Partido Trabalhista tem grande vitória
sobre os conservadores no Reino Unido
O Partido Trabalhista,
da oposição britânica, conquistou uma cadeira parlamentar no norte da
Inglaterra e o controle de vários conselhos, infligindo derrotas pesadas aos
conservadores, que estão no poder, para aumentar a pressão sobre o
primeiro-ministro Rishi
Sunak.
A vitória esmagadora
deu o tom do que serão dois dias de resultados locais observados de perto antes
da eleição nacional deste ano, que, segundo as pesquisas, poderá colocar o
líder trabalhista Keir Starmer no poder e encerrar 14 anos de governo conservador.
Os eleitores votaram
na quinta-feira (2) para mais de 2.000 assentos em autoridades locais em toda a
Inglaterra e para algumas eleições para prefeito, inclusive na capital,
Londres.
Blackpool South foi a
única cadeira parlamentar a ser disputada depois que parlamentar conservador
deixou o cargo devido a um escândalo de lobby.
O candidato
trabalhista Chris Webb venceu a eleição em Blackpool com 10.825 votos. O
candidato conservador ficou em segundo lugar, com 3.218 votos. A mudança de 26%
para os trabalhistas em relação ao resultado de 2019 foi a terceira maior na
história das eleições parciais do pós-guerra, segundo o especialista em
pesquisas John Curtice.
A derrota em Blackpool
e os primeiros sinais de perdas profundas em nível de conselho aumentarão as
esperanças dos trabalhistas de uma vitória ampla sobre os conservadores de
Sunak na eleição nacional.
“Essa vitória sísmica
em Blackpool South é o resultado mais importante de hoje”, disse Starmer.
“Essa é a única
disputa em que os eleitores tiveram a chance de enviar uma mensagem diretamente
aos conservadores de Rishi Sunak, e essa mensagem é um voto esmagador pela
mudança.”
O presidente do
Partido Conservador disse que tinha sido “uma noite difícil”.
“Obviamente, não foi
um ótimo conjunto de resultados”, afirmou Richard Holden à Times Radio.
Os conservadores estão
cerca de 20 pontos percentuais atrás dos trabalhistas na maioria das pesquisas
de opinião para a eleição nacional, que Sunak disse que pretende convocar no
segundo semestre do ano.
O líder britânico
esperava que seu anúncio sobre o aumento dos gastos com defesa e a aprovação de
seu plano para enviar requerentes de asilo ilegais para Ruanda pudessem
conquistar os eleitores, mas as derrotas podem novamente alimentar os pedidos
para que ele renuncie.
Curtice disse que, com
base nos resultados obtidos até o momento, os conservadores podem estar
enfrentando seus piores resultados nas eleições locais em 40 anos e estão a
caminho da derrota na eleição nacional.
¨
Conservadores sofrem
revés nas eleições locais
Os conservadores
britânicos sofreram um revés nas eleições locais, que culminaram com a
reeleição, neste sábado (4), de Sadiq Khan, do Partido Trabalhista, como
prefeito de Londres e colocaram o primeiro-ministro Rishi Sunak contra as
cordas, poucos meses antes das eleições nacionais.
Khan foi amplamente
reeleito para um terceiro mandato, uma situação sem precedentes na capital
britânica.
"É a honra da
minha vida servir à cidade que amo e me sinto mais do que honrado neste
momento", disse Khan aos apoiadores após conhecer o resultado,
acrescentando que se propunha a "retribuir a confiança" dos eleitores
e trabalhar por uma capital "mais justa, segura e verde".
Os primeiros
resultados já apontavam na sexta-feira para a maior derrota dos conservadores
em 40 anos em eleições locais, eles estão no poder no Reino Unido há 14 anos.
Os trabalhistas também
venceram em outras grandes cidades como Manchester, Liverpool, Leeds ou
Sheffield, bem como na área de York e North Yorkshire, onde está a
circunscrição do primeiro-ministro.
Além das eleições para
escolher conselheiros, prefeitos e outros cargos na Inglaterra e no País de
Gales, houve uma eleição legislativa parcial, que os trabalhistas venceram,
conquistando um novo assento dos conservadores no palácio de Westminster.
Os conservadores
defendiam cerca de mil conselhos e prefeituras, dos quais perderam cerca da
metade, de acordo com os resultados destas eleições, que ocorreram na
quinta-feira.
- 'Vamos virar a
página' -
A ampla vitória dos
trabalhistas alimenta suas esperanças de ver seu líder, Keir Starmer, em
Downing Street após as eleições gerais que Rishi Sunak pretende convocar antes
do final do ano.
"Vamos virar a
página do declínio e iniciar a renovação nacional com o Partido
Trabalhista", declarou Starmer neste sábado em Mansfield, na região de
East Midlands, onde celebrou a eleição da prefeita Clare Ward.
Na disputada West
Midlands (Birmingham), o prefeito conservador Andy Street -que buscava um
terceiro mandato- foi surpreendentemente derrotado pelo trabalhista Richard
Parker.
Os conservadores têm
que se contentar com uma única vitória, a reeleição do prefeito de Tees Valley
(leste), Ben Houchen, anunciada na sexta-feira.
Rishi Sunak foi
parabenizá-lo, considerando-o um sinal de que os conservadores ainda podem
reverter a situação.
Essa vitória demonstra
que "os conservadores estão cumprindo sua promessa", declarou,
elogiando o sucesso de vários projetos econômicos e expressando sua confiança
de que os eleitores "continuarão sendo leais" nas eleições gerais.
- Londres, a cereja no
bolo -
A cereja no bolo para
os trabalhistas foi a vitória de Khan em Londres com 43,8% dos votos, frente à
conservadora Susan Hall, com 32,7%, uma margem superior à de sua primeira
reeleição contra seu rival em 2021.
Esse filho de
migrantes paquistaneses e primeiro prefeito muçulmano de Londres, de 53 anos,
no cargo desde 2016, supera assim a marca de dois mandatos à frente da capital,
que compartilhava com seu antecessor e ex-primeiro-ministro britânico Boris
Johnson.
Outro sinal
preocupante para Sunak é o surgimento do partido nacionalista e populista
Reform UK, fundado pelo pró-Brexit Nigel Farage, que ameaça tirar votos
valiosos dos conservadores nas gerais.
No entanto, o cenário
também não é perfeito para os trabalhistas, que perderam apoio em comunidades
com grande população muçulmana, em um contexto de críticas por sua posição no
conflito entre Israel e o Hamas em Gaza.
Segundo John Curtice,
professor de Ciências Políticas, os trabalhistas se beneficiaram mais do
"desejo [dos eleitores] de derrotar os conservadores" do que do
"entusiasmo" por seu partido nessas eleições, onde a participação foi
baixa (menos de 30% na maioria das circunscrições).
No entanto, "nada
nesses resultados altera a impressão, criada há muito tempo pelas pesquisas, de
que os trabalhistas estão a caminho da vitória nas próximas eleições
gerais", acrescentou em sua análise para o jornal The i.
¨ Líder de ultradireita bate em opositora na França
A visita do líder de
ultradireita Éric Zemmour a Ajaccio, capital da ilha francesa da Córsega, ficou
marcada neste sábado (4) por protestos e agressões. Nas proximidades de um
mercado, o político atingiu com um soco uma opositora após ela atirar um ovo contra
ele, segundo o jornal Le Parisien.
Vídeos mostram a
confusão e o momento da agressão. Após a mulher lançar o ovo e tentar uma
investida, mesmo sendo contida pelos presentes, Zemmour levanta a mão e a
acerta com um soco na altura da nuca.
Presidente do partido
de extrema-direita francês "Reconquête" (Reconquista, em tradução
livre), Zemmour está em campanha para disputar as eleições do Parlamento
Europeu, marcadas para 6 a 9 de junho.
Dentre os compromissos
do dia, ele teria uma reunião no Palácio do Congresso de Ajaccio.
Zemmour foi
recepcionado por cerca de 15 ativistas ligados ao Partido Comunista e por
sindicalistas da CGT (Confederação Geral do Trabalho).
Insultos e protestos,
como "fascista", "racista de merda" e "a Córsega não é
sua" foram ouvidos. O partido Reconquête afirmou que apresentará queixa
para denunciar as ofensas.
"São imbecis
violentos que pensam que irão intimidar, mas eu sou como os corsos, não me
sinto intimidado", respondeu o líder de direita, de acordo com a imprensa
local.
Não houve apenas
protestos contra o político. Alguns comerciantes e parte da população presente
no mercado receberam Zemmour de forma positiva.
Em seu perfil no X, o
líder de direita não se pronunciou sobre a suposta agressão à opositora e
agradeceu pela recepção dos apoiadores.
"Estou feliz por
estar entre vocês, aqui em Ajaccio. As intimidações não enfraquecem o seu
fervor. Obrigado!", publicou.
Candidato nas eleições
presidenciais de 2022, Zemmour foi condenado por incitar ódio racial após dizer
na televisão, em 2020, que migrantes menores de idade desacompanhados eram
"ladrões", "estupradores" e "assassinos". Ele é
uma das faces da ultradireita na Europa, que vê discursos semelhantes em vários
países.
¨ Onda de ataques contra políticos faz Alemanha lembrar passado
sombrio
O chanceler da
Alemanha, Olaf Scholz, e líderes da União
Europeia denunciaram neste sábado (4) uma onda recente de ataques contra
políticos na Alemanha, incluindo a ação que enviou um membro do Parlamento
Europeu ao hospital com ferimentos graves.
Matthias Ecke, de 41
anos, membro do Partido Social-Democrata (SPD) de Scholz, foi agredido e
chutado na sexta-feira (3) por um grupo de quatro pessoas. No momento do
ataque, o político pendurava pôsteres em Dresden, capital da Saxônia, no leste
do país, segundo a polícia. Uma fonte do SPD disse que os ferimentos exigiriam
uma cirurgia.
Pouco antes, o que
pareceu ser o mesmo grupo atacou um ativista de 28 anos do Partido Verde, que
também estava pendurando pôsteres, de acordo com a polícia, embora seus
ferimentos não tenham sido tão graves.
“A democracia é
ameaçada por esse tipo de coisa”, afirmou Scholz em uma convenção de
socialistas europeus em Berlim.
Os ataques são
exemplos de uma violência maior na Alemanha nos últimos anos, frequentemente da
extrema direita e especialmente contra políticos de esquerda. A agência de
inteligência doméstica BfV diz que o extremismo de extrema direita é a maior
ameaça à democracia da Alemanha.
O premiê da Saxônia, o
conservador Michael Kretschmer, disse que esse tipo de agressão e tentativas de
intimidação lembram o período “mais sombrio” da história da Alemanha, uma
referência ao governo nazista.
A presidente da
Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, uma ex-ministra conservadora da Alemanha, e a líder italiana
do Parlamento Europeu, Roberta Metsola, condenaram o ataque contra Ecke.
“Os culpados precisam
ser responsabilizados”, afirmou Von der Leyen no X.
A ministra do Interior
da Alemanha, Nancy Faeser, prometeu “ações duras e mais medidas de proteção” em
resposta aos ataques.
¬¬¬ Apoio
da extrema direita
Os líderes do SPD na
Saxônia, Henning Homann e Kathrin Michel, emitiram um comunicado culpando o
partido Alternativa para a Alemanha (AfD), de extrema direita, pelo crescimento
da violência.
“Essas pessoas e seus
apoiadores têm responsabilidade pelo que está acontecendo neste país”,
afirmaram.
O AfD não respondeu ao
pedido por comentários em um primeiro momento. O partido afirma que é vítima de
uma campanha da imprensa e do establishment político.
O apoio ao AfD
aumentou ao longo do último ano e levou o partido ao segundo lugar nas
pesquisas de opinião nacionais. Ele é especialmente forte nos estados do leste,
como Saxônia, Turíngia e Brandemburgo, onde as pesquisas sugerem que pode
chegar em primeiro nas eleições regionais marcadas para setembro.
Fonte: AFP/FolhaPress/CNN
Brasil

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