terça-feira, 7 de maio de 2024

CONFLITOS: Escalada entre Israel e Irã poderia desencadear uma guerra mais ampla, alerta Moscou

O Ministério das Relações Exteriores da Rússia instou o Irã e Israel a se absterem de ações que possam aumentar as tensões no Oriente Médio.

Depois que os ataques retaliatórios do Irã quase mergulharam a região em uma guerra mais ampla em abril, Moscou manifestou preocupação de que Tel Aviv e Teerã evitassem medidas de contenção, afirmou o chefe do Departamento do Oriente Médio e Norte da África do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Aleksandr Kinschak, à Sputnik.

"O ataque aéreo israelense ao edifício do consulado iraniano em Damasco, no dia 1º de abril, poderia de fato desencadear uma guerra regional mais ampla", disse Kinschak em uma entrevista.

O Irã deu uma resposta "moderada", visando infraestruturas militares selecionadas de Israel em um ataque com drones e mísseis no dia 13 de abril, disse Kinschak. O ataque demonstrou as capacidades militares do Irã sem infligir muitos danos ao seu rival regional.

"Acreditamos que este círculo vicioso, a abordagem 'olho por olho', deve ser abandonado. Esperamos que o confronto militar acabe e que os países envolvidos não permitam que a situação se transforme em um conflito pleno", acrescentou o diplomata.

As tensões entre Israel e o mundo islâmico aumentaram depois que Israel invadiu a Faixa de Gaza em resposta ao ataque do Hamas em 7 de outubro ao Estado judeu.

Kinschak disse que o conflito em Gaza deixou de lado outros acontecimentos na região, incluindo os esforços da Rússia e do Irã para conseguir uma reaproximação entre a Síria e a Turquia.

"Infelizmente, os acontecimentos na Faixa de Gaza e fora dela continuam a afetar negativamente todos os processos na região [...]. Nestas circunstâncias, me absteria de especular sobre a possibilidade de novas reuniões a quatro", disse o diplomata.

Os ministros das Relações Exteriores da Rússia, do Irã, da Síria e da Turquia realizaram a sua primeira reunião quadrilateral em maio de 2023, concordando em elaborar um roteiro para a normalização sírio-turca. Kinschak disse que as partes interessadas vão continuar os seus esforços para normalizar as relações entre os dois vizinhos.

¨      Posição do Irã no mundo se elevou após resposta aérea contra Israel, diz presidente do país

De acordo com Ebrahim Raisi, a Operação Promessa Verdadeira, que aconteceu em 14 de abril, o primeiro ataque direto contra Israel, foi um marco na história do Irã.

Ebrahim Raisi, presidente do Irã, afirmou no domingo (5) que a retaliação aérea em abril contra Israel elevou a posição de Teerã entre as potências regionais e mundiais, cita a agência iraniana Tasnim.

Raisi saudou a Operação Promessa Verdadeira que as Forças Armadas iranianas executaram contra alvos militares israelenses como um marco na história do Irã durante uma reunião com governadores de províncias.

Para ele, a ação aumentou a força, o poder, a dignidade e a esperança do Irã, e mostrou que o país busca uma vida livre e independente.

Nas primeiras horas de 14 de abril, a Força Aeroespacial do Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica (IRGC, na sigla em inglês) lançou dezenas de mísseis e drones contra alvos militares em Israel em retaliação ao seu ataque aéreo em 1º de abril contra o consulado da embaixada do Irã em Damasco, Síria, que matou sete comandantes militares e assessores iranianos. A ação do Irã foi o primeiro ataque direto contra Israel na sua história.

Em 21 de abril, o aiatolá Ali Khamenei admirou as Forças Armadas do Irã por manifestarem o poder e a determinação do país na arena internacional durante a Operação Promessa Verdadeira.

¨      EUA suspendem a venda de armas a Israel; decisão preocupa gestão Netanyahu

Segundo o portal Axios, autoridades do governo do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, estão tentando entender por que o carregamento de armas foi retido por Washignton.

Os Estados Unidos suspenderam o fornecimento de munições a Israel pela primeira vez desde o ataque do grupo palestino Hamas a Israel em 7 de outubro. A informação foi veiculada pelo portal Axios, que citou como fonte duas autoridades israelenses não identificadas.

"Autoridades israelenses disseram que o fornecimento de munição a Israel foi interrompido na semana passada", informou o portal.

Segundo a publicação, a decisão despertou sérias preocupações dentro do governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, e autoridades vêm tentando entender por que o carregamento foi retido.

O artigo lembra que o presidente dos EUA, Joe Biden, enfrenta duras críticas dentro de seu país por conta do apoio a Israel em sua ofensiva na Faixa de Gaza. Em fevereiro, Washington pediu a Tel Aviv garantias de que as armas fornecidas pelos EUA estariam sendo utilizadas no enclave em consonância com as leis de direito internacional. Em março, o governo israelense enviou uma carta de garantias ao governo americano.

O texto também enfatiza que a gestão Biden está "altamente preocupada" com os planos de Netanyahu para lançar uma ofensiva contra a cidade de Rafah, no sul de Gaza, onde se encontram abrigados pelo menos 1,4 milhão de palestinos deslocados pela ofensiva.

Neste domingo, em discurso por ocasião do Dia em Memória ao Holocausto, Netanyahu alfinetou o governo dos EUA, sem citar nomes diretamente.

"No terrível Holocausto, houve grandes líderes mundiais que permaneceram de braços cruzados; portanto, a primeira lição do Holocausto é: se não nos defendermos, ninguém nos defenderá. E se precisarmos ficar sozinhos, ficaremos sozinhos", disse Netanyahu.

De acordo com o portal Axios, citando as duas fontes israelenses, na quarta-feira passada (1º), o secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, visitou Israel e teve uma conversa "difícil" com Netanyahu sobre a possível operação israelense em Rafah.

"Blinken disse a Netanyahu durante a reunião que uma grande operação militar em Rafah levaria os EUA a se oporem publicamente e teria um impacto negativo nas relações EUA-Israel", diz a publicação.

 

¨      Nova ameaça: Ucrânia pode entrar em inadimplência em agosto se não pagar aos credores

 

Kiev deve iniciar neste mês as negociações com os detentores de títulos estrangeiros, tendo em vista o prazo de pagamento de juros em agosto.

A Ucrânia poderá entrar em inadimplência em agosto de 2024 se as autoridades do país não chegarem a um acordo com os detentores de títulos estrangeiros sobre o pagamento de juros sobre os passivos, escreveu no sábado (4) o jornal norte-americano The Wall Street Journal (WSJ).

A Ucrânia está se preparando para iniciar as negociações com os credores em maio, e os assessores de Kiev estão trabalhando para envolver os Estados Unidos e outros governos, disse o WSJ. No entanto, a aprovação do acordo não é garantida, pois os EUA e seus aliados estariam preocupados com o fato de que o dinheiro dos contribuintes acabará nas mãos dos detentores de títulos se a Ucrânia retomar o serviço da dívida.

"Sem um acordo, a Ucrânia poderia entrar em inadimplência depois que as férias de pagamento da dívida dos detentores de títulos terminarem em agosto", disse o jornal.

A mídia destaca que uma inadimplência reduziria a atratividade da Ucrânia para os investidores e tornaria mais difícil a Kiev conseguir novos empréstimos.

Ela também relatou que um grupo de detentores de títulos estrangeiros que possuem os eurobônus em circulação da Ucrânia formou um comitê e contratou advogados e banqueiros para negociar com Kiev a retomada dos pagamentos de juros em troca do "perdão de uma parte significativa" da dívida em circulação do país.

¨      Contingente da Legião Estrangeira francesa é enviado para a Ucrânia, afirma ex-funcionário dos EUA

Contrariando afirmações anteriores de que a OTAN não tem planos operacionais para a Ucrânia, o antigo vice-subsecretário de Defesa para política dos EUA Stephen Bryen afirma que França já "tem as botas" em território ucraniano.

Meios de comunicação haviam afirmado anteriormente que a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) não tem atualmente quaisquer planos operacionais para enviar um contingente militar para a Ucrânia, embora a aliança tenha alegadamente estabelecido "as duas linhas vermelhas" para a sua intervenção direta no conflito.

"A França enviou oficialmente as suas primeiras tropas para a Ucrânia", afirmou o antigo vice-subsecretário de Defesa para política dos EUA Stephen Bryen em um artigo publicado pelo Asia Times.

Bryen escreveu ainda que as forças foram mobilizadas "em apoio à 54ª Brigada Mecanizada Independente ucraniana na cidade de Slavyansk".

Os soldados franceses teriam sido oriundos do 3º Regimento de Infantaria, um dos principais componentes da Legião Estrangeira da França. As autoridades francesas ainda não comentaram o assunto.

"Essas tropas estão sendo posicionadas diretamente em uma área de combates intensos e têm como objetivo ajudar os ucranianos a resistir aos avanços russos em Donbass. Os primeiros 100 são especialistas em artilharia e vigilância", argumentou Bryen.

Segundo ele, cerca de 1.500 soldados da Legião Estrangeira francesa devem chegar à Ucrânia em um futuro próximo.

O ex-vice-subsecretário de Defesa dos EUA se questionou "se isso ultrapassa a linha vermelha russa no envolvimento da OTAN na Ucrânia" e se "os russos verão isso como o início de uma guerra mais ampla para além das fronteiras da Ucrânia".

O jornal italiano La Repubblica informou neste domingo (5) que a OTAN — "de uma forma muito confidencial e sem comunicado oficial — estabeleceu pelo menos duas linhas vermelhas, além das quais poderia haver uma intervenção direta da aliança no conflito na Ucrânia". Ao mesmo tempo, a OTAN não planeja enviar imediatamente o seu contingente militar para a Ucrânia, segundo o jornal.

No início desta semana, o presidente francês, Emmanuel Macron, mais uma vez não descartou a possibilidade de a OTAN enviar tropas da Europa para a Ucrânia. O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, denunciou a declaração de Macron como "muito perigosa", tendo esta também sido criticada por grupos no Reino Unido, França, Hungria, Itália e Eslováquia.

¨      Ucrânia corre o risco de perder importante cidade de Donbass 'antes do verão', diz mídia

Tendo repelido com sucesso a massiva contraofensiva ucraniana no ano passado, as forças russas têm atacado com sucesso as forças de Kiev no front.

Com os militares ucranianos sofrendo uma derrota após outra, as coisas parecem bastante sombrias para o governo de Kiev.

À medida que as tropas russas continuam a obter ganhos depois de romperem as defesas ucranianas em Avdeevka, Kiev pode perder em breve o seu domínio sobre uma série de cidades importantes, afirma a Newsweek.

Segundo o meio de comunicação, a cidade de Chasov Yar, na República Popular de Donetsk (RPD), atualmente sob o controle de Kiev, poderá cair nas mãos das forças russas "antes do verão" no Hemisfério Norte.

Chasov Yar serviu como um "ponto de partida vital para as forças ucranianas e está situada em uma colina com vistas dominantes sobre a área circundante", observa o meio de comunicação, acrescentando que também serve como uma "porta de entrada" para Kramatorsk e Slavyansk, duas cidades proeminentes que a Rússia precisa garantir para finalmente expulsar as forças de Kiev de Donbass.

¨      Mídia alemã explica por que mísseis ATACMS não serão eficazes contra a Rússia

Segundo um analista alemão do Conselho Europeu de Relações Exteriores, a Rússia tem um meio de ripostar o uso do GPS pela arma usada pela Ucrânia.

Os mísseis de longo alcance ATACMS dos EUA podem ser ineficazes para a Ucrânia devido à supressão do sinal de GPS pela Rússia, de acordo com as declarações de um especialista alemão do Conselho Europeu de Relações Exteriores à mídia alemã.

"Eles [mísseis ATACMS] podem ser usados para ataques em profundidade [...]. O problema é que os mísseis usam orientação por GPS. Os russos têm meios muito eficazes de suprimir os sinais", contou Gustav Gressel à revista Der Spiegel em um artigo divulgado na sexta-feira (3).

Para melhorar a eficácia do ATACMS, ele sugeriu o uso de munições de fragmentação e que a Europa reconsidere sua participação na Convenção sobre Munições de Fragmentação.

"A única chance de atingir o alvo é com munições de fragmentação", resumiu Gressel.

Moscou acredita que as entregas de armas à Ucrânia e o treinamento de seus militares impedem um acordo e envolvem diretamente os países da OTAN no conflito, que "brincam com fogo". Sergei Lavrov, ministro das Relações Exteriores da Rússia, notou que qualquer suprimento que contenha armas para a Ucrânia seria um alvo legítimo para o Kremlin.

 

Fonte: Sputnik Brasil

 

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