quinta-feira, 12 de junho de 2025

Festas juninas elevam casos de queimaduras na Bahia

No calor das festas juninas, a alegria das fogueiras e dos fogos de artifício pode rapidamente se transformar em tragédia. Em todo o estado da Bahia, os festejos de São João são marcados por tradição e celebração, mas também por acidentes envolvendo queimaduras, especialmente entre crianças e jovens. Durante esse período, o uso inadequado de artefatos pirotécnicos e a proximidade imprudente de fogueiras são fatores frequentes nos atendimentos médicos por queimaduras. As lesões mais comuns afetam mãos, rosto e braços, exigindo, muitas vezes, tratamento especializado.

O cirurgião plástico Carlos Briglia, especialista em queimaduras do Hospital Mater Dei Salvador (HMDS), reforça a importância da prevenção. “A maioria dos acidentes com fogos de artifício ocorre por descuido ou desconhecimento das medidas de segurança. É fundamental seguir as instruções dos fabricantes e manter uma distância segura das explosões”, alerta o especialista.

Em Feira de Santana, o Hospital Mater Dei Emec (HMDE) conta com uma equipe multidisciplinar experiente e estrutura adequada para o atendimento a pacientes queimados, desde os primeiros socorros até a reabilitação. Segundo o coordenador do Centro de Cuidado de Feridas do HMDE, Gustavo Matos, a atenção médica deve ser imediata mesmo em casos aparentemente simples. “Queimaduras, mesmo que pareçam leves, podem evoluir para quadros mais graves se não forem tratadas adequadamente. O atendimento especializado é essencial para evitar complicações”, pontua.

Ele explica que o tratamento de queimaduras varia conforme o grau da lesão e pode incluir desde curativos especiais e medicamentos para controle da dor e prevenção de infecções até intervenções cirúrgicas complexas, como enxertos de pele. “Além do tratamento clínico, o acompanhamento psicológico e a fisioterapia também são fundamentais no processo de recuperação, especialmente em casos de queimaduras profundas ou com impacto estético significativo”, ressalta Matos.

Com o clima festivo, é comum que cuidados básicos sejam negligenciados. O uso de líquidos inflamáveis, como álcool e gasolina, para acender fogueiras representa risco elevado de acidentes graves e deve ser totalmente evitado. “Já atendemos casos de queimaduras de segundo e terceiro graus causadas por explosões no momento em que a pessoa tentou reacender uma fogueira com álcool. É um risco desnecessário”, alerta Matos.

Outras situações perigosas incluem armazenar fogos de artifício em locais quentes, deixá-los ao alcance de crianças ou manuseá-los sem supervisão de um adulto. Crianças jamais devem manipular fogos, mesmo os considerados ‘inofensivos’, como traques e estalinhos, pois o contato direto com a pele pode causar queimaduras sérias.

Para prevenir acidentes, algumas recomendações práticas incluem:

- Montar fogueiras longe de fiações elétricas, galhos ou telhados;

- Acender os fogos em áreas abertas, seguindo as instruções do fabricante;

- Manter baldes com água ou extintores por perto;

- Usar luvas e óculos de proteção sempre que possível;

- Nunca tentar reacender fogos que falharam na primeira tentativa.

Em caso de queimadura, a orientação é resfriar a área afetada com água corrente em temperatura ambiente por cerca de dez minutos e procurar atendimento médico. “É muito comum as pessoas aplicarem pasta de dente, manteiga, pó de café ou farinha na pele queimada. Essas receitas caseiras não só não ajudam, como podem piorar o quadro e dificultar o tratamento”, explica Matos.

Queimaduras que atingem o rosto, mãos, pés, genitais ou que provocam bolhas grandes, escurecimento da pele ou dor intensa devem ser consideradas graves e exigem atendimento imediato. “Se a área queimada for maior do que a palma da mão da vítima, não hesite: procure um hospital o quanto antes”, reforça o médico.

As festas juninas são uma das mais belas tradições da cultura nordestina. Para que a celebração seja completa, segurança e responsabilidade precisam fazer parte do arraial. Com pequenas atitudes, é possível garantir que a diversão não se transforme em dor.

•        Queimaduras: veja cuidados para evitar acidentes em casa e no São João

No Brasil, cerca de 1 milhão de pessoas sofrem com queimaduras, sendo que 70% delas ocorrem dentro de casa. Os dados são da Sociedade Brasileira de Queimaduras (SBQ) e reforçam o alerta feito pelo Dia Nacional de Luta Contra Queimaduras, reconhecido nesta sexta-feira (6) como forma de conscientizar sobre os riscos e medidas de prevenção.

Segundo a entidade, entre as vítimas mais frequentes estão as crianças de até cinco anos. Segundo dados da SBQ e do Ministério da Saúde, cerca de 400 mil crianças sofrem queimaduras todos os anos no Brasil -- e desse total, aproximadamente 30 mil precisam de internação hospitalar.

A maioria dos acidentes ocorre dentro de casa, principalmente na cozinha, e estão relacionados ao contato com líquidos quentes, como água e óleos ferventes, panelas, ferros de passar roupa e fornos.

"Grande parte desses acidentes acontece por descuido momentâneo. As crianças pequenas são muito curiosas e não têm noção do perigo. Por isso, o olhar atento dos adultos é fundamental", Luiz Philipe Molina Vana, coordenador do Centro de Tratamento à Criança Queimada (CTCQ) do Sabará Hospital Infantil.

Para evitar acidentes, o especialista reforça os principais cuidados:

•        Nunca deixe crianças sozinhas na cozinha ou perto de fontes de calor;

•        Panelas devem estar sempre com os cabos virados para dentro do fogão;

•        Evite que crianças manipulem líquidos quentes, velas, fósforos ou isqueiros;

•        Produtos inflamáveis, como álcool, devem ser mantidos fora do alcance.

<><> Período de festas juninas aumenta os riscos

O período de festas juninas acende um alerta importante sobre os riscos de queimaduras, já que é comum a maior exposição a fogueiras, fogos de artifícios e balões ilegais.

Segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia da Mão (SBCM), em 2024, mais de 34 mil atendimentos por queimaduras foram realizados no país durante os meses de festa junina, sendo as mãos as regiões mais afetadas, com lesões de segundo grau, deformidades permanentes ou até amputações.

"As mãos são as principais vítimas nos acidentes com fogos de artifício, justamente por serem a área de contato direto. O ideal é nunca acionar um rojão manualmente. O uso de dispositivos com acionamento remoto é uma medida simples que pode evitar mutilações graves”, diz o ortopedista Luiz Mandarano, diretor da SBCM.

Por isso, é importante tomar alguns cuidados ao confraternizar em festas de São João. Por exemplo, o fogo deve ser aceso em ambientes abertos e bem ventilados, e nunca em ambientes fechados, varandas ou espaços com cobertura. Mesmo em locais apropriados, é essencial manter uma distância segura e restringir o acesso de crianças e animais ao redor da fogueira.

Especialistas também orientam a não utilizar substâncias inflamáveis para acender o fogo, como álcool ou gasolina, pois podem provocar explosões e queimaduras graves. Em eventos públicos ou privados que utilizam fogueiras, o ideal é que a estrutura seja montada por profissionais capacitados, com acompanhamento e sinalização adequada.

Os mesmos cuidados valem para fogos de artifício. "O manuseio de fogos deve ser feito apenas por adultos, sempre com produtos certificados por órgãos competentes. Itens como bombinhas e rojões não devem, em hipótese alguma, ser entregues a crianças", afirma Letícia Jacome, clínica geral do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.

Mandarano ainda reforça que: "Hoje já existem tecnologias que permitem disparos seguros e à distância. Sempre que possível, prefira assistir aos fogos em vez de manuseá-los", alerta.

<><> O que fazer em casos de queimaduras?

Em casos de queimaduras leves, é possível aliviar os sintomas lavando a área afetada com água corrente fria por, pelo menos, 10 minutos. Receitas caseiras, como manteiga, pasta de dente ou pó de café -- popularmente associados como "tratamentos" para queimaduras -- devem ser evitadas. "Essas práticas populares podem agravar a lesão e dificultar o tratamento", ressalta Jacome.

Se a queimadura apresentar bolhas, dor intensa, pele esbranquiçada ou escurecida, é sinal de maior gravidade e é preciso procurar atendimento médico imediato, principalmente no caso de crianças.

"Cuidar de uma criança com queimaduras exige uma estrutura de atendimento multidisciplinar que tenha experiência tanto em minimizar sequelas como também conte com orientação voltada para o aspecto psicológico do acidente", afirma Molina.

 

Fonte: Por Carla Santana - Assessora de Imprensa/CNN Brasil

 

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