quinta-feira, 14 de dezembro de 2023

Secult e Ipac anunciam investimento de R$ 7 milhões no Centro Histórico de Salvador

Há 38 anos, em dezembro de 1985, a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco) concedeu a chancela de ‘Patrimônio da Humanidade’ ao Centro Histórico de Salvador (CHS). A região detém o maior conjunto arquitetônico-histórico barroco de herança europeia das Américas. Para comemorar a passagem da data, a Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (Secult-BA), através do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (Ipac), anuncia a programação de investimentos na área do Centro Antigo da capital.

Conforme o secretário de Cultura do Estado, Bruno Monteiro, o investimento do Ipac ganhou uma ampliação de R$ 1,3 milhões, em 2023, para R$ 7,06 milhões em 2024. “Isso significa um aumento de 81% no investimento do orçamento próprio desta autarquia de importância primordial e cuja história está intrinsecamente ligada ao Centro Histórico de Salvador”, destaca o secretário. Segundo ele, o Ipac também foi o primeiro órgão estadual de patrimônio a ser criado no Brasil, em 1967, completando em 2023, 56 anos de fundação.

Luciana Mandelli, diretora-geral do Ipac, elenca algumas das intervenções que começam agora e se prolongarão por 2024. “Os investimentos serão aplicados em intervenções de restauro, manutenção predial e acessibilidade do Solar Ferrão”, diz Luciana. A edificação é originária do século XVII, tombada individualmente pelo Iphan como Patrimônio do Brasil e considerada uma ‘âncora’ artística e cultural do CHS.

“Outra parte desses recursos serão aplicados também na criação do ‘Centro Odé Kayodê de Referência às Matriarcas de Matriz Africana’ na casa em que nasceu Maria Stella de Azevedo Santos, Mãe Stella de Oxóssi (1925–2018), na Ladeira do Ferrão”, completa Luciana. Ela também explica que os investimentos servirão ainda para manutenção e conservação de dezenas de imóveis do Ipac na área do CHS. Constitucionalmente a região do Centro Histórico tem o uso e a ocupação do solo urbano administrado pela Prefeitura de Salvador, mas o Governo Federal criou uma poligonal de tombamento da área como ‘Patrimônio do Brasil’.

•        Patrimônio da Humanidade

A chancela de 'Patrimônio da Humanidade' da Unesco para o Centro Histórico da capital baiana foi concedida em 1985. A inscrição ratificou o tombamento do conjunto arquitetônico, paisagístico e urbanístico do CHS feito pelo Iphan/MinC, no ano anterior, em 1984. A Unesco é vinculada à Organização das Nações Unidas (ONU) e foi fundada após a 2ª Guerra Mundial.

“Ressaltamos não somente a importância do reconhecimento internacional da Unesco/ONU do CHS como Patrimônio da Humanidade, mas também a necessidade de discutir e repensar o impacto dessa chancela, os problemas que não foram resolvidos para essa importante área, dentre outras questões”, alerta Luciana. Ela acrescenta que os investimentos também serão aplicados na Igreja do Rosário dos Pretos e no Parque das Esculturas do Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM).

•        Investimento

“Os investimentos de R$ 7,05 milhões são do orçamento próprio, mas outros recursos podem ser aportados no Ipac, como as 12 propostas que já inscrevemos no novo PAC/Iphan (Novo Programa de Aceleração do Crescimento do Governo Federal) sejam aprovadas, beneficiando o Cine Jandaia, antiga Faculdade de Medicina, Museu de Arte Sacra ou as restaurações do Solar Berquó, a Casa dos Sete Candeeiros e a Igreja de São Miguel, dentre outros”, relata.

Ainda no Pelourinho, o Ipac/Secult-BA apoia a Festa de Santa Bárbara, desenvolve a política pública de ocupação de 500 unidades imobiliárias na região, além de administrar e produzir a programação das coleções artístico-culturais do Tempostal, Udo Knoff, Walter Smetak, instrumentos musicais tradicionais Emília Biancardi, Arte Sacra e Arte Africana. O Ipac está igualmente responsável pela Praça das Artes e por dois estacionamentos do Pelourinho.

O Ipac atua de forma integrada e em articulação com a sociedade e os poderes públicos municipais e federal, na salvaguarda de bens culturais tangíveis e intangíveis. No início dos anos 2000 o Instituto passou a atuar na política pública para os Museus baianos. Acesse: site ipac.ba.gov.br e redes sociais.

 

       Prefeitura inicia requalificação do Elevador Lacerda

 

Cartão-postal de Salvador e um dos meios de transporte mais emblemáticos da cidade, o Elevador Lacerda passará por obras de restauração e requalificação promovidas pela Prefeitura. O prefeito Bruno Reis assinou nesta quarta-feira (13) a ordem de serviço para o início das intervenções, cujo principal objetivo é resgatar características originais do equipamento, que vai oferecer mais conforto para os cerca de 22 mil usuários diários que o utilizam para se deslocar entre as Cidades Alta e Baixa.

O projeto, elaborado pela Fundação Mário Leal Ferreira (FMLF), prevê melhorias estruturais nos saguões que abrigam as quatro cabines dos elevadores, abrangendo desde implantação de sistema de climatização até nova pintura, iluminação, revestimentos das paredes e do piso, assim como soluções para otimizar o fluxo de passageiros. Além disso, toda a parte elétrica e mecânica do ascensor passará por manutenção.

Durante o evento de assinatura da ordem de serviço para as obras do Elevador Lacerda, os Correios lançaram o selo em homenagem aos 150 anos do monumento turístico que simboliza a importância da mobilidade urbana, assim como a riqueza cultural da capital baiana.

A emissão traz a fotografia panorâmica do Elevador Lacerda capturada do alto da cidade. Para formar a imagem, foi usado um se-tenant, isto é, quando selos diferentes unidos entre si intencionalmente formam um conjunto. O método traz o simbolismo de unir em dois selos a Cidade Alta e a Cidade Baixa, conectadas pela estrutura monumental.

“Esse talvez seja um dos principais símbolos da nossa cidade. O Elevador Lacerda completou 150 anos de existência no último dia 8 de dezembro e terá sua história ainda mais preservada. A Prefeitura vai investir R$11 milhões, em recursos próprios, em toda a restauração e recuperação do equipamento. Serão colocadas cabines climatizadas, mais modernas e mais ágeis para facilitar o deslocamento da população”, destacou Bruno Reis.

“A obra terá prazo de 10 meses, e a gente já começa as intervenções agora. Em alguns momentos, iremos alternar o funcionamento dos elevadores existentes. Caso seja necessário interditá-los, faremos que isso aconteça no menor tempo possível”, acrescentou.

Uma das novidades previstas no projeto será a liberação das varandas situadas nos espaços laterais do acesso da Cidade Alta, na Praça Municipal. Para isso, a sorveteria A Cubana, instalada no Elevador Lacerda desde o final da década de 1930 e que ainda hoje é uma referência ligada ao monumento, será realocada para o hall de acesso onde atualmente funciona o Centro de Informações ao Turista. 

Isso permitirá resgatar o caráter original de varanda aberta dos espaços laterais, ao mesmo tempo em que vai melhorar o fluxo de movimento dos usuários do elevador. Além disso, a Prefeitura também criará bilheterias próximas às entradas, tanto na Praça Municipal quanto no Comércio, onde os passageiros poderão fazer o pagamento da tarifa para embarcar no elevador. A ideia é evitar a formação de filas longas nas catracas, sobretudo nos horários de pico e em períodos de alta demanda. 

“Haverá um sistema de bilhetagem moderno que permitirá a utilização de outros meios de pagamento, inclusive o Salvador Card. Tudo isso para facilitar a vida das pessoas e modernizar realmente o equipamento”, explicou o secretário de Mobilidade (Semob), Fabrizzio Muller. Ele pontuou que não há previsão de aumento da tarifa após a conclusão das obras. O Elevador Lacerda transporta mais de 20 mil pessoas diariamente, e o valor da taxa de embarque é de R$0,15.

*Infraestrutura*

O projeto de restauração e requalificação do Elevador Lacerda envolverá ainda a atualização técnica da infraestrutura (ar-condicionado, elétrica, sistema de segurança e contra incêndio, entre outros), associada a um tratamento estético que reduza ao máximo o impacto visual e do espaço interno do ascensor.  

Dessa forma, os forros do teto serão substituídos por soluções técnicas de menor interferência, enquanto os revestimentos terão materiais de alta resistência e durabilidade. O piso das estações será em granito marrom antiderrapante.   

Já o saguão da estação Cidade Baixa terá novas clarabóias e paredes revestidas parcialmente com painéis em azulejos artesanais na cor branco. No passadiço e estação da Cidade Alta do elevador, as paredes receberão pintura acrílica na cor bege claro, além de esquadrias substituídas por um novo sistema que faz referência às composições originais de 1930, porém, agora com caixilhos de alumínio com pintura branca e venezianas móveis de vidro, que poderão ser abertas para permitir a ventilação natural.   

O nome “Lacerda”, existente desde 1930 no topo da fachada do edifício voltado para a Praça Municipal, será restaurado e adequadamente iluminado. Na Cidade Baixa, por sua vez, serão criados novos gradis metálicos sobre as três portas de acesso, com as palavras “Entrada”, “Lacerda” e “Saída”.

Esses gradis adotam uma linguagem leve que faz referência aos mesmos materiais instalados em 1930, apresentando uma tipografia que emula aquela utilizada na arquitetura déco. Todas as intervenções estruturais serão executadas pela Superintendência de Obras Públicas (Sucop).

“O que a Prefeitura está fazendo, na verdade, é recuperar características e arquitetura originais do elevador, quando ele foi ampliado em 1930. Tivemos que fazer um estudo da história deste monumento, analisar como ele foi pensado. Nos debruçamos sobre todas as documentações desde a construção de 1873 até hoje. Fizemos um estudo detalhado de toda a história do Lacerda para poder traçar o melhor projeto”, declarou Tânia Scofield, presidente da FMLF.

*História*

Com 150 anos de existência, o Elevador Lacerda possui 72 metros de altura e chega a transportar passageiros num percurso que dura cerca de 20 segundos. O equipamento foi inaugurado em 8 de dezembro de 1873, dia da padroeira da Bahia, Nossa Senhora da Conceição - por esse motivo, inicialmente ele era chamado de Elevador Hidráulico da Conceição. 

Foi o primeiro elevador público e também o mais alto do mundo. Inicialmente, ele funcionava por um sistema hidráulico. Em 1896, passou a ser chamado oficialmente de Elevador Lacerda, em homenagem ao seu idealizador, Antônio Lacerda, sendo eletrificado em 1906. 

Essas e outras mudanças foram introduzidas ao longo de sua história após cinco grandes reformas e revisões. Em 1930, o ascensor passou por uma modernização para a ampliação da altura (de 63 metros para os atuais 72 metros), ganhando uma nova torre e incremento do número de cabines, seguindo um padrão arquitetônico de art déco.  

O Elevador Lacerda é patrimônio histórico tombado pelo Iphan desde 2006.

 

Fonte: Tribuna da Bahia

 

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