Hugo
Albuquerque: Dos giros de Trump à derrota de Israel para o Irã - doze dias que
abalaram o mundo
Nos
últimos dias, o Irã resistiu, respondendo ao brutal ataque de Israel – e não
“se rendeu incondicionalmente” mesmo após o ataque americano ao seu grande
complexo nuclear, em Fordow. Diante da possibilidade de o Irã alvejar as bases
americanas no Oriente Médio e trancar o estreito de Ormuz, por onde passa boa
parte do petróleo do mundo, restaria a Donald Trump assumir uma longa guerra de
atrito ou pôr fim ao conflito. Eis que o Irã venceu.
Mesmo
que todos os lados tenham proclamado a vitória, os
israelenses sabem muito bem que Netanyahu mente: com a destruição
massiva de edifícios estratégicos e áreas inteiras, o país se vê economicamente
exaurido, enquanto a confiança quase religiosa no Iron Dome, a
fabulosa defesa antiaérea israelense, foi abalada talvez para sempre – mas nada
disso se compara ao que se passou com as relações israelenses-americanas.
E esse
é o grande mistério que deve ser desvendado aqui: o que foi essa guerra no
contexto interno dos Estados Unidos – e o que ela nos diz para o futuro.
Principalmente no que envolve os gestos tão pirotécnicos quanto errantes de
Donald Trump, um presidente com problemas demais para resolver, muitos dos
quais criados por ele próprio. E isso passa a ser chave para compreender o
próprio futuro do sionismo.
Sim,
Trump se provou o bravateiro de sempre, mas não o Make
America Great Again, o MAGA, seu movimento-slogan dentro do Partido
Republicano: seus quadros mantiveram, mesmo sob forte pressão, um discurso
antiguerra que não foi dobrado por nenhum culto à personalidade. Nem um Tucker
Carlson nem Steve Bannon adaptaram seu discurso. O que se esconderia por trás
disso?
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O MAGA contra Trump: muito além do culto à personalidade
Nos
últimos meses, em diversas ocasiões – inclusive no primeiro e único debate
presidencial com Joe Biden – o mesmo Trump declarava que os democratas estavam
levando o mundo à Terceira Guerra Mundial, seja por um misto de incompetência
negocial ou comprometimento com os piores interesses possíveis. Trump apontava
que só suas habilidades poderiam salvar os Estados Unidos de uma nova “guerra
eterna”, dessa vez contra o Irã.
Tudo
muito natural, afinal Trump construiu grande parte da sua mitologia política
pela denúncia do belicismo dos democratas – sem poupar mesmo os republicanos
tradicionais. Mas nas últimas semanas, como sabemos, ele mandou pela janela
tudo o que sempre disse e, logo, partiu para cima do Irã em um ataque sem o
aval do Congresso, tudo para acudir o aliado Israel – que, surpreendentemente,
atacou primeiro, ficando em previsíveis apuros logo em seguida.
Se de
um lado o mundo constatou o espírito bufão de Trump, por outro, muitos devem
ter se surpreendido com o fato de que o MAGA não é, exatamente, a plataforma
seguidista que se imaginava. Com muitos dos seus quadros originários de órgãos
de inteligência – Bannon veio da Marinha, Peter Thiel tem ligações públicas com
a CIA –, o MAGA fez, simplesmente, disputa pública para evitar uma guerra com o
Irã.
Isso
tudo em um momento em que Trump, ele próprio, tentava convencer o grande
público de que uma guerra contra o Irã não seria uma nova Guerra do Iraque – de
fato não era; dessa vez, a diretora da CIA, Tulsi Gabbard, nomeada pelo próprio
Trump, afirmou a verdade em testemunho: o Irã não tinha armas atômicas, nem
estava perto de desenvolvê-las caso mudasse de ideia, um gesto que faltou em
2003, quando foi forjado o conflito mentiroso do Iraque.
Enquanto
democratas do establishment silenciavam, e só a esquerda
socialista democrata ousava criticar Israel, os aderentes do MAGA no governo
apontavam as incongruências de uma eventual mega-guerra contra o Irã. Carlson
levou ao seu programa um neonconservador, adversário interno e histórico
desafeto de Trump: o senador texano Ted Cruz, que foi simplesmente destruído e
humilhado – e isso se espalhou para o mundo inteiro.
Trump
deve ter odiado ver que o seu giro o levou para perto de Ted Cruz – a quem ele
só não chamou de santo nas primárias de 2016 e que agora se opõe ao tarifaço
trumpista no Senado. Enquanto pesquisas de opinião marcavam novas quedas na
popularidade de Trump, as pesquisas sobre o conflito tampouco eram alentadoras.
Dias antes do ataque, um idoso Bill Clinton quebrou o silêncio e surgiu para
criticar o papel de Israel na agressão ao Irã.
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Bombardeio a Fordow e a resistência incondicional do Irã
Logo
depois do ataque americano ao complexo nuclear de Fordow, no último domingo –
que foi antecipado pelo icônico jornalista Seymour Hersh – Trump se viu em meio
a uma encruzilhada: havia perdido apoio dos seus quadros mais fiéis, tinha dado
um cavalo de pau no seu discurso, mas os iranianos não haviam derrubado o
aiatolá Khamenei ou se rendido – e a grande massa americana não apoiava o seu
gesto bélico, nem mesmo os republicanos.
Enquanto
isso, o analista militar israelense Yossi Melman, tuitando de um bunker,
apontava que boa parte de Tel Aviv foi destruída – e, por tabela, tudo rumava
para uma longa guerra de atrito contra o Irã. Ainda segundo Melman, Israel
havia, de fato, conseguido assassinar líderes importantes, mas não destruir a
cadeia de comando iraniana; Teerã ainda tinha mísseis suficientes para muito
tempo de guerra, apesar de muitos lançadores terem sido destruídos.
Por
sinal, semanas atrás, a mídia chinesa dava conta que as bombas antibunker dos
Estados Unidos não seriam suficientes para provocar um estrago em Fordow. E,
para a sorte da humanidade, ou a avaliação da mídia chinesa se provou acertada
ou os iranianos já haviam tido a presença de espírito de retirar o urânio
enriquecido de lá – evitando um desastre nuclear de proporções incalculáveis.
Trump,
contudo, já tinha uma explosão para chamar de sua e, assim, uma deixa para se
retirar do conflito alegando vitória – o que parecia necessário, graças ao
cenário interno caótico, inclusive com a adesão, surpreendentemente grande, às
manifestações convocadas nos Estados Unidos contra o envolvimento americano em
uma guerra em larga escala. Trump precisava se safar de uma guerra arriscada
demais pela frente.
Na
segunda-feira à noite, horário de Brasília, Trump informou via redes sociais
que haveria um cessar-fogo entre as partes. A declaração vinha após uma
reportagem da mídia israelense de horas antes, via Canal 11, a qual dava conta
que Israel desejava interromper as hostilidades – com o governo ou o Alto
Comando do país aparecendo sob a máscara do sujeito coletivo, vago e sem rosto,
talvez acusando o custo de uma guerra que não terminaria cedo
Com a
manutenção das hostilidades nas horas seguintes, Trump enquadrou Israel e, ato
contínuo, o premiê daquele país, Benjamin Netanyahu, determinou que os caças
que atacavam Teerã retornassem – horas depois, o presidente americano apareceu
novamente na mídia, sorridente e aliviado, enquanto partia para a Europa com a
missão de enquadrar os “aliados” da Otan para aumentar seus gastos militares –
com equipamentos americanos, obviamente.
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O Grande Jogo do nosso tempo: Trump e a tendência multipolar
Entre
os dois giros bruscos de Trump e o cessar-fogo, houve, além da resistência e
resiliência de Teerã, rodadas de conversação de Trump com o presidente russo
Vladimir Putin e posicionamentos firmes da China. A capacidade do regime
iraniano resistir a Israel e, ainda, o poder de travar defensivamente o
comércio global, via Ormuz, tendo por único culpado o regime sionista,
representava o caminho para a derrota de Netanyahu.
A
China, pelo seu lado, conseguiu um feito: não ser atraída para a guerra e,
indiretamente, fazer esforços nas sombras que preservaram um aliado-chave do
seu jogo global – as relações sino-iranianas envolvem não apenas abastecimento
energético iraniano, mas também a construção de vastas redes de infraestrutura
no país, que permitem a Pequim depender menos dos mares para fazer comércio,
desviando-se da marinha americana.
Com a
eventual guerra, Trump iria enfrentar um novo forte vendaval econômico, ainda
mais após a queda do PIB no primeiro trimestre deste ano. Seus esforços para
reduzir os juros iriam por água abaixo e sua administração sofreria o desgaste
por isso – mas antes, os efeitos quase automáticos de levantes antiguerra nos
Estados Unidos pareciam politicamente mortais para o presidente
americano.
E se
Trump se mostrou completamente não confiável e imprevisível, por outro lado,
ele demonstrou estar sujeito a fatores reais de poder que interpreta bem –
ainda que de forma oportunista, mas isso mostra que seu pragmatismo não
consegue escapar da maldição dos seus discursos anteriores: a recusa às guerras
eternas é popular entre as antigas classes médias rurais, brancas e
empobrecidas, sua base mais fiel que tem inúmeros veteranos de guerras
recentes.
A
jogada totalmente audaciosa de Netanyahu, de forçar a entrada americana no
conflito, ignorou as relações reais de poder dentro dos Estados Unidos,
contrariando a máxima de que o premiê israelense é um grande leitor da
conjuntura americana. A realidade de desgaste econômico das massas, e traumas
variados de veteranos das guerras do Iraque e do Afeganistão, estabeleceu
limites reais para o poder interventivo americano.
Como
aponta José Guilherme Pereira Leite em seu As guerras dos velhos, o
desespero dos jovens: “o plot da mixórdia levantina, no
presente, não é o sofrimento prévio do povo judeu, mas sim a transformação da
elite dirigente de Israel em uma casta de prepostos do tecnofascismo,
tensionando a fronteira do Ocidente com a China” – só fazemos o adendo de que
sustentar uma fronteira requer um equilíbrio que o fascismo raramente entrega.
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Por dentro dos Estados Unidos: o MAGA como projeto político da inteligência
americana
Sim,
nas últimas semanas, a esquerda do Partido Democrata voltou ao jogo, com a
eleição de Zohran Mamdani, socialista, muçulmano e crítico de Israel para
candidato a prefeito de Nova Iorque – o que foi aclamado por várias lideranças,
inclusive mais à direita do partido, ainda que Barack Obama, misteriosamente,
tenha silenciado. Se isso acende uma luz no final do túnel, temos de considerar
que a disputa à direita dentro do Partido Republicano só começou.
Com o
MAGA mostrando vida – e projeto próprio –, temos um conflito inevitável dele
contra os neoconservadores – os direitistas republicanos “tradicionais” – que
ocupam inúmeras secretarias na atual administração. Isso não é só uma disputa
sobre o governo Trump, mas pela sucessão de sua presidência também – enquanto
ela vive uma crise de popularidade resiliente e seu grande projeto econômico,
a One Big Beautiful Bill, patina na opinião pública.
Sem
sequer a poeira ter baixado no Oriente Médio, nos parece que a tentativa de
Trump de batizar o conflito como Guerra dos Doze Dias talvez
seja ousada e otimista demais. Iranianos foram às ruas comemorar o que leram
como vitória e seu regime, ao invés de derrubado, se vê fortalecido – conforme
atesta em artigo para o jornal francês Le Monde a antropóloga
e dissidente iraniana em exílio Fariba Adelkhah, insuspeita de simpatias pelos
aiatolás.
Israel,
por seu lado, se vê às voltas com a autodeclaração de vitória de Netanyahu, mas
a receita federal israelense registra o desafio inglório de indenizar cidadãos
por mais de 40 mil danos a edifícios e automóveis no atual contexto – enquanto
se fala em dezenas de bilhões em perdas, a ponto de analistas do Haaretz,
como David Rosenberg, qualificarem que tratou-se de uma guerra para a economia
local, diante do exaurimento econômico pelo conflito.
Passado
tudo, o fato é que sem conseguir avançar na atual rodada bélica, mas sem
prescindir de um estado de guerra permanente, Israel se vê diante de limites
que ele não encontrava há tempos. Netanyahu, talvez mais do que o próprio
Trump, está surpreso com o cenário interno nos Estados Unidos. Pela primeira
vez em muito tempo, não conseguiu tudo o que quis – e se vê em um cenário no
qual a emigração aumenta, o que lhe pode ser mortal.
A
grande manchete desses doze dias que abalaram o mundo é que essa rodada de luta
política – agressiva, perigosa e desesperada – nos Estados Unidos só começou, e
ela também é interna à administração Trump, que passa longe de ser um borrão
homogêneo. O MAGA parece emular o que eles supõem ser o projeto russo, com
velhos – ou pretensos – atores da comunidade de informações querendo o posto de
messias da salvação nacional.
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Células adormecidas e alertas de ameaça: como o conflito
EUA-Irã está gerando medo
À
medida que a guerra entre o Irã e Israel se intensificava, provocando o
eventual envolvimento dos militares dos EUA , as agências de segurança
americanas começaram a alertar sobre uma ameaça iminente de "células
adormecidas" apoiadas por Teerã, conhecidas por estarem ativas nos Estados
Unidos e que poderiam ser chamadas para ataques retaliatórios.
Mas, à
medida que os bombardeiros B-2 atingiam instalações nucleares em todo o Irã e
os militares iranianos respondiam com um bombardeio de mísseis contra bases
americanas na região, um cessar-fogo tomou forma. No final, o Corpo da Guarda
Revolucionária Islâmica ( IRGC ) – o braço de elite militar e de inteligência
do Irã, que controla uma rede global de grupos terroristas e agentes agindo em
seu nome – não pareceu patrocinar ou realizar quaisquer operações secretas
dentro dos EUA, e não o fez desde então.
O
Departamento de Segurança Interna, no entanto, emitiu um boletim de ameaça
intensificada , porque o "conflito em curso com o Irã está causando um
ambiente de ameaça intensificada". O FBI seguiu o exemplo com seus
próprios alertas sobre células adormecidas . O mesmo tipo de raciocínio já foi
usado antes: durante e após a invasão do Iraque, o presidente George W. Bush
continuou a associar o regime iraquiano deposto a "células
adormecidas" e ao patrocínio do terrorismo contra alvos americanos.
No
passado, o IRGC e seus representantes certamente demonstraram que estão mais do
que dispostos a executar planos terroristas contra os EUA — como foi o caso de
um ativista iraniano baseado no Brooklyn que foi alvo de uma tentativa
frustrada de assassinato em 2023 — mas separar os pontos de discussão de Maga
da realidade levanta a questão: quão reais são essas células adormecidas?
O
"czar" da fronteira americana, Tom Homan, foi acusado de selecionar
ameaças à segurança nacional para se adequar ao seu mandato. Ele sugeriu que a
fronteira americana era tão porosa que operadores iranianos já se aproveitaram
dela.
"Quando
eu era um colaborador da Fox News", Homan disse recentemente à Fox News ,
chamando os agentes iranianos de uma ameaça, "eu disse que minha maior
preocupação é a fronteira aberta, causando a maior vulnerabilidade de segurança
nacional que este país já viu".
Para
figuras do governo Trump como Homan e JD Vance, que alertaram sobre um ataque
quase iminente contra os americanos, os iranianos se tornaram bichos-papões
úteis e um instrumento para enfatizar um perigo estrangeiro que eles podem usar
para repressões domésticas .
Especialistas
dizem que a ameaça do IRGC é crível e exagerada.
“Embora
frequentemente discutido em linguagem sensacionalista, o Irã quase certamente
mantém pequenas células clandestinas dentro dos EUA e de outros países”, disse
Broderick McDonald, pesquisador associado do programa de pesquisa XCEPT do
King's College London , que estuda conflitos no Oriente Médio. “Tanto o Irã
quanto seus aliados como [o Hezbollah] têm usado repetidamente pequenas células
clandestinas há décadas para realizar assassinatos, alvejar dissidentes e
colaborar com redes criminosas.”
O
Hezbollah, cujo poder foi bastante reduzido desde a invasão israelense do
Líbano no ano passado, tem atuado em estreita colaboração com o IRGC durante
anos, inclusive oferecendo seus agentes para o trabalho de Teerã.
McDonald
continuou: “Essas chamadas células adormecidas são um recurso valioso para
qualquer país coletar informações de vigilância, conduzir assassinatos
seletivos e executar ataques estratégicos à infraestrutura militar durante uma
crise.”
Desde a
invasão russa da Ucrânia, observadores geopolíticos alertam que o conflito
anuncia uma nova era de sabotagem e operações secretas entre Estados-nação. O
Irã, já experiente nesse tipo de atividade clandestina e disposto a pagar à
máfia russa para cumprir suas ordens, deveria aumentar seu ritmo de ação
internacional, mesmo antes do conflito com Israel.
Ao
mesmo tempo, operações como o ataque de drones da Ucrânia aos aeródromos
russos, codinome "Teia de Aranha", e a missão semelhante de Israel em
Teerã antes do bombardeio da cidade no início de junho, demonstraram o
crescente apetite das agências de espionagem para realizar atos de violência no
território de seus inimigos.
Mas
McDonald explicou que qualquer ataque ao território americano — especialmente
com outra presidência de Trump mais do que disposta a escalar e realizar
assassinatos sem precedentes — é um "ativo de contingência para regimes
como o Irã".
Em
outras palavras, iniciar um ataque terrorista contra os EUA exigiria um momento
de verdadeiro desespero existencial, o que não é o caso do Irã atualmente.
“A
divulgação telegráfica de seus ataques retaliatórios contra bases americanas no
Catar e no Iraque sugere que o Irã buscava reduzir a intensidade, em vez de
inflamar as tensões com os EUA”, disse McDonald. “Embora alguns veículos de
comunicação e personalidades da internet tenham usado linguagem sensacionalista
para descrever essas chamadas células adormecidas e a probabilidade de serem
mobilizadas, pequenas células clandestinas representam sérias ameaças à
segurança nacional, para as quais estamos apenas parcialmente preparados.”
Por
exemplo, reportagens recentes no estilo "guerra ao terror" da Fox
News , um meio de comunicação com afiliações públicas à Casa Branca, culparam o
governo Biden por deixar mais de 700 iranianos entrarem no país, observando que
"não estava claro" quantas dessas pessoas estavam na lista de
vigilância de terrorismo.
Fontes
confirmaram ao Guardian que o FBI estava de fato preocupado com a infiltração
iraniana nos Estados Unidos. Uma ameaça em particular, o uso de drones suicidas
com visão em primeira pessoa (FPV) contra cidadãos americanos ou alvos
importantes, seria quase impossível de se defender e se popularizou por sua
facilidade de uso na Ucrânia.
"Ainda
estou surpreso por não termos visto mais ataques do tipo FPV, mas essa é
certamente uma forte possibilidade", disse Colin Clarke, diretor de
pesquisa do Centro Soufan , apontando ataques anteriores patrocinados pelo Irã
na Argentina , Bulgária e Arábia Saudita – evidência por si só de sua
disposição de atacar seus inimigos usando meios assimétricos. O Irã também é
conhecido por ter patrocinado grande parte da insurgência contra as forças
americanas no Iraque, chegando ao ponto de fabricar bombas de beira de estrada
que se tornaram um flagelo para os soldados americanos naquele país.
Mas, de
acordo com Clarke, embora o Irã seja um inimigo formidável e ativo para os
países ocidentais, sua fraqueza atual também pode significar que é muito menos
provável que atraia a ira dos EUA e o poder de fogo do Pentágono.
“Acredito
que a ameaça de células adormecidas nos Estados Unidos é real, mas agora que há
um cessar-fogo em vigor, é improvável que o Irã queira suas impressões digitais
em qualquer planejamento de ataque rastreável”, disse ele em um e-mail. “Mas
logo após o início da guerra, há duas semanas, e mesmo antes do envolvimento
dos EUA, havia temores palpáveis de um potencial ataque terrorista em solo
americano conduzido pela rede de agentes do Irã.”
Clarke
observou que os últimos ataques dos EUA e de Israel contra Teerã provavelmente
iriam “alimentar ainda mais a raiva” em um clima de extremismo político , que
causou assassinatos recentes.
“Desde
os ataques de 7 de outubro e a guerra em curso em Gaza, os países ocidentais
têm vivenciado um aumento tanto no antissemitismo quanto nos ataques
islamofóbicos, crimes de ódio e outros eventos violentos”, disse ele.
Fonte:
Opera Mundi/The Guardian

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