Hugo
Albuquerque: Papa Leão XIV e Trump, dois Estados Unidos
Seis
dias antes da escolha do novo papa, Donald Trump, enquanto se encontrava às
turras na guerra comercial contra a China, arranjou tempo para publicar uma
arte, de gosto duvidoso, dele mesmo em trajes papais. Poucos dias antes disso,
Steve Bannon, seu ex-estrategista, dizia ao jornalista Piers Morgan que o
cardeal Prevost era um “azarão” com reais chances de ser escolhido como papa. O
trumpismo estava mesmo de olho no Conclave.
Além do
conhecido poder da Igreja Católica, há um elemento interno muito importante
quando falamos de catolicismo e Estados Unidos: é entre a comunidade católica,
maior religião em termos particulares, que as últimas eleições têm sido
decididas. Os católicos são um grupo grande, dividido, mas ainda flexível para
mudar seu voto em um cenário político cada vez mais polarizado nos Estados
Unidos.
Em
2016, Trump venceu entre os católicos, mas em 2020 perdeu entre eles, voltando
a vencer nesse grupo em 2024. Isso coincide com sua vitória, derrota na
reeleição e retorno ao poder. Muitos dos estados-pêndulo, na verdade são, não
por acaso, estados com uma grande quantidade de católicos – e embora se olhe
muito para os evangélicos e o lado mais radicalizado do sionismo, parte
da alt right dos Estados Unidos passa pela Igreja Católica.
O
cardeal Raymond Leo Burke é um dos religiosos de alto escalão mais presentes na
defesa do trumpismo. O então cardeal Prevost, ao contrário, se levantou e fez
críticas expressas ao atual governo americano, principalmente sobr sua política
de deportações de imigrantes – além de ter enfrentado o vice-presidente
recém-eleito, JD Vance, um católico convertido, quando este disse que Jesus nos
pediu para hierarquizar nosso amor pelo próximo.
Não
poderia ser diferente: Prevost tem uma longa história missionária no Peru, onde
foi bispo da diocese de Chiclayo, razão pela qual ele obteve cidadania peruana
há poucos anos – além de ter ascendência haitiana e hispânica por parte de mãe.
Ex-líder da ordem dos agostinianos, Prevost tem uma atuação que atravessa
fronteiras e, longe de ser um grande progressista, está mais distante ainda de
ser um tradicionalista católico.
·
Os Estados Unidos nunca foram utopia para os católicos
Parte
do imaginário americano parte da ideia de uma utopia religiosa, mas ligada à
reforma protestante na Europa. E isso certamente inspirou a política de
ocupação de seu território inicial e sua expansão posterior a oeste. A
democracia de pequenos proprietários, é claro, foi construída com mão de obra
africana escravizada, além de ter simplesmente tomado a terra de inúmeras
comunidades indígenas – mas ela não tinha lugar para os católicos.
O
número de católicos no país nos seus anos iniciais não chegava a 2% da
população total. Décadas mais tarde, em meados do século XIX, a população
católica se expande, e não por acaso era formada por uma nova leva de
imigrantes pobres, destinados a servir como o grande exército proletário do
nascente capitalismo americano. Eram irlandeses, italianos e eventualmente
poloneses e alemães do Sul.
Como
Marx observa no final do Livro I d’ O Capital, a construção do
capitalismo americano passou pelo fim das leis que antes garantiam o acesso à
terra aos que chegavam da Europa: “a grande República deixou, assim, de ser a
terra prometida dos trabalhadores emigrantes [da Europa]”. Uma vez sem possuir
a terra e confinados nas grandes cidades da costa leste, o imigrante europeu já
não tinha escolha senão vender sua força de trabalho.
Esse
imigrante que já não tinha mais à disposição “a propriedade privada fundada no
trabalho próprio” se tornando, desse modo, um proletário. O que Marx não se
atentou é que grande parte desse novo imigrante americano era católico, se
tornando brancos de segunda classe – enquanto os negros recém-libertos estavam
em uma condição ainda inferior, convivendo com a segregação racial que duraria
cem anos depois do fim da escravidão.
O
branco americano de segunda classe, não por coincidência quase sempre católico,
era a imagem padrão do operário industrial, que apesar do seu progresso
material, ainda permanecia numa condição marginal até os anos 1960 – e a grande
coalizão daquela época foi liderada não à toa por John Kennedy, o primeiro
católico a chegar à presidência dos Estados Unidos, que caminhou junto das
reivindicações de negros e judeus.
·
A segunda onda católica nos Estados Unidos: os hispânicos
e não-brancos
Com a
chegada em massa de imigrantes da América hispânica, um novo panorama foi
aberto para o catolicismo nos Estados Unidos. Miscigenados e racializados
abaixo dos “brancos de segunda classe” – de todo modo, americanos já há várias
gerações –, os hispânicos se tornaram um fator central da nova classe
trabalhadora americana do quarto final do século XX em diante. E, novamente,
enquanto um elemento católico.
Enquanto
irlandeses e italianos se mantiveram católicos durante gerações, iniciando um
mimetismo social na grande República protestante só depois de
muito tempo, os hispânicos apresentaram um novo padrão: católicos de início, a
passagem para se aclimatar aos Estados Unidos, ou mesmo conquistar cidadania,
passou muitas vezes pela conversão ao protestantismo. Esse cenário levou a uma
instável renovação do catolicismo americano.
Enquanto
paróquias de regiões imigrantes hispânicas tomavam, pela força dos fatos, uma
dinâmica bastante distinta das paróquias de subúrbios da decadente aristocracia
operária irlandesa e italiana. A Igreja nos Estados Unidos se dividiu,
portanto, em dois grandes grupos bem diferentes de fiéis – com uma ambiciosa
ala tradicionalista crescendo entre os católicos americanos mais antigos.
O
cardeal Prevost é uma mistura desses dois grupos, já que é de descendência
italiana e francesa por parte de pai, enquanto sua mãe era descendente de
haitianos negros e hispânicos. Ele ainda encontrou a América Latina na sua
trajetória missionária, o que de certa forma foi um reencontro com parte de
suas raízes, produzindo um vínculo profundo com o Peru, onde foi crítico do
fujimorismo.
O Pew
Research Center captou bem isso em um recente estudo do catolicismo nos Estados
Unidos, 10 facts about U.S. Catholics, a comunidade
católica americana está dividida, o que é fruto não somente da dinâmica social
americana dentro da Igreja, mas também do inverso, com boas polêmicas em
relação a questões como aborto, cuja legalidade é defendida por seis em cada
dez católicos dos Estados Unidos.
·
O papado permanece nas Américas
Longe
do carisma e do ímpeto popular de Francisco – a quem fez questão, contudo, de
recordar e mencionar em seu primeiro pronunciamento –, Leão XIV adotou seu nome
papal em razão de Leão XIII, pontífice que editou a encíclica Rerum
Novarum, a qual inaugurou a doutrina social da Igreja, mas também foi uma
resposta ao ascendente movimento socialista, que levantava a bandeira da luta
pelo paraíso na terra.
Agostiniano
e oriundo da gélida, ainda que progressista, Chicago, Leão XIV dificilmente
reproduziria o ethos de um jesuíta argentino – e as duas
ordens, dos agostinianos e a dos jesuítas, não poderiam ser mais diferentes na
forma de abordar o catolicismo. Ainda assim, foi Francisco a criar o Robert
Prevost como cardeal – e a nomeá-lo para chefiar o Dicastério para os Bispos,
responsável por administrar as dioceses do mundo.
A
moderação de Leão XIV, apesar de parecer uma atenuante, se torna um problema
agravado para Trump, na medida em que o novo papa é americano e fala, portanto,
para as plateias internas dos Estados Unidos. Se a ala direita da Igreja nos
Estados Unidos, com suas constantes sugestões de cisma, contribuiu para puxar o
papado ao centro, paradoxalmente, ela arranjou um grande problema para si com
um “o papa americano” que não é dela.
Um papa
mais progressista e de fora dos Estados Unidos manteria, certamente, a ala
direita da Igreja na sua posição cômoda de excepcionalismo
tradicionalista. E ajudaria Trump na sua narrativa ambivalente que sorri ao
anticatolicismo de sempre dos Estados Unidos, mas, ao mesmo tempo, pisca para o
tradicionalismo católico, que não quer se misturar com nada que lembre o
Concílio do Vaticano II.
O pior
ainda é que a biografia e a atuação do cardeal Prevost junto à migração, e como
ele pode falar sobre isso, pode ser muito duro para uma das principais
bandeiras de Trump: a deportação em massa de imigrantes hispânicos. Em suma,
possivelmente os católicos progressistas vão sentir falta de Francisco, mas o
quadro atual não é nada confortável para Trump – ou para o católico JD Vance,
seu vice e pretenso herdeiro político.
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A paz do Papa Leão XIV. Por Leonardo Boff
Estamos
ainda no contexto de eleição do novo Papa Leão XIV que em sua fala inaugural
por seis vezes falou de paz, tema urgente. Ocorre, porém, que por toda parte
vigora uma onda mundial de ódio, discriminações e vários lugares de guerra.
Depois que Donald Trump sobrepôs a força à diplomacia e a utilização de meios
violentos para estabelecer a nova ordem mundial, compreendemos a importância
que o atual Papa confere à paz.
Aprofundemos
um pouco o tema da paz. Começo com a recordação da troca de cartas entre Albert
Einstein e Sigmund Freud sobre a guerra e a paz em 30 de julho de 1932.
Einstein pergunta a Freud: “há um modo de libertar os seres humanos da
fatalidade da guerra? Existe a possibilidade de dirigir a evolução psíquica a
ponto de tornar os seres humanos mais capazes de resistir à psicose do ódio e
da destruição?”.
Freud
respondeu: “Não existe a esperança de poder suprimir de modo direto
agressividade dos seres humanos”. Depois de ponderações que davam alguma
esperança à pulsão de vida e assim à paz possível, Freud termina de forma
cética e resignada com a famosa frase: “esfaimados pensamos no moinho que tão
lentamente mói que poderemos morrer de fome antes de receber a farinha”. Que
dizer, que a paz fica no âmbito da esperança esperante devendo ser construída
dia a dia.
Não
obstante esta dura constatação, continuamos a buscar a paz e jamais
desistiremos dela, mesmo que não seja um estado permanente, negado aos mortais.
Pelo menos nutrimos sem cessar um espirito ou um modo de ser que nos faz
preferir o diálogo ao confronto, a estratégia do ganha-ganha ao ganha-perde e a
busca cordial de pontos em comum ao enfrentamento conflitivo. É o legado nos
deixado pelo falecido Papa Francisco e renovado pelo novo Papa Leão XIV.
Ousamos,
na esperança, colocar algumas precondições que tornariam, de algum modo ou por
momentos, a paz alcançável. Vejo quatro precondições:
A
primeira é de acolhermos, com a máxima seriedade, a polaridade sapiens/demens,
amor-ódio, bondade-maldade, luz-sombra como pertencendo à estrutura da
realidade universal e também inerente à condição humana: somos a unidade viva
dos contrários. Isso não constitui um defeito da evolução. Mas a situação
concreta da condição humana, assim como existe hoje. Isso vale para o pessoal e
também para o social.
O ser
humano proveio da primeira singularidade, uma inimaginável violência, o big
bang, seguido do confronto violentíssimo entre matéria e anti-matéria,
restando um mínimo de matéria, algo como 0,00000001% que deu origem ao atual
universo conhecido. O ruído deste estrondo, uma onda magnética baixíssima, a
radiação cósmica de fundo, pôde ser constatada em 1964 por Arno Penzias e
Robert Wilson. Tomando como referência a galáxia mais distante e em rota de
fuga, permitiu datar a idade do universo de 13,7 bilhões de anos.
A
segunda é de reforçarmos de tal maneira e por todos os modos o polo positivo e
luminoso desta contradição de tal modo que ele possa manter sob controle,
limitar e integrar o polo negativo no positivo e daí fazer surgir, por
momentos, uma paz frágil mas possível, mas sempre ameaçada de dissolução. No
dia 12 de maio o Papa Leão XIV falando aos jornalistas foi claro: “A paz começa
com cada um de nós, com a forma como olhamos para os outros, ouvimos os outros
e falamos sobre os outros”.
A
terceira é refazer o contrato natural com a natureza que foi violado e resgatar
matriz relacional que existe entre todos os seres e nos faz a nós seres de
relação em todas as direções. Somente nos realizamos na medida em que vivemos e
expandimos estas relações. A história, no entanto, tem mostrado que “é esse
ser, o humano, é altamente criativo, agitado, agressivo e pouco afeito à
medida. Por esta razão, modificará a face do planeta, mas está destinado
a ter vida curta sobre a Terra” como diz o economista ecólogo Georgescu-Roegen.[1]
Não
obstante este “fracasso histórico” devemos reconhecer que é desta estrutura
relacional resgatada que pode nascer a paz como a compreendeu a Carta
da Terra numa famosa definição: “a paz é a plenitude que resulta das
relações corretas consigo mesmo, com outras pessoas, outras culturas, outras
vidas, com a Terra e com o grande Todo do qual somos parte” (n.16 b). A paz tem
sua base, portanto, em nossa própria realidade relacional, por mais frágil e
quase sempre rompida. Note-se que a paz não existe em si mesma. É resultado de
relações corretas, na medida em que são possíveis aos degradados filhos e
filhas de Adão e de Eva.
A
quarta precondição é a justiça. O que mais rompe a estrutura relacional é a
injustiça. Ética é fundamentalmente justiça. Significa: reconhecer o direito e
a dignidade de cada ser humano e de cada ser da criação e agir em conformidade
com este reconhecimento.
Em
outras palavras: justiça é aquele amor mínimo que devemos devotar ao outro e
aos outros, sem o qual nos apartamos de todos os demais seres e introduzimos
logo desigualdades, hierarquizações, marginalizações e submetimentos e nos
transformamos em ameaça às demais espécies. Jamais haverá paz numa sociedade de
injustiça. Os injustiçados reagem, se rebelam, fazem guerras no micro e no
macro.
Bem
advertia o revolucionário mexicano Emílio Zapata: “Se não há justiça, não se
deve dar paz ao governo”. O Brasil nunca terá paz enquanto continuar uma das
sociedades mais desiguais, quer dizer, mais injustas do mundo.
Esse
caminho de paz foi ensaiado por poucos da humanidade e testemunhado por seus
melhores líderes espirituais atuais como Gandhi, o Papa João XXIII, Dom Helder
Câmara, Martin Luther King Jr, o Papa Francisco e retomado fortemente pelo
atual Papa Leão XIV, sem nos referir outros da história, especialmente
Francisco de Assis.
A
teologia costuma dizer que a paz é um bem escatológico, vale dizer, começa
seminalmente aqui, mas só se realiza mesmo quando a história se concluir na sua
culminância. Portanto, continuemos a semear essa semente da paz possível.
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Presidente da África do Sul visita Trump em tentativa de
melhorar relações com os EUA
O
presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, iniciou uma visita de Estado aos
Estados Unidos nesta segunda-feira (19/05), no que seu governo descreve como
uma tentativa de “reiniciar” a relação entre os dois países, atualmente
considerada a mais fria em décadas. A visita ocorre poucos dias após os EUA
terem acolhido um grupo de 59 “refugiados” sul-africanos brancos que, segundo o
presidente norte-americano, Donald Trump, estão sendo perseguidos na África do
Sul por sua raça e enfrentam um “genocídio”.
Eles
voaram para os EUA com um plano especial de realocação e terão permissão para
se estabelecer lá. O governo de Ramaphosa nega as
alegações e afirma que os brancos, que possuem mais de 70% das terras, apesar
de representarem apenas 7% da população, não sofrem discriminação.
Em um
comunicado, o gabinete de Ramaphosa afirmou que os dois líderes discutiriam
questões de interesse “bilaterais” e “globais”. A Casa Branca ainda não se
pronunciou sobre o encontro. Esta é a primeira vez que Trump receberá um líder
africano na Casa Branca desde que assumiu o cargo em janeiro. A África do Sul,
que atualmente preside o G20, entregará a liderança aos EUA em novembro.
Ramaphosa
se encontrará com Trump na Casa Branca
na quarta-feira (21/05). Seu gabinete não divulgou a agenda das negociações,
mas deve incluir o tratamento dado aos sul-africanos brancos – historicamente
privilegiados -, cortes na ajuda humanitária e as guerras em curso na Ucrânia e
em Gaza.
Os
africâneres brancos são descendentes de colonizadores, principalmente
holandeses, que, até 1990, controlaram o país sob um sistema de apartheid que
segregava e excluía a maioria negra. Muitos dos líderes empresariais e proprietários rurais mais
bem-sucedidos do país ainda são brancos. Mais da metade da população negra é
classificada como pobre.
Trump e
seu aliado bilionário, o sul-africano Elon Musk, criticaram severamente o
suposto tratamento inadequado dado pelo governo Ramaphosa a essas pessoas
brancas no país, após o presidente sancionar uma Lei de Expropriação que
permite ao governo confiscar terras, em alguns casos, sem indenização. A lei,
assinada em janeiro, permite a expropriação de terras de qualquer proprietário
para redistribuição a grupos marginalizados, como mulheres e pessoas com
deficiência.
Alguns
grupos africâneres afirmam que a lei poderia permitir que suas terras fossem
redistribuídas a parte da maioria negra do país, alegação destacada por Trump.
Esses grupos dizem que fazendeiros brancos enfrentam um número desproporcional
de agressões violentas, que equivalem a “genocídio”.
O
governo sul-africano negou que haja um genocídio e afirma que os ataques fazem
parte de um problema criminal mais amplo. Falando no fórum Africa CEO em
Abidjan, na Costa do Marfim, em 13 de maio, Ramaphosa disse que o governo dos
EUA “entendeu a situação de forma errada”, já que a África do Sul sofre, em
geral, com altos índices de crimes violentos, independentemente da raça das
vítimas. Agricultores brancos e negros têm sido alvos de ataques a fazendas,
nos quais criminosos armados agrediram, roubaram e, às vezes, assassinaram
trabalhadores rurais em locais geralmente remotos.
Enquanto
isso, Musk, fundador da empresa de internet Starlink, também culpa o governo
pelo fracasso do lançamento da empresa na África do Sul devido às suas leis de
empoderamento negro, que exigem que grandes corporações e empresas que buscam
contratos governamentais sejam, em parte, de propriedade de marginalizados.
Fonte:
Opera Mundi/A Terra é Redonda

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