sexta-feira, 13 de junho de 2025

Marcelo Uchôa: Bolsonaro, o imbecil

Ainda no início da gestão Bolsonaro, quando ele já não escondia seu franco desequilíbrio para presidir o país, pelas bobagens que dizia internamente e pelos conflitos desnecessários que criava unilateralmente no cenário internacional, escrevi um texto de muita circulação no país intitulado “Interdição, já!”

Estava na cara que o Brasil era um navio à deriva, a ponto de afundar. Depois do texto vieram um sujeito fantasiado de Bolsonaro jogando bananas para os jornalistas no cercadinho do Palácio da Alvorada, a desastrosa reunião ministerial onde cada subordinado dizia os impropérios que queria dizer, a crise política aberta com a debandada do Moro e as fortes denúncias de tentativa de aparelhamento da Polícia Federal, a pandemia e suas centenas de milhares de mortes. Por fim, as ameaças golpistas, as tumultuadas eleições de 2022 e a tentativa frustrada de se manter no poder à força.

Alguém que não é da área jurídica e que assistiu a oitiva do ex-presidente ontem, no Supremo Tribunal Federal, deve ter se impressionado com a covardia, a voz trêmula, o gaguejar. Sem dúvida alguma, espantou-se com a inexistência do outrora super-herói, autovangloriado “imorrível, imbroxável e incomível”.

Eu, que sou do meio jurídico, vi um pouco mais. Vi um imbecil. Um sujeito a tal ponto desqualificado, que foi incapaz de entender que ali estava havendo um dos mais solenes e importantes atos processuais de sua própria ação. Um desconhecedor inequívoco da liturgia judiciária.

Imaginando ser muito engraçado (e desconsiderando a inelegibilidade já consumada) realizou a proeza de convidar o juiz relator para ser seu vice em 2026. O soco veio seco: - declino. Com um cérebro não maior do que um caroço de azeitona, disse, com a audácia de achar que alguém se sensibilizaria, que aos 70 anos já estava, segundo alertado pelo médico, no “bico do urubu”. Justificou que falava palavrões, porque era típico de seu linguajar, mas que vinha tentando melhorar, tarefa complicada, posto que, com 70 anos (novamente a desculpa da idade), era “difícil mudar tanta coisa”. 

Para completar o show de horrores, chamou seu público presente no quebra-quebra do 8 de janeiro, em Brasília, de malucos e ainda fez piadinha sem graça com os recursos de 17 milhões de reais que lhes foram doados via Pix, acrescidos de um “pingado” de 1 milhão, que ele, novamente às gargalhadas, comentou que gastava e ainda ajudava a manter a vida do filhote mimado nos Estados Unidos.  Pasmem, não é mentira. Soltou a pérola: “nem eu esperava que ia me eleger presidente, tendo em vista quem eu era”.

Pois bem. Minha análise é de que ontem vimos não apenas um covarde mentindo descaradamente, jogando para os outros a responsabilidade de sua própria culpa, mas um elemento imaturo, de cognição limitada, infantilizada, emocionalmente instável, sem qualquer compostura para sentar sequer num banco de réu... E imaginar que esse minúsculo já ocupou a cadeira mais importante da República. Uma lástima! Que venha logo a cadeia para aliviar um pouco a consciência coletiva.

•        Bolsonaro cavou a própria cova. Por Elvino Bohn Gass

Foi um desastre jurídico o depoimento de Jair Bolsonaro ao Supremo Tribunal Federal, na última terça-feira (10). Em vez de apresentar uma defesa técnica diante de acusações gravíssimas, o ex-presidente, já inelegível, confundiu o banco dos réus com o seu “cercadinho” – e acabou produzindo provas contra si mesmo. O que se viu foi um sujeito muito diferente daquele que, aos berros, chamava ministros do Supremo de canalhas e os caluniava em praça pública. O Bolsonaro do interrogatório era outro: acuado, sem argumentos, confessando crimes, admitindo conspirações e expondo sua completa disposição para rasgar a Constituição.

Como disse a jurista Liana Cirne, ele “não negou, não rebateu e não apresentou uma linha de contestação jurídica minimamente séria.” Ao contrário: reconheceu que teve acesso à minuta do golpe, que essa foi discutida com os comandantes das Forças Armadas e que cogitou “alternativas” ao resultado das eleições — como estado de sítio e de defesa. Neste exato momento do interrogatório, quando tentou normalizar a conspiração, Bolsonaro cavou a própria cova. Afinal, não há rigorosamente qualquer “alternativa” à soberania do voto popular. Qualquer tentativa neste sentido terá nome: golpe!

Não bastasse todo o resto, Bolsonaro ainda admitiu o uso sistemático do discurso de fraude eleitoral — uma mentira repetida à exaustão - e que se encontrou com o hacker Delgatti – e este, em depoimento, confessou que lhe foi dada a “tarefa” de tentar sabotar o sistema eletrônico de votação.

Houve tempo, ainda, para um pedido de desculpas ao ministro Alexandre de Moraes por acusações falsas, assumindo que mentiu publicamente sem qualquer prova: uma confissão de fake news.

Estamos, pois, diante do previsível fim de um desastre anunciado. Depois de ter idiotizado seus seguidores e os transformado em golpistas fracassados, Bolsonaro tentou lavar as mãos chamando-os de “malucos” e “pobres coitados”.

Não há mais espaço para dúvidas ou tergiversações. Deve haver, ainda, quem o defenda, mas agora já consciente de que está compactuando com um projeto criminoso que tentou sabotar a democracia brasileira. A estes, a história reserva seu lixo. A Bolsonaro, a Justiça reserva a cadeia.

•        Fui muito otário!", diz ex-ministro após Bolsonaro chamar apoiadores de "malucos"

O ex-presidente Jair Bolsonaro gerou revolta e decepção em sua base radical ao mostrar uma postura passiva, debochar de seus próprios apoiadores e até mesmo pedir desculpas ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), durante interrogatório no âmbito da ação penal em que réu por tentativa de golpe de Estado, nesta terça-feira (10).

Em seu depoimento, apesar de ter negado a trama golpista, Bolsonaro deixou a valentia de lado a adotou um comportamento "amistoso" com Moraes, até então o maior alvo de seus ataques, e chegou a arriscar algumas piadas. Em dado momento, o ex-presidente foi além, condenou os acampamentos golpistas e até mesmo xingou seus apoiadores radicais que pediam intervenção militar de "malucos".

"Eu não torci para o pior, se eu tivesse torcido para o pior, não teria desmobilizado os caminhoneiros lá atrás. E, talvez, pela minha figura, o pessoal não fez absurdo. Agora, tem sempre os malucos ali que ficam com aquela ideia de AI-5, intervenção militar, que as Forças Armadas... Os chefes militares jamais iam embarcar nessa porque o pessoal estava pedindo ali, até porque não cabia isso aí, e nós tocamos o barco", disparou Bolsonaro.

Uma das reações à declaração de Jair Bolsonaro veio de Abraham Weintraub, ex-ministro da Educação em seu governo. Rompido com o ex-chefe desde o início de 2022, quando teve negado o apoio na disputa pelo governo de São Paulo, Weintraub compartilhou em seu perfil na rede X (antigo Twitter) um vídeo com o trecho em que Bolsonaro fala sobre os “malucos do AI-5” e disparou:

"Eu fui muito OTÁRIO!!!!!".

No espaço de comentários, inúmeros bolsonaristas demonstraram a mesma decepção.

"Enterrou nossas esperanças, desperdiçou a única chance que tínhamos. Achei que foi por ingenuidade, hoje creio que foi intencional", escreveu um bolsonarista. "Dois. E como dói" saber o quanto otário fui", comentou outro, em meio a diversos outras reações do tipo.

•        Bolsonaro debocha de apoiadores que fizeram Pix

Durante seu depoimento ao ministro Alexandre de Moraes no STF, sem qualquer constrangimento, e sem ser perguntado sobre o assunto, Jair Bolsonaro resolveu falar da verdadeira fortuna que recebeu de seus fanáticos e cegos seguidores após deixar o cargo no Palácio do Planalto. O ex-presidente viu mais de R$ 17 milhões caírem em sua conta corrente, por meio de depósitos em Pix, já nos primeiros meses após ficar sem mandato. O que se viu foi um show de cara de pau constrangedor.

“Precisamos arranjar uma grana aí pra quando você deixar o governo”, teria dito um amigo dele, que é deputado federal, e a quem ele não quis identificar, conforme seu relato ao ministro Alexandre de Moraes.

Na sequência, Bolsonaro diz: “Eu levei um susto e [perguntei] ‘que grana é essa’?”. Segundo ele, o tal amigo foi mais detalhista, então, na explicação.

“Tem que arranjar algumas dezenas de milhões de reais porque quando você deixar o governo você vai ter problemas seríssimos com a Justiça, o pessoal vai pra cima de você, como foram pra cima de quase todos”, contou no interrogatório.

Na sequência, gargalhando e olhando para seus dois advogados, que também riam, o ex-presidente falou abertamente que “não pode trabalhar de graça” e justificou por que “merece” a verdadeira fortuna que recebeu de seus apoiadores e que é alvo de várias especulações com relação à utilização de tais montantes.

“E aí eu falei pra esse amigo que eu só tinha uma forma de arranjar essa grana... [Seria] fazendo besteira, e não vou fazer... Se não fosse a campanha de Pix, que eu não fiz, eu estaria [incompreensível] hoje em dia... R$ 17 milhões, depois teve um pingado e chegou a R$ 18 milhões, e a gente gasta... Eu não posso trabalhar de graça”, relatou às gargalhadas.

“Então, se não fosse [o dinheiro do Pix] eu não teria como ajudar meu filho também, e é outra história isso aí, ou seja, eu agradeço... E eu acredito que arrecadei mais dinheiro que o Criança Esperança, e é porque o pessoal gosta da gente”, continuou debochando.

Recentemente, Bolsonaro admitiu num depoimento à Polícia Federal que deu R$ 2 milhões diretamente ao filho Eduardo, que é investigado pelas autoridades após largar o mandato de deputado para viver nos EUA, de onde tenta orquestrar ações com o governo norte-americano para ameaçar e sancionar o ministro Alexandre de Moraes, que julga seu pai, assim como outras figuras do STF e o procurador-geral da República, Paulo Gonet.

•        Eduardo explica piada de Bolsonaro sobre Moraes "vice" a "malucos" com "2 neurônios

Diante da revolta dos apoiadores extremistas que financiam, via Pix, sua estadia nos EUA - chamados de "malucos" pelo pai no depoimento ao Supremo Tribunal Federal (STF) -, Eduardo Bolsonaro (PL-SP) foi às redes explicar a "piada" feita por Jair Bolsonaro (PL) durante o depoimento a Alexandre de Moraes.

O ex-presidente, que ataca constantemente o Supremo e os ministros para incitar os apoiadores, teve uma fala mansa durante o depoimento e em determinado momento pediu autorização para fazer uma "brincadeira" com Moraes.

"Posso fazer uma brincadeira?", pediu Bolsonaro, tomando invertida do ministro. "Eu perguntaria para os advogados", respondeu Moraes.

Bolsonaro então faz um convite ao ministro, considerado algoz pelo clã: "eu gostaria de convidá-lo para ser meu vice em 2026", disse, meio sem jeito. "Eu declino do convite", responde Moraes.

Ao explicar a piada - que segundo Paulo Figueiredo fez parte da "estratégia" de Bolsonaro -, Eduardo se direcionou aos seguidores do clã e diz que "qualquer pessoa com 2 neurônios entedeu (SIC) a ironia da fala do Jair Bolsonaro".

"Pra ser considerado piada temos que partir do pressuposto de que as pessoas que estão escutando conheçam o contexto e a realidade, daí a graça consiste no ABSURDO do cenário apresentado como fictício. É o plot twist", inicia Eduardo, causando ainda um bug ainda maior na mente dos "malucos" que estão doando Pix ao clã.

"Qualquer pessoa com 2 neurônios entedeu a ironia da fala do Jair Bolsonaro, entendeu que a ÚLTIMA pessoa no planeta que seria escolhida para vice dele seria o Moraes. Ele apenas usou a oportunidade para mostrar que será candidato à Presidência em 2026", explica, em seguida.

A explicação, no entanto, não surtiu efeito e gerou ainda mais indignação nos seguidores radicais.

"Qualquer piada que precisa explicada, não é uma piada. No caso, só deixou a entender, o pavor que ele estava", comentou um deles.

"Sinceramente Eduardo, todos estamos vendo todos os absurdos desse circo...mas de verdade, qual a visão do mundo, ao ver uma tradução simultânea desse tipo de "BRINCADEIRA" ? O cara q esta sendo tão injustiçado vai, BRINCAR com seu algoz ? Se uma pessoa esta tão indignada assim, vai fazer "BRINCADEIRAS" com o cara q esta prestes a te dar 30 anos de cadeia ? Fica apenas a reflexão, e isso nada tem a ver com "neurônios", mas talvez bom senso", seguiu outro.

"Entendi a ironia, mas como piada é pior do que as do Léo Lins. Não foi bom de escutar", emendou o perfil "Vovó Patriota".

 

Fonte: Fórum

 

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