Emiliano
José: Cães de guarda
O
ex-reitor da Universidade Federal da Bahia, filósofo João Carlos Salles,
publicou artigo recente, indicando a pretensão das elites de acabar com a
universidade pública. Abre o texto, publicado no site A Terra é Redonda
abordando a posição do jornal Folha de S. Paulo, a fazer eco dos interesses
mais conservadores em nosso País. Como diz o autor, o editorial, no título,
sintetiza com rara felicidade o pensamento de tais elites: “Não haverá dinheiro
que baste para universidade pública”.
O
editorial é 23 de maio deste ano, mesmo dia da publicação do artigo de João
Carlos Salles. A Folha de S. Paulo reagia ao manifesto conjunto da Academia
Brasileira de Ciências e da Sociedade Brasileira para o Progresso das Ciências,
onde se criticava, o contingenciamento definido pelo governo federal, a
favorecer o desmonte da universidade pública, logo após amenizado com medidas
tomadas pelo Ministério da Educação, a assegurar apenas pudessem as
instituições de ensino superior voltar a respirar.
Toda a
pauta reacionária, cuja essência é não associar a universidade a um projeto de
nação verdadeiramente democrática, aparece no texto. As universidades, projeto
fracassado e caro. As bandeiras conservadoras brotam como se óbvias,
expressando preconceitos, como elenca Salles: fim da estabilidade dos
professores, da gratuidade do ensino e, sobretudo, da garantia do financiamento
público da educação superior.
Tais
medidas, obviamente inconsistentes, mas de grande apelo retórico. Trata-se de
fornecer subsídios, alimento ao pensamento da extrema-direita, ao praticamente
propor seja desmontado o lugar da produção da pesquisa e do conhecimento no
Brasil.
Até
aqui, como evidente, me apoiei inteiramente no texto de Salles, com
título-síntese: “As elites querem o fim da universidade pública”. E o fiz
usando-o como gancho, como se diz em jornalismo, para tratar de um livro
fundamental, marco zero de uma profunda visão crítica em torno do grupo Folha,
a desmascará-lo inteiramente, a evidenciar a posição de apoio à ditadura, não
somente no discurso jornalístico diário, como também no compartilhamento de
crimes, ao dar sustentação logística aos homens da repressão naquele período.
Vem de longe, a tradição do grupo Folha.
• Pesquisadora revelada
Essa
revisitação é homenagem à autora, Beatriz Kushnir. O livro poderia chamar-se
apenas Cães de guarda. Mas, conta com uma linha de apoio: Jornalistas e
censores, do AI-5 à Constituição de 1988. Marcou época. Continua a marcar.
Revela
uma dedicada, atenta pesquisadora, intelectual incapaz de esconder-se sob
mantos de imparcialidade e ao mesmo tempo ancorada firmemente nos resultados de
pesquisa rigorosa, sustentada em sólidos parâmetros acadêmicos.
Beatriz
Kushnir desmonta vários mitos. Destaco um: a unidade de atuação dos jornalistas
no combate à ditadura. Falso. Até porque a linha editorial nunca foi
responsabilidade dos profissionais. Vinha de cima, sempre. Decisão empresarial.
Toda a
imprensa brasileira, exceção feita à Última Hora, de Samuel Wainer, embarcou de
mala e cuia no apoio ao golpe de 1964.
A
autora não desconhece os jornalistas da resistência, a buscar caminhos,
estreitos fossem, para fazer o combate à ditadura. Nem o papel de vários que se
envolveram na luta direta. Houve, no entanto, jornalistas a colaborar com o
regime militar, com gosto e disposição, sem qualquer culpa, e ela vai deparar,
no trabalho de pesquisa, com uns tantos profissionais da área dedicados à
censura, e não foram apenas estes os, vamos chamar assim, colaboracionistas.
O
trabalho dela é voltado ao exercício dos censores, mas dizer isso seria muito
pouco. Vai muito além. E nesse muito além, disseca o grupo Folha, a evidenciar
o quanto foi essencial no apoio à ditadura militar, no quanto se confundiu com
os militares, cúmplice dos crimes cometidos pelo regime militar.
• Jornal de maior tiragem
Beatriz
Kushnir saltou à memória porque, nos últimos meses, houve iniciativas onde a
Folha aparece como protagonista. Uma delas, o livro A serviço da repressão:
Grupo Folha e violações de direitos na ditadura, de vários autores, chegado às
minhas mãos graças à gentileza da querida amiga e historiadora, Maria Cláudia
Badan Ribeiro. Com autógrafos gentis de Ana Paula Goulart Ribeiro e Flora
Daemon, duas dos seis autores.
Há
outras iniciativas, e não só publicações. Não são inéditas. Nem por isso,
deixam de ser importantes. Saúdo, sinceramente, o surgimento desses esforços
recentes, voltados à nossa memória histórica, especialmente os dedicados ao
jornalismo e à Folha, de modo particular.
Ressalto,
no entanto, enfaticamente: a primeira vez em que o grupo Folha, de modo
consistente, é denunciado como cúmplice da ditadura, teve como protagonista
Beatriz Kushnir. E a publicação da primeira edição tem mais de 20 anos, março
de 2004. A ninguém, interessado no assunto, é dado desconhecer.
E não
um livro qualquer. Denso estudo, de mais de 400 páginas. A mim, como professor
de jornalismo e como militante político, foi de extraordinária serventia. Por
ele, aprendi. Com ele, ensinei. Ao longo de meus muito anos de pesquisa
jornalística, me vali tantas vezes do livro de Beatriz Kushnir. Por tudo isso,
considerei necessário contribuir para repor a publicação no lugar merecido.
Trabalho-âncora
de todo esse esforço de memória para revelar um lado sombrio de nossa imprensa,
neste caso com o grupo Folha no centro dos acontecimentos. Ignorar isso,
esquecer isso, para mim, seria imperdoável.
Meu
maior interesse, aqui, é o capítulo quarto das mais de 400 páginas do livro.
Não discutirei os censores, ou o farei pelo caminho da observação em torno da
atuação do próprio grupo Folha. O título do capítulo é por si, instigante: “O
jornal de maior tiragem: a trajetória da Folha da Tarde”.
Não
precisa dizer, mas digo: tiragem aqui diz respeito a tiras, ao número de
policiais presentes no jornal da segunda fase dele. Vocês entenderão, na
sequência.
Nesse
capítulo, a grupo Folha resta nu, exposto como nunca antes, de modo
consistente, como um aliado incondicional da ditadura. Nesse capítulo,
assiste-se ao surgimento da Folha da Tarde, pertencente ao grupo.
Num
primeiro momento, como publicação extremamente progressista, por razões
mercadológicas, a competir com o Jornal da Tarde, do grupo Estadão, da família
Mesquita.
• Carabina turca
Surgido
em 1967, no segundo semestre, em plena efervescência do movimento estudantil, e
dando todo apoio às lutas contra a ditadura, com coberturas ousadas, raras no
período, inclusive participação de jornalistas envolvidos com a luta armada,
sofre reviravolta à chegada do AI-5, em dezembro de 1968.
A
virada decisiva do jornal, no entanto, definitiva, a transformá-lo num órgão
oficial da ditadura e a reafirmar o título de jornal de maior tiragem, ocorre
em 19 de junho de 1969, quando o redator-chefe passa a ser Antônio Aggio e os
colegas dele, de extração nitidamente policial.
Antônio
Aggio, além de funcionário da Secretaria de Segurança Pública, era afilhado do
coronel Antônio Lepiane, comandante do 4º Regimento de Infantaria de Quitaúna,
em Osasco, a partir de 1967, de onde desertou Carlos Lamarca, em janeiro de
1969 – sobre Lamarca, eu e Oldack de Miranda escrevemos livro.
O grupo
Folha era a casa dos homens da ditadura, em São Paulo. Nos almoços de
aniversário do jornal, podiam ser encontrados o coronel Lepiane e Erasmo Dias,
o governador Paulo Maluf, os delegados do Deops paulista Celso Telles e Romeu
Tuma, lado a lado com os proprietários do grupo Folha e todos os editores dos
jornais da empresa, entre tantas figuras representativas do regime militar,
fardados ou não. Uma convivência de parceiros, amigos, mesmos ideais – os
ideais da ditadura.
Antônio
Aggio, ao assumir a Folha da Tarde, pretendeu imprimir uma linha editorial
exatamente oposta ao do período anterior, sob a direção de Jorge Miranda
Jordão, com ênfase agora à cobertura policial, praia dele. Foi montado um
cuidadoso sistema interno de autocensura, dispensando-se assim qualquer
intervenção da ditadura. Era como se dissessem aos militares: deixem com a
gente. E podiam deixar. E deixaram. Eram amigos, parceiros.
De uma
hora pra outra, a publicação torna-se de extrema-direita. E nada acontece de
uma hora pra outra, sabemos. O grupo Folha apenas revelava a real natureza
dele. Viveu-se um clima pesado na redação. Época de prisões, armas nas gavetas
ou à vista nas mesas. O clima de terror, vivido ali, sob o comando de Antônio
Aggio: ele não fazia questão de esconder o estojo trazido com ele. Bonito.
Parecia um violão. Engano. Dentro, uma carabina turca.
O
secretário-geral, Horley Antônio Destro, exibia uma automática. Gostavam de
armas: argumentos deles. Carlos Dias Torres, chefe de reportagem, era relações
públicas do IV Comando Aéreo Regional, da Aeronáutica. Gostavam de militares:
amigos íntimos.
• Manchetes do terror
Havia
de parte do novo jornal uma acentuada preocupação com os atos de terrorismo.
A bem
da verdade, o primeiro grande ato da esquerda armada ocorre poucos meses depois
do homem da carabina turca assumir: sequestro do embaixador norte-americano
Charles Burke Elbrick, em setembro de 1969.
Tal
ação endureceu as práticas de repressão do regime militar e radicalizou, pela
direita, as manchetes da Folha da Tarde, sob a direção de Antônio Aggio.
Manchetes
terríveis, e nós não vamos detalhar cada uma. Lembrar uma ou outra como
exemplo, todas presentes no livro de Beatriz Kushnir.
“Honras
militares para a vítima de Marighella”, 8/11/1969, enterro da investigadora
Stela Borges Morato, baleada por policiais no cerco a Marighella.
“Oban
desmantela quadrilhas do terror”, 28/11/1970, sobre mais de 320 militantes
políticos presos.
“Chantagem
sexual é arma do terror”, sobre Solange Lourenço Gomes, que se entregou à
repressão e depois suicidou-se, de 28/7/1971. É personagem do livro Lamarca, o
capitão da guerrilha.
“Eis os
assassinos e inimigos do povo”, de 28/9/1971, com fotos de militantes
procurados, aqui atuava lado a lado com a repressão.
Beatriz
Kushnir sustenta a existência de inúmeras atitudes de alinhamento da Folha da
Tarde com os governos pós-AI-5.
A fama
de jornal de “maior tiragem”, como já se viu, absolutamente verídica, dado o
número de policiais dentro da redação, confundindo-se uma e outra atividade, a
de jornalista e de tira. Jornalistas-policiais envolvidos numa autêntica
“guerra santa”, ao lado da ditadura, na gestão do trio Antônio Aggio, Horley
Antônio Destro e Carlos Dias Torres.
Beatriz
Kushnir tem o mérito de expor as vísceras da ditadura e as da imprensa. Esta,
esteve ao lado do golpe militar de 1964 e nos momentos mais duros do regime
militar foi cúmplice dele. Todos os meios de comunicação de nossa grande
imprensa valeram-se dos recursos do jornalismo para apoiar o regime. Não havia
inocência no jornalismo praticado.
Houve,
no entanto, a cumplicidade mais nítida. No caso do golpe, sabe-se, diretores de
meios de comunicação envolveram-se diretamente na articulação, têm
responsabilidade com o sangue derramado.
Depois,
alguns se arrependeram, e talvez o caso mais evidente seja o do Correio da
Manhã – após apoiar entusiasticamente o golpe, percebeu o engano, passou a
combater os excessos do novo regime e foi massacrado.
Lembro
de Marx, no Dezoito Brumário, a burguesia chamada a espada, e depois a espada
se volta contra ela. Assim, com parte da imprensa, aquela que se iludiu com a
espada, como se ela pudesse ser benevolente ou democrática. Nunca é.
A
imprensa brasileira ainda não foi devidamente diagnosticada quanto ao
procedimento dela em relação à ditadura. Estamos a meio caminho. O trabalho de
Beatriz Kushnir produz um diagnóstico rigoroso em relação ao grupo Folha, ao
revelar as relações de cumplicidade completa entre ele e a ditadura, ao
envolver-se diretamente no combate aos partidos e organizações revolucionárias.
Tudo isso foi antecipado por ela, e como resultado, insista-se, de pesquisas
cuidadosas, criteriosas.
• Cumplicidade sem reservas
“Tá
legal, eu aceito o argumento, mas não me altere o samba tanto assim”, nosso
Paulinho da Viola ajuda. Que utilizem o chamado jornalismo para apoiar um
regime de terror como inaugurado em 1964, a perdurar por terríveis 21 anos, vá
lá seja, e isso é modo de dizer por que, do meu ponto de vista, é inaceitável o
jornalismo servir a isso, mas serve, e sempre serviu, lamentavelmente.
Agora,
ir além, transpor a fronteira, deixar de lado todo e qualquer escrúpulo, e um
grupo de comunicação resolver, no decurso de um regime militar, meter-se
diretamente no combate, juntar-se aos órgãos repressivos, aí é demais também. É
quase inimaginável. Não me altere o samba tanto assim. O grupo Folha invadiu o
sinal, transpôs a fronteira.
Pode
acontecer de pesquisas em torno de outros meios de comunicação descobrirem o
envolvimento direto no combate às organizações revolucionárias, mas foi Beatriz
Kushnir, ao estudar o período, a revelar essa política do grupo Folha, e não
tem outro termo senão chamar de uma política, uma diretriz, porque era. Esse
ineditismo ninguém há de tirar dela, e correndo todos os riscos. Não mais de
prisão. Outros riscos.
Conhecida
a relação entre empresários e órgãos de repressão, e isso tem vindo à tona com
mais força nos últimos tempos. Mas essa cumplicidade entre um meio de
comunicação e a repressão, envolvimento direto, sem qualquer sutileza,
repressão política e jornalismo totalmente imbricados, tal cumplicidade não
pode ficar silenciada, e Beatriz Kushnir tirou essa política da obscuridade,
iluminou-a.
Teve o
mérito, e isso tem sido pouco destacado, de retirar das sombras a imprensa
revolucionária, deu voz àquela imprensa, a voz dos revolucionários, denunciando
a cumplicidade do grupo Folha com a ditadura. Antes de chegar a isso,
observemos a Folha se desnudando.
Entre
as páginas 332 e 333, a Folha da Tarde e a própria Folha de S. Paulo rasgam a
fantasia, no editorial “Banditismo”.
E como
diz Beatriz Kushnir, pela voz do dono, Octávio Frias de Oliveira, primeira e
única vez a escrever e assinar um editorial.
Na
peça, chamemos peça, Oliveira passa recibo: revela terem sido incendiados dois
carros, parcialmente destruídos por “um bando de criminosos, que afirmaram
estar assim agindo em ‘represália’ a notícias e comentários estampados em
nossas páginas”.
De
alguma forma, o editorial acabava por revelar a colaboração do grupo com os
órgãos repressivos, ao ensejar a utilização dos carros da empresa para ações
repressivas, com todas as consequências.
A peça
é um primor. Por sua natureza nitidamente policialesca. Com linguagem própria
do submundo daquele tempo. Pelo caráter ditatorial. Por defender o terror. Diz
não distinguir terrorismo de banditismo.
Terroristas,
na compreensão dele, Octávio Frias de Oliveira, do que sejam terroristas, devem
ser caracterizados como marginais. No Brasil, não há lugar para terroristas –
por terroristas o grupo Folha entendia todos os envolvidos na luta contra a
ditadura. Define a ditadura assim: governo sério, responsável, respeitável e
com indiscutível apoio popular. Governo a levar o Brasil pelos seguros caminhos
do desenvolvimento com justiça social.
Está
lá, em letra de forma. “O país, enfim, de onde a subversão – que se alimenta do
ódio e cultiva a violência – está sendo definitivamente erradicada, com o
decidido apoio do povo e da imprensa. Essa mesma imprensa que os remanescentes
do terror querem golpear”.
• Diário Oficial da OBAN
A
ditadura, sobretudo a face mais obscura dela, não necessitava de assessoria de
imprensa. Tinha o grupo de comunicação dela, o mais próximo. Não bastassem os
demais meios de comunicação, todos no mínimo benevolentes com o regime militar,
este tinha os veículos do grupo Folha ardorosamente ao lado.
E com
um linguajar, um pensamento em conformidade completa com a ideologia e a
prática castrenses, a favor do terror, das prisões, dos sequestros, das mortes,
dos desaparecimentos. Nem escondia isso.
Breve
digressão. O velho Júlio de Mesquita Neto, quando dirigia o Estadão, recebeu
Carlos Navarro Filho, chefe da sucursal da Bahia. Foi informá-lo de matéria
explosiva, a ser feita por mim e por ele: ouvir Theodomiro Romeiro dos Santos,
o sujeito mais procurado pela ditadura naquele momento, 1979, pois havia fugido
da prisão recentemente. O velho conservador aceitou fosse feita a matéria. Fez
apenas uma recomendação: “cuidado para não dar rastros à polícia”.
Dignidade,
sem haver qualquer desconhecimento de o Estadão ter apoiado entusiasticamente o
golpe de 1964. Fizemos a reportagem, com os rigores da clandestinidade, e no
dia da publicação dela pelo Estadão, Theodomiro asilou-se na Nunciatura
Apostólica, em Brasília. Dignidade, fazemos questão, eu e Navarro, de
registrar.
Grupo
Folha, nenhuma dignidade. Orgulhava-se da condição de aliado incondicional da
ditadura, pau pra toda obra, como Kushnir demonstra à larga. No dia 21/9/1971,
revolucionários tocaram fogo em duas caminhonetes do grupo Folha. Outros
veículos seriam incendiados, na sequência.
E a
imprensa clandestina da Ação Libertadora Nacional (ALN), jornal Venceremos,
responde ao editorial de Octávio Frias de Oliveira, duramente. “Aí denunciou-se
ao povo que realmente é um fascista convicto e colaborador da repressão
brasileira”.
Porta-voz
da OBAN – assim conhecido o jornal Folha da Tarde, com toda razão.
E a
Folha de S. Paulo, com o editorial escrito pelo dono, assinou embaixo, não
fosse, ela própria, parte de toda aquela política. Parte ativa e consciente.
Política defendida pelo dono.
Em
meados de 1984, Diretas à vista, marketing chamando, o grupo demite Antônio
Aggio. Com isso, pretendia ter apagado aquela história, como se uma virada
editorial pudesse enterrar o passado. Não pôde. Havia um documento para a
história, implacável: o livro.
O livro
de Beatriz Kushnir.
Está aí
para o desfrute das novas gerações. E das gerações maduras. O livro impediu o
sepultamento do passado. Esse mérito, ninguém conseguirá tirar de Beatriz
Kushnir.
Fonte:
A Terra é Redonda

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