terça-feira, 7 de maio de 2024

Saiba como identificar os primeiros sintomas da menopausa

A menopausa é uma etapa natural da vida da mulher e marca o fim da vida reprodutiva feminina. É a última etapa do climatério, fase de transição entre o período fértil e não reprodutivo da mulher. Um dos seus sintomas mais populares é o fogacho, também conhecido como onda de calor. Mas há outros sinais físicos e emocionais que marcam esse período.

Normalmente, a idade média para a menopausa no Brasil varia entre 45 e 55 anos. No entanto, antes disso, podem começar a ocorrer algumas alterações no ciclo menstrual da mulher, com a menstruação se tornando, inicialmente, mais curta e, posteriormente, mais espaçada, conforme explica Marise Samama, presidente da AMCR (Associação Mulher, Ciência e Reprodução Humana do Brasil), à CNN.

“A menopausa é confirmada quando há ausência de menstruação por um ano, denominando esse período como menopausa estabelecida”, explica. “As mudanças hormonais podem ser observadas em exames laboratoriais, como a redução do estradiol e aumento dos hormônios que estimulam a ovulação, afetando a capacidade ovariana”, completa.

•        Sintomas relacionados à menopausa

De acordo com Maria dos Anjos Neves Sampaio Chaves, ginecologista do Delboni, marca pertencente à Dasa, os sintomas do climatério e da menopausa podem variar de uma pessoa para outra. “Ao entrar na fase de climatério, há uma mudança hormonal e algumas mulheres vão ter mais sintomas físicos ou mais irritabilidade do que as outras”, explica.

De maneira geral, os primeiros sintomas físicos que fazem parte do climatério e que antecedem a menopausa são:

•        Alterações no ciclo menstrual (maior irregularidade);

•        Fogachos (ondas de calor);

•        Sudorese;

•        Pele seca;

•        Cabelos e unhas quebradiços;

•        Cansaço;

•        Insônia;

•        Secura vaginal;

•        Diminuição da libido.

Do ponto de vista emocional, os sintomas também variam de uma mulher para outra e podem incluir:

•        Mudanças de humor;

•        Irritabilidade;

•        Ansiedade;

•        Depressão;

•        Baixa autoestima.

“A ansiedade e a depressão podem acontecer devido às variações de humor, que vão desde tristeza até raiva. Então, quando a paciente se percebe nessa fase, ela precisa procurar um médico para que ele possa entrar com uma medicação adequada e para que a mulher enfrente essa fase de uma forma mais leve”, orienta Chaves.

•        Por que a menopausa acontece?

Quando uma mulher nasce, a quantidade de óvulos que serão liberados ao longo da vida já está definida. Essa “reserva” é usada desde a menarca (primeira menstruação) até a última (menopausa). “Com a perda de mil óvulos por mês, ao entrar no climatério, restam pouquíssimos [no corpo da mulher], resultando em ciclos menstruais irregulares, cessação da produção hormonal e sintomas relacionados à falta de estradiol, essencial para a qualidade de vida”, explica Samama.

Como vimos, geralmente, o climatério começa a acontecer entre os 45 e 55 anos, podendo vir mais tarde em algumas mulheres. No entanto, há casos em que essa transição começa mais cedo, por volta dos 40 anos. Essa condição é chamada de menopausa precoce.

“Essa condição pode acontecer por diferentes fatores, como câncer de mama, câncer de ovário, câncer de endométrio e outros cânceres que levam à falência ovariana”, esclarece Chaves. Fatores genéticos, doenças autoimunes e o tabagismo também podem estar relacionados a um início precoce do climatério e da menopausa.

•        Como aliviar os sintomas da menopausa?

O tratamento dos sintomas do climatério pode variar de acordo com as necessidades de cada paciente e, por isso, é feito de forma individual. Por exemplo, uma mulher que sofre com ressecamento vaginal pode se beneficiar da hidratação com cremes vaginais ou procedimentos feitos com laser.

“Esse ressecamento pode levar à perda de urina, ao desequilíbrio da microbiota vaginal e ao surgimento de fissuras na mucosa e na pele da região vulvar. Então, a hidratação, quando feita de forma adequada, pode oferecer uma proteção imensa contra esses sintomas”, exemplifica Chaves.

A terapia de reposição hormonal também é uma opção de tratamento. “O maior benefício da terapia hormonal ocorre nos primeiros dois anos da menopausa, sendo a aplicação transdérmica de estradiol a via mais eficaz, pois evita o metabolismo hepático e proporciona uma liberação hormonal mais constante e equilibrada”, afirma Samama.

Porém, não são todas as mulheres que podem fazer terapia hormonal. É o caso de pacientes com câncer de mama e de endométrio, mulheres com alto risco de doença cardiovascular, AVC (acidente vascular cerebral) e trombose, pessoas com doenças clínicas descompensadas, como doença hepática e renal. Nesses casos, uma alternativa é o uso de fitoterápicos, segundo Chaves.

Em alguns casos em que os sintomas são leves, o tratamento pode incluir apenas o monitoramento médico e reposição de vitaminas e medicações para melhorar o sono e reduzir a irritabilidade. “Também deve-se prestar atenção à saúde óssea, suplementando cálcio e vitamina D quando necessário”, alerta Samama.

Por fim, mas não menos importante, a prática de atividade física durante essa fase também faz parte do tratamento, além da alimentação saudável e rica em ômega-3, segundo as especialistas.

 

•        Terapia pode ser eficaz para tratar sintomas emocionais da menopausa

 

Além dos sintomas físicos, como ondas de calor, cansaço e ausência de menstruação, a menopausa também pode causar sintomas psicológicos. É o caso de dificuldade para dormir, cansaço mental, ansiedade, problemas de concentração e de memória, e mudanças de humor.

Nesse sentido, um novo estudo, publicado nesta quarta-feira (28) no Journal of Affective Disorders, descobriu que a psicoterapia e métodos de mindfulness (atenção plena) podem ser úteis no tratamento desses sintomas emocionais. O trabalho realizou uma meta-análise de 30 estudos envolvendo 3.501 mulheres que passavam pela menopausa em 14 países, incluindo Reino Unido, Estados Unidos, Irã, Austrália e China.

O objetivo era entender como pode ser feito o manejo dos sintomas emocionais da menopausa, que podem impactar no bem-estar e na qualidade de vida das mulheres.

“A maioria dos estudos sobre o manejo dos sintomas da menopausa concentra-se na terapia de reposição hormonal e nos sintomas fisiológicos. Isso restringe as opções de tratamento para mulheres que estão preocupadas com os riscos da terapia de reposição hormonal e ignora o bem-estar daquelas com sintomas não fisiológicos, como confusão mental e problemas de humor, que são altamente prevalentes”, argumenta Aimee Spector, autora principal do estudo e professora da UCL (University College London).

•        Como o estudo foi feito?

Os estudos analisados pela pesquisa atual examinaram os efeitos de diversos tipos de terapias no humor, na cognição e na qualidade de vida de mulheres na menopausa. Dez desses estudos exploraram o impacto das intervenções baseadas na TCC (Terapia Cognitiva-Comportamental), enquanto nove analisaram os efeitos das intervenções baseadas em mindfulness.

Os onze estudos restantes abrangeram Terapia de Aceitação e Compromisso, terapia em grupo, apoio conjugal, coaching de promoção de saúde e terapia emocional.

As intervenções baseadas em TCC educavam as mulheres sobre os sintomas psicológicos da menopausa, além de ensinarem estratégias cognitivas e comportamentais, técnicas de relaxamento e monitoramento dos sintomas. Já as intervenções baseadas em minfulness promoviam um foco maior nas experiências atuais das mulheres e uma compreensão sem julgamentos dos sintomas.

Os sintomas das mulheres foram monitorados através de questionários padronizados e reconhecidos internacionalmente, como o Patient Health Questionnaire PHQ-9 e o questionário GAD7. O primeiro considera fatores como falta de interesse nas atividades cotidianas, problemas de sono e mau humor, enquanto o segundo inclui a frequência em que uma pessoa se sente preocupada, nervosa ou incapaz de relaxar.

•        Quais foram os resultados do estudo?

Segundo os pesquisadores, as mulheres que passaram por terapias como a TCC e a mindfulness apresentaram melhorias estatisticamente significativas na ansiedade e na depressão, quando comparadas com aquelas que não realizavam tratamentos terapêuticos ou passavam por terapias alternativas.

Ainda segundo os resultados do estudo, a TCC e a terapia em grupo foram eficazes na redução da dificuldade de concentração e de memória. Além disso, todas as terapias psicossociais melhoraram a qualidade de vida, independentemente do tipo de abordagem.

O coautor do estudo Zishi Li afirma que a pesquisa “fornece evidências encorajadoras para apoiar o uso de intervenções psicossociais para o manejo dos sintomas não fisiológicos da menopausa”. O autor sênior, Roopal Desai, concorda: “Os médicos de clínica geral e os prestadores de cuidados de saúde muitas vezes lutam para saber o que oferecer além do tratamento médico. Esta pesquisa ajudará a dar mais opções aos médicos de família e aos pacientes”.

Os achados deste estudo estão de acordo com as diretrizes da NICE Menopause, organização do Reino Unido que oferece orientações para profissionais da saúde, atualizadas em 2023. As recomendações incluem mais opções de tratamento para os sintomas da menopausa, com evidências mostrando que a terapia cognitiva-comportamental poderia reduzir sintomas como a sudorese noturna, depressão e dificuldade para dormir.

 

Fonte: CNN Brasil

 

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