quinta-feira, 14 de dezembro de 2023

Milei desiste de pregação anticomunista e pede dinheiro à China

Após declarações contundentes durante a campanha presidencial de que a Argentina não teria relações com países comunistas se fosse eleito, o agora mandatário argentino, Javier Milei, busca dar continuidade a um acordo bilionário firmado entre a China e o governo anterior, de Alberto Fernández.

Nas últimas horas, Milei enviou carta ao seu homólogo chinês, Xi Jinping, não apenas para reparar a diplomacia que esteve prestes a romper, mas, sobretudo, para não perder o processo de renovação do swap cambial com Pequim em yuans que equivale a US$ 5 bilhões (cerca de R$ 25 bilhões).

Em outubro, o Banco Central chinês disponibilizou US$ 6,5 bilhões ao país sul-americano pela linha de swap cambial, após uma reunião entre Fernández e Xi Jinping em Pequim. O dinheiro foi utilizado para pagar parte da dívida de US$ 2,6 bilhões (cerca de R$ 13 bilhões) com o Fundo Monetário Internacional (FMI).

O primeiro contato com Pequim ocorreu entre a chanceler argentina Diana Mondino e o enviado chinês Wu Weihua para a posse, no último domingo (10).

Em novembro Milei agradeceu a carta de Xi Jinping parabenizando-o pela vitória. Milei não demorou em responder:

"Agradeço ao presidente Xi Jinping as felicitações e os bons desejos que me enviou através de sua carta. Envio meus mais sinceros votos de bem-estar ao povo da China".

Milei chegou a afirmar quando ainda candidato que "não negociava sua moral em troca de dinheiro" e que não faria "negócios com países "comunistas". Entretanto, após assumir o mandato no último domingo, tem se mostrado mais aberto a negociar com os países que criticou durante a campanha. É o caso do Brasil.

Apesar da posição crítica contra Lula, Milei manteve no cargo o embaixador Daniel Scioli, que tem linha ideológica diferente da dele. Além disso, logo após o segundo turno, recém-eleito, ele enviou Mondino ao Palácio Planalto para ratificar os acordos com o principal parceiro latino-americano da Argentina.

·        Inflação interanual na Argentina sobe para 160,9% dias após Milei assumir o poder

Inflação interanual na Argentina sobe para 160,9% dias após Milei assumir o poder.

Os dados superam todas as medições dos últimos 32 anos, já que é preciso voltar a fevereiro de 1991 para encontrar um recorde superior (27% naquela ocasião).

A inflação de novembro também está 4,5 pontos percentuais acima do indicador de outubro, quando atingiu 8,4%, e também está acima do índice de setembro, quando foi de 12,7%.

O item que mais afetou o aumento de preços em novembro foi a saúde, que subiu 15,9% devido aos aumentos de medicamentos e medicamentos privados, seguida pelo segmento de alimentos e bebidas não alcoólicas (15,7%).

As comunicações também apresentaram um crescimento acima da média (15,2%), devido aos aumentos registrados na telefonia móvel e na Internet, assim como as áreas de lazer e cultura (13,2%). Abaixo da média, a categoria de equipamentos e manutenção doméstica cresceu 12,4%, superando restaurantes e hotéis (12%), bebidas alcoólicas e fumo (11,8%) e bens e serviços diversos (11,5%).

Habitação, água, luz, gás e outros combustíveis foram os itens que menos aumentaram de preço em novembro (7,1%), seguidos pela educação (8,3%) e por vestuário e calçados (10%). A inflação dos últimos 12 meses atingiu o seu nível mais alto em três décadas.

Apesar de a inflação ter atingido 160,9% em termos homólogos, o governo de Milei espera um aumento ainda maior nos próximos meses, devido ao pacote de cortes e ajustes anunciado na véspera pelo novo ministro da Economia, Luis Caputo.

 

Ø  Bolívia fecha acordo com empresa russa para exploração de lítio

 

O governo boliviano firmou uma parceria com a empresa russa Uranium One Group para a construção de uma planta-piloto de extração direta de lítio no sul do país.

"Esta forma de parceria se traduz em benefícios para nosso país. A partir desse convênio estamos seguros de que haverá investimentos, e o trabalho de produção gerado a partir do acordo vai trazer mais desenvolvimento para o país", disse o presidente da Bolívia, Luis Arce.

Os gestos do governo da Bolívia demonstram uma aceleração no processo de industrialização do lítio, desde a extração da matéria-prima até a fabricação de baterias de lítio, em parceria com empresas estrangeiras.

"Sabemos dos interesses em nossos recursos e conversaremos com empresas de todo o mundo. Em nossas visitas à Europa, à cúpula do BRICS, ficou demonstrado o interesse em nosso lítio", afirmou o presidente.

O acordo vai permitir a realização de um projeto-piloto para a extração do lítio, que posteriormente se concretizará em um complexo industrial com capacidade de produção de 14 mil toneladas anuais.

Um primeiro convênio já foi firmado em junho pelo governo boliviano com a Uranium One Group, para viabilizar a construção do complexo industrial para explorar o lítio. O representante da empresa russa Yuri Ulichaniv celebrou o acordo e prospectou o futuro das relações entre os dois países envolvendo o lítio.

"Depois de firmar o acordo, começaremos a desenhar a planta do complexo industrial do lítio. Tenho esperança de que em um curto prazo firmaremos os contratos para o início das obras", destacou.

A Bolívia, que faz parte do Triângulo do Lítio, com Argentina e Chile, concentra uma das maiores fontes do elemento no mundo. A maior parte da reserva está concentrada em Potosí.

 

Ø  Presidente eleito da Guatemala denuncia violação do direito à defesa; Mercosul se pronuncia

 

O presidente eleito da Guatemala, Bernardo Arévalo, afirmou nesta terça-feira (12) que o Ministério Público (MP) e a Justiça do país violaram o seu direito à defesa. Desde as eleições realizadas no fim de agosto, o país sofre com a judicialização do processo e até acusações de irregularidades.

Considerado um outsider, Arévalo foi o candidato da esquerda que venceu a governista Sandra Torres por 58,29% dos votos. Segundo o presidente eleito, foi lançada uma ofensiva contra ele, o processo eleitoral e o seu partido, o Movimento Semente, ao negar o direito constitucional de defesa e até acesso ao procedimento de investigação.

Arévalo afirmou que voltou a comparecer ao juiz Fredy Orellana nesta terça em busca de informações sobre o processo. "Foram negadas [outras] 33 vezes pelo Ministério Público e 15 vezes pelo tribunal. Isso é uma negação do direito de defesa e só se explica porque eles estão cientes das mentiras e tramoias que estão construindo neste caso", disse Arévalo.

Conforme o presidente eleito, há um dossiê feito de mentiras e por isso ele não tem acesso às supostas acusações. O objetivo seria evitar que tome posse para um mandato de quatro anos no dia 14 de janeiro, acrescentou.

Já o atual presidente, Alejandro Giammattei, tem mantido as reuniões de transição com a equipe de Arévalo. Porém os parlamentares do partido do atual mandatário estão unidos ao Ministério Público nas investigações, que, supostamente, apontam uma série de irregularidades nas atas de encerramento das eleições para todos os cargos políticos do país.

As tentativas do órgão de invalidar o pleito são rebatidas pela Organização dos Estados Americanos (OEA), que divulgou uma resolução aprovada por 29 votos a favor, 1 contra, 1 abstenção e 2 ausências que condena as ações do MP contra a transição de governo no país centro-americano.

Os Estados Unidos impuseram sanções a pelo menos 300 cidadãos do país, entre eles 100 deputados, empresários e funcionários do governo, acusando-os de tentar minar a democracia guatemalteca.

·        Mercosul pede respeito ao resultado eleitoral

Também nesta terça, o Mercosul emitiu nota sobre a tentativa de judicializar o processo eleitoral na Guatemala e pediu respeito aos resultados que consagraram Bernardo Arévalo presidente do país.

"Os Estados partes do Mercosul manifestam sua preocupação com a judicialização do processo eleitoral na República da Guatemala e instam ao respeito à vontade do povo guatemalteco expressa nas urnas com uma maioria esmagadora, no segundo turno das eleições presidenciais de 20 de agosto", diz um comunicado divulgado pelo governo paraguaio, que exerce a presidência do bloco.

Arévalo triunfou com uma campanha focada no combate à corrupção e um forte apoio dos povos indígenas maias e de amplos setores da sociedade civil.

 

Ø  Polícia argentina prende homem que tentou agredir Milei durante posse em Buenos Aires

 

Nesta terça-feira (12) as autoridades policiais de Buenos Aires prenderam o homem responsável por atirar uma garrafa durante a posse do novo presidente da Argentina, Javier Milei, no último domingo (10).

O incidente ocorreu enquanto Milei se dirigia à Casa Rosada em um carro conversível.

"A Polícia da Cidade acaba de prender o suposto agressor do presidente Javier Milei. Ela já está à disposição da Justiça", informou, via comunicado, o chefe da segurança municipal, Waldo Wolff.

·        O caso

A Justiça argentina ordenou, na segunda-feira (11), a detenção de um homem que tentou agredir o presidente Javier Milei atirando nele uma garrafa enquanto este se deslocava em um carro conversível durante as celebrações de sua posse, no dia anterior.

O homem foi identificado pela polícia de Buenos Aires como Gastón Ariel Mercanzini, de 51 anos, segundo Waldo Wolff. Diversas câmeras de segurança ajudaram no trabalho de localização.

Milei se deslocava do Congresso, onde fez o juramento como presidente, em direção à Casa Rosada — o centro do Poder Executivo — para a cerimônia de posse dos ministros e a recepção dos convidados internacionais.

 

Fonte: Sputnik Brasil

 

Nenhum comentário: