terça-feira, 26 de dezembro de 2023

Economistas alemães querem criar novo imposto para financiar a Ucrânia

Monika Schnitzer, presidente do Conselho Alemão de Especialistas Econômicos (GCEE, na sigla em inglês), propôs que o governo tribute ainda mais o rendimento dos cidadãos para fornecer ajuda militar à Ucrânia como forma de compensar pela perda de financiamento de outros países ocidentais.

Uma "sobretaxa de solidariedade" cobrada além do imposto de renda existente ajudaria a atender às necessidades financeiras urgentes de Kiev, disse ela, alegando que "eventos especiais exigem medidas especiais".

O GCEE é um conselho consultivo composto por cinco economistas alemães. Sua função é aconselhar e avaliar as políticas econômicas do governo da Alemanha. Seus membros, apelidados pela mídia do país de "Os Cinco Sábios", são nomeados pelo governo e associações patronais e trabalhistas para mandatos de cinco anos.

O conselho de Schnitzer veio poucos dias após o ministro da Economia e vice-chanceler Robert Habeck anunciar que a Alemanha teria que assumir mais responsabilidades frente a diminuição do apoio ocidental a Kiev.

A economista reconheceu que a medida não seria popular, mas insistiu na sua urgência, argumentando que "no final das contas, nossa liberdade também está em jogo". A sugestão do GCEE, que no mês passado já advogou pelo aumento da idade de aposentadoria , vem também em meio a uma grande queda de popularidade de Scholz e sua coalizão parlamentar.

·        Alemanha: pesquisa aponta que popularidade de Olaf Scholz segue derretendo

Sondagem aponta que índice de aprovação de Scholz caiu de 44%, em junho, para atuais 30%.

Uma pesquisa encomendada pela revista alemã Der Spiegel apontou que a aprovação da gestão do chanceler da Alemanha, Olaf Scholz, continua em queda.

Na sondagem, dois terços dos entrevistados afirmaram estar insatisfeitos com a gestão do chanceler. O índice de aprovação de Scholz caiu de 44%, em junho, para atuais 30%, o que o coloca em 14º em termos de popularidade entre os políticos alemães.

Outros integrantes do governo de Scholz que registraram queda de aprovação foram a ministra das Relações Exteriores, Annalena Baerbock, cujo índice de aprovação caiu para 42%, quatro pontos percentuais abaixo do registrado em junho, assim como a ministra do Interior, Nancy Faeser, que caiu de 23%, em junho, para 19%.

Em contraponto, Marcus Soder, o líder da União Social Cristã (CSU), e Sahra Wagenknecht, uma deputada de esquerda que criticou repetidamente a ajuda ocidental à Ucrânia, registraram um aumento significativo no índice de aprovação, subindo para 48% e 38%, respectivamente.

De acordo com a sondagem, o político mais popular na Alemanha é o presidente Frank-Walter Steinmeier (60%), um antigo ministro das Relações Exteriores cujo papel como chefe de Estado é basicamente cerimonial. O Ministro da Defesa, Boris Pistorius, também tem um nível de apoio relativamente elevado, com 55% dos entrevistados afirmando aprovar seu trabalho.

No geral, os alemães parecem estar insatisfeitos com o governo atual, com 70% dos entrevistados afirmando considerar a gestão de Scholz "bastante ruim" ou "muito ruim".

A revista Der Spiegel sugeriu que os números baixos se devem, em parte, às atitudes em relação à imigração. Cerca de 65% dos entrevistados acreditam que houve imigração "demasiada" para o país, enquanto apenas um terço afirma que o montante é "muito pequeno" ou "correto". Além disso, 45% dos entrevistados estão pessimistas quanto à sua situação financeira no próximo ano.

A pesquisa atual ecoa uma pesquisa semelhante realizada pela ARD-DeutschlandTrend no início deste mês, na qual 74% dos entrevistados afirmaram considerar que Scholz está fazendo um trabalho ruim como chanceler, e 77% disseram ter pouca ou nenhuma confiança na direção que ele está tomando para o país.

·        Alemanha não deverá poder abandonar o carvão antes de 2030, avalia representante da indústria

O país não conseguirá suprir suas necessidades de energia com fontes renováveis, pois não há capacidade de armazenamento suficiente, segundo o presidente da Federação das Indústrias Alemãs.

O governo alemão pode não conseguir desativar as usinas elétricas a carvão antes do prazo, porque não tem uma estratégia de incentivos para a construção de novas usinas a gás, anunciou Siegfried Russwurm, presidente da Federação das Indústrias Alemãs.

"É extremamente irritante que possamos nos encontrar em uma situação em que tenhamos que continuar operando usinas elétricas a carvão por mais tempo, porque não há outra capacidade de reserva suficiente", disse Russwurm, citado pela agência alemã DPA.

Russwurm representa empresas como o gigante do setor industrial alemão Siemens Energy AG.

A Alemanha está apostando na energia renovável de origem eólica e solar para remodelar o fornecimento de eletricidade do país, e busca eliminar o carvão até 2030, oito anos antes da data oficial. No entanto, dois dos maiores fornecedores de energia da Alemanha disseram nesta semana que manterão algumas usinas a carvão em funcionamento por mais tempo do que o esperado anteriormente, após a decisão de um órgão regulador de proibir o fechamento das instalações antes de março de 2031.

"Será necessário investimento privado, e tem que valer a pena, mesmo que sejam apenas algumas horas de operação por ano", apontou Russwurm.

"Sou fã da expansão das energias renováveis, mas a honestidade exige que digamos que precisamos de soluções de reserva. Estamos muito longe de ter capacidade de armazenamento suficiente", destacou.

Robert Habeck, ministro para Assuntos Econômicos e Proteção Climática, do Partido Verde, ainda não apresentou uma estratégia que inclua novas usinas a gás como reserva para os períodos em que não haja vento ou sol para cobrir a demanda de eletricidade. Elas funcionariam inicialmente com gás natural e, posteriormente, com hidrogênio neutro sem emissões nocivas. No entanto, até o momento as empresas de energia têm estado relutantes em investir.

A Alemanha tem dependido fortemente do carvão desde as sanções abrangentes impostas contra a Rússia após o início da operação militar especial na Ucrânia, e após ter fechado suas últimas usinas nucleares neste ano.

 

Ø  Voluntários ucranianos autorizados a cruzar a fronteira em busca de ajuda humanitária fogem do país

 

Chefe da administração de Kherson disse, neste sábado (23), que dez voluntários escaparam do país. Ele acrescentou que não pretende emitir novas autorizações de saídas.

Dez voluntários ucranianos que receberam permissão para deixar o território da Ucrânia em busca de ajuda humanitária aproveitaram a permissão concedida para fugir. A informação foi dada neste sábado (23), pelo chefe da administração de Kherson, Aleksandr Prokudin, nomeado para o cargo pelo regime de Kiev.

Em suas redes sociais, Prokudin afirmou que os voluntários faziam parte das organizações Ucrânia Unida e Adjalyk.

"Emiti ordens para permitir que representantes das organizações Ucrânia Unida e Adjalyk cruzassem a fronteira. Eles partiram e trouxeram a ajuda humanitária prometida. Mas depois disso decidiram partir pela segunda vez e não voltaram para a Ucrânia", escreveu Prokudin.

Ele acrescentou que as autoridades policiais estão investigando o caso e pretendem levar os infratores à justiça. Ele também disse que não pretende mais emitir autorização para viagem a essas duas organizações.

A Ucrânia está sob lei marcial desde 24 de fevereiro de 2022. O presidente ucraniano, Vladimir Zelensky, assinou um decreto sobre a mobilização geral, no qual proibiu homens de 18 a 60 anos de sair do país.

As intimações para recrutamento podem ser entregues em diversos locais: nas ruas, postos de gasolina ou em cafés. Ao mesmo tempo, as forças de segurança e os militares praticam ataques aos recrutas, muitas vezes usando violência.

Conforme escreveu a revista Time, o número de soldados ucranianos diminuiu tanto que a idade média dos recrutas aumentou para 43 anos. Recentemente, também se discutiu a possibilidade de mobilização das mulheres, o que, segundo a mídia ocidental, também indica enormes perdas nas Forças Armadas da Ucrânia.

 

Ø  Político na Estônia propõe privar russos de direitos eleitorais; Rússia reage

 

O anterior ministro das Relações Exteriores da Estônia propôs proibir as pessoas com passaporte russo que vivem na Estônia de votar nas eleições presidenciais russas de 2024, tendo sido criticado tanto pelo atual detentor do cargo como por Moscou.

Certos políticos da Estônia estão tentando discriminar os cidadãos russos que vivem no país báltico, impedindo-os de participar das eleições presidenciais russas em março, disse o Ministério das Relações Exteriores da Rússia à Sputnik.

Urmas Reinsalu, ex-ministro das Relações Exteriores da Estônia (2019-2021 e 2022-2023) e agora líder do grupo parlamentar Isamaa, sugeriu há alguns dias a proibição de instalar urnas eleitorais para as eleições presidenciais russas de 2024 na União Europeia.

"Vemos nisso nada mais do que uma tentativa de introduzir outra medida discriminatória contra nossos concidadãos que vivem na Estônia, a quem eles negam a cidadania estoniana e agora propõem privar da possibilidade de exercer seus direitos decorrentes da cidadania russa", disse um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores.

A iniciativa de Reinsalu, segundo ele, se enquadra na "russofobia do homem das cavernas" que atualmente caracteriza os políticos da UE e o "Ocidente coletivo".

Margus Tsakhna, sucessor de Reinsalu no cargo da chancelaria estoniana, já comentou que a Rússia tem o direito de realizar a votação em sua embaixada em Tallinn, conforme a Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas.

"A Estônia não tem base legal para interferir, independentemente do que alguns políticos possam dizer", afirmou Tsakhna à emissora estoniana ERR.

 

Ø  Novas informações vêm a público sobre a traição do ex-conselheiro da Roscosmos Ivan Safronov

 

Em uma reportagem especial, o canal de TV da Rússia Rossiya 24, divulgou novas informações sobre o caso de Ivan Safronov, ex-jornalista e ex-conselheiro da Roscosmos, agência espacial russa, condenado a 22 anos de prisão por vender informações confidenciais.

Preso em julho de 2020 e condenado em setembro de 2022, Safronov transferiu informações sobre a constelação de satélites de defesa russa para a República Tcheca. Esses dados, inclusive, teriam sido utilizados posteriormente pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), apontou a rede televisiva.

De acordo a reportagem, dentre as informações fornecidas estão o tempo de serviço desses satélites, os períodos de manutenção e de testes e também "os momentos em que eles não operam em plena capacidade", disse Aleksandr Chaban, chefe do 1º Departamento Investigativo da Serviço Federal de Segurança (FSB, na sigla em russo).

O agente tcheco Martin Larysh, aponta a reportagem, começou a recrutar Safronov em 2012, com as primeiras transferências de informações classificadas iniciando em 2013. "O primeiro contato de Safronov com um representante da inteligência tcheca ocorreu em 2012, na época, foi um encontro inofensivo", disse Chaban. "Mais próximo de 2013 as primeiras propostas e primeiras tarefas foram entregues a Safronov", concluiu.

Para a Alemanha, Safronov contou informações confidenciais sobre as operações terrestres das forças russas na Síria, afirmou Chaban. "Essas informações eram secreta naquela época. Mais tarde foram desclassificadas. Mas naquela época eram informações absolutamente secretas."

Por esses dados, Safronov teria recebido cerca de 200 dólares (cerca de R$ 1 mil) do cientista político Demuri Voronin, que e apresentou a Safronov como cidadão alemão, chefe de uma empresa de consultoria. Voronin foi condenado a 13 anos de prisão por sua participação no caso.

 

Fonte: Sputnik Brasil

 

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