terça-feira, 7 de maio de 2024

Partido Trabalhista tem grande vitória sobre os conservadores no Reino Unido

O Partido Trabalhista, da oposição britânica, conquistou uma cadeira parlamentar no norte da Inglaterra e o controle de vários conselhos, infligindo derrotas pesadas aos conservadores, que estão no poder, para aumentar a pressão sobre o primeiro-ministro Rishi Sunak.

A vitória esmagadora deu o tom do que serão dois dias de resultados locais observados de perto antes da eleição nacional deste ano, que, segundo as pesquisas, poderá colocar o líder trabalhista Keir Starmer no poder e encerrar 14 anos de governo conservador.

Os eleitores votaram na quinta-feira (2) para mais de 2.000 assentos em autoridades locais em toda a Inglaterra e para algumas eleições para prefeito, inclusive na capital, Londres.

Blackpool South foi a única cadeira parlamentar a ser disputada depois que parlamentar conservador deixou o cargo devido a um escândalo de lobby.

O candidato trabalhista Chris Webb venceu a eleição em Blackpool com 10.825 votos. O candidato conservador ficou em segundo lugar, com 3.218 votos. A mudança de 26% para os trabalhistas em relação ao resultado de 2019 foi a terceira maior na história das eleições parciais do pós-guerra, segundo o especialista em pesquisas John Curtice.

A derrota em Blackpool e os primeiros sinais de perdas profundas em nível de conselho aumentarão as esperanças dos trabalhistas de uma vitória ampla sobre os conservadores de Sunak na eleição nacional.

“Essa vitória sísmica em Blackpool South é o resultado mais importante de hoje”, disse Starmer.

“Essa é a única disputa em que os eleitores tiveram a chance de enviar uma mensagem diretamente aos conservadores de Rishi Sunak, e essa mensagem é um voto esmagador pela mudança.”

O presidente do Partido Conservador disse que tinha sido “uma noite difícil”.

“Obviamente, não foi um ótimo conjunto de resultados”, afirmou Richard Holden à Times Radio.

Os conservadores estão cerca de 20 pontos percentuais atrás dos trabalhistas na maioria das pesquisas de opinião para a eleição nacional, que Sunak disse que pretende convocar no segundo semestre do ano.

O líder britânico esperava que seu anúncio sobre o aumento dos gastos com defesa e a aprovação de seu plano para enviar requerentes de asilo ilegais para Ruanda pudessem conquistar os eleitores, mas as derrotas podem novamente alimentar os pedidos para que ele renuncie.

Curtice disse que, com base nos resultados obtidos até o momento, os conservadores podem estar enfrentando seus piores resultados nas eleições locais em 40 anos e estão a caminho da derrota na eleição nacional.

¨      Conservadores sofrem revés nas eleições locais

Os conservadores britânicos sofreram um revés nas eleições locais, que culminaram com a reeleição, neste sábado (4), de Sadiq Khan, do Partido Trabalhista, como prefeito de Londres e colocaram o primeiro-ministro Rishi Sunak contra as cordas, poucos meses antes das eleições nacionais.

Khan foi amplamente reeleito para um terceiro mandato, uma situação sem precedentes na capital britânica.

"É a honra da minha vida servir à cidade que amo e me sinto mais do que honrado neste momento", disse Khan aos apoiadores após conhecer o resultado, acrescentando que se propunha a "retribuir a confiança" dos eleitores e trabalhar por uma capital "mais justa, segura e verde".

Os primeiros resultados já apontavam na sexta-feira para a maior derrota dos conservadores em 40 anos em eleições locais, eles estão no poder no Reino Unido há 14 anos.

Os trabalhistas também venceram em outras grandes cidades como Manchester, Liverpool, Leeds ou Sheffield, bem como na área de York e North Yorkshire, onde está a circunscrição do primeiro-ministro.

Além das eleições para escolher conselheiros, prefeitos e outros cargos na Inglaterra e no País de Gales, houve uma eleição legislativa parcial, que os trabalhistas venceram, conquistando um novo assento dos conservadores no palácio de Westminster.

Os conservadores defendiam cerca de mil conselhos e prefeituras, dos quais perderam cerca da metade, de acordo com os resultados destas eleições, que ocorreram na quinta-feira.

- 'Vamos virar a página' -

A ampla vitória dos trabalhistas alimenta suas esperanças de ver seu líder, Keir Starmer, em Downing Street após as eleições gerais que Rishi Sunak pretende convocar antes do final do ano.

"Vamos virar a página do declínio e iniciar a renovação nacional com o Partido Trabalhista", declarou Starmer neste sábado em Mansfield, na região de East Midlands, onde celebrou a eleição da prefeita Clare Ward.

Na disputada West Midlands (Birmingham), o prefeito conservador Andy Street -que buscava um terceiro mandato- foi surpreendentemente derrotado pelo trabalhista Richard Parker.

Os conservadores têm que se contentar com uma única vitória, a reeleição do prefeito de Tees Valley (leste), Ben Houchen, anunciada na sexta-feira.

Rishi Sunak foi parabenizá-lo, considerando-o um sinal de que os conservadores ainda podem reverter a situação.

Essa vitória demonstra que "os conservadores estão cumprindo sua promessa", declarou, elogiando o sucesso de vários projetos econômicos e expressando sua confiança de que os eleitores "continuarão sendo leais" nas eleições gerais.

- Londres, a cereja no bolo -

A cereja no bolo para os trabalhistas foi a vitória de Khan em Londres com 43,8% dos votos, frente à conservadora Susan Hall, com 32,7%, uma margem superior à de sua primeira reeleição contra seu rival em 2021.

Esse filho de migrantes paquistaneses e primeiro prefeito muçulmano de Londres, de 53 anos, no cargo desde 2016, supera assim a marca de dois mandatos à frente da capital, que compartilhava com seu antecessor e ex-primeiro-ministro britânico Boris Johnson.

Outro sinal preocupante para Sunak é o surgimento do partido nacionalista e populista Reform UK, fundado pelo pró-Brexit Nigel Farage, que ameaça tirar votos valiosos dos conservadores nas gerais.

No entanto, o cenário também não é perfeito para os trabalhistas, que perderam apoio em comunidades com grande população muçulmana, em um contexto de críticas por sua posição no conflito entre Israel e o Hamas em Gaza.

Segundo John Curtice, professor de Ciências Políticas, os trabalhistas se beneficiaram mais do "desejo [dos eleitores] de derrotar os conservadores" do que do "entusiasmo" por seu partido nessas eleições, onde a participação foi baixa (menos de 30% na maioria das circunscrições).

No entanto, "nada nesses resultados altera a impressão, criada há muito tempo pelas pesquisas, de que os trabalhistas estão a caminho da vitória nas próximas eleições gerais", acrescentou em sua análise para o jornal The i.

¨      Líder de ultradireita bate em opositora na França

A visita do líder de ultradireita Éric Zemmour a Ajaccio, capital da ilha francesa da Córsega, ficou marcada neste sábado (4) por protestos e agressões. Nas proximidades de um mercado, o político atingiu com um soco uma opositora após ela atirar um ovo contra ele, segundo o jornal Le Parisien.

Vídeos mostram a confusão e o momento da agressão. Após a mulher lançar o ovo e tentar uma investida, mesmo sendo contida pelos presentes, Zemmour levanta a mão e a acerta com um soco na altura da nuca.

Presidente do partido de extrema-direita francês "Reconquête" (Reconquista, em tradução livre), Zemmour está em campanha para disputar as eleições do Parlamento Europeu, marcadas para 6 a 9 de junho.

Dentre os compromissos do dia, ele teria uma reunião no Palácio do Congresso de Ajaccio.

Zemmour foi recepcionado por cerca de 15 ativistas ligados ao Partido Comunista e por sindicalistas da CGT (Confederação Geral do Trabalho).

Insultos e protestos, como "fascista", "racista de merda" e "a Córsega não é sua" foram ouvidos. O partido Reconquête afirmou que apresentará queixa para denunciar as ofensas.

"São imbecis violentos que pensam que irão intimidar, mas eu sou como os corsos, não me sinto intimidado", respondeu o líder de direita, de acordo com a imprensa local.

Não houve apenas protestos contra o político. Alguns comerciantes e parte da população presente no mercado receberam Zemmour de forma positiva.

Em seu perfil no X, o líder de direita não se pronunciou sobre a suposta agressão à opositora e agradeceu pela recepção dos apoiadores.

"Estou feliz por estar entre vocês, aqui em Ajaccio. As intimidações não enfraquecem o seu fervor. Obrigado!", publicou.

Candidato nas eleições presidenciais de 2022, Zemmour foi condenado por incitar ódio racial após dizer na televisão, em 2020, que migrantes menores de idade desacompanhados eram "ladrões", "estupradores" e "assassinos". Ele é uma das faces da ultradireita na Europa, que vê discursos semelhantes em vários países.

¨      Onda de ataques contra políticos faz Alemanha lembrar passado sombrio

O chanceler da Alemanha, Olaf Scholz, e líderes da União Europeia denunciaram neste sábado (4) uma onda recente de ataques contra políticos na Alemanha, incluindo a ação que enviou um membro do Parlamento Europeu ao hospital com ferimentos graves.

Matthias Ecke, de 41 anos, membro do Partido Social-Democrata (SPD) de Scholz, foi agredido e chutado na sexta-feira (3) por um grupo de quatro pessoas. No momento do ataque, o político pendurava pôsteres em Dresden, capital da Saxônia, no leste do país, segundo a polícia. Uma fonte do SPD disse que os ferimentos exigiriam uma cirurgia.

Pouco antes, o que pareceu ser o mesmo grupo atacou um ativista de 28 anos do Partido Verde, que também estava pendurando pôsteres, de acordo com a polícia, embora seus ferimentos não tenham sido tão graves.

“A democracia é ameaçada por esse tipo de coisa”, afirmou Scholz em uma convenção de socialistas europeus em Berlim.

Os ataques são exemplos de uma violência maior na Alemanha nos últimos anos, frequentemente da extrema direita e especialmente contra políticos de esquerda. A agência de inteligência doméstica BfV diz que o extremismo de extrema direita é a maior ameaça à democracia da Alemanha.

O premiê da Saxônia, o conservador Michael Kretschmer, disse que esse tipo de agressão e tentativas de intimidação lembram o período “mais sombrio” da história da Alemanha, uma referência ao governo nazista.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, uma ex-ministra conservadora da Alemanha, e a líder italiana do Parlamento Europeu, Roberta Metsola, condenaram o ataque contra Ecke.

“Os culpados precisam ser responsabilizados”, afirmou Von der Leyen no X.

A ministra do Interior da Alemanha, Nancy Faeser, prometeu “ações duras e mais medidas de proteção” em resposta aos ataques.

¬¬¬ Apoio da extrema direita

Os líderes do SPD na Saxônia, Henning Homann e Kathrin Michel, emitiram um comunicado culpando o partido Alternativa para a Alemanha (AfD), de extrema direita, pelo crescimento da violência.

“Essas pessoas e seus apoiadores têm responsabilidade pelo que está acontecendo neste país”, afirmaram.

O AfD não respondeu ao pedido por comentários em um primeiro momento. O partido afirma que é vítima de uma campanha da imprensa e do establishment político.

O apoio ao AfD aumentou ao longo do último ano e levou o partido ao segundo lugar nas pesquisas de opinião nacionais. Ele é especialmente forte nos estados do leste, como Saxônia, Turíngia e Brandemburgo, onde as pesquisas sugerem que pode chegar em primeiro nas eleições regionais marcadas para setembro.

 

Fonte: AFP/FolhaPress/CNN Brasil

 

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