Do
Taj Mahal à RAF: quando o amor escreve história
O
Brasil celebrou nesta quinta-feira (12/06) o Dia dos Namorados. Conheça alguns
dos casais mais famosos da história.
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Alexandre Magno e Heféstio: amantes ou amigos?
Os
protagonistas do casal gay mais famoso da Antiguidade provavelmente eram só
platônicos amigos íntimos. Se o rei Alexandre Magno (356-323 a.C.) e seu
conselheiro de confiança e guarda-costas Heféstio realmente partilhavam o
leito, é uma questão que divide os historiadores até hoje. Certo está que na
época relações homossexuais não eram nada fora do comum.
Há
registros de que ambos lutaram juntos nas grandes campanhas bélicas de
Alexandre, e segundo escritos antigos, o luto do rei da Macedônia pelo amigo
foi tão profundo, que ele o declarou semideus postumamente, massacrou toda uma
tribo por pura dor, e mandou torturar e matar o médico pessoal de Heféstio.
Tais narrativas, contudo, carecem de base histórica.
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Cleópatra e César: amor e política
Egito,
48 a.C.: a luta de poder entre Cleópatra e seu irmão – e marido – Ptolomeu
redundara numa cruel guerra civil. Buscando apoio de Roma, a imperatriz tenta
seduzir o general local com seu charme e beleza. Júlio César morde a isca: além
de um romance com a mais bela e poderosa mulher da Antiguidade, ele tenta obter
assim ainda mais influência, pois uma aliança romano-egípcia lhe permitiria
manter sua posição no leste do Mediterrâneo.
Seus
exércitos decidem a guerra a favor da amante, Ptolomeu sofre um conveniente
acidente fatal. César vai viver com Cleópatra em Roma. Embora esse
relacionamento com uma monarca estrangeira fosse alvo de críticas, muitos
romanos também reconhecem suas vantagens políticas. Até que em 44 a.C. César é
assassinado. A egípcia inicia um outro romance, não menos politicamente
explosivo, com o general Marco Antônio. Mas essa é outra história.
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Heloísa e Abelardo: luxúria, filosofia e castração
Heloísa
de Argenteuil, de 18 anos, é considerada a moça mais bela da Paris do século
12; Pedro Abelardo, de 40 anos, o maior erudito de toda a Europa. Ele quer
conquistá-la, mas para tal precisa contornar a vigilância do tio dela, o cônego
Fulberto. Então é contratado como seu preceptor particular.
Abelardo
lhe ensina não só arte e ciência, mas também as artes do amor, fato de que se
gaba para seus demais discípulos. Em breve, toda Paris está fofocando sobre o
caso. Fulberto é o último a saber, mas quando sua raiva passa, negocia com
Abelardo o casamento imediato com a jovem.
O
acordo é que a união permanecerá secreta, já que o papel de marido prejudicaria
a reputação do estudioso nos meios filosóficos. Porém, quando o tio quebra sua
palavra e torna público o matrimônio, Abelardo, exasperado, envia a esposa para
um convento.
Fulberto
interpreta o fato como uma tentativa do professor pecaminoso de escapar das
obrigações do casamento e, furioso, manda castrá-lo. Abelardo se refugia num
mosteiro e vira monge; para Heloísa nada resta senão adotar o hábito, mais
tarde tornando-se abadessa. Apesar de separados pela distância e por seus votos
religiosos, ambos permanecem intimamente unidos pelo resto da vida.
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Ana Bolena e Henrique 8º: um rei de perder a cabeça
Em
1527, o rei Henrique 8º da Inglaterra está casado com Catarina de Aragão. Em
meios às dificuldades para que ela lhe dê um herdeiro, porém, sua jovem dama de
companhia, Ana Bolena, chama a atenção do monarca, que a considera bem mais
atraente. Ele a corteja com ardorosas cartas de amor, mas ela deixa claro que
não terá sexo fora do casamento.
Henrique
está tão obcecado por essa paixão que corta os laços com a Igreja Católica
Romana, de modo a poder divorciar-se de Catarina. Contudo o novo casamento
tampouco resulta num herdeiro masculino para o trono inglês – em vez disso,
Bolena dá à luz a futura rainha Elizabeth 1ª.
O casal
se desentende, chegam aos ouvidos do rei boatos de que sua esposa estaria tendo
um caso amoroso, ele a manda encarcerar na Torre de Londres. Condenada por alta
traição, Ana Bolena é executada na manhã de 19 de maio de 1536. Henrique não
está entre os milhares que vão assisti-la ser decapitada com uma espada. Ele
ainda se casa mais quatro vezes. Sua quinta esposa, Catarina Howard, seria
igualmente decapitada por adultério.
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Mumtaz Mahal e xá Jahan: luto e imponência arquitetônica
Quando,
em 1607, o príncipe Khurram – futuro xá Jahan, grande mogul da Índia –, de 15
anos, e Arjumand Banu Begum, de 14 anos, se encontraram, foi amor à primeira
vista. Cinco anos mais tarde se casavam. Esposa favorita do monarca, passou a
ser chamada "Mumtaz Mahal", a joia do palácio. Ela o acompanhava em
todas as viagens e ambos tiveram 14 filhos.
Durante
seu último parto, tem uma hemorragia fatal. Em seu leito de morte, pede ao xá
que lhe erga o maior e mais magnífico túmulo que o mundo já vira. Conta a lenda
que a barba do viúvo ficou branca da noite para o dia. O mausoléu de mármore
branco, que mandou construir em Agra, deveria ser o edifício mais perfeito da
história humana. Concluído em 1648, até hoje o Taj Mahal fascina os visitantes
com seu brilho.
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Gertrude Stein e Alice B. Toklas: 40 anos de vida em comum
Na
virada do século 19 para o 20, a elite da vanguarda parisiense se encontrava no
salão da judia americana Gertrude Stein. Além de muito dinheiro, a autora e
colecionadora tinha um faro certeiro para as novas tendências artísticas. As
paredes de seu salão ostentam pinturas de Paul Gauguin, Pablo Picasso, Henri
Matisse e outros, que também eram convidados constantes, da mesma forma que
autores como Ernest Hemingway e T.S. Eliot.
Discretamente,
circula nos bastidores o grande amor da vida de Stein, a escritora Alice B.
Toklas. Ambas haviam se apaixonado em 1907: além de amante, a também americana
era sua cozinheira, secretária, musa, editora e crítica. Elas viveram juntas
até a morte de Stein, em 1946, Toklas ainda viveria mais 21 anos. Ela está
sepultada ao lado da companheira em Paris, seu nome inscrito em letras de ouro
na parte de trás da lápide de Stein.
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Bonnie e Clyde: romance fora da lei
Nascidos
na pobreza, Bonnie Parker e Clyde Barrow conheceram-se no Texas em 1930. O
romance é interrompido quando ele é condenado a dois anos de prisão, mas Bonnie
o espera, e quando ele é liberado, unem-se para assaltar lojas, postos de
gasolina e bancos em diversos estados americanos, sempre conseguindo escapar
por um triz dos perseguidores.
Os
jornais publicam fotos do casal posando armado, celebrando-o como anti-heróis
da era da Grande Depressão (1929-1939). Contudo a simpatia popular se esgota
quando seus golpes redundam em mortes. A história de amor encontra um fim
sangrento em 1934: atraídos a uma armadilha, durante 16 segundos ininterruptos
a polícia dispara contra seu automóvel. Bonnie e Clyde morrem perfurados por
dezenas de balas, ela aos 23 anos, ele aos 25.
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Maria Callas e Aristóteles Onassis: a (auto)destruição de uma diva
Em
1959, a cantora lírica greco-americana Maria Callas estava no auge de sua
carreira, e ainda casada com o industrial Giovanni Battista Meneghini, quando
encontrou-se com Aristóteles Onassis, igualmente casado, numa glamorosa festa
de alta sociedade no iate de luxo do armador grego.
Inicia-se
um relacionamento tempestuoso: Onassis a cobre de presentes caros, ela está
louca por ele. Ambos se divorciam, Callas quer casar-se, mas o magnata não tem
pressa de formalizar a união, que se torna cada vez mais tóxica. Ela só canta
quando ele quer, sua obsessão com ele lhe afeta a voz, ela faz fiasco nos
palcos.
Enquanto
destrói sua carreira artística e se agarra a ele, Onassis se afasta mais e
mais. Quando encontra a viúva presidencial Jacqueline Kennedy e se casa com
ela, só resta a Callas observar, impotente. Ambos ainda se encontram de tempos
em tempos, mas a chama se apagou. A ex-diva morre em 1977 em Paris, de um
ataque cardíaco, aos 53 anos.
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Gudrun Ensslin e Andreas Baader: até que a morte os separe
Os
ativistas de extrema esquerda alemães Gudrun Ensslin e Andreas Baader
conheceram-se durante um protesto estudantil em Berlim, em 1967. Ambos integram
a "oposição extraparlamentar", um grupo que não se sente representado
no Parlamento alemão, o que expressa em atos de sabotagem.
No ano
seguinte, ambos cometem seus primeiros crimes: dois atentados contra lojas de
departamentos. Juntamente com a militante de esquerda Ulrike Meinhof, fundam o
Grupo Baader-Meinhof, sendo responsáveis pelos primeiros ataques terroristas da
Facção do Exército Vermelho (RAF, na sigla em alemão), que abalaram a Alemanha
na década de 1970.
Capturados
em 1972, Baader e Ensslin são submetidos a um longo processo, coberto em
detalhe pela imprensa. No tribunal, apresentam-se como amantes, com grande
efeito midiático. Em outubro de 1977, ambos são encontrados mortos em suas
celas, em circunstâncias não esclarecidas até hoje.
Fonte:
DW Brasil

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