Secult e Ipac anunciam investimento de R$ 7 milhões no Centro Histórico
de Salvador
Há 38 anos, em dezembro de 1985, a Organização das
Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco) concedeu a chancela
de ‘Patrimônio da Humanidade’ ao Centro Histórico de Salvador (CHS). A região
detém o maior conjunto arquitetônico-histórico barroco de herança europeia das
Américas. Para comemorar a passagem da data, a Secretaria de Cultura do Estado
da Bahia (Secult-BA), através do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural
(Ipac), anuncia a programação de investimentos na área do Centro Antigo da
capital.
Conforme o secretário de Cultura do Estado, Bruno
Monteiro, o investimento do Ipac ganhou uma ampliação de R$ 1,3 milhões, em
2023, para R$ 7,06 milhões em 2024. “Isso significa um aumento de 81% no
investimento do orçamento próprio desta autarquia de importância primordial e
cuja história está intrinsecamente ligada ao Centro Histórico de Salvador”,
destaca o secretário. Segundo ele, o Ipac também foi o primeiro órgão estadual
de patrimônio a ser criado no Brasil, em 1967, completando em 2023, 56 anos de
fundação.
Luciana Mandelli, diretora-geral do Ipac, elenca
algumas das intervenções que começam agora e se prolongarão por 2024. “Os
investimentos serão aplicados em intervenções de restauro, manutenção predial e
acessibilidade do Solar Ferrão”, diz Luciana. A edificação é originária do
século XVII, tombada individualmente pelo Iphan como Patrimônio do Brasil e
considerada uma ‘âncora’ artística e cultural do CHS.
“Outra parte desses recursos serão aplicados também
na criação do ‘Centro Odé Kayodê de Referência às Matriarcas de Matriz
Africana’ na casa em que nasceu Maria Stella de Azevedo Santos, Mãe Stella de
Oxóssi (1925–2018), na Ladeira do Ferrão”, completa Luciana. Ela também explica
que os investimentos servirão ainda para manutenção e conservação de dezenas de
imóveis do Ipac na área do CHS. Constitucionalmente a região do Centro
Histórico tem o uso e a ocupação do solo urbano administrado pela Prefeitura de
Salvador, mas o Governo Federal criou uma poligonal de tombamento da área como
‘Patrimônio do Brasil’.
• Patrimônio
da Humanidade
A chancela de 'Patrimônio da Humanidade' da Unesco
para o Centro Histórico da capital baiana foi concedida em 1985. A inscrição
ratificou o tombamento do conjunto arquitetônico, paisagístico e urbanístico do
CHS feito pelo Iphan/MinC, no ano anterior, em 1984. A Unesco é vinculada à
Organização das Nações Unidas (ONU) e foi fundada após a 2ª Guerra Mundial.
“Ressaltamos não somente a importância do
reconhecimento internacional da Unesco/ONU do CHS como Patrimônio da
Humanidade, mas também a necessidade de discutir e repensar o impacto dessa
chancela, os problemas que não foram resolvidos para essa importante área,
dentre outras questões”, alerta Luciana. Ela acrescenta que os investimentos
também serão aplicados na Igreja do Rosário dos Pretos e no Parque das
Esculturas do Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM).
• Investimento
“Os investimentos de R$ 7,05 milhões são do
orçamento próprio, mas outros recursos podem ser aportados no Ipac, como as 12
propostas que já inscrevemos no novo PAC/Iphan (Novo Programa de Aceleração do
Crescimento do Governo Federal) sejam aprovadas, beneficiando o Cine Jandaia,
antiga Faculdade de Medicina, Museu de Arte Sacra ou as restaurações do Solar
Berquó, a Casa dos Sete Candeeiros e a Igreja de São Miguel, dentre outros”,
relata.
Ainda no Pelourinho, o Ipac/Secult-BA apoia a Festa
de Santa Bárbara, desenvolve a política pública de ocupação de 500 unidades
imobiliárias na região, além de administrar e produzir a programação das
coleções artístico-culturais do Tempostal, Udo Knoff, Walter Smetak,
instrumentos musicais tradicionais Emília Biancardi, Arte Sacra e Arte
Africana. O Ipac está igualmente responsável pela Praça das Artes e por dois
estacionamentos do Pelourinho.
O Ipac atua de forma integrada e em articulação com
a sociedade e os poderes públicos municipais e federal, na salvaguarda de bens
culturais tangíveis e intangíveis. No início dos anos 2000 o Instituto passou a
atuar na política pública para os Museus baianos. Acesse: site ipac.ba.gov.br e
redes sociais.
Prefeitura
inicia requalificação do Elevador Lacerda
Cartão-postal de Salvador e um dos meios de
transporte mais emblemáticos da cidade, o Elevador Lacerda passará por obras de
restauração e requalificação promovidas pela Prefeitura. O prefeito Bruno Reis
assinou nesta quarta-feira (13) a ordem de serviço para o início das
intervenções, cujo principal objetivo é resgatar características originais do
equipamento, que vai oferecer mais conforto para os cerca de 22 mil usuários
diários que o utilizam para se deslocar entre as Cidades Alta e Baixa.
O projeto, elaborado pela Fundação Mário Leal
Ferreira (FMLF), prevê melhorias estruturais nos saguões que abrigam as quatro
cabines dos elevadores, abrangendo desde implantação de sistema de climatização
até nova pintura, iluminação, revestimentos das paredes e do piso, assim como
soluções para otimizar o fluxo de passageiros. Além disso, toda a parte
elétrica e mecânica do ascensor passará por manutenção.
Durante o evento de assinatura da ordem de serviço
para as obras do Elevador Lacerda, os Correios lançaram o selo em homenagem aos
150 anos do monumento turístico que simboliza a importância da mobilidade
urbana, assim como a riqueza cultural da capital baiana.
A emissão traz a fotografia panorâmica do Elevador
Lacerda capturada do alto da cidade. Para formar a imagem, foi usado um
se-tenant, isto é, quando selos diferentes unidos entre si intencionalmente
formam um conjunto. O método traz o simbolismo de unir em dois selos a Cidade
Alta e a Cidade Baixa, conectadas pela estrutura monumental.
“Esse talvez seja um dos principais símbolos da
nossa cidade. O Elevador Lacerda completou 150 anos de existência no último dia
8 de dezembro e terá sua história ainda mais preservada. A Prefeitura vai
investir R$11 milhões, em recursos próprios, em toda a restauração e
recuperação do equipamento. Serão colocadas cabines climatizadas, mais modernas
e mais ágeis para facilitar o deslocamento da população”, destacou Bruno Reis.
“A obra terá prazo de 10 meses, e a gente já começa
as intervenções agora. Em alguns momentos, iremos alternar o funcionamento dos
elevadores existentes. Caso seja necessário interditá-los, faremos que isso
aconteça no menor tempo possível”, acrescentou.
Uma das novidades previstas no projeto será a
liberação das varandas situadas nos espaços laterais do acesso da Cidade Alta,
na Praça Municipal. Para isso, a sorveteria A Cubana, instalada no Elevador
Lacerda desde o final da década de 1930 e que ainda hoje é uma referência
ligada ao monumento, será realocada para o hall de acesso onde atualmente
funciona o Centro de Informações ao Turista.
Isso permitirá resgatar o caráter original de
varanda aberta dos espaços laterais, ao mesmo tempo em que vai melhorar o fluxo
de movimento dos usuários do elevador. Além disso, a Prefeitura também criará
bilheterias próximas às entradas, tanto na Praça Municipal quanto no Comércio,
onde os passageiros poderão fazer o pagamento da tarifa para embarcar no
elevador. A ideia é evitar a formação de filas longas nas catracas, sobretudo
nos horários de pico e em períodos de alta demanda.
“Haverá um sistema de bilhetagem moderno que
permitirá a utilização de outros meios de pagamento, inclusive o Salvador Card.
Tudo isso para facilitar a vida das pessoas e modernizar realmente o
equipamento”, explicou o secretário de Mobilidade (Semob), Fabrizzio Muller.
Ele pontuou que não há previsão de aumento da tarifa após a conclusão das
obras. O Elevador Lacerda transporta mais de 20 mil pessoas diariamente, e o
valor da taxa de embarque é de R$0,15.
*Infraestrutura*
O projeto de restauração e requalificação do
Elevador Lacerda envolverá ainda a atualização técnica da infraestrutura
(ar-condicionado, elétrica, sistema de segurança e contra incêndio, entre
outros), associada a um tratamento estético que reduza ao máximo o impacto
visual e do espaço interno do ascensor.
Dessa forma, os forros do teto serão substituídos
por soluções técnicas de menor interferência, enquanto os revestimentos terão
materiais de alta resistência e durabilidade. O piso das estações será em
granito marrom antiderrapante.
Já o saguão da estação Cidade Baixa terá novas
clarabóias e paredes revestidas parcialmente com painéis em azulejos artesanais
na cor branco. No passadiço e estação da Cidade Alta do elevador, as paredes
receberão pintura acrílica na cor bege claro, além de esquadrias substituídas
por um novo sistema que faz referência às composições originais de 1930, porém,
agora com caixilhos de alumínio com pintura branca e venezianas móveis de
vidro, que poderão ser abertas para permitir a ventilação natural.
O nome “Lacerda”, existente desde 1930 no topo da
fachada do edifício voltado para a Praça Municipal, será restaurado e
adequadamente iluminado. Na Cidade Baixa, por sua vez, serão criados novos
gradis metálicos sobre as três portas de acesso, com as palavras “Entrada”,
“Lacerda” e “Saída”.
Esses gradis adotam uma linguagem leve que faz
referência aos mesmos materiais instalados em 1930, apresentando uma tipografia
que emula aquela utilizada na arquitetura déco. Todas as intervenções
estruturais serão executadas pela Superintendência de Obras Públicas (Sucop).
“O que a Prefeitura está fazendo, na verdade, é
recuperar características e arquitetura originais do elevador, quando ele foi
ampliado em 1930. Tivemos que fazer um estudo da história deste monumento,
analisar como ele foi pensado. Nos debruçamos sobre todas as documentações
desde a construção de 1873 até hoje. Fizemos um estudo detalhado de toda a
história do Lacerda para poder traçar o melhor projeto”, declarou Tânia
Scofield, presidente da FMLF.
*História*
Com 150 anos de existência, o Elevador Lacerda
possui 72 metros de altura e chega a transportar passageiros num percurso que
dura cerca de 20 segundos. O equipamento foi inaugurado em 8 de dezembro de
1873, dia da padroeira da Bahia, Nossa Senhora da Conceição - por esse motivo,
inicialmente ele era chamado de Elevador Hidráulico da Conceição.
Foi o primeiro elevador público e também o mais
alto do mundo. Inicialmente, ele funcionava por um sistema hidráulico. Em 1896,
passou a ser chamado oficialmente de Elevador Lacerda, em homenagem ao seu
idealizador, Antônio Lacerda, sendo eletrificado em 1906.
Essas e outras mudanças foram introduzidas ao longo
de sua história após cinco grandes reformas e revisões. Em 1930, o ascensor
passou por uma modernização para a ampliação da altura (de 63 metros para os
atuais 72 metros), ganhando uma nova torre e incremento do número de cabines,
seguindo um padrão arquitetônico de art déco.
O Elevador Lacerda é patrimônio histórico tombado
pelo Iphan desde 2006.
Fonte: Tribuna da Bahia

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