Enxotado de foto na posse de Milei: Relembre papelões históricos de
Bolsonaro
Na ensolarada tarde de domingo (10) em Buenos
Aires, na Argentina, logo após Javier Milei fazer seu desalentador discurso de
posse, os chefes de Estado presentes à cerimônia começaram a se perfilar para
serem fotografados ao lado do novo presidente argentino. Tudo normal para uma
cerimônia do tipo, envolvendo chefes de Estado, não fosse o intruso brasileiro
se esgueirando a fim de infiltrar-se no registro histórico. Sim, Jair Bolsonaro
(PL) levantou-se como se ainda tivesse algum cargo e simplesmente se posicionou
para sair no retrato oficial com os líderes da região. Um vexame de dimensões
globais, para além da falta de dignidade política do sujeito.
Neste momento, os presidentes Luis Lacalle Pou, do
Uruguai, Santiago Peña, do Paraguai, Gabriel Boric, do Chile, e Daniel Noboa,
do Equador, que estavam presentes e apareceriam na foto, tiveram que tomar uma
atitude, e não permitiram a travessura de Jair. De acordo com nota publicada na
Folha, o quarteto bateu o pé e repreendeu a atitude do brasileiro.
Obviamente, para estes chefes de Estado vizinhos,
independentemente de suas posições ideológicas, a presença de Bolsonaro na foto
seria uma afronta ao Brasil, uma vez que o político de extrema direita, além de
não ser o atual chefe de Estado brasileiro, é um adversário interno de Lula, o
atual presidente, que não compareceu ao evento (enviou o chanceler Mauro
Vieira).
Mas este não foi o único papelão estrondoso de
Bolsonaro em situações públicas de repercussão mundial. Acostumado a se
portar como um moleque sem educação, o bufão já protagonizou outras cenas de
envergonhar todo o país. Relembre alguns desses episódios.
·
Bolsonaro chama presidente sul-africano de “Cirilo
Raposa”
Em gafe primária, durante uma reunião virtual do
Brics, o grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, em
2022, o então presidente brasileiro saudou os homólogos presentes e chamou ao
presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, de “Cirilo Raposa”.
·
Proibido de entrar em qualquer estabelecimento em
NY
Após entrar pelos fundos do Hotel Intercontinental,
onde a comitiva brasileira se hospedava antes da Assembleia Geral da ONU de
2021, Jair Bolsonaro comeu pizza com coca-cola na rua em Nova York, para
driblar a exigência de vacinação na entrada em restaurantes. Em foto divulgada
pelo ministro do Turismo à época, Gilson Machado, o presidente segura um pedaço
de pizza sem aparentemente carregar máscara.
·
Humilhado e zoado pelo premiê britânico
Numa reunião com o primeiro-ministro britânico
Boris Johnson, em Nova York, também em 2021, numa agenda paralela à Assembleia
Geral da ONU, imagens captadas pela Reuters mostram o líder europeu
recomendando a vacina da AstraZeneca/Oxford, também produzida no Brasil pela
Fiocruz, ao lado de Bolsonaro, um crítico contumaz da imunização.
“É uma ótima vacina. Obrigado, pessoal. Tomem
vacinas da AstraZeneca!”, diz Johnson, para constrangimento total do
negacionista brasileiro.
·
Ofensas à esposa do presidente francês nas redes
sociais
Como um moleque, Jair Bolsonaro insultou a esposa
do presidente Emmanuel Macron, da França, numa publicação feita por um seguidor
nas redes sociais. Uma pessoa postou a foto do francês com a companheira e logo
abaixo a de Bolsonaro com sua mulher, Michelle. Na legenda “Entende agora por
que Macron persegue Bolsonaro?”, dando a entender que a esposa do segundo era
muito mais bonita que a do primeiro. Bolsonaro não só reagiu com uma
gargalhada, como respondeu com “não humilha, cara”.
Ø Alex
Solnik: Bolsonaro não poderá mais chamar Lula de ladrão
Por que será que Bolsonaro está criticando a
decisão do STF a respeito de punir meios de comunicação por declarações de
entrevistados? Por que é amigo da imprensa? Por que é contra a censura? Por que
é, no fundo, um democrata?
Claro que não.
Ele não gostou da decisão do STF porque a partir de
agora os meios de comunicação vão pensar duas vezes antes de publicar
declarações em que ele ou seus aliados acusarem adversários políticos por
crimes que não cometeram. Porque eles poderão exigir indenização dos veículos.
Atribuir crimes aos inimigos políticos, sem jamais
apresentar provas, a fim de desmoralizá-los é o que Bolsonaro tem feito ao
longo de sua vida política. É a razão de ser do bolsonarismo.
Agora não mais.
Os adversários de Bolsonaro não poderão mais
chamá-lo de genocida, nem ele poderá chamar Lula de ladrão.
Ø Deputado
bolsonarista ataca governo Lula por ações contra o trabalho escravo em SC
Em vídeo nas redes sociais, o deputado
federal Rafael Pezenti (MDB-SC), aliado contumaz de Jair Bolsonaro
(PL), atacou uma operação conjunta liderada pelo Ministério do Trabalho e
Emprego, Ministério Público do Trabalho, Ministério Público Federal, Polícia
Federal, Polícia Rodoviária Federal e Defensoria Pública da União. A ação
resultou no resgate de 17 trabalhadores que se encontravam
em condições análogas às de escravidão em uma lavoura de cebola em
Ituporanga, Santa
Catarina, incluindo um menor de idade.
Pezenti, em suas declarações, sugeriu que a
ação serve para arrecadar recursos a fim de bancar as "viagens
internacionais para Lula e Janja fazerem lua de mel" e "pagar o
enxoval renovado com algodão egípcio do Palácio do Planalto".
No entanto, o Ministério do Trabalho negou
veementemente qualquer acordo nesse sentido, esclarecendo que a legislação
trabalhista brasileira não prevê benefícios desse tipo em casos de
trabalho escravo. Pezenti, que pertence a um partido com três ministérios
no governo, afirmou que o objetivo da operação de fiscalização de trabalho
escravo "é tirar dinheiro de quem não tem para bancar o luxo de quem
já tem demais". Ele chamou a operação de resgate de escravizados de "perseguição".
"A safra já vai ser fraca, chuva acabou com
boa parte da produção, muita gente sem poder acessar o Proagro [seguro
agrícola], os agricultores endividados, a maioria dos bancos pedindo
renegociação e o governo manda uma tropa de choque para espalhar o
terror", afirmou no vídeo.
O deputado também
disse que "muita gente, depois dessa safra, vai parar de plantar
cebola, e quem não parar vai diminuir produção para não precisar mais
contratar mão-de-obra".
Em relação à legalidade da operação,
Pezenti equivocadamente invocou o artigo 5º da Constituição
Federal sobre a inviolabilidade da propriedade privada. No entanto, a
legislação permite a fiscalização trabalhista mesmo sem autorização do
proprietário, especialmente em casos de flagrante delito, como trabalho
escravo.
Apesar das críticas do deputado, a operação resultou
no resgate dos trabalhadores em condições degradantes, e medidas
foram tomadas para garantir seus direitos, incluindo o pagamento de
salários e verbas rescisórias, inclusão
no seguro-desemprego especial para vítimas de
escravidão e compensação financeira devido a um Termo de Ajustamento
de Conduta (TAC) firmado entre o Ministério Público do Trabalho e a
Defensoria Pública da União com o empregador. Este caso destaca a persistência
do trabalho escravo contemporâneo no Brasil, com mais de 61,7 mil trabalhadores
resgatados desde 1995, sendo a pecuária bovina apontada como
a principal atividade econômica envolvida nessas práticas, segundo o
Painel de Informações e Estatísticas da Inspeção do Trabalho no Brasil.
Os trabalhadores foram
encontrados em condições precárias de alojamento, sem condições
de higiene e segurança. Alguns deles dormiam em um barracão utilizado
para armazenar cebola, descrevendo as condições como semelhantes a um
chiqueiro devido ao odor insuportável. Além disso, não havia
camas, e o local estava sujeito a insetos, vento e chuva. A água
fornecida não era adequada para consumo, não havia local para almoço, e os
trabalhadores não tinham equipamentos de proteção individual. Nenhum
deles possuía carteira de
trabalho assinada.
Fonte: Fórum/Brasil 247

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