domingo, 17 de dezembro de 2023

Em tom eleitoral, Lula chama Bolsonaro de 'facínora' e diz que ele só 'inaugurou o ódio'

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participou, nesta sexta-feira (15/12), do evento da liberação ao trânsito do Contorno do Mestre Álvaro, obra que teve investimento federal de R$ 500,9 milhões em recursos do Novo PAC. No discurso em ritmo de eleições municipais, o chefe do Executivo teceu críticas ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), chamando-o de "facínora" e "coisa".

"Sejam honestos, se algum de você se lembra de um metro de rodovia inaugurada pelo governo passado nesse estado. Se alguém souber, me conte, porque em todos os estados que vou, eu pergunto se alguém lembra uma obra que aquela coisa inaugurou", disse.

Lula relatou ainda o que chamou de "situação inusitada" na transição de 2022 para 2023 e disse que Bolsonaro "não inaugurou obras, mas inaugurou o ódio".

"Nunca houve no mundo uma situação dessa. Faltavam dois meses para a posse e tivemos que começar a governar porque o país não tinha sequer orçamento para administrar 2023. E ainda colocamos na PEC de transição dinheiro para pagar as contas dele, de um cidadão que não merecia nenhum respeito. Não inaugurou nenhuma obra aqui, mas inaugurou o ódio. O ódio entre pai e filho, as mais deslavadas mentiras, intriga entre família, tem pai que não conversa com filho, filho que não conversa com mãe, tem família que não conversa mais por causa de um facínora que pregou o ódio durante quatro anos nesse país. Mentiu e pregou o ódio. Vê se alguém lembra quantas faculdades e escolas técnicas ele inaugurou", completou.

O petista voltou a comparar investimentos dos dois governos, afirmando ter investido mais na área de transportes em um ano, do que Bolsonaro em todo o mandato. E destacou que "o país saiu de momento de tortura para voltar para um momento de paz, tranquilidade, crescimento econômico, geração de emprego e distribuição de riqueza".

"Se preparem porque muita coisa boa vai acontecer nesse país. O emprego vai crescer, o salário. Se preparem, porque vamos criar poupança para ensino médio para que ninguém desista de fazer o ensino médio e ainda aprender uma profissão. Vamos fazer escola de tempo integral nesse país para colocar crianças o dia inteiro na escola. Se preparem porque estou com compromisso de fazer mais 100 institutos federais e de fazer mais universidades neste país", prometeu o presidente.

Em aceno aos evangélicos, Lula citou que Bolsonaro mentiu ao dizer que sua gestão 'fecharia igrejas' e 'construiria banheiros unissex'.

"Vamos provar que o que resolve o problema de um povo não é a destilação de ódio. Utilizando da boa fé do povo evangélico, dizendo que a gente ia fechar igreja, fazer banheiro unissex. Eles têm que saber de uma coisa: se tem um cara nesse país que acredita em Deus é esse que está vos falando aqui", disse, sendo ovacionado pela plateia.

"Somente Deus é que poderia fazer que um filho de Dona Lindu, semianalfabeto, que não morreu de fome, fosse eleito três vezes presidente da República neste país", emendou.

O chefe do Executivo reforçou ter retornado como presidente "para provar mais uma vez que um metalúrgico torneiro mecânico pode fazer por esse país o que em 500 anos a elite brasileira não fez pelo povo brasileiro".

Lula reforçou ser um presidente 'que governa com o coração': "O ódio contra nós é porque eles não gostam de trabalhador pobre, de negros, da liberdade e autonomia das mulheres, 'a mulher tem que ser objeto'. Não. A mulher é cidadã, sujeito da história, e não tem que pedir licença para ninguém. Não gostam de LGBT, negro, não gostam de nada que não seja o tradicional nesse país. E é tudo o que eu gosto. Eu gosto de gente. Gosto de ser humano. Sou ser humano com sentimento e eu governo com o coração".

Lula também agradeceu a bancada do Espírito Santo e pediu para que, quando um parlamentar da oposição for recebido, não seja tratado como adversário, e pregou trabalho conjunto e diálogo.

"Quando a gente vem para um palanque como esse e traz um deputado ou senador de outro partido, não os trate como adversários, porque precisamos trabalhar junto com eles no Congresso. Na eleição, a gente vai disputar, mas depois eu preciso governar. De 513 deputados, o PT só tem 70, então precisam falar com muita gente, convencer as pessoas. É assim que a gente governa. É assim que a gente vai recuperar esse país".

Por fim, o petista fez um apelo à população, contra as fake news. "Vocês têm que ajudar. Cada mentira que vocês virem na internet, desminta na hora. Não fique quieto. Não deixa a mentira vencer a verdade. Não fiquei com medo dos desaforados. Não fique com medo do garganta, do cara que bate em mulher", concluiu.

•        Contorno do Mestre Álvaro

O ministro Renan Filho (Transportes) também participou do evento. Com quase 20 quilômetros de extensão, o empreendimento tem a função de aliviar o trânsito na BR-101/ES, encurtando a distância entre Serra e Cariacica em cerca de 15 quilômetros, além de reduzir o tráfego pesado na região e, consequentemente, o número de acidentes. Segundo o governo, a obra visa beneficiar cerca de 2 milhões de moradores da região de Serra.

 

       "Aprovamos uma reforma tributária com minoria no Congresso", comemora Lula

 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) comemorou, neste sábado (16/12), a aprovação da reforma tributária. O chefe do Executivo destacou que a medida passou apesar do governo ter minoria no Congresso. A declaração ocorreu durante a cerimônia de assinatura de contrato para construção do primeiro módulo do empreendimento Copa do Povo, do Minha Casa, Minha Vida (MCMV), em Itaquera, São Paulo.

"Ontem, nós conseguimos aprovar, pela primeira vez na história da República Brasileira, uma política de reforma brasileira numa votação democrática num Congresso em que a gente tem minoria", apontou.

Lula agradeceu aos ministros e governistas o esforço em emplacar a agenda.

"Mas a capacidade do Haddad, do Alexandre Padilha [ministro das Relações Institucionais], do senador Jaques Wagner, do deputado Zé Guimarães e de todos os deputados foi tão grande que a gente, pela primeira vez na história, conseguiu aprovar uma reforma tributária para facilitar o investimento, para facilitar o pagamento de imposto pagar mais quem ganha mais e pagar menos quem ganha menos, para que a gente melhore a vida do povo brasileiro", emendou.

"Quero agradecer ao Padilha. O Padilha tem uma função especial, ele é coordenador do governo junto ao Congresso. É o cara que mais apanha, é o cara que é mais cobrado, porque ele vai fazer acordo, ele fica prometendo coisa, depois a gente não pode entregar a coisa que ele promete", acrescentou.

"Aí as pessoas querem dificultar a votação, aí tem que entrar o Haddad, tem que entrar o Wagner. Aí, por último, quando não tem mais jeito, tem que entrar eu, para atender a demanda que ele prometeu e que a gente tem que cumprir. Porque eu sou de uma geração que, quando a gente promete, a gente cumpre".

Por fim, o petista pediu uma "salva de palma especial" para o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, pela "coordenação" da reforma.

"O que aconteceu ontem foi um fato histórico que o Haddad merece salva de palma especial por ter coordenado isso", concluiu.

Com o plenário praticamente vazio, mas com 510 presenças marcadas — por meio da votação remota, já que boa parte dos deputados retornou aos respectivos estados —, a Câmara aprovou, com 365 votos favoráveis e 118 contrários, além de uma abstenção, a histórica reforma tributária, debatida por mais de 30 anos.

Pelas redes sociais, o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), também comentou a aprovação da reforma tributária. Ele apontou que o texto aprovado não é "perfeito", mas o "possível".

O dia 15 de dezembro de 2023 ficará marcado na história do Brasil com a aprovação da reforma tributária pela Câmara dos Deputados.

É a primeira realizada num regime democrático em que todas as correntes de pensamento puderam expressar suas opiniões. 1/3 — Arthur Lira.

 

Fonte: Correio Braziliense

 

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