sexta-feira, 15 de dezembro de 2023

CAR-T: pesquisas indicam benefícios para outras doenças além do câncer

Pesquisadores da Universidade de Pensilvânia, nos Estados Unidos, sugerem que a terapia celular CAR-T também poderia ser usada para o tratamento de pacientes com diabetes tipo 1, asma, lúpus e infecções fúngicas. As conclusões foram publicadas nessa quarta-feira (26/7), na revista Nature.

No artigo, os autores detalham o método promissor para o tratamento do câncer no sangue e fazem uma revisão de outros estudos que apontam para novas possibilidades de uso da terapia. O CAR-T ganhou notoriedade após levar um paciente de 61 anos com linfoma à remissão completa em um mês.

“Evidências de estudos clínicos e pré-clínicos ressaltam o potencial da terapia CAR-T além da oncologia, no tratamento de autoimunidade, infecções crônicas, fibrose cardíaca, doenças associadas à senescência e outras condições”, escrevem os autores do artigo.

Uma pesquisa de 2022 que envolveu cinco pacientes com lúpus mostra uma dessas evidências. A técnica conseguiu controlar a replicação das células B e os participantes deixaram de tomar os medicamentos para a doença, sendo considerados em remissão.

Um estudo com ratos mostrou que os animais com pré-diabetes se beneficiaram da terapia também para a prevenção da diabetes, mas o efeito desapareceu com o passar do tempo, sugerindo que sua ação pode não ser duradoura.

·        Terapia CAR-T

A terapia celular CART-Cell – sigla do inglês Chimeric Antigen Receptor T-Cell Therapy – é um procedimento capaz de combater cânceres hematológicos usando as células de defesa (linfócitos T) do próprio paciente modificadas em laboratório e reinseridas por infusão.

Ela foi aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em 2022 para pacientes com cânceres sanguíneos que não obtiveram os resultados esperados em outras duas terapias anteriores. Até então, a terapia estava disponível apenas para pesquisa acadêmica.

Terapia CAR-T em tumores sólidos

A maioria dos diagnósticos de câncer ainda é com tumores sólidos, mas os resultados dos ensaios clínicos da terapia CAR-T neste tipo de doença têm sido decepcionantes até agora.

 

Ø  Tratamento CAR-T contra câncer pode levar a novos tumores, alerta FDA

 

A Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora de tratamentos de saúde nos Estados Unidos, afirmou ter recebidos relatos de que o tratamento CAR-T em pacientes com câncer no sangue pode levar ao desenvolvimento de um câncer secundário, ou seja, de um novo tipo de tumor .

A terapia com CAR-T usa células de defesa do corpo do próprio paciente geneticamente modificadas para melhorar a forma de rastrear o câncer e combatê-lo.

Esta terapia se tornou mais conhecida no Brasil em maio após ter levado à remissão completa do câncer de um paciente que convivia com a doença há 13 anos, o carioca Paulo Peregrino, de 62 anos.

Apesar de seus efeitos benéficos, a CAR-T pode estar vinculada, aponta a FDA, a novos diagnósticos de câncer no sangue em 12 pacientes que receberam a terapia. No total, cerca de 7 mil pessoas nos EUA já fizeram esse tipo de tratamento.

·        O que pode causar o novo câncer

A explicação para os tumores secundários está na possibilidade de algumas das células geneticamente modificadas do tratamento terem se replicado de forma maligna, gerando linfomas CAR+, ou seja, câncer nas próprias células treinadas.

A FDA informa que os casos foram verificados em alguns dos primeiros pacientes em que a técnica foi experimentada e ocorreram nos 10 anos posteriores à aplicação.

Os estudos já previam a possibilidade de um câncer secundário após o tratamento, mas as evidências demonstradas até agora mostram que os benefícios encontrados são superiores aos riscos.

O futuro do CAR-T

Por enquanto, a FDA vai monitorar os casos, mas não planeja retirar nenhuma aprovação de medicamentos ou modificar as indicações.

A FDA exigiu que os fabricantes de terapias celulares conduzam estudos de 15 anos para monitorar os perfis de segurança dos tratamentos.

 

Ø  Permanecer horas sentada pode aumentar risco de miomas, diz estudo

 

Passar mais de seis horas do dia sentada aumenta o risco de uma mulher desenvolver miomas uterinos, afirmam pesquisadores da Universidade de Kunming, na China.

A descoberta foi publicada na revista científica BMJ Open na quarta-feira (28/11), após um estudo com aproximadamente 6.600 pessoas com útero, com idades entre 30 e 55 anos, que ainda não haviam passado pela menopausa. No total, 562 (8,5%) já tinham miomas.

·        O que são miomas?

Os miomas são nódulos benignos que podem crescer em qualquer parte do útero durante a idade reprodutiva. Eles são formados predominantemente por fibras musculares e se formam em resposta aos estímulos do hormônio feminino estrogênio.

Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) estima que oito em cada dez mulheres em idade fértil tenham miomas.

·        Sedentarismo

Para realizar o estudo, os pesquisadores coletaram informações básicas, como o histórico menstrual e reprodutivo, os hábitos alimentares e a rotina de exercícios físicos.

As participantes foram separadas em quatro grupos de acordo com o tempo que passavam sentadas: 1) menos de duas horas por dia; 2) duas a quatro horas/dia; 3) quatro a seis horas/dia e 4) seis ou mais horas/dia. A maioria delas (61%) estava no grupo de duas a quatro horas.

As mulheres que passavam seis ou mais horas sentadas tinham o dobro de chances de desenvolver miomas uterinos em comparação com aquelas que permaneciam assim por menos de duas horas diárias.

Para os pesquisadores da Universidade de Kunming, duas hipóteses podem explicar o aumento do risco de formação de miomas em mulheres que passam mais tempo sentadas. A primeira delas é que o sedentarismo está ligado à obesidade, condição que já está associada à formação de miomas.

A segunda hipótese é a associação entre comportamento sedentário, inflamação crônica e deficiência de vitamina D, que também já foram relacionados com o risco aumentado para o aparecimento de miomas.

 

Fonte: Metrópoles

 

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