quinta-feira, 14 de dezembro de 2023

Enxotado de foto na posse de Milei: Relembre papelões históricos de Bolsonaro

Na ensolarada tarde de domingo (10) em Buenos Aires, na Argentina, logo após Javier Milei fazer seu desalentador discurso de posse, os chefes de Estado presentes à cerimônia começaram a se perfilar para serem fotografados ao lado do novo presidente argentino. Tudo normal para uma cerimônia do tipo, envolvendo chefes de Estado, não fosse o intruso brasileiro se esgueirando a fim de infiltrar-se no registro histórico. Sim, Jair Bolsonaro (PL) levantou-se como se ainda tivesse algum cargo e simplesmente se posicionou para sair no retrato oficial com os líderes da região. Um vexame de dimensões globais, para além da falta de dignidade política do sujeito.

Neste momento, os presidentes Luis Lacalle Pou, do Uruguai, Santiago Peña, do Paraguai, Gabriel Boric, do Chile, e Daniel Noboa, do Equador, que estavam presentes e apareceriam na foto, tiveram que tomar uma atitude, e não permitiram a travessura de Jair. De acordo com nota publicada na Folha, o quarteto bateu o pé e repreendeu a atitude do brasileiro.

Obviamente, para estes chefes de Estado vizinhos, independentemente de suas posições ideológicas, a presença de Bolsonaro na foto seria uma afronta ao Brasil, uma vez que o político de extrema direita, além de não ser o atual chefe de Estado brasileiro, é um adversário interno de Lula, o atual presidente, que não compareceu ao evento (enviou o chanceler Mauro Vieira).

Mas este não foi o único papelão estrondoso de Bolsonaro em situações públicas de repercussão mundial. Acostumado a se portar como um moleque sem educação, o bufão já protagonizou outras cenas de envergonhar todo o país. Relembre alguns desses episódios.

·        Bolsonaro chama presidente sul-africano de “Cirilo Raposa”

Em gafe primária, durante uma reunião virtual do Brics, o grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, em 2022, o então presidente brasileiro saudou os homólogos presentes e chamou ao presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, de “Cirilo Raposa”.

·        Proibido de entrar em qualquer estabelecimento em NY

Após entrar pelos fundos do Hotel Intercontinental, onde a comitiva brasileira se hospedava antes da Assembleia Geral da ONU de 2021, Jair Bolsonaro comeu pizza com coca-cola na rua em Nova York, para driblar a exigência de vacinação na entrada em restaurantes. Em foto divulgada pelo ministro do Turismo à época, Gilson Machado, o presidente segura um pedaço de pizza sem aparentemente carregar máscara.

·        Humilhado e zoado pelo premiê britânico

Numa reunião com o primeiro-ministro britânico Boris Johnson, em Nova York, também em 2021, numa agenda paralela à Assembleia Geral da ONU, imagens captadas pela Reuters mostram o líder europeu recomendando a vacina da AstraZeneca/Oxford, também produzida no Brasil pela Fiocruz, ao lado de Bolsonaro, um crítico contumaz da imunização.

“É uma ótima vacina. Obrigado, pessoal. Tomem vacinas da AstraZeneca!”, diz Johnson, para constrangimento total do negacionista brasileiro.

·        Ofensas à esposa do presidente francês nas redes sociais

Como um moleque, Jair Bolsonaro insultou a esposa do presidente Emmanuel Macron, da França, numa publicação feita por um seguidor nas redes sociais. Uma pessoa postou a foto do francês com a companheira e logo abaixo a de Bolsonaro com sua mulher, Michelle. Na legenda “Entende agora por que Macron persegue Bolsonaro?”, dando a entender que a esposa do segundo era muito mais bonita que a do primeiro. Bolsonaro não só reagiu com uma gargalhada, como respondeu com “não humilha, cara”.

 

Ø  Alex Solnik: Bolsonaro não poderá mais chamar Lula de ladrão

 

Por que será que Bolsonaro está criticando a decisão do STF a respeito de punir meios de comunicação por declarações de entrevistados? Por que é amigo da imprensa? Por que é contra a censura? Por que é, no fundo, um democrata?

Claro que não.

Ele não gostou da decisão do STF porque a partir de agora os meios de comunicação vão pensar duas vezes antes de publicar declarações em que ele ou seus aliados acusarem adversários políticos por crimes que não cometeram. Porque eles poderão exigir indenização dos veículos.

Atribuir crimes aos inimigos políticos, sem jamais apresentar provas, a fim de desmoralizá-los é o que Bolsonaro tem feito ao longo de sua vida política. É a razão de ser do bolsonarismo.

Agora não mais.

Os adversários de Bolsonaro não poderão mais chamá-lo de genocida, nem ele poderá chamar Lula de ladrão.

 

Ø  Deputado bolsonarista ataca governo Lula por ações contra o trabalho escravo em SC

 

Em vídeo nas redes sociais, o deputado federal Rafael Pezenti (MDB-SC), aliado contumaz de Jair Bolsonaro (PL), atacou uma operação conjunta liderada pelo Ministério do Trabalho e Emprego, Ministério Público do Trabalho, Ministério Público Federal, Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal e Defensoria Pública da União. A ação resultou no resgate de 17 trabalhadores que se encontravam em condições análogas às de escravidão em uma lavoura de cebola em Ituporanga, Santa Catarina, incluindo um menor de idade.

Pezenti, em suas declarações, sugeriu que a ação serve para arrecadar recursos a fim de bancar as "viagens internacionais para Lula e Janja fazerem lua de mel" e "pagar o enxoval renovado com algodão egípcio do Palácio do Planalto".

No entanto, o Ministério do Trabalho negou veementemente qualquer acordo nesse sentido, esclarecendo que a legislação trabalhista brasileira não prevê benefícios desse tipo em casos de trabalho escravo. Pezenti, que pertence a um partido com três ministérios no governo, afirmou que o objetivo da operação de fiscalização de trabalho escravo "é tirar dinheiro de quem não tem para bancar o luxo de quem já tem demais". Ele chamou a operação de resgate de escravizados de "perseguição".

"A safra já vai ser fraca, chuva acabou com boa parte da produção, muita gente sem poder acessar o Proagro [seguro agrícola], os agricultores endividados, a maioria dos bancos pedindo renegociação e o governo manda uma tropa de choque para espalhar o terror", afirmou no vídeo.

deputado também disse que "muita gente, depois dessa safra, vai parar de plantar cebola, e quem não parar vai diminuir produção para não precisar mais contratar mão-de-obra".

Em relação à legalidade da operação, Pezenti equivocadamente invocou o artigo 5º da Constituição Federal sobre a inviolabilidade da propriedade privada. No entanto, a legislação permite a fiscalização trabalhista mesmo sem autorização do proprietário, especialmente em casos de flagrante delito, como trabalho escravo.

Apesar das críticas do deputado, a operação resultou no resgate dos trabalhadores em condições degradantes, e medidas foram tomadas para garantir seus direitos, incluindo o pagamento de salários e verbas rescisórias, inclusão no seguro-desemprego especial para vítimas de escravidão e compensação financeira devido a um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado entre o Ministério Público do Trabalho e a Defensoria Pública da União com o empregador. Este caso destaca a persistência do trabalho escravo contemporâneo no Brasil, com mais de 61,7 mil trabalhadores resgatados desde 1995, sendo a pecuária bovina apontada como a principal atividade econômica envolvida nessas práticas, segundo o Painel de Informações e Estatísticas da Inspeção do Trabalho no Brasil.

Os trabalhadores foram encontrados em condições precárias de alojamento, sem condições de higiene e segurança. Alguns deles dormiam em um barracão utilizado para armazenar cebola, descrevendo as condições como semelhantes a um chiqueiro devido ao odor insuportável. Além disso, não havia camas, e o local estava sujeito a insetos, vento e chuva. A água fornecida não era adequada para consumo, não havia local para almoço, e os trabalhadores não tinham equipamentos de proteção individual. Nenhum deles possuía carteira de trabalho assinada.

 

Fonte: Fórum/Brasil 247

 

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