domingo, 24 de dezembro de 2023

Paulo Henrique Arantes: Bolsonaristas neste Natal

A despeito da queda do juro básico lenta demais, os dados da economia em 2023 são alvissareiros, com inflação baixa e controlada, desemprego baixo e aparentemente em queda, crescimento estimado do PIB de 3%. A elevação do rating pelas agências de risco também é boa notícia, a refletir o esforço do ministro Fernando Haddad para mostrar que o governo não torrará dinheiro – claro que, muitas vezes, “torrar dinheiro” é como a finança se refere à disposição de investir com vistas à melhoria de vida das pessoas, mas acreditemos que Haddad comporte-se estrategicamente.

A volta da condução econômica ao patamar da seriedade já seria uma grande conquista. Porém, a vitória maior do Brasil é ter retomado sua posição entre os países responsáveis ecológica e politicamente. Estamos longe de superar um punhado enorme de mazelas, mas contamos com gente bem intencionada no leme. E o mundo enxerga isso, basta verificar como Lula é recebido mundo afora, imediatamente após a defenestração daquele que se tornou piada internacional e que legou ao país a condição de pária. Se Deus ou o acaso geográfico nos deram a Amazônia, tínhamos obrigação de tirá-la das mãos de garimpeiros e traficantes de madeira – e o mundo civilizado aplaude a evolução brasileira.

A representatividade que a subida da rampa na posse do presidente Lula sugeriu anda meio frustrada, é verdade. A gratidão a Cristiano Zanin e o reconhecimento do brilho de Flávio Dino não deveriam se sobrepor à necessidade histórica de mais presença feminina no Supremo Tribunal Federal, especialmente a presença de mulheres negras, por tudo que a corte simboliza para a democracia brasileira.

De todo modo, o Estado brasileiro readquiriu seu caráter cidadão. Viu-se nesta semana o Ministério da Saúde anunciar a incorporação ao SUS da vacina contra dengue. Fez o governo sua obrigação, mas não se esqueça de que enquanto vivíamos uma pandemia devastadora o outro governo fazia campanha, pela pessoa do próprio presidente, contra vacinas e contra o uso de máscaras de proteção. Tribunais, governadores, prefeitos e parlamentares – não todos – digladiavam diuturnamente contra iniciativas obscurantistas cujo resultado era o aumento das mortes.

Retornamos à civilidade, embora haja remanescentes vivos do medievalismo bolsonarista, cujo discurso central ainda é o de armar a população, perpetrar preconceitos, idolatrar torturadores. No Natal, festa cristã comemorada pela quase totalidade dos brasileiros, essas vozes estarão presentes. Saibamos confrontá-las.

Estará presente, como já classificamos aqui, o incorrigível bolsonarista do WhatsApp, aquele que compartilhava mentiras produzidas pelo “gabinete do ódio”, que nunca entendeu bem o que são “instituições da República”.

Esse sujeito provavelmente estará no seu Natal, ainda compartilhando montagens fotográficas de Lula em situações vexatórias, memes recordando falas infelizes de Dilma Rousseff e até “denúncias” contra os filhos do presidente – do presidente Lula, é claro. Esse “amigo” imbecilizado não usou máscara durante a pandemia e não foi contaminado, tendo a certeza de que se salvou por ter tomado cloroquina preventivamente.

Esse ser absolutamente idiotizado continua a apregoar que o Brasil permaneceu durante os anos Bolsonaro livre escândalos de corrupção – os casos das vacinas superfaturadas foram no seu entender explicados e o roubo de joias lhe é desimportante. Esse intolerante com a corrupção alheia costuma pagar propina para policiais de trânsito para não ser multado, sonegar impostos “por não ser trouxa” e furar todas as filas nas quais é obrigado a entrar. E lhe desejará um feliz Natal, certamente.

 

Ø  Flávio Bolsonaro elogia medida do governo Lula e Cappelli alfineta: "Ninguém vira Jacaré"

 

Secretário-executivo do Ministério da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Cappelli não resistiu e alfinetou Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nas redes após o senador rasgar elogios ao programa Celular Seguro, que bloqueia imediatamente aparelhos roubados.

Uma declaração antiga de Lula sobre a criminalização de menores que realizam pequenos delitos, como furtos em celulares, é usada de forma recorrente pelo clã Bolsonaro para atacar o presidente.

Nesta semana, quando foi lançado o programa pelo governo, Bolsonaro voltou a publicar a declaração de Lula - que diz que "tem uma juventude enorme que, por falta de perspectivas, às vezes são presos roubando celular". "Esses meninos" ironizou o ex-presidente inelegível, com uma imagem de uma notícia sobre libertação de homem que furtou celular e fez live no perfil da vítima.

O discurso, no entanto, perdeu efeito com a medida de Lula. Em entrevista ao Metrópoles, Flávio Bolsonaro disse que "é uma iniciativa inteligente para tentar reduzir uma prática que aterroriza a população".

"Espero que surta efeito. Dez dias antes de o Cappelli fazer o anúncio, eu havia protocolado um projeto de lei no Senado com o mesmo objetivo, para que a autoridade policial comunique à Anatel os casos de roubos e furtos para agilizar o bloqueio”, disse o filho "01" de Bolsonaro.

Nas redes, Cappelli aproveitou os elogios e fez troça do senador. 

"Celular Seguro. Não caia em fake news. Ninguém vira Jacaré. Faça o seu cadastro. É simples e rápido. Participe", escreveu o secretário de Flávio Dino no Ministério da Justiça.

 

Ø  Após fala machista, Costa Neto dá justificativa "fofa" para barrar candidatura de Michelle Bolsonaro

 

Conhecido como "Boy" em seu nicho eleitoral, Mogi das Cruzes, no interior paulista, o presidente do PLValdemar da Costa Neto deu uma justificativa "fofa" após fala machista em que barrou o desejo expresso de Michelle Bolsonaro, presidenta da ala feminina do partido, de disputar as eleições ao Senado no Paraná na vaga que deve ser aberta com a provável cassação de Sergio Moro (União-PR).

A fala machista desautorizando a esposa de Jair Bolsonaro (PL) foi proferida por Costa Neto dois dias após a ex-primeira-dama se lançar candidata em evento do PL Mulher em Curitiba no dia 16 de dezembro, quando se empolvou ao ser chamada de "senadora".

“Creio que Deus está me chamando para algo novo no Brasil, e eu estou aqui”, disparou a esposa de Jair Bolsonaro, provocando gritos de "senadora" dos presentes. 

“Senadora de onde? Daqui? Deus vai dar sabedoria para vocês escolherem o melhor para o estado do Paraná. Uma pessoa que seja realmente elegante. Que possa ter elegância para trabalhar e para lutar por este estado tão maravilhoso", emendou Michelle. 

No entanto, Costa Neto o desejo foi barrado por Costa Neto, que afirmou à coluna de Andreia Sadi, da Globo, que "haveria tempo para transferir, mas ela não quer", sobre a possibilidade de transferência do domicílio eleitoral para entrar na disputa.

Em reunião realizada nesta semana, Costa Neto deu uma justificativa "fofa" para amenizar a declaração machista. Segundo informações de Bela Megale, no jornal O Globo, o "Boy" disse que não quer que Michelle concorra a vaga de Moro porque seria "pouco" para ela.

Já Bolsonaro defende que a esposa entre na disputa, até como forma de tirá-la definitivamente do párea na eleição presidencial de 2026. Assim como Costa Neto, o ex-presidente também não quer que Michelle seja candidata à Presidência.

·        Moro poupa Michelle

Isolado diante das sinalizações de que teria votado a favor da indicação de Flávio Dino como o novo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e cada vez mais perto da cassação, o senador Sergio Moro (UB-PR) dispara para todos os lados, mas tem procurado poupar críticas à família Bolsonaro. 

Ex-ministro da Justiça de Jair Bolsonaro, o parlamentar, desde o abraço caloroso em Flávio Dino e os sinais de que apoiou a indicação do comunista para a Corte, vem sendo tachado de traidor pelo ex-presidente, seus filhos e até mesmo Michelle Bolsonaro. 

No dia 15, por exemplo, a ex-primeira-dama publicou uma sequência de stories no Instagram atacando Moro. Em um deles, publicou a foto em que Moro aparece abraçando Dino e a imagem que mostra a troca de mensagens com um assessor o orientando a não divulgar voto em favor do ministro. 

"Não há nada escondido que não venha a ser descoberto, ou oculto que não venha a ser conhecido", escreveu Michelle. 

Moro, por sua vez,  foi às redes na tentativa de rebater os ataques que está recebendo - sem negar que apoiou Dino - e culpou o governo Lula e o "PL do Paraná", deixando de mencionar qualquer crítica do clã Bolsonaro. 

"Não me surpreende o intenso ataque daqueles que almejam assumir a posição que conquistei de maneira legítima nas urnas, com o respaldo do povo paranaense. Aos meus eleitores e apoiadores, esclareço: não divulgar o voto na indicação de autoridades é uma prerrogativa do parlamentar. O vigoroso embate que tenho enfrentado do atual governo Lula, de parte do próprio PL paranaense, aliado às ameaças do PCC, me levam a agir, neste momento, com prudência e no pleno exercício de uma prerrogativa que possuo, tudo isso visando preservar minha independência", escreveu o ex-juiz. 

Cabe lembrar que a crítica de Michelle Bolsonaro a Moro vem justamente no momento em que o ex-juiz corre o risco de ser cassado e com o nome da ex-primeira-dama entre os cotados para concorrer à vaga do ex-juiz no Senado através da eleição suplementar que será convocada caso o senador, de fato, perca o mandato. 

 

Fonte: Brasil 247/Fórum

 

Nenhum comentário: