sexta-feira, 13 de junho de 2025

Arnóbio Rocha: Os Tigrões, Bolsonaro e trupe, viraram Gatinhos no STF!

Um dia histórico, de uma época que será lembrada por longos anos.

A roda da história não gira, ela capota.

Há 7 anos, após a vitória de Bolsonaro, seu filho Eduardo (o número 02) declarou que para fechar o STF “bastava um jipe com um cabo e um soldado”, uma espécie de senha do que viria pela frente, a forma belicosa e desrespeitosa da família fã da ditadura que sempre desprezou a democracia e que demoniza a política, mas todos são profissionais na política, pai e filhos.

Há uma coleção de declarações agressivas de Bolsonaro e seus filhos contra as instituições, em especial ao STF, ao TSE, contra os ministros, contra as urnas eletrônicas, algumas delas que beiram à esquizofrenia quando falam de roubos contra Bolsonaro na urnas, sem nenhuma prova, contrataram auditorias, hackers, pressionaram com militares e ameaças para desmoralizar a democracia, criando tensões para esconder a completa INCOMPETÊNCIA administrativa e o vazio de propostas políticas.

Foram anos terríveis em que a institucionalidade era constantemente ameaçada, a cada 7 de setembro, as manifestações convocadas por Bolsonaro alimentava um ódio crescente no Brasil contra o “sistema”, enquanto eles faziam não apenas um péssimo governo, como também destruíam a economia, entregavam as empresas públicas, criando um cenário de caos constante, piorado com a Pandemia que irresponsavelmente Bolsonaro contribuiu para a morte de mais de 700 mil pessoas,

O clima de tensão permanente de enfrentamento contra tudo e contra todos, Bolsonaro e sua turma costumavam berrar, gritar, ameaçar, falavam alto, grosseiramente, contra autoridades, contra imprensa, contra oposição, eram os tigrões, machões corajosos e que destilavam testosterona e exibição de violência em atos e palavras, um país que flertava com golpe de estado e uma volta aos tempos de ditadura, os heróis dessa família.

Parecia muito claro que o roteiro seria não aceitar resultado eleitoral que não fosse a vitória deles, campanha azeitada com dinheiro público, gastos estrondosos, que até hoje se paga a conta. Com a derrota, o desespero tomou conta e um plano de GOLPE passa a ser executado, diretamente do Palácio do Planalto, com um depressivo/agressivo presidente derrotado, que se alterna a euforia do golpe, com a covardia de não tomar decisão final, essa vacilação não tira o crime cometido por tudo arquitetado, mesmo não executado, por incompetência ou por pusilanimidade,

A tentativa violenta de GOLPE, em 8 de janeiro de 2023, usando uma massa de manobra, com kids pretos e comandos infiltrados para insuflar para que quebrassem tudo, Congresso, STF e Palácio do Planalto, a onda selvagem não teve sucesso.

Os processos abertos contra mais de 1500 participantes dos atos violentos, com condenações a pesadas penas. Logo se seguiu e uma segunda fase, com que efetivamente se beneficiaria do GOLPE, que comandava as ações que levaram ao 8 de janeiro. Pela primeira vez na história estão nos bancos dos réus vários generais, almirantes, além do próprio ex-Presidente, Jair Bolsonaro. Uma novidade no Brasil que costuma não punir nem militares e nem poderosos.

Aqueles tigrões que prendiam e arrebentavam, seus berros, viraram gatinhos, educados, como por milagres, todos eles, se tornaram defensores da Constituição e do Estado de Direito. Medrosos, tremem na frente dos ministros do STF, em particular de Alexandre de Moraes, pedem desculpas, uns lordes, palavras leves, doces, alguns escorregões, porque ninguém é de ferro, como dar pito nos próprios advogados e uma problema grave de memória, de não lembrar de nada.

Aliás, a covardia é uma marca, nenhum teve ombridade de assumir atos e palavras, todos são republicanos, inacreditável como aqueles valentões, estão ali vendendo lhaneza, afabilidade e cortesia, chamam o odiado Xandão de Senhor, Excelência, Presidente, impressiona a falta de coragem, negam a si mesmo, ou são isso mesmo, se borraram todos. Bolsonaro chamou seus seguidores de malucos em frente aos quartéis, por exemplo, como parte de uma negação covarde, salvar sua pele a qualquer custo.

Bolsonaro fez do se depoimento um palanque medíocre, não respondeu nada com nada, apelação pífia e sem nenhum efeito, nada lhe trará frutos, ou melhorar sua situação jurídica, com risco de perder seus apoiadores mais radicais com sua tibiez e medo.

Importante destacar a calma e tranquilidade com que o Ministro Alexandre de Moraes conduziu as sessões, sem perder o comando, garantindo as falas, sem interrupções, sem intimidações e muitas vezes com doses certas de humor.  Soube conduzir com rara sobriedade e uma autoridade sem grandes questionamentos, não caiu em provocações e ironias.

Mais um ato cumprido, com menos tensão do que se esperava, uma vitória do Brasil.

•        Golpistas, traidores da pátria e, antes de tudo, um bando de covardes. Por Bepe Damasco

Salta aos olhos como os integrantes do núcleo central da trama golpista deixaram a valentia demonstrada nas redes sociais e nas conversas de submundo entre eles do lado de fora da sede do STF e se transformaram em doces gatinhos durante os interrogatórios no tribunal.

Destemidos na hora de planejar a ruptura da ordem constitucional, além da prisão e do assassinato de autoridades, são incapazes de assumir uma postura minimamente corajosa quando sentam no banco dos réus.

Há até os que se negam a falar, como o general Heleno (já imaginou um sujeito invertebrado como esse comandando tropas brasileiras em um conflito?), mas a grande maioria se limita a afrontar as evidências e os fatos, negando tudo que lhes é perguntado.

Nota zero em termos de altivez.

Seria cômico se não fosse terrivelmente trágico ver gente desprovida de convicção democrática jurar de pés juntos fidelidade à legislação eleitoral, à soberania popular e à Constituição do país.

Claro que não esperava que assumissem seus crimes diante da mais alta corte do país. É raro encontrar alguém que produza provas contra si mesmo. Mas é de postura que estou falando. Os mesmos que há dois anos queriam implantar um regime de exceção no país, agora rastejam diante do acerto de contas com a Justiça.

Quem se der ao trabalho de buscar na internet os depoimentos de Lula ao juiz parcial Moro poderá constatar a diferença moral abissal entre ele e a quadrilha golpista liderada por Bolsonaro.

Lula, com a cabeça erguida típica dos inocentes e perseguidos, enfrentava e contradizia Moro com argumentos sólidos, inteligentes e objetivos. Os réus da atual ação penal são incapazes de formular uma reles ideia que os dignifique.

Nos tempos em que o centro político produzia figuras da estatura de um Ulysses Guimarães, o então presidente da Assembleia Nacional Constituinte bradou no discurso de promulgação da nova Carta: "traidor da Constituição é traidor da pátria. Temos ódio e nojo de ditaduras”.

Mais de 61 anos depois do golpe que instaurou uma ditadura no Brasil por longos 21 anos, a leva de golpistas dos dias atuais traz gravada na alma a marca da covardia.

•        Réus do golpe: patética tentativa de tapar o sol com peneira.  Por Tereza Cruvinel

O interrogatório dos réus do golpe, encerrado na terça-feira, deve ter causado em todos que o assistiram a sensação que eu tive. Encontrei pessoas que me disseram ter sentido o mesmo: como pode o Brasil ter sido governado por estas pessoas tão despreparadas, toscas, limitadas na própria capacidade de expressão, desprovidas do equipamento intelectual e mesmo cognitivo exigido pelas funções que ocuparam? Como pudemos ter um presidente como Jair Bolsonaro?

E olhe que ali todos tentaram se transfigurar, trocando a grosseria, a truculência e, no caso de Bolsonaro, os palavrões, por uma postura mais sóbria e civilizada, e por uma linguagem condizente. Bolsonaro até passou do ponto neste esforço, com as duas brincadeiras que tentou fazer com o ministro Alexandre de Moraes: a promessa de enviar vídeos de sua próxima viagem ao Rio Grande do Norte e o convite para que o ministro seja seu vice em 2026, como se não fosse inelegível. Ofertas declinadas.

Com sua performance amistosa, evitando confronto com o ministro que já chamou de canalha, talvez Bolsonaro busque uma ponta de boa vontade no julgamento ou na fixação da pena. Agora ela já admite aos seus que será preso e pede que continuem lutando por ele.

Combinados ou não, os oito réus adotaram, com variações apenas formais, a mesma estratégia de defesa: admitiram que fizeram tudo o que foi contado por Mauro Cid, tudo o que foi descoberto ou confirmado pela Polícia Federal, mas negando que o objetivo era dar um golpe de Estado, impedir a posse de Lula e manter Bolsonaro no poder. Foi como se todos dissessem: “fizemos, mas não era o que estão pensando”.

Bolsonaro explicou muitas de suas falas golpistas como desabafos e a minuta do golpe passou a ser chamada de “considerandos”. Estado de sítio, de defesa e GLO foram mencionados como “meras hipóteses” examinadas, “dentro das quatro linhas da Constituição”. Estes instrumentos estão na Constituição mesmo, mas para serem usados em outras circunstâncias. “Não assinei nada”, disse Bolsonaro algumas vezes. Não assinou porque o golpe não se consumou, por falta de efetivo apoio militar. Assinar era o de menos.

Foi também como se dissessem, cada qual com suas palavras: “realmente montamos uma bomba, mas nunca tivemos a intenção de acender o pavio. Estávamos apenas dando vazão à nossa frustração com a derrota eleitoral”.

O resultado é que confirmaram a delação de Mauro Cid, legitimaram as provas colhidas e fortaleceram os indícios que sustentam a denúncia do procurador-geral e vão orientar o julgamento.

Eles não passarão o Natal em casa, segundo a maioria dos juristas. Em setembro devem ser condenados.

E quando isso terminar, a democracia brasileira terá alcançado um novo patamar de maturidade. Pela primeira vez terá punido os que atentaram contra ela, e terá  mostrado aos militares que eles não são tutores da República. Sou otimista. Acredito no efeito pedagógico do que estamos assistindo.

•        Toneladas de golpe para consumo próprio. Por Moisés Mendes

Tim Maia poderia nos socorrer na tentativa de compreensão do fracasso do golpe, depois da primeira rodada de interrogatórios de testemunhas e réus das facções de Bolsonaro. O Brasil, disse Tim Maia, é um país que não pode dar certo porque traficante consome a droga que vende.

Bolsonaro, os militares e também os civis, muitos desses ainda encobertos, fracassaram porque estavam produzindo golpe para consumo próprio. Não tinha como dar certo.

Todos os depoimentos de golpistas no Supremo conduzem sempre para a mesma desculpa. Os ingredientes que eles manipulavam, e que foram apreendidos pela polícia, eram para fazer um golpe para consumo próprio.

Seriam toneladas de golpe, mas sempre para ficar entre eles. O delegado Alexandre Ramagem produzia divagações golpistas, todas apreendidas, que deveriam ser enviadas a Bolsonaro e parceiros.

Mas ele não enviava nada, mantinha suas ideias no computador ou nos celulares. Ramagem disse a Alexandre de Moraes que seus pensamentos com ataques às eleições eram para consumo próprio.

Acharam a primeira minuta do golpe com outro delegado, o réu Anderson Torres. Mas também era para consumo próprio. Cada um tinha a sua minuta. Todos ali viram ou consumiram uma minuta em algum momento, porque estavam distribuindo minutas nas ruas de Brasília, no Google, em toda parte, dentro de um plano de marketing de degustação de minutas.

Tentaram viciar os golpistas em minutas. Bolsonaro, Braga Netto, Paulo Sergio Nogueira e todos os outros tinham porções de minutas. Algumas só com os argumentos iniciais dos considerandos. Muitas em papel, outras virtuais, outras em nuvens.

Algumas minutas, segundo Torres, muito mal escritas, de péssima qualidade sob o ponto de vista da gramática, como se tivessem saído das obras parnasianas de Carluxo. Mas tudo para consumo próprio.

Bolsonaro dizia em reuniões que ministros do Supremo receberiam milhões em dinheiro para fraudar a eleição. Moraes perguntou de onde ele tirou aquilo. Era desabafo para consumo próprio, era coisa privada que foi vazada, disse Bolsonaro.

As reuniões de Bolsonaro para buscar saídas, depois da derrota para Lula, eram privadas. Foi o que repetiu várias vezes. Ainda ocupava a mais importante função pública do país, mas os encontros golpistas, em prédios do governo, não podem ser levados a sério hoje porque eram particulares.

Paulo Sergio Nogueira, ex-ministro da Defesa, já dedurado como golpista e por isso mesmo transformado em réu, disse que fazia reuniões – com uma minuta sobre a mesa, segundo os delatores –, para tentar evitar fissuras nas Forças Armadas. Uma minuta dentro de um saco plástico, para consumo próprio.

Contou que os militares entravam em tempestades de ideias sobre como sair da enrascada da derrota, mas os ventos deveriam ficar ali entre os generais. As tempestades eram para consumo próprio.

Bolsonaro, os generais, os civis do entorno, os que se aproximavam deles, todos foram se transformando em viciados em golpe, até entubar o fracasso.

Provavam minutas, ventanias de tempestades mentais, mensagens, relatórios, conversas no ouvido, tudo o que levasse a alguma conspiração, e ficavam viciados em GLO, estado de sítio, caos, acampamentos, bloqueios de estradas. Lidavam com toneladas de ingredientes para um golpe.

Mas o golpe seria para consumo próprio. Nada sairia dali daqueles grupos, das agora testemunhas das articulações, dos oito réus da primeira turma de golpistas e dos outros que virão a seguir. Derrotados na eleição e já se sentindo como fracassados, afundaram no vício. Brasília virou uma cracolândia do golpe.

Alguns, como Augusto Heleno, foram expelidos, por serem considerados inúteis ou porque passaram a ser vistos com desconfiança ou porque não havia clima. Outros, como Freire Gomes, avisavam que não aprovariam daquilo. O chefe do Exército virou testemunha do que viu na usina de golpes.

Mas a maioria era viciada, alguns já com experiências em overdoses. Teve chefe militar que chegou a provar do bolsonarismo mais forte, como Baptista Júnior, que também desistiu, na última hora, e passou a ser considerado traidor e de só pensar em dinheiro. Esse também ganhou o status de testemunha.

Formaram-se as facções, dentro da estrutura do golpe para consumo próprio, e alguns fizeram o que é do jogo em todo tipo de crime, desde a mais singela contravenção. Delataram os parceiros.

E sobrou então para um instrumentador, o que alcançava os ingredientes e cuidava da parte suja e administrativa do grupo. Sobrou para Mauro Cid, o subgerente, o cara que ouvia promessas de que um dia seria grande.

O golpe para consumo próprio desmoralizou generais, violentou a memória dos golpistas de 64, expôs a baixa qualidade do que eles estavam produzindo e deixou uma turma cheia de sequelas.

Mas se enganam os que acham que eles depuseram no STF rindo diante de Moraes, poucos deles com cara fechada, porque passaram a ser uns bobos alegres. Não. Eles estão certos de que continuam não só faceiros e engraçados, mas também organizados.

A produção de ingredientes para o golpe para consumo próprio, que empurrou mais de mil manés para a cadeia, enquanto os chefes agora riem nos interrogatórios, continua nos laboratórios das bases da extrema direita do interiorzão. As células do golpismo de garagem continuam intactas.

 

Fonte: Brasil 247

 

Nenhum comentário: