segunda-feira, 6 de maio de 2024

Seis estados do Nordeste registram diminuição radical da seca

O fenômeno da seca é uma constante preocupação ambiental e econômica no Brasil. Por conta disso, estudos ocorrem a todo o momento sobre essa situação que afeta milhões de brasileiros. Contudo, um novo levantamento apresentou mudanças significativas entre fevereiro e março de 2024, de acordo com a última atualização do Monitor de Secas. Este relatório fornece um panorama detalhado sobre como as condições de seca estão evoluindo em diferentes regiões do país, destacando tanto as melhorias quanto os agravamentos.

Mudanças Regionais na Severidade da Seca

Durante o período entre fevereiro e março, observou-se um abrandamento da seca em 11 unidades da Federação. São eles: Acre, Bahia, Ceará, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Pernambuco, Piauí e Rondônia. A princípio, essa melhora sugere uma redução na severidade do fenômeno, o que pode ter implicações positivas para a agricultura, o abastecimento de água e a vida diária das populações afetadas.

Por outro lado, estados como Mato Grosso, Paraná e São Paulo experimentaram um agravamento da seca. Esta intensificação pode resultar em restrições de água mais severas. Além disso, proporcionam maiores desafios para a agricultura e um aumento no risco de incêndios florestais. Ao mesmo tempo, isso requer uma vigilância e preparação intensificadas.

•        Variações na Extensão da Seca

Quanto à extensão da seca, o Centro-Oeste liderou com 93% de sua região afetada, um indicativo preocupante das condições extremas que persistem na área. Em contraste, o Sul apresentou o menor percentual, com apenas 17% de sua região impactada, o que inclui o notável fato de que os estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina permaneceram livres de seca em março.

Além disso, houve uma diminuição geral na área afetada pela seca em todo o Brasil, caindo de 6,84 milhões para 6,41 milhões de km². Esta redução de área afetada pode ser um sinal de melhoria, mas ainda cobre aproximadamente 75% do território brasileiro, destacando a persistência e a extensão do problema.

•        Olhar para o Futuro

A análise detalhada oferecida pelo Monitor de Secas é crucial para planejar e implementar estratégias de mitigação. Entender as tendências e variações ajuda governos locais e nacionais, além de organizações não governamentais, a prepararem respostas mais eficazes para combater os efeitos adversos da seca e apoiar as populações vulneráveis.

>>>> Como está a situação da seca em cada estado do Nordeste?

Estado Redução da Área com Seca Menor Área desde    Severidade da Seca          Menor Intensidade desde

Alagoas         De 58% para 50%   Novembro de 2023 (50%)  Seca moderada em 4%     Setembro de 2023 (4%)

Bahia  De 91% para 67%   Abril de 2023 (58%) Seca moderada de 35% para 27%   Agosto de 2023 (21%)

Ceará  De 76% para 43%   Agosto de 2023 (36%)       Seca moderada de 38% para 10%      Setembro de 2023 (seca fraca)

Maranhão      De 92% para 48%   Julho de 2023 (40%)         Seca moderada de 21% para 6% Setembro de 2023 (5%)

Paraíba         De 79% para 25%   Junho de 2023 (14%)        Seca moderada desapareceu  Junho de 2023 (seca fraca)

Pernambuco  De 81% para 74%   Agosto de 2023 (67%)       Seca moderada de 43% para 12%        Setembro de 2023 (seca fraca)

Piauí   De 62% para 56%   Maio de 2023 (29%) Seca grave desapareceu          Agosto de 2023 (seca moderada 9%)

Rio Grande do Norte De 63% para 1%     Julho de 2014 (monitor início)       Seca fraca constante        Mais branda do Nordeste em março

Sergipe         De 100% para 63%  Agosto de 2023 (53%)       Seca moderada em 19%   Setembro de 2023 (18%)

 

<><><> Estado do Nordeste aumenta em 140% número de açudes sangrando

 

Em 2024, os reservatórios do Ceará estão experimentando uma melhoria notável em seus níveis de água. No mês de março, o volume médio dos açudes cearenses estava em 34% e o Estado tinha 30 açudes sagrando no momento.

Com mais 30 dias de chuvas, e um total de 7,23 bilhões de metros cúbicos, as chuvas deste ano já superaram os de 2023, e o resultado é o  sangramento de 72 açudes, o que representa o melhor desempenho desde 2009.

Dois açudes, São Domingos II em Caririaçu, e Martinópole, alcançaram sua capacidade máxima, sendo que este último não registrava sangria há 15 anos.

Atualmente, o volume total de água acumulado no estado representa 54,8% da capacidade total, com 12 açudes com mais de 90% de sua capacidade. No entanto, 22 reservatórios ainda estão com menos de 30% de sua capacidade total.

Esse aumento no volume total é resultado dos bons aportes nas bacias hidrográficas do estado. As regiões do Acaraú, Coreaú, Litoral, Metropolitana, Serra da Ibiapaba, Salgado e Baixo Jaguaribe estão em uma situação muito confortável, com volumes acima de 70%, destacando-se o Baixo Jaguaribe e o Litoral, que atingiram 100% de seu armazenamento.

A região do Curu também experimentou uma recuperação significativa. No início do ano, antes do início da estação chuvosa, a bacia estava com apenas 26% de sua capacidade total. Hoje, encontra-se com 66% de suas reservas hídricas acumuladas, em uma situação confortável.

•        Em alerta

Em suma, apesar desses avanços, a realidade na bacia hidrográfica dos Sertões de Crateús contrasta com menos de 25% de sua capacidade hídrica acumulada. Outros 22 reservatórios do Ceará apresentam volumes abaixo de 30% de sua capacidade, “destacando os desafios persistentes impostos pelo clima semiárido da região, com chuvas distribuídas de forma irregular no tempo e espaço”, conforme destacou Tércio Tavares, diretor de Operações da Cogerh.

 

Fonte: ne9

 

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