segunda-feira, 6 de maio de 2024

Agamia: a nova forma de relacionamento que vem crescendo entre os jovens

Você já ouviu falar em agamia? Talvez não conheça por esse nome, mas com certeza já ouviu jovens dizerem que não querem casar ou ter filhos. Passa bem longe da cabeça deles a ideia de compromisso tradicional e tudo o que vem incluído nesse pacote. A nova geração vem passando por uma grande transformação no comportamento nas últimas décadas, com novos tipos de vínculo social.

Uma pesquisa feita pelo IBGE, referente a 2023, mostra que o número de pessoas solteiras no Brasil era de 81 milhões, em contrapartida às casadas, que somam 63 milhões. Esse novo comportamento é chamado de agamia. Essa palavra vem do grego:  “a” (não ou sem) e  “gamos” (união íntima ou casamento) e tem como base a falta de interesse de um indivíduo em firmar um relacionamento romântico com outra pessoa, o que passa também pela intenção de os casais não desejarem filhos.

A professora Heloisa Buarque de Almeida, do Departamento de Antropologia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP e pesquisadora do Numas (Núcleo de Estudos sobre Marcadores Sociais da Diferença), explica que as novas gerações buscam outras formas de relacionamentos, sem compromisso legal. O fato é que esse comportamento não é exclusivo do Brasil, outros países da América Latina também passam por essa mudança, assim como Estados Unidos e Japão.

Outro ponto observado pela antropóloga da USP  é o desejo de não querer filhos. Esses jovens estão preocupados com a  preservação do planeta, aquecimento global, sustentabilidade, entre outras questões de vanguarda. Parte dessas mudanças também está relacionada ao meio digital, através das redes sociais, o que retarda o início da vida sexual desses jovens. As novas famílias estão tendo uma nova formação, com dois pais, duas mães, casais vivendo em casas separadas, são inúmeras as alternativas de relacionamento. Em suma, houve uma mudança na leitura do que é o amor, a família e o mundo.

<><<><> Redes sociais ajudam os jovens a se interessarem mais pela participação na política

A recente campanha do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para incentivar o voto dos jovens alcançou bons resultados e o Brasil ganhou 2 milhões de eleitores entre 16 e 18 anos este ano. A doutoranda do Departamento de Ciência Política da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, Hannah Maruci Aflalo, conversa em entrevista ao Jornal da USP no Ar 1ª Edição sobre esse cenário.

Hannah enxerga que essa campanha foi necessária para mudar o sentimento de desconexão que os jovens sentiam com a política institucional. “Eles não entendiam que aquilo poderia ser uma coisa na qual eles poderiam ter influência”, constata.

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•        Os prós e contras da comunicação pelas redes

A campanha utilizou as redes sociais como um canal para atrair esse público e o uso de imagens de figuras públicas e famosas foi uma estratégia de comunicação. Para a doutoranda, é extremamente válido adaptar a forma com que essas discussões são feitas: “Não é porque a gente tem [essas discussões] em formato diferente que elas não abordam com importância o tema de política. Uma pesquisa mostrou que não é que os jovens não se interessam por política, eles se interessam pelos temas e como são tratados no TikTok, no Instagram e de formas menos constitucionais”.

Sobre a possibilidade de se discutir os temas políticos de forma profunda nas redes sociais, Hannah admite que existe um limite, mas que a internet serve principalmente para chamar a atenção dos jovens em primeiro momento. “Não dá para se bastar nas redes sociais, mas pode-se começar ali para chegar nas pessoas que não estão [nas redes]”, afirma.

Por fim, ela reflete sobre a comparação feita entre os jovens que participaram das manifestações de 2013 com os jovens de 2022, que se mobilizam, geralmente, pela internet: ”O jovem de 2013 é totalmente diferente do jovem de 2022, porque o de 2022 se tornou jovem ainda na pandemia e ir para as ruas não era uma opção. Então para ele, o on-line não é outra vida, o on-line é a vida. Ali ele está se formando e vendo as possibilidades de ação”. Ela opina que a conexão da internet com o físico será importante para as eleições deste ano.

A respeito do assunto envolvendo a participação de jovens no cenário político, o professor Antonio Euzébios Filho, em entrevista concedida ontem (10) ao Jornal da USP no Ar 1ª Edição, aborda o tema da disputa pelo voto das novas gerações em ano de eleição. Entre outros pontos, destaca que um dos tópicos mais apontados pelos jovens, especialmente por aqueles que buscam engajamento e participação política, é a esperança.

 

Fonte: Jornal da USP

 

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