sábado, 16 de dezembro de 2023

Vacina da Covid reduz risco de morte, mesmo com queda de anticorpos após 6 meses, diz estudo

As vacinas contra a Covid protegem contra hospitalização e morte e salvaram, em todo o mundo, milhares de vidas. Mesmo que a taxa de anticorpos medida no sangue apresente uma queda após seis meses —considerada natural pelos especialistas, uma vez que a imunidade humoral (de anticorpos) tem um tempo de vida mais curto no organismo—, indivíduos vacinados e, mais importante, com vacinação em dia têm em geral menor risco de morte pela doença comparado aos não vacinados.

Na comparação de risco relativo, pessoas mais velhas, com idade superior a 80 anos, têm maior risco de morte e, portanto, devem receber um esquema vacinal novo a cada seis meses, quando essa proteção tende a cair.

Estes foram os principais achados de um estudo publicado nesta quinta-feira (14) na revista Journal of the Royal Society of Medicine (publicada pela sociedade de mesmo nome).

A avaliação dos pesquisadores da divisão de Epidemiologia e Vacinas da Covid, da Agência de Saúde Nacional inglesa, é, assim, que a vacinação continuada contra Covid é uma estratégia que deve ser adotada para diferentes grupos etários.

Para avaliar a proteção das vacinas da Covid contra o risco de morte, os pesquisadores fizeram uma análise do chamado risco de caso fatal (CFR, na sigla em inglês). O cálculo desta taxa é dado pelo número de óbitos relacionados à Covid dividido pelo total de casos positivos registrados (com exames PCR) e depois cruzando os dados com a faixa etária e número de doses de vacina de cada indivíduo.

Os dados foram obtidos pelo Sistema de Notificação de Paciente de Covid da Inglaterra e as mortes relacionadas à infecção pelo coronavírus foram coletadas de três sistemas diferentes, ligados ao Sistema Nacional de Saúde britânico.

Ao final, os pesquisadores analisaram 10.616.148 casos de Covid de 28 de maio de 2020 a 28 de fevereiro de 2022, incluindo 90.542 óbitos, totalizando em um CFR geral de 0,85%. Analisando por faixa etária, os indivíduos de 18 a 29 anos tinham o menor CFR (0,01%), enquanto aqueles com 80 anos ou mais apresentavam o maior risco (16,3%).

Como a vacinação contra Covid só teve início no dia 8 de dezembro de 2020 na Inglaterra, os pesquisadores procuraram então avaliar o risco de mortalidade também relacionado ao início da imunização no país.

Enquanto no começo da pandemia a CFR era elevada, em torno de 15%, houve uma queda no verão europeu daquele mesmo ano seguida de uma subida até o início de dezembro devido à chegada da variante alfa (CFR = 9,6%).

Com o início da vacinação, os pesquisadores viram uma queda acentuada da mortalidade, chegando a um platô de 0% a 2% em maio de 2021. O grupo que apresentou a menor taxa de risco de morte foram os adultos de 50 a 59 anos (0,02%), recém-vacinados em maio de 2021, enquanto os indivíduos com mais de 80 anos tinham o maior risco em janeiro de 2021, bem no início da vacinação (30,6%).

Ainda em 2021, o risco de morte em indivíduos vacinados caiu até o final do mesmo ano, quando começaram a ser aplicadas as terceiras doses (1º reforço) das vacinas em todo o mundo. O período coincide também com a chegada da variante ômicron que, apesar de altamente transmissível e dominante em relação às demais, possui uma menor letalidade.

Segundo os autores, o aumento do risco de mortalidade no final do período estudado (fevereiro de 2022) decorre de, naquela época, indivíduos mais velhos, de mais de 70 anos, já estarem há mais de seis meses sem a nova dose, o que reforça a necessidade de imunização contínua neste grupo.

Recentemente, o Ministério da Saúde afirmou que vai manter a campanha de vacinação contra Covid anual e para grupos prioritários, que incluem os idosos e profissionais de saúde, com maior risco para óbito. A mesma política é defendida pela OMS (Organização Mundial da Saúde), com a exceção que no Brasil serão incluídas no calendário de vacinação também as crianças de seis meses a 5 anos.

O Reino Unido deve adotar a mesma estratégia de vacinação anual gratuita para a população de risco, como é feito também para a imunização contra influenza.

No estudo, os autores concluem que a comparação com aqueles não vacinados, mesmo no final do período estudado, quando houve uma queda na proteção devido ao tempo desde a última dose, pessoas com mais de 70 anos vacinadas tiveram um risco de morte significativamente menor do que aquelas da mesma faixa etária não vacinadas. Isso reforça a importância da vacinação como uma ferramenta para redução da mortalidade por Covid.

De acordo com os pesquisadores, não foi possível avaliar a queda de proteção a partir de seis meses desde a última dose, mas é esperado que haja esse chamado decaimento de imunidade, por dois motivos: 1) o tempo de circulação dos anticorpos no organismo é menor; 2) a adaptação de novas variantes em circulação às vacinas utilizadas.

Apesar disso, o estudo demonstrou como a vacinação teve um papel importante na redução das mortes por Covid, como foi visto em todo o mundo, e continua a reduzir o risco de hospitalização e óbito pelo coronavírus.

 

       Menos de 20% dos brasileiros tomaram vacina bivalente

 

Quase um ano após o início da aplicação no Brasil, a vacina bivalente contra a Covid-19 ainda tem baixa procura, com cobertura nacional apenas de 17%, segundo dados do Ministério da Saúde. As maiores taxas de vacinação estão registradas no estado de São Paulo, com 23%, seguido pelo Distrito Federal e Piauí, ambos com 20%. Por outro lado, Pará, Mato Grosso do Sul e Alagoas têm apenas 11% da população imunizada.

Atualmente, a vacina bivalente é aplicada em todos os adultos acima de 18 anos e em adolescentes acima de 12 anos com comorbidades, que são considerados grupos de risco. Ela só pode ser tomada por quem tomou pelo menos duas doses da monovalente.

As novas cepas continuam surgindo, e há muitas variantes de preocupação ou em monitoramento com o potencial de desencadear novos surtos. Uma delas, a JN.1, está se espalhando pela Europa e já causou um surto no Ceará desde que foi detectada pela primeira vez no Brasil no mês passado.

Embora a OMS afirme que essa cepa apresenta baixo risco para a saúde global, no Ceará os casos vêm aumentando desde a segunda quinzena de novembro, e 80% das amostras sequenciadas correspondem a essa variante. A cepa JN.1 já foi identificada também em São Paulo e Mato Grosso do Sul, sendo que alguns casos não tinham histórico de viagem ao exterior, sugerindo que ela já esteja em circulação no país.

Diante desse cenário, o Ministério da Saúde estabeleceu um reforço da vacina bivalente para pessoas com mais de 60 anos e para imunocomprometidos com mais de 12 anos que tenham recebido a última dose há mais de seis meses. Segundo a pasta, mesmo que a Covid-19 não apresente um comportamento sazonal, há preocupação com as festas de fim de ano e férias, períodos de grande mobilidade e aglomerações que, em anos anteriores, resultaram em ondas da doença no início do ano seguinte.

Para os especialistas, vários fatores estão por trás da baixa procura. “Com a queda do número de óbitos, as pessoas estão menos preocupadas”, observa a infectologista Emy Akiyama Gouveia, do Hospital Israelita Albert Einstein. “Também falta divulgação”, opina a especialista. A vacina não evita a doença, mas continua efetiva na prevenção das formas graves.

·        Calendário nacional de vacinação

Em 2024, a vacina bivalente será incluída no calendário nacional de vacinação paracrianças com idade acima de seis meses e menores de cinco anos. Nessa faixa etária, o esquema de vacinação contará com três doses. Aqueles que já receberam as vacinas em 2023 não precisarão repeti-las.

Além desse público, a vacina também será destinada a grupos de risco, que incluem: idosos, imunocomprometidos, gestantes e puérperas, trabalhadores de saúde, indígenas, ribeirinhos e quilombolas, pessoas com deficiência permanente, indivíduos em situação de rua, pessoas privadas de liberdade e jovens cumprindo medidas socioeducativas, além de indivíduos que vivem em instituições de longa permanência e seus trabalhadores.

Neste ano, até 25 de novembro, o Brasil registrou 1.747.130 casos e 13.936 mortes pela Covid-19.

 

Fonte: FolhaPress/A Tarde

 

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