sábado, 14 de junho de 2025

Sob suspeita de tentar facilitar fuga de Mauro Cid, ex-ministro Gilson Machado é preso pela PF

Policiais federais prenderam, na manhã desta sexta-feira (13), o ex-ministro do Turismo do governo de Jair Bolsonaro, Gilson Machado. Suspeito de participar de suposta tentativa de emissão de um passaporte português para que o ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, o tenente-coronel Mauro Cid, deixasse o Brasil, Machado foi detido no Recife (PE), por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF).

A Corte também autorizou os agentes federais a realizarem buscas e apreenderem documentos em endereços de Cid, em Brasília. Inicialmente, o STF tinha autorizado que Cid também fosse detido, mas revogou o mandado de prisão pouco antes de a PF cumpri-lo. Mesmo assim, o tenente-coronel foi conduzido à sede da Polícia Federal (PF), na capital federal, para prestar depoimento.

Em nota, a PF se limitou a confirmar o cumprimento dos mandados de prisão e de busca e apreensão, sem citar nomes. Contatada pela reportagem, a assessoria pessoal de Machado disse aguardar orientações dos advogados do ex-ministro para se manifestar acerca da prisão. Já o Partido Liberal (PL), ao qual Machado é filiado, informou que está acompanhando “com atenção” as informações sobre a detenção do ex-ministro e que aguarda mais esclarecimentos sobre o caso.

Empresário e sócio-proprietário de uma pousada de luxo em um destino paradisíaco de Alagoas, a praia de São Miguel dos Milagres, Machado presidiu a Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo (Embratur) e chefiou o Ministério do Turismo durante o mandato do ex-presidente Jair Bolsonaro (2019/2022). Entre 2022 e 2024, disputou as eleições para o Senado e para a prefeitura do Recife, mas não conseguiu se eleger.

Sanfoneiro de uma banda de forró que se apresenta profissionalmente, Machado ficou marcado por aparecer tocando seu instrumento durante as transmissões ao vivo que Bolsonaro promovia com membros da equipe de governo.

Segundo o site de notícias G1, na última terça-feira (10) a Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu ao STF a abertura de inquérito para investigar Machado. Ainda de acordo com o G1, a PF afirma ter indícios de que o ex-ministro atuou junto ao Consulado de Portugal no Recife para obter um passaporte português para que Cid deixasse o Brasil.

Consultada pela Agência Brasil, a assessoria da PGR informou que a investigação está em segredo de justiça e que, por isso, detalhes sobre o caso não estão sendo divulgados.

O filho do ex-ministro, Gilson Filho, também se manifestou a respeito da prisão do pai.

“Estou muito triste com isso. O meu pai é um exemplo para mim e me ensinou valores importantes como integridade e família. Nunca cometeu um crime em toda a sua vida. Honro esses ensinamentos e estarei junto dele e da minha mãe, apoiando meus pais neste momento.”

•        Gilson Machado preso no São João é o Nordeste feliz de novo. Por Sara Goes

A gente passou dois anos sem São João. Dois. Não foi só saudade, foi mutilação simbólica. A ausência da fogueira, do cheiro de mungunzá, da sanfona ao longe, da rua enfeitada, do abraço coletivo, da fé que vira festa, da festa que vira luta, tudo isso foi arrancado do nosso calendário afetivo. E no centro desse apagão estava Bolsonaro, um presidente que tratou a cultura do Nordeste com desprezo, fez piada com nossa dor e sabotou nosso direito ao voto.

Gilson Machado surgiu como caricatura de ministro, empunhando uma sanfona enquanto o país chorava seus mortos. Um trabalho podre de tentar humanizar um homem que odeia o Nordeste. Fez de um instrumento sagrado uma ferramenta para encobrir um projeto autoritário, racista e genocida. E no dia de Santo Antônio foi preso, acusado de tentar ajudar Mauro Cid a fugir do país com passaporte português.

Gilson, que já tentou se eleger por Pernambuco e foi rejeitado nas urnas, também tentou calar quem o denunciou. A vereadora Karina Santos, do PT, foi multada por chamá-lo de “sanfoneiro do diabo”. A fala dela foi uma antecipação poética. Ela apontou o farsante e a história confirmou.

O ex-presidente parece ter adotado um padrão: sempre que a Justiça o cerca, corre para o Nordeste em busca de um novo teatro simbólico. Foi assim quando se abrigou em Alagoas, no colo desafinado de Gilson Machado, e agora se repete. Ao ser interrogado pelo ministro Alexandre de Moraes no STF, Bolsonaro declarou que pretende retornar ao Rio Grande do Norte, reencenando sua obsessiva “Rota 22”, uma tentativa patética de reabilitar seu cadáver político. Ao escolher justamente a região que mais o rejeitou, Bolsonaro continua seu roteiro oportunista de exploração simbólica, tentando capturar para si a força moral de um povo que nunca o aceitou. Bolsonaro nunca teve entrada verdadeira por aqui. Quando vem, sai machucado, por vaias, por abelhas e verdades. O ódio que ele sente pelo Nordeste, a gente devolve com consciência política, com cultura viva, com voto, com sátira, com rebeldia ancestral e com abelhas. Não só com ressentimento, com projeto.

E agora, com o São João reacendido, com Gilson preso, com Flávio José sem interrupções no palco, com Kari diplomada, o ciclo se fecha bonito. O Brasil talvez não entenda o que isso significa. Mas o Nordeste entende. É que a gente não quer vingança banal, a gente quer reparação em forma de justiça, música e uma bela ironia.

Se o Brasil fosse um cordel, esse capítulo começaria com uma quadrinha:

No mês sagrado do milho, A justiça acendeu o rastro. Caiu o sanfoneiro do diabo Na fogueira do próprio pasto.

•        Mauro Cid vira alvo da PF por plano de fuga com passaporte português

A Polícia Federal cumpriu mandados nesta sexta-feira (13) contra o tenente-coronel Mauro Barbosa Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro (PL), no âmbito de uma investigação sobre tentativa de evasão ilegal do país. A informação foi divulgada inicialmente pela GloboNews, que também apurou, junto à defesa de Cid, que a ordem de prisão contra ele foi revogada antes de ser executada.

O caso está relacionado a um inquérito da Procuradoria-Geral da República (PGR), que apura se Cid buscou utilizar sua cidadania portuguesa para obter um passaporte e, assim, burlar as restrições impostas pela Justiça brasileira para deixar o país, informa o g1. Ainda segundo os advogados, o militar foi conduzido apenas para prestar depoimento nesta manhã.

A investigação aponta que o plano contaria com o apoio de Gilson Machado, ex-ministro do Turismo durante o governo Bolsonaro. Machado foi preso em Recife por envolvimento direto na tentativa de emissão do passaporte junto ao consulado de Portugal.

A advogada Vânia Bittencourt, que integra a equipe de defesa de Mauro Cid, declarou à GloboNews que ele e seus familiares possuem documentos portugueses, como cidadania e carteira de identidade, mas que esses papéis não dão livre trânsito pela Europa. Ainda segundo ela, Cid estaria disposto a entregar a carteira de identidade portuguesa à Justiça e não teria intenção de deixar o país sem autorização legal.

As apurações revelaram que, já em janeiro de 2023, Cid tentava formalizar sua cidadania portuguesa. A Polícia Federal afirma ainda que encontrou arquivos no celular do militar confirmando essas tratativas. O envolvimento de Gilson Machado teria se intensificado em maio de 2025, quando ele teria atuado diretamente junto ao consulado português no Recife para viabilizar a emissão do passaporte.

Cid é um dos 31 réus — ao lado de Jair Bolsonaro — em ação que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a tentativa de golpe de Estado que visava reverter o resultado das eleições presidenciais de 2022 e manter o então presidente no poder. A denúncia apresentada pela PGR inclui crimes como abolição violenta do Estado Democrático de Direito e associação criminosa.

<><> Família de Mauro Cid, suspeito de planejar fuga, está nos EUA

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, apresentou ao Supremo Tribunal Federal (STF) uma representação na qual solicitou a prisão de Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro (PL), e do ex-ministro do Turismo Gilson Machado. O pedido de prisão do militar foi expedido, segundo o g1, após seus familiares deixarem o Brasil.

Nesta sexta-feira (13), agentes da Polícia Federal cumpriram mandados de busca e apreensão contra Cid. Ele, porém, não chegou a ser preso porque o mandado foi revogado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. Gilson Machado, contudo, foi preso no Recife no início da manhã pela suspeita de que tenha tentado ajudar Mauro Cid a obter um passaporte português.

Ainda de acordo com a reportagem, a medida foi encaminhada ao ministro Alexandre de Moraes pela Procuradoria-Geral da República (PGR) após a saída do país de familiares de Mauro Cid, o que levantou suspeitas sobre uma possível tentativa de obstrução das investigações.

Segundo o documento, em maio de 2025, os pais, a esposa e as filhas do ex-ajudante de ordens embarcaram em um voo com destino a Los Angeles, nos Estados Unidos, com escala no Panamá. A ausência de registros migratórios referentes à saída de uma das filhas de Cid chamou a atenção das autoridades.

Cid é um dos 31 réus — ao lado de Jair Bolsonaro — na ação penal que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a tentativa de golpe de Estado que visava reverter o resultado das eleições presidenciais de 2022 e manter o então presidente no poder. A denúncia apresentada pela PGR inclui crimes como abolição violenta do Estado Democrático de Direito e associação criminosa.

•        "Fraudar a Justiça é um método entre os bolsonaristas", diz Gleisi após prisão de Gilson Machado

A ministra de Relações Institucionais do governo Lula (PT), Gleisi Hoffmann (PT), reagiu com dureza à prisão do ex-ministro do Turismo Gilson Machado, ocorrida nesta sexta-feira (13), em Recife (PE). Em publicação nas redes sociais, ela afirmou: “a prisão do ex-ministro Gilson Machado confirma que fraudar a Justiça é um método entre os bolsonaristas”.

A declaração de Gleisi foi feita após a Polícia Federal prender Gilson Machado no âmbito de uma investigação que apura uma suposta tentativa de fuga do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro (PL). Segundo a apuração da PF, Machado teria atuado para obter um passaporte português para Cid, com o objetivo de viabilizar sua saída do país, o que poderia interferir diretamente na aplicação da lei penal.

“A PF descobriu que estavam tentando obter um passaporte português para o coronel Mauro Cid fugir do país, como já fizeram Eduardo Bolsonaro e Carla Zambelli. Mas é aqui no Brasil que todos terão de responder pelos crimes que cometeram, a começar por Jair Bolsonaro”, afirmou a ministra.

De acordo com a Procuradoria-Geral da República (PGR), a ação de Gilson Machado buscava atrapalhar o andamento da Ação Penal 2.688/DF, que investiga uma possível tentativa de golpe de Estado envolvendo Bolsonaro e Mauro Cid. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, apontou que há “elementos sugestivos” de que o ex-ministro tentou facilitar a evasão de Cid com o propósito de burlar a Justiça.

A prisão de Machado soma-se a uma série de episódios envolvendo aliados de Jair Bolsonaro, que já são investigados ou denunciados por diferentes crimes relacionados à tentativa de subversão da ordem democrática ou obstrução da Justiça.

•        Em depoimento à PF, ex-ministro nega intermediação para Mauro Cid obter passaporte

Preso nesta sexta-feira (13), no bairro de Boa Viagem, na Zona Sul do Recife, o ex-ministro do Turismo Gilson Machado foi conduzido pela Polícia Federal à Superintendência da corporação, no bairro do Pina, onde prestou depoimento. Segundo seu advogado, Célio Avelino, após ser ouvido, Machado foi encaminhado ao Instituto de Medicina Legal (IML), em Santo Amaro, para exame de corpo de delito. Em seguida, foi transferido ao Centro de Triagem e Observação Criminológica Professor Everardo Luna (Cotel), em Abreu e Lima, na Região Metropolitana da capital pernambucana. As informações são do g1.

De acordo com Avelino, Machado foi surpreendido com um mandado de prisão preventiva expedido pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), mas os fundamentos da ordem judicial não foram apresentados à defesa. “A Polícia Federal recebeu, do ministro Alexandre de Moraes, um mandado de prisão preventiva, mas não disse os motivos da prisão. Ele prestou depoimento, esclareceu o que perguntaram a ele sobre se teria interferido para conseguir um passaporte para o tenente-coronel Mauro Cid. E ele disse que não. E é só isso que eu sei”, afirmou o advogado.

Avelino também explicou que Machado teria feito contato com o consulado de Portugal no Recife, mas com outra finalidade.  “Ele tem cidadania portuguesa e o pai dele também. O pai dele tem 85 anos, pediu a ele para agendar a renovação e foi isso que ele fez. Pessoalmente ele não foi no consulado, ligou e agendou a visita. O pai foi acompanhado pelo irmão dele. Nem sequer ao consulado ele foi”, declarou.

Ainda de acordo com a reportagem, a defesa agora busca acesso ao processo que fundamentou a prisão. “A PF recebeu apenas um mandado para cumprir. Estamos dando entrada em um pedido para o ministro [Alexandre de Moraes] para ter acesso ao processo para saber o que foi que levou o ministro a fazer isso”, disse Avelino. No momento da prisão, foram apreendidos o celular, o carro e outros pertences do ex-ministro.

Segundo a Polícia Federal, Gilson Machado teria atuado em maio de 2025 para facilitar a emissão de um passaporte português destinado ao tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro (PL), com o intuito de permitir sua saída do Brasil. A tentativa, conforme os investigadores, teria ocorrido no consulado português no Recife.

O caso ganhou força após manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR) enviada ao STF na última terça-feira (10). O órgão solicitou a abertura de inquérito contra Machado, além da realização de busca e apreensão, e da quebra de sigilos telefônico e de mensagens. Os procuradores também apontaram indícios de que Machado teria agido para facilitar a fuga de Cid do país. As investigações se baseiam em arquivos encontrados no celular de Mauro Cid que indicam sua tentativa, em janeiro de 2023, de obter a cidadania portuguesa.

Antes de ser preso, Gilson Machado divulgou nota em que afirmava que sua única atuação teria sido uma ligação ao consulado para marcar a renovação do passaporte do pai, sem qualquer visita presencial. O Partido Liberal (PL), legenda à qual Machado é filiado, afirmou por meio de nota que acompanha a situação e “aguarda o esclarecimento dos fatos pelas autoridades competentes”.

 

Fonte: Brasil 247

 

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