Paulo Henrique Arantes: Bolsonaristas neste Natal
A despeito da queda do juro básico lenta demais, os
dados da economia em 2023 são alvissareiros, com inflação baixa e controlada,
desemprego baixo e aparentemente em queda, crescimento estimado do PIB de 3%. A
elevação do rating pelas agências de risco também é boa notícia, a refletir o
esforço do ministro Fernando Haddad para mostrar que o governo não torrará
dinheiro – claro que, muitas vezes, “torrar dinheiro” é como a finança se
refere à disposição de investir com vistas à melhoria de vida das pessoas, mas
acreditemos que Haddad comporte-se estrategicamente.
A volta da condução econômica ao patamar da
seriedade já seria uma grande conquista. Porém, a vitória maior do Brasil é ter
retomado sua posição entre os países responsáveis ecológica e politicamente.
Estamos longe de superar um punhado enorme de mazelas, mas contamos com gente
bem intencionada no leme. E o mundo enxerga isso, basta verificar como Lula é
recebido mundo afora, imediatamente após a defenestração daquele que se tornou
piada internacional e que legou ao país a condição de pária. Se Deus ou o acaso
geográfico nos deram a Amazônia, tínhamos obrigação de tirá-la das mãos de
garimpeiros e traficantes de madeira – e o mundo civilizado aplaude a evolução
brasileira.
A representatividade que a subida da rampa na posse
do presidente Lula sugeriu anda meio frustrada, é verdade. A gratidão a
Cristiano Zanin e o reconhecimento do brilho de Flávio Dino não deveriam se
sobrepor à necessidade histórica de mais presença feminina no Supremo Tribunal
Federal, especialmente a presença de mulheres negras, por tudo que a corte
simboliza para a democracia brasileira.
De todo modo, o Estado brasileiro readquiriu seu
caráter cidadão. Viu-se nesta semana o Ministério da Saúde anunciar a
incorporação ao SUS da vacina contra dengue. Fez o governo sua obrigação, mas
não se esqueça de que enquanto vivíamos uma pandemia devastadora o outro
governo fazia campanha, pela pessoa do próprio presidente, contra vacinas e
contra o uso de máscaras de proteção. Tribunais, governadores, prefeitos e
parlamentares – não todos – digladiavam diuturnamente contra iniciativas
obscurantistas cujo resultado era o aumento das mortes.
Retornamos à civilidade, embora haja remanescentes
vivos do medievalismo bolsonarista, cujo discurso central ainda é o de armar a
população, perpetrar preconceitos, idolatrar torturadores. No Natal, festa
cristã comemorada pela quase totalidade dos brasileiros, essas vozes estarão
presentes. Saibamos confrontá-las.
Estará presente, como já classificamos aqui, o
incorrigível bolsonarista do WhatsApp, aquele que compartilhava mentiras
produzidas pelo “gabinete do ódio”, que nunca entendeu bem o que são
“instituições da República”.
Esse sujeito provavelmente estará no seu Natal,
ainda compartilhando montagens fotográficas de Lula em situações vexatórias,
memes recordando falas infelizes de Dilma Rousseff e até “denúncias” contra os
filhos do presidente – do presidente Lula, é claro. Esse “amigo” imbecilizado
não usou máscara durante a pandemia e não foi contaminado, tendo a certeza de
que se salvou por ter tomado cloroquina preventivamente.
Esse ser absolutamente idiotizado continua a
apregoar que o Brasil permaneceu durante os anos Bolsonaro livre escândalos de
corrupção – os casos das vacinas superfaturadas foram no seu entender
explicados e o roubo de joias lhe é desimportante. Esse intolerante com a
corrupção alheia costuma pagar propina para policiais de trânsito para não ser
multado, sonegar impostos “por não ser trouxa” e furar todas as filas nas quais
é obrigado a entrar. E lhe desejará um feliz Natal, certamente.
Ø Flávio
Bolsonaro elogia medida do governo Lula e Cappelli alfineta: "Ninguém vira
Jacaré"
Secretário-executivo do Ministério da Justiça e
Segurança Pública, Ricardo Cappelli não resistiu e alfinetou Flávio Bolsonaro
(PL-RJ) nas redes após o senador rasgar elogios ao programa Celular Seguro, que
bloqueia imediatamente aparelhos roubados.
Uma declaração antiga de Lula sobre a
criminalização de menores que realizam pequenos delitos, como furtos em
celulares, é usada de forma recorrente pelo clã Bolsonaro para atacar o
presidente.
Nesta semana, quando foi lançado o programa pelo
governo, Bolsonaro voltou a publicar a declaração de Lula - que diz que
"tem uma juventude enorme que, por falta de perspectivas, às vezes são
presos roubando celular". "Esses meninos" ironizou o
ex-presidente inelegível, com uma imagem de uma notícia sobre libertação de
homem que furtou celular e fez live no perfil da vítima.
O discurso, no entanto, perdeu efeito com a medida
de Lula. Em entrevista ao Metrópoles, Flávio Bolsonaro disse que "é uma
iniciativa inteligente para tentar reduzir uma prática que aterroriza a
população".
"Espero que surta efeito. Dez dias antes de o
Cappelli fazer o anúncio, eu havia protocolado um projeto de lei no Senado com
o mesmo objetivo, para que a autoridade policial comunique à Anatel os casos de
roubos e furtos para agilizar o bloqueio”, disse o filho "01" de
Bolsonaro.
Nas redes, Cappelli aproveitou os elogios e fez
troça do senador.
"Celular Seguro. Não caia em fake news.
Ninguém vira Jacaré. Faça o seu cadastro. É simples e rápido. Participe",
escreveu o secretário de Flávio Dino no Ministério da Justiça.
Ø Após fala
machista, Costa Neto dá justificativa "fofa" para barrar candidatura
de Michelle Bolsonaro
Conhecido como "Boy" em seu nicho
eleitoral, Mogi das Cruzes, no interior paulista, o presidente do PL, Valdemar da Costa Neto deu uma justificativa
"fofa" após fala machista em que barrou o desejo expresso de Michelle Bolsonaro, presidenta da ala feminina do partido, de
disputar as eleições ao Senado no Paraná na vaga que deve ser aberta com a
provável cassação de Sergio Moro (União-PR).
A fala machista desautorizando a esposa de Jair
Bolsonaro (PL) foi proferida por Costa Neto dois dias após a ex-primeira-dama
se lançar candidata em evento do PL Mulher em Curitiba no dia 16 de dezembro,
quando se empolvou ao ser chamada de "senadora".
“Creio que Deus está me chamando para algo novo no
Brasil, e eu estou aqui”, disparou a esposa de Jair Bolsonaro, provocando
gritos de "senadora" dos presentes.
“Senadora de onde? Daqui? Deus vai dar sabedoria
para vocês escolherem o melhor para o estado do Paraná. Uma pessoa que seja
realmente elegante. Que possa ter elegância para trabalhar e para lutar por
este estado tão maravilhoso", emendou Michelle.
No entanto, Costa Neto o desejo foi barrado por
Costa Neto, que afirmou à coluna de Andreia Sadi, da Globo, que "haveria
tempo para transferir, mas ela não quer", sobre a possibilidade de
transferência do domicílio eleitoral para entrar na disputa.
Em reunião realizada nesta semana, Costa Neto deu
uma justificativa "fofa" para amenizar a declaração machista. Segundo
informações de Bela Megale, no jornal O Globo, o "Boy" disse que não
quer que Michelle concorra a vaga de Moro porque seria "pouco" para
ela.
Já Bolsonaro defende que a esposa entre na disputa,
até como forma de tirá-la definitivamente do párea na eleição presidencial de
2026. Assim como Costa Neto, o ex-presidente também não quer que Michelle seja
candidata à Presidência.
·
Moro poupa Michelle
Isolado diante das sinalizações de que teria votado
a favor da indicação de Flávio Dino como o novo ministro do Supremo Tribunal
Federal (STF) e cada vez mais perto da cassação, o senador Sergio Moro (UB-PR)
dispara para todos os lados, mas tem procurado poupar críticas à família
Bolsonaro.
Ex-ministro da Justiça de Jair Bolsonaro, o
parlamentar, desde o abraço caloroso em Flávio Dino e os sinais de que apoiou a
indicação do comunista para a Corte, vem sendo tachado de traidor pelo
ex-presidente, seus filhos e até mesmo Michelle Bolsonaro.
No dia 15, por exemplo, a ex-primeira-dama publicou
uma sequência de stories no Instagram atacando Moro. Em um deles, publicou a
foto em que Moro aparece abraçando Dino e a imagem que mostra a troca de
mensagens com um assessor o orientando a não divulgar voto em favor do
ministro.
"Não há nada escondido que não venha a ser
descoberto, ou oculto que não venha a ser conhecido", escreveu
Michelle.
Moro, por sua vez, foi às redes na tentativa
de rebater os ataques que está recebendo - sem negar que apoiou Dino - e culpou
o governo Lula e o "PL do Paraná", deixando de mencionar qualquer
crítica do clã Bolsonaro.
"Não me surpreende o intenso ataque daqueles
que almejam assumir a posição que conquistei de maneira legítima nas urnas, com
o respaldo do povo paranaense. Aos meus eleitores e apoiadores, esclareço: não divulgar
o voto na indicação de autoridades é uma prerrogativa do parlamentar. O
vigoroso embate que tenho enfrentado do atual governo Lula, de parte do próprio
PL paranaense, aliado às ameaças do PCC, me levam a agir, neste momento, com
prudência e no pleno exercício de uma prerrogativa que possuo, tudo isso
visando preservar minha independência", escreveu o ex-juiz.
Cabe lembrar que a crítica de Michelle Bolsonaro a
Moro vem justamente no momento em que o ex-juiz corre o risco de ser cassado e
com o nome da ex-primeira-dama entre os cotados para concorrer à vaga do
ex-juiz no Senado através da eleição suplementar que será convocada caso o
senador, de fato, perca o mandato.
Fonte: Brasil 247/Fórum

Nenhum comentário:
Postar um comentário