segunda-feira, 23 de junho de 2025

Jazida de ‘terras raras’ sobre vulcão inativo no Sul de MG pode colocar o Brasil na liderança da transição energética

A possibilidade de exploração dos minérios conhecidos como "terras raras" na área de um vulcão extinto há 120 milhões de anos no Sul de Minas Gerais tem potencial para colocar o Brasil na posição de protagonista da transição energética. Este tipo de material ganhou importância estratégica em todo o mundo e virou, inclusive, alvo de disputas comerciais entre China e Estados Unidos.

🔎"Terras raras" são um conjunto de 17 elementos químicos essenciais na fabricação de compostos usados em tecnologias de energia limpa (veja infográfico abaixo). Apesar do nome, eles são abundantes na natureza. O termo “raras” se refere à dificuldade de separá-los dos minerais onde estão presentes.

O Brasil tem a segunda maior reserva de "terras raras" do mundo, com 21 milhões de toneladas, o equivalente a 23% do total global, segundo o Ministério de Minas e Energia (MME). Projetos de extração desses minérios já estão em andamento em Goiás e Minas Gerais, mas há jazidas também no Amazonas, Rio de Janeiro, São Paulo e Roraima.

•        O unicórnio do vulcão

O depósito de "terras raras" formado sobre a cratera do vulcão extinto no Sul de Minas Gerais se destaca pela extensão e alta concentração de minério. Ele também possui facilidades de extração não encontradas em outros locais do mundo, sendo considerada por algumas empresas de mineração "um unicórnio" - termo utilizado para ilustrar a sua raridade e a sua singularidade.

🌋A origem desse potencial todo é a rocha formada na época ativa do vulcão, que é alcalina — um tipo mais frágil e mais suscetível às ações do tempo, que ao longo de milhões de anos, se transformou em argila rica em íons de "terras raras".

A cratera de Poços de Caldas é a segunda maior ocorrência de rocha alcalina do mundo. Fica atrás apenas de uma jazida na Sibéria, mas que não tem as condições de clima e temperatura necessárias para a formação de argila iônica.

“O grande diferencial é a rocha alcalina. O mundo inteiro está procurando e ainda não encontrou nada semelhante ao que nós temos aqui. Hoje nós somos a melhor jazida do mundo e a maior”, afirmou o geólogo Álvaro Fochi, responsável pela descoberta do depósito.

A região também se destaca pela qualidade do minério. Enquanto a média global de "terras raras" na argila é de 1 mil ppm a 1,5 mil ppm (partes por milhão) por tonelada de óxidos de "terras raras" totais (TREO), na caldeira de Poços de Caldas este índice é 2,5 mil ppm/t, com um aproveitamento de 70% na sua separação do minério, contra 40% da média global.

A jazida da caldeira de Poços foi identificada em 2012 e comprovada por testes realizados em laboratórios do Rio de Janeiro e do Canadá, mas apenas em 2022 duas empresas australianas avançaram nos estudos e processo de licenciamento necessários para a extração dos minérios, que deve ter início entre 2026 e 2027.

•        Projeto Caldeira, em Caldas, da Meteoric Resources: a estimativa global de recursos minerais é de 740 milhões de toneladas e 2.572 ppm de TREO em uma área de 193 km².

•        Projeto Colossus, em Poços de Caldas, da Viridis: a estimativa global de recursos minerais é de 201 milhões toneladas e 2.590 ppm de TREO em uma área de 228,62 km² .

As estimativas acima, de acordo com essas empresas, correspondem apenas aos projetos iniciais de exploração. Os estudos foram feitos somente em 15% de toda a extensão da cratera e identificaram 2 bilhões de toneladas de argila com íons de "terras raras", o que garante 20 anos de mineração. Considerando as áreas ainda não estudadas, estima-se que essa quantidade pode chegar a 10 bilhões de toneladas.

Essas condições fazem da caldeira de Poços de Caldas a única jazida capaz de competir em volume e custos com a mineração realizada na China. Segundo as mineradoras, o preço de produção deve ser de cerca de US$ 6 por quilo — o mais baixo do mundo.

"A China domina grande parte da oferta global de 'terras raras', sendo que crises políticas e comerciais têm impactado diversas empresas ao redor do mundo. Nosso projeto se destaca pela capacidade de produzir até 7% da demanda global de Carbonato Misto de 'terras raras' a um valor altamente competitivo", diz o gerente regional da Viridis, Klaus Petersen.

•        Preocupação com os impactos ambientais

A mineração é um processo complexo que envolve diversas etapas. Após a extração, o minério bruto passa por processos de beneficiamento, como britagem, moagem e separação química, para concentrar o material de interesse.

Para cada tonelada de argila que é processada com ácido e sulfato de amônia, só um quilo é retirado do produto que será aproveitado na indústria, segundo o ambientalista Daniel Tygel, presidente da Aliança em Prol da APA da Pedra Branca, de Caldas. O restante é devolvido para as cavas abertas pela mineração.

Ambientalistas questionam sobre impactos da extração de terras raras

"É necessária a realização de um estudo independente financiado pelas prefeituras de Poços de Caldas, Andradas, Caldas e Águas da Prata para poder compreender os impactos envolvidos. Não há garantia de que essa terra que é processada quimicamente, que vai voltar para as cavas, não gerará impactos para a saúde, para o solo, o ar e as águas", afirma Tygel.

A Prefeitura de Poços de Caldas diz que acompanha a implantação dos estudos de impacto ambiental realizados pela mineradora.

“Poços tem que se preparar de forma ordenada, de forma responsável para absorver esse crescimento, tanto com geração de emprego, capacitação de mão-de-obra, geração de recursos mesmo através dos impostos, tem uma gama de oportunidades, mas de forma responsável, tanto socialmente e ambientalmente”, afirmou o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico e Inovação, Franco Otávio Tobias Martins.

A Prefeitura de Caldas confirmou que emitiu a licença de uso e ocupação do solo, que faz parte do processo de licenciamento estadual.

“Essa certidão atesta que o empreendimento está em acordo com as leis e regulamentos municipais. Além disso, a prefeitura está estabelecendo juntamente com a Câmara de Vereadores um termo de compromisso para resguardar os interesses do município, da comunidade e, principalmente do meio ambiente”, afirmou a secretária municipal de Meio Ambiente, Ianka Oliveira.

Nos municípios de Andradas e Águas da Prata ainda não há projetos para extração de "terras raras".

•        Na superfície

As mineradoras dizem que um dos grandes diferenciais da cratera de Poços de Caldas é que os minérios que contêm "terras raras" estão na superfície, o que facilita a sua extração, pois não há necessidade de dinamitar ou abrir grandes cavas, o que diminui os impactos ambientais e torna o processo até cinco vezes mais barato.

“Nas minas de argila iônica, a natureza fez tudo. A natureza destruiu a rocha e a transformou em argila iônica”, afirma Fiochi.

O processo de extração e reabilitação ambiental da área ocorre de forma contínua em um sistema chamado de backfill, que ao mesmo tempo que uma nova cava é aberta, outra aberta antes vai sendo recuperada com o material retirado da anterior e assim por diante.

"É a tecnologia mais sustentável de mineração no mundo", explica o professor do Departamento de Engenharia de Minas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Roberto Galery.

➡️Veja as etapas do processo de mineração de terras taras:

1.       Remoção do Solo: retira-se uma camada de aproximadamente 30 metros de profundidade com retroescavadeiras.

2.       Lixiviação: a argila extraída é lavada com uma solução diluída de sulfato de amônia (usado em fertilizantes), que libera os íons das terras raras.

3.       Separação e precipitação: o líquido com os íons entra em um circuito fechado, onde os elementos são separados e transformados em carbonato, o produto final usado pela indústria.

4.       Lavagem e reutilização da argila: a argila é lavada novamente para remover impurezas e depois armazenada para ser usada na recuperação das cavas já exploradas.

5.       Recuperação ambiental: o terreno é reconstituído com vegetação semelhante à original, respeitando o ecossistema local.

6.       Gestão de rejeitos e água: não há acúmulo de rejeitos nem necessidade de barragens, pois o material escavado é reutilizado para preencher as cavas. A água usada vem de reservatórios agrícolas e é 80% reutilizada. Os 20% restantes correspondem à umidade natural da argila.

“Você não detona, não usa muita energia, não usa ácido forte, não usa temperatura. Então o processo é mais barato, você lava a argila e devolve ela para para a cava, ou seja, depois de um ano que você lavou, você não tem nem cicatriz e você consome pouca energia. E o Brasil tem as algumas vantagens, a energia é 100% renovável", afirma o diretor executivo da Meteoric, Marcelo Juliano de Carvalho.

•        Investimento estrangeiro e cadeia de produção

O potencial de terras raras no Brasil tem atraído investimentos estrangeiros, e a mineração deve gerar alta arrecadação com impostos. Pela lei, a Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM) desses elementos equivale a 2% da receita bruta da mineradora, sendo 65% desse montante destinado ao Município.

Em Poços de Caldas, a arrecadação anual pode chegar a R$ 23 milhões, dos quais R$ 15 milhões devem ser repassados ao Município. O valor corresponde a 15 anos de arrecadação com a mineração tradicional do município focada em bauxita e argila refratária.

O primeiro projeto começou a ser montado há 15 anos em Goiás, com capital americano e britânico e, por um bom tempo, foi o único. Mas nos últimos dois anos mais de duas dezenas de empresas solicitaram autorização para explorar jazidas.

•        Desafio na comercialização

Além da exploração, o Brasil enfrenta o desafio da comercialização. Existe um esforço para manter os elementos de "terras raras" no país e ajudar a criar uma cadeia produtiva nacional, algo inédito fora da China, para a transição energética e desenvolver uma indústria de transformação integrada.

O país asiático lidera a exploração de "terras raras" desde os anos 1990, quando tirou a hegemonia dos Estados Unidos, e, atualmente, detém quase 75% da mineração de "terras raras", 85% do processo de refino e 95% da produção de ímãs no mundo.

Em outra frente para este tipo de exploração mineral, o governo pretende criar uma cadeia completa de produção de ímãs de Neodímio, Ferro e Boro (NdFeB). O plano inclui desde a extração e beneficiamento mineral até a fabricação e reciclagem, com aplicações estratégicas nos setores automotivo, de energia renovável e eletrônico.

Para isso, foi inaugurado em maio um laboratório em Lagoa Santa (MG), o CIT SENAI ITR, com capacidade para produzir até 100 toneladas de ímãs por ano para projetos de pesquisa e inovação em parceria com empresas. No início da operação, a matéria-prima virá da China, mas o objetivo é que passe a utilizar o minério brasileiro.

“A proposta é que o CIT SENAI ITR se torne a maior planta de pesquisa aplicada na produção de ímãs permanentes na América do Sul e que o projeto MagBras seja o pontapé inicial para a produção de ímãs de terras raras no Brasil, com todo o ciclo de produção nacional, desde o processo de concentração e separação de terras raras até a produção final do ímã permanente, que é o produto de maior valor agregado”, diz, em nota, a Fiemg.

•        'Terras raras' são ponto-chave na geopolítica mundial

Desconhecidos aos olhos do público, mas cobiçados nos bastidores da indústria e da diplomacia, os minerais chamados de "terras raras" se tornaram um dos recursos mais estratégicos do planeta. Com papel central na transição energética e na produção de alta tecnologia, eles estão no centro de disputas e negociações geopolíticas, e o Brasil tem potencial privilegiado para se destacar no cenário.

Chamados de "terras raras", esses minerais compõem um grupo de 17 elementos químicos encontrados na natureza, normalmente misturados a outros minérios de difícil extração e com alto valor comercial.

São essenciais para a fabricação de turbinas eólicas, baterias de carros elétricos, cabos de transmissão, foguetes, equipamentos médicos, armas e dispositivos eletrônicos de última geração. Daí o protagonismo desses minérios na economia do século 21.

Exemplo recente dessa importância foi um acordo fechado em abril entre Estados Unidos e Ucrânia para explorar o potencial mineral ucraniano — que inclui terras raras, além de ferro, manganês, urânio, titânio, lítio, zircônio, carvão, gás e petróleo.

Boa parte dessas reservas está em regiões afetadas pela guerra com a Rússia, como Donetsk, Luhansk e Dnipropetrovsk.

Os EUA veem a parceria como uma forma de reduzir a dependência da China, responsável por 80% dos minerais usados pela indústria americana.

Além disso, o presidente Donald Trump teria indicado que o acordo seria uma maneira de a Ucrânia retribuir parte da ajuda militar e financeira recebida dos EUA desde o início do conflito.

Nesta semana, Trump anunciou que os Estados Unidos fecharam um acordo comercial com a China. O governo chinês ainda não confirmou. No centro da negociação, estão esses minérios.

Segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos, o Brasil detém a segunda maior reserva de terras raras do mundo, com cerca de 21 milhões de toneladas, atrás apenas da China, que também lidera globalmente na extração e no refino desses materiais.

“A China tomou uma decisão muito interessante: vou avançar na cadeia produtiva das terras raras o mais que puder. Essa foi a grande estratégia chinesa”, afirma o professor Fernando Landgraf, da Escola Politécnica da USP, destacando que esse movimento começou há décadas.

<><> O desafio do Brasil: transformar o potencial em riqueza

Apesar do potencial, o Brasil ainda não domina plenamente a tecnologia de beneficiamento e transformação industrial das terras raras. Na prática, isso significa que o país ainda exporta, em boa parte, os minerais como commodities brutas, sem agregar valor.

O Ministério de Minas e Energia (MME) reconhece a lacuna, mas também enxerga uma oportunidade histórica.

“O Brasil tem diante de si uma janela de oportunidade para desenvolver uma robusta indústria de processamento de terras raras, fazendo uso de sua farta oferta de energia limpa, renovável e competitiva”, disse a pasta ao g1.

De acordo com Uallace Moreira, secretário de Desenvolvimento Industrial, Inovação, Comércio e Serviços do ministério, o Brasil ainda não tem amplo acesso à tecnologia para beneficiar os minerais, o que aumentaria o valor das exportações. Suprir essa deficiência é um dos objetivos do governo.

"É melhor produzir o processado, no sentido de agregação de valor. Só que tem desafios tecnológicos, desafios de escala de produção, competitividade", afirmou.

<><> Iniciativas em curso

O governo federal e instituições parceiras vêm investindo em iniciativas para desenvolver tecnologia nacional e atrair investimentos para o setor. Entre os destaques:

▶️ Projeto MagBras, liderado pelo SENAI, que estabelece uma cadeia completa de produção de ímãs permanentes de neodímio-ferro-boro (NdFeB) — do beneficiamento mineral à reciclagem — com aplicações em carros elétricos, energia renovável e eletrônicos;

▶️ Fundo de participação de R$ 1 bilhão, voltado ao financiamento de projetos de pesquisa mineral, com ênfase em empresas juniores;

Decreto de 2023, que permite a emissão de debêntures incentivadas para projetos ligados à transformação de minerais estratégicos;

Chamada pública de R$ 5 bilhões, lançada por BNDES, FINEP e MME, para apoio a planos de negócio na área de transformação mineral e implantação de plantas industriais;

Estudos do Serviço Geológico Brasileiro (SGB) para mapear áreas com potencial de terras raras e avaliar a extração a partir de rejeitos de mineração.

Mais do que solo rico em recursos, o Brasil possui condições energéticas, ambientais e geológicas únicas para se tornar um líder na transição energética e tecnológica do século 21.

Mas, para isso, o país precisa avançar na cadeia produtiva, transformar seu potencial em indústria — e evitar que a abundância de matéria-prima siga o mesmo destino de sempre: ser explorada e exportada por outros.

<><> Disputas globais por minerais estratégicos

O valor desses minérios também se reflete em disputas geopolíticas. Um exemplo recente é o acordo entre Estados Unidos e Ucrânia para explorar o potencial mineral ucraniano. Além disso, o ex-presidente Donald Trump teria indicado que o acordo seria uma maneira de a Ucrânia retribuir parte da ajuda militar e financeira recebida dos EUA desde o início do conflito.

Nesta semana, Trump anunciou que os Estados Unidos fecharam um acordo comercial com a China. O governo chinês ainda não confirmou. No centro da negociação, estão os minérios raros.

O grande desafio hoje é que praticamente só na China se separam esses minérios da rocha, de acordo com o professor Adam Simon, da Universidade do Michigan. Ele disse que a China tem todo o processamento de minérios raros patenteado e que, por isso, vai ser difícil qualquer outro país competir.

Por isso, essa foi a grande cartada do presidente chinês, Xi Jinping. Quando Donald Trump impôs tarifas sobre os produtos chineses, a China revidou com tarifas e também com letras miúdas: proibiu a exportação dos tais minérios raros.

A imprensa dos Estados Unidos noticiou que as montadoras americanas entraram em pânico. Donald Trump precisava negociar. Para ganhar mais força, anunciou que ia restringir os vistos para os chineses irem estudar em universidades americanas.

Na quarta-feira (11), Trump voltou atrás nesta restrição e anunciou um acordo com a China. Ele escreveu o total das tarifas impostas aos produtos chineses será de 55%. Só que desse total, 25% são de tarifas muito antigas, do primeiro mandato dele. Ou seja, as novas taxas somam apenas 30%.

É muito menos do que a ameaça de 145%, feita no início de abril. Em troca, Pequim vai fornecer imãs e também vai liberar os minérios raros para os Estados Unidos, mas a liberação vale só por seis meses, de acordo com fontes ouvidas pelo jornal “The Wall Street Journal”.

Oficialmente, o governo chinês não deu detalhes. Autoridades esclareceram que o acordo final ainda não foi aprovado.

Trump disse que a relação com a China está excelente. Mas com os minérios raros, a China mantém a vantagem sobre as negociações. E, como os ímãs mostram, precisa de uma virada para os dois países se encaixarem.

"Eu considero que o mundo hoje que vive uma realidade de disputa geopolítica e nós, brasileiros, precisamos ter consciência de que esses ativos estratégicos que o Brasil possui como é o caso dos minerais críticos e estratégicos precisam ter um tratamento igualmente estratégico, ou seja, eles precisam ser um ativo que consiga alavancar outros interesses nacionais, como é o caso que a China tem feito agora", comenta Ronaldo Carmona, professor de geopolítica da Escola Superior de Guerra (ESG).

"Para ela (China) reverter o dissabor das tarifas americanas, que contém a capacidade exportadora da sua economia, está usando um ativo estratégico como um fator de barganha para algo que é do seu interesse", complementa Carmona. "Precisamos ter a mesma inteligência estratégica", ressalta.

 

Fonte: g1

 

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