninguém pode dizer que o Lula prometeu uma coisa e está fazendo outra”, sustentou.

Além das críticas à base aliada, o coordenador do Prerrogativas apontou uma movimentação mais ampla do Congresso Nacional para ampliar seu poder sobre as decisões do Executivo, sem consulta à população. “Eles já capturaram parte do orçamento com as emendas impositivas e agora estão querendo avançar, abocanhando uma outra parte das competências constitucionalmente atribuídas ao Executivo”, declarou. “É um tsunami institucional.”

Apesar da gravidade da situação, Marco Aurélio acredita que ainda há espaço para diálogo e reconstrução das alianças políticas. “Eu acho que os líderes partidários, o presidente da Câmara [Hugo Motta] e o presidente da República vão agir com serenidade, pensando no Brasil.”

¨      Globo entra de cabeça na campanha de Tarcísio

Talvez seja síndrome de Estocolmo. Abraçar aqueles que te chamam de “Globolixo” e agridem fisicamente seus repórteres só pode ser fruto de um trauma mal resolvido. Talvez seja saudade da posição que ocupou a partir de 1964, quando apoiou, direta ou indiretamente, a ditadura militar. Quem sabe, uma lembrança da violência promovida contra Brizola no Rio de Janeiro. Ou o desejo de, de alguma forma, reeditar a edição histórica do Jornal Nacional de 1989. Talvez ainda, uma nostalgia da aliança com Eduardo Cunha no golpe contra Dilma Rousseff. Ou mesmo, a lembrança profunda das horas dedicadas contra Lula em sua aliança com a Lava Jato.

Pode ser tudo isso. Mas o principal motivo da edição de ontem do Jornal Nacional e da calibragem à direita de alguns comentaristas nos outros canais da emissora - agora abertamente alinhados com deputados e senadores contrários à cobrança de impostos sobre bancos, bilionários e casas de apostas - é mais objetivo: a Globo é uma empresa dos Marinho. E como tal, segue defendendo os interesses que sempre defendeu.

Para defender que os ricos paguem mais impostos, os Marinho teriam que olhar para si mesmos. Afinal, o império que construíram se ergueu com base em subsídios generosos, políticas tributárias regressivas e incentivos fiscais. E se a taxação avançar, não será só a empresa que será atingida - os próprios sócios também sentirão.

Mas há um outro ponto que não pode ser ignorado: a aliança com as bets. Não é preciso ser especialista em mercado publicitário para perceber a quantidade de dinheiro que essas casas de apostas estão injetando nos cofres da Globo. Foram elas, mais do que qualquer outro setor, as responsáveis pelos resultados positivos nos últimos balanços da emissora. Muito provavelmente, seguidas pelos bancos.

A matéria do Jornal Nacional desta quinta-feira apenas reforçou a assertividade do movimento do governo Lula e de sua base social ao promover o debate ‘pobres X ricos’. A narrativa tem funcionado: além de mobilizar a sua base social, mostra com clareza quem são os adversários nesse processo - e quem está sendo defendido por cada lado.

Acredito que o governo e sua base social jamais se iludiram com a possibilidade de apoio da grande imprensa. Sabem que ela estará com o candidato da direita, que, ao que tudo indica, será Tarcísio de Freitas. Mas acelerar esse embate é estratégico: permite que a base eleitoral de Lula compreenda, com nitidez, que os editoriais da mídia tradicional têm interesses que se chocam com os do governo e, portanto, com os dela própria.

O jogo de 2026 já começou. Os chupins e dissimulados perderam meses tentando tirar proveito. O governo e sua base social, ao contrário, ganharam tempo para se organizar. Vamos ver quem mais sairá ganhando com isso.

 

Fonte: Brasil 247


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