Pastor manteve trabalhadores como escravos em comunidade terapêutica
Sete pessoas em situação de trabalho análago à
escravidão foram resgatados de uma comunidade terapêutica, em Cosmos, na Zona
Oeste do Rio.
O pastor responsável pelo local, que supostamente
realiza atendimento a dependentes químicos, intermediava a mão de obra das
vítimas a mercados locais e ficava com todo o pagamento.
Segundo depoimento das vítimas, eles trabalhavam
sem nenhum registro formal, além de serem obrigados a ofertar um dízimo de 10%
no valor do salário, que era dividido pela metade com o pastor.
Um dos trabalhadores resgatados relatou que recebia
apenas R$ 50 pelos serviços, mas o dinheiro ficava retido com o pastor, sendo
liberado apenas para comprar itens básicos, a cada 15 dias.
Com a participação do Ministério Público do
Trabalho no Rio de Janeiro (MPT-RJ), da Superintendência Regional do Trabalho e
Emprego (SRTE) e da Polícia Federal, o resgate aconteceu em agosto, após
denúncias anônimas.
A comunidade terapêutica, pertencente à Igreja
Evangélica Alcance Vitória, deverá indenizar cada trabalhador por dano moral
individual no valor de R$ 10 mil, a ser pago em 20 parcelas de R$ 500 desde de
novembro, por determinação do Ministério Público do Trabalho no Rio.
Além disso, em conjunto com quatro mercados também
denunciados, foram firmados termos de ajustamento de conduta (TACs) perante o
MPT-RJ, onde ficou determinado o reconhecimento do vínculo empregatício e o
pagamento de todas as verbas trabalhistas e rescisórias, inclusive
seguro-desemprego, sob pena de multa de R$10 mil em caso de descumprimento.
Todos os trabalhadores resgatados estão sendo do
Projeto Ação Integrada (ProjAi) e foram encaminhados para o Centro de Atenção
Psicossocial de Álcool e outras Drogas (CAPS AD) pela Secretaria Municipal de
Saúde.
Ø Pastor é
preso por abuso de 9 crianças em "igrejinha"; mães divulgam relatos
Antônio Gomes Peixoto, conhecido como "Pastor
Toninho", foi preso na última quinta-feira (30) em Osasco, na região
metropolitana de São Paulo, após mães denunciarem suposto abuso sexual de ao
menos 9 crianças entre 1 e 10 anos de idade.
As crianças ficavam em uma espécie de creche
improvisada aos cuidados da esposa de Peixoto, no bairro Veloso, na periferia
da cidade. Os abusos eram cometidos em um cômodo no fundo do quintal, onde o
pastor ministrava "cultos" para as crianças.
A Polícia Civil investigou o caso a partir de
denúncias de um grupo de mães, que levaram relatos das crianças após
suspeitarem de comportamentos suspeitos do homem, que chegou a ser levado para
o 8º Distrito Policial de Osasco no domingo (27), mas foi liberado por não
haver flagrante.
A prisão na última quinta-feira foi efetuada após a
Justiça expedir um mandado de prisão temporário após ouvir os relatos das mães
- incluindo vídeos em que as próprias crianças relatam os abusos.
Um dos vídeos foi gravado pela empresária Jéssica
Alessandra Leite, de 30 anos, mãe de duas meninas, de 6 e 3 anos, que ficavam
com a cuidadora. Nas imagens, a criança aponta a genitália e diz que o pastor
"tocava sua titita" - veja ao final da reportagem.
“Uma mãe mandou mensagem pra mim quinta-feira. A
filha dela é uma das maiorzinhas. A menina disse: ‘Mãe, o pastor beijou na
minha boca e pegou na minha bunda’. Ele ameaçava dizendo que era enviado de
Deus e que, se contassem, o capeta ia pegar elas de madrugada”, disse Jéssica
ao portal Metrópoles.
“O pastor levava todo mundo para a igreja, pegava
uma criança, colocava ela na frente do palco, de costas, e colocava a parte
íntima dela junto com a dele e dizia que era assim que isso tinha sido feito”,
emendou.
Cuidadora das crianças, a esposa do pastor chegou a
gravar um áudio, enviado por WhatsApp, dizendo que as denúncias eram falsas e
que confiava no esposo.
No entanto, diante das denúncias e da investigação
da polícia, ela enviou novo vídeo dizendo que não sabia de nada.
“Gente, eu peço, não façam nada comigo. Eu nunca
judiei das crianças. Eu amei todas elas, todas elas. Se alguma coisa aquele
vagabundo fez, foi fora da minha presença, foi quando eu estava dormindo. Eu
não sei como é que foi. Nenhuma criança falou nada para mim. Eu só quero ajudar
vocês nesse processo”, diz a mulher no vídeo.
Jéssica diz que pagava R$ 1,5 mil por mês para
a mulher cuidar das duas filhas. "Ela dizia que cuidava das crianças ‘por
amor’, que sempre quis ser mãe, mas nunca conseguiu”.
Em depoimento, o pastor negou todas as acusações.
"A gente não consegue ter dimensão da quantidade de crianças que podem ter
sido vítimas. Até o momento, são três ou quatro pais e mães. O que as crianças
relatam são abusos de passar a mão, acariciar. Ele nega tudo”, disse o delegado
Luiz Henrique, do 8º Distrito Policial de Osasco.
Ex-líder
religioso do DF é condenado por violação sexual contra fiéis
O ex-líder religioso Cristiano Gomes da Silva foi
condenado a oito anos de reclusão por crime de violação sexual mediante fraude.
Ele cumprirá pena em regime inicialmente semiaberto e poderá recorrer em
liberdade. A decisão é da Vara Criminal e Tribunal do Júri de Brazlândia.
Cristiano foi acusado de estuprar e violentar
sexualmente três mulheres, com uso de procedimentos semelhantes, durante a
realização de “limpezas espirituais” em rituais religiosos.
Na decisão, o juiz que analisou o processo entendeu
que, com base nas provas, o líder religioso “não se valeu de violência ou grave
ameaça e, sim, de meios capazes de levar a vítima a erro ou mantê-la em erro”.
Por isso, afirmou que o acusado cometeu, na verdade, violação sexual mediante
fraude por duas vezes.
“Todos os atos praticados pelo denunciado
decorreram do fato de ele se aproveitar da credulidade da ofendida, na crença
nas coisas da fé ou em coisas ocultas, sobrenaturais. Não se fez passar por
‘pai de santo’. Ele é, e continua sendo para muitos, o sacerdote responsável
por tudo o que acontece no espaço sagrado da seita e da espiritualidade dos
seguidores. Mas, mediante manobras enganosas, vicia a vontade da vítima,
levando-a à prática de atos sexuais para servir sua lascívia”, destacou o juiz
de direito Olair Teixeira de Oliveira Sampaio.
A defesa das vítimas pensa em recorrer da sentença,
por considerar que, além da possibilidade do crime de estupro, o cumprimento de
pena em regime semiaberto não seria adequado. “Não podemos usar a religião ou a
fé para manipular as pessoas”, afirmou a advogada Patrícia Zapponi, que
acompanha o processo.
Relembre o caso
Depois que a primeira vítima registrou boletim de
ocorrência na 18ª Delegacia de Polícia (Brazlândia), outras três mulheres
prestaram depoimento. À época, elas detalharam ao Metrópoles os momentos de
terror por que passaram.
“Ele disse que eu deveria prometer a Oxum que não
contaria a ninguém sobre o que aconteceu ali. E que eu deveria prometer por
quem eu mais amo. A pessoa que mais amo é minha filha. Então, como não vi
qualquer saída, prometi a vida dela. Fiquei com muito medo. Não sabia o que
fazer”, contou uma das vítimas.
No dia em prestou depoimento, Cristiano gravou um
vídeo em que disse ser era inocente e divulgou a gravação em grupos da
comunidade. “Estão tentando denegrir minha imagem e eu, como sacerdote, como
educador, estou aqui para provar minha inocência. Não tem nada que vá sujar
minha índole. Não estou escondido de nada, estou aqui para falar a verdade”,
alegou, à época.
Fonte: Metrópoles/Fórum

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