quinta-feira, 14 de dezembro de 2023

Pastor manteve trabalhadores como escravos em comunidade terapêutica

Sete pessoas em situação de trabalho análago à escravidão foram resgatados de uma comunidade terapêutica, em Cosmos, na Zona Oeste do Rio.

O pastor responsável pelo local, que supostamente realiza atendimento a dependentes químicos, intermediava a mão de obra das vítimas a mercados locais e ficava com todo o pagamento.

Segundo depoimento das vítimas, eles trabalhavam sem nenhum registro formal, além de serem obrigados a ofertar um dízimo de 10% no valor do salário, que era dividido pela metade com o pastor.

Um dos trabalhadores resgatados relatou que recebia apenas R$ 50 pelos serviços, mas o dinheiro ficava retido com o pastor, sendo liberado apenas para comprar itens básicos, a cada 15 dias.

Com a participação do Ministério Público do Trabalho no Rio de Janeiro (MPT-RJ), da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego (SRTE) e da Polícia Federal, o resgate aconteceu em agosto, após denúncias anônimas.

A comunidade terapêutica, pertencente à Igreja Evangélica Alcance Vitória, deverá indenizar cada trabalhador por dano moral individual no valor de R$ 10 mil, a ser pago em 20 parcelas de R$ 500 desde de novembro, por determinação do Ministério Público do Trabalho no Rio.

Além disso, em conjunto com quatro mercados também denunciados, foram firmados termos de ajustamento de conduta (TACs) perante o MPT-RJ, onde ficou determinado o reconhecimento do vínculo empregatício e o pagamento de todas as verbas trabalhistas e rescisórias, inclusive seguro-desemprego, sob pena de multa de R$10 mil em caso de descumprimento.

Todos os trabalhadores resgatados estão sendo do Projeto Ação Integrada (ProjAi) e foram encaminhados para o Centro de Atenção Psicossocial de Álcool e outras Drogas (CAPS AD) pela Secretaria Municipal de Saúde.

 

Ø  Pastor é preso por abuso de 9 crianças em "igrejinha"; mães divulgam relatos

 

Antônio Gomes Peixoto, conhecido como "Pastor Toninho", foi preso na última quinta-feira (30) em Osasco, na região metropolitana de São Paulo, após mães denunciarem suposto abuso sexual de ao menos 9 crianças entre 1 e 10 anos de idade.

As crianças ficavam em uma espécie de creche improvisada aos cuidados da esposa de Peixoto, no bairro Veloso, na periferia da cidade. Os abusos eram cometidos em um cômodo no fundo do quintal, onde o pastor ministrava "cultos" para as crianças.

A Polícia Civil investigou o caso a partir de denúncias de um grupo de mães, que levaram relatos das crianças após suspeitarem de comportamentos suspeitos do homem, que chegou a ser levado para o 8º Distrito Policial de Osasco no domingo (27), mas foi liberado por não haver flagrante.

A prisão na última quinta-feira foi efetuada após a Justiça expedir um mandado de prisão temporário após ouvir os relatos das mães - incluindo vídeos em que as próprias crianças relatam os abusos.

Um dos vídeos foi gravado pela empresária Jéssica Alessandra Leite, de 30 anos, mãe de duas meninas, de 6 e 3 anos, que ficavam com a cuidadora. Nas imagens, a criança aponta a genitália e diz que o pastor "tocava sua titita" - veja ao final da reportagem.

“Uma mãe mandou mensagem pra mim quinta-feira. A filha dela é uma das maiorzinhas. A menina disse: ‘Mãe, o pastor beijou na minha boca e pegou na minha bunda’. Ele ameaçava dizendo que era enviado de Deus e que, se contassem, o capeta ia pegar elas de madrugada”, disse Jéssica ao portal Metrópoles.

“O pastor levava todo mundo para a igreja, pegava uma criança, colocava ela na frente do palco, de costas, e colocava a parte íntima dela junto com a dele e dizia que era assim que isso tinha sido feito”, emendou.

Cuidadora das crianças, a esposa do pastor chegou a gravar um áudio, enviado por WhatsApp, dizendo que as denúncias eram falsas e que confiava no esposo.

No entanto, diante das denúncias e da investigação da polícia, ela enviou novo vídeo dizendo que não sabia de nada.

“Gente, eu peço, não façam nada comigo. Eu nunca judiei das crianças. Eu amei todas elas, todas elas. Se alguma coisa aquele vagabundo fez, foi fora da minha presença, foi quando eu estava dormindo. Eu não sei como é que foi. Nenhuma criança falou nada para mim. Eu só quero ajudar vocês nesse processo”, diz a mulher no vídeo.

Jéssica diz que pagava R$ 1,5 mil por mês para a mulher cuidar das duas filhas. "Ela dizia que cuidava das crianças ‘por amor’, que sempre quis ser mãe, mas nunca conseguiu”.

Em depoimento, o pastor negou todas as acusações. "A gente não consegue ter dimensão da quantidade de crianças que podem ter sido vítimas. Até o momento, são três ou quatro pais e mães. O que as crianças relatam são abusos de passar a mão, acariciar. Ele nega tudo”, disse o delegado Luiz Henrique, do 8º Distrito Policial de Osasco.

 

       Ex-líder religioso do DF é condenado por violação sexual contra fiéis

 

O ex-líder religioso Cristiano Gomes da Silva foi condenado a oito anos de reclusão por crime de violação sexual mediante fraude. Ele cumprirá pena em regime inicialmente semiaberto e poderá recorrer em liberdade. A decisão é da Vara Criminal e Tribunal do Júri de Brazlândia.

Cristiano foi acusado de estuprar e violentar sexualmente três mulheres, com uso de procedimentos semelhantes, durante a realização de “limpezas espirituais” em rituais religiosos.

Na decisão, o juiz que analisou o processo entendeu que, com base nas provas, o líder religioso “não se valeu de violência ou grave ameaça e, sim, de meios capazes de levar a vítima a erro ou mantê-la em erro”. Por isso, afirmou que o acusado cometeu, na verdade, violação sexual mediante fraude por duas vezes.

“Todos os atos praticados pelo denunciado decorreram do fato de ele se aproveitar da credulidade da ofendida, na crença nas coisas da fé ou em coisas ocultas, sobrenaturais. Não se fez passar por ‘pai de santo’. Ele é, e continua sendo para muitos, o sacerdote responsável por tudo o que acontece no espaço sagrado da seita e da espiritualidade dos seguidores. Mas, mediante manobras enganosas, vicia a vontade da vítima, levando-a à prática de atos sexuais para servir sua lascívia”, destacou o juiz de direito Olair Teixeira de Oliveira Sampaio.

A defesa das vítimas pensa em recorrer da sentença, por considerar que, além da possibilidade do crime de estupro, o cumprimento de pena em regime semiaberto não seria adequado. “Não podemos usar a religião ou a fé para manipular as pessoas”, afirmou a advogada Patrícia Zapponi, que acompanha o processo.

Relembre o caso

Depois que a primeira vítima registrou boletim de ocorrência na 18ª Delegacia de Polícia (Brazlândia), outras três mulheres prestaram depoimento. À época, elas detalharam ao Metrópoles os momentos de terror por que passaram.

“Ele disse que eu deveria prometer a Oxum que não contaria a ninguém sobre o que aconteceu ali. E que eu deveria prometer por quem eu mais amo. A pessoa que mais amo é minha filha. Então, como não vi qualquer saída, prometi a vida dela. Fiquei com muito medo. Não sabia o que fazer”, contou uma das vítimas.

No dia em prestou depoimento, Cristiano gravou um vídeo em que disse ser era inocente e divulgou a gravação em grupos da comunidade. “Estão tentando denegrir minha imagem e eu, como sacerdote, como educador, estou aqui para provar minha inocência. Não tem nada que vá sujar minha índole. Não estou escondido de nada, estou aqui para falar a verdade”, alegou, à época.

 

Fonte: Metrópoles/Fórum

 

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