CAR-T: pesquisas indicam benefícios
para outras doenças além do câncer
Pesquisadores da Universidade de Pensilvânia, nos
Estados Unidos, sugerem que a terapia celular CAR-T também poderia ser usada para o
tratamento de pacientes com diabetes tipo 1, asma, lúpus e infecções fúngicas. As conclusões foram publicadas nessa quarta-feira
(26/7), na revista
Nature.
No artigo, os autores detalham o método promissor
para o tratamento do câncer no sangue e fazem uma revisão de outros estudos que
apontam para novas possibilidades de uso da terapia. O CAR-T ganhou notoriedade
após levar um paciente de 61 anos com linfoma à remissão completa em um mês.
“Evidências de estudos clínicos e pré-clínicos
ressaltam o potencial da terapia CAR-T além da oncologia, no tratamento de
autoimunidade, infecções crônicas, fibrose cardíaca, doenças associadas à
senescência e outras condições”, escrevem os autores do artigo.
Uma pesquisa de 2022 que envolveu cinco pacientes
com lúpus mostra uma dessas evidências. A técnica conseguiu controlar a
replicação das células B e os participantes deixaram de tomar os medicamentos
para a doença, sendo considerados em remissão.
Um estudo com ratos mostrou que os animais
com pré-diabetes se beneficiaram da terapia também para a
prevenção da diabetes, mas o efeito desapareceu com o passar do tempo,
sugerindo que sua ação pode não ser duradoura.
·
Terapia CAR-T
A terapia celular CART-Cell – sigla do inglês
Chimeric Antigen Receptor T-Cell Therapy – é um procedimento capaz de combater
cânceres hematológicos usando as células de defesa (linfócitos T) do próprio
paciente modificadas em laboratório e reinseridas por infusão.
Ela foi aprovada pela Agência Nacional de
Vigilância Sanitária (Anvisa) em 2022 para pacientes com cânceres sanguíneos que não obtiveram os resultados
esperados em outras duas terapias anteriores. Até então, a terapia estava
disponível apenas para pesquisa acadêmica.
Terapia CAR-T em tumores sólidos
A maioria dos diagnósticos de câncer ainda é com
tumores sólidos, mas os resultados dos ensaios clínicos da terapia CAR-T neste
tipo de doença têm sido decepcionantes até agora.
Ø Tratamento
CAR-T contra câncer pode levar a novos tumores, alerta FDA
A Food and Drug Administration (FDA), agência
reguladora de tratamentos de saúde nos Estados Unidos, afirmou ter recebidos
relatos de que o tratamento CAR-T em pacientes com câncer no sangue pode levar
ao desenvolvimento de um câncer secundário, ou seja, de um novo tipo de tumor .
A terapia com CAR-T usa células de defesa do corpo
do próprio paciente geneticamente modificadas para melhorar a forma de rastrear
o câncer e combatê-lo.
Esta terapia se tornou mais conhecida no Brasil em
maio após ter levado à remissão completa do câncer de um
paciente que convivia com a doença há 13 anos, o carioca Paulo Peregrino, de 62
anos.
Apesar de seus efeitos benéficos, a CAR-T pode
estar vinculada, aponta a FDA, a novos diagnósticos de câncer no sangue em 12
pacientes que receberam a terapia. No total, cerca de 7 mil pessoas nos EUA já
fizeram esse tipo de tratamento.
·
O que pode causar o novo câncer
A explicação para os tumores secundários está na
possibilidade de algumas das células geneticamente modificadas do tratamento terem se replicado
de forma maligna, gerando linfomas CAR+, ou seja, câncer nas próprias células
treinadas.
A FDA informa que os casos foram verificados em
alguns dos primeiros pacientes em que a técnica foi experimentada e ocorreram
nos 10 anos posteriores à aplicação.
Os estudos já previam a possibilidade de um câncer
secundário após o tratamento, mas as evidências demonstradas até agora mostram
que os benefícios encontrados são superiores aos riscos.
O futuro do CAR-T
Por enquanto, a FDA vai monitorar os casos, mas não
planeja retirar nenhuma aprovação de medicamentos ou modificar as indicações.
A FDA exigiu que os fabricantes de terapias
celulares conduzam estudos de 15 anos para monitorar os perfis de segurança dos
tratamentos.
Ø Permanecer
horas sentada pode aumentar risco de miomas, diz estudo
Passar mais de seis horas do dia sentada aumenta o
risco de uma mulher desenvolver miomas uterinos, afirmam pesquisadores da Universidade
de Kunming, na China.
A descoberta foi publicada na revista
científica BMJ Open na
quarta-feira (28/11), após um estudo com aproximadamente 6.600 pessoas com
útero, com idades entre 30 e 55 anos, que ainda não haviam passado pela
menopausa. No total, 562 (8,5%) já tinham miomas.
·
O que são miomas?
Os miomas são nódulos benignos que podem crescer em
qualquer parte do útero durante a idade reprodutiva. Eles são formados
predominantemente por fibras musculares e se formam em resposta aos estímulos
do hormônio feminino estrogênio.
A Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia
(Febrasgo) estima que oito em cada dez mulheres em idade fértil tenham
miomas.
·
Sedentarismo
Para realizar o estudo, os pesquisadores coletaram
informações básicas, como o histórico menstrual e reprodutivo, os hábitos
alimentares e a rotina de exercícios físicos.
As participantes foram separadas em quatro grupos
de acordo com o tempo que passavam sentadas: 1) menos de duas horas por dia; 2)
duas a quatro horas/dia; 3) quatro a seis horas/dia e 4) seis ou mais
horas/dia. A maioria delas (61%) estava no grupo de duas a quatro horas.
As mulheres que passavam seis ou mais horas
sentadas tinham o dobro de chances de desenvolver miomas uterinos em comparação
com aquelas que permaneciam assim por menos de duas horas diárias.
Para os pesquisadores da Universidade de Kunming,
duas hipóteses podem explicar o aumento do risco de formação de miomas em
mulheres que passam mais tempo sentadas. A primeira delas é que o sedentarismo
está ligado à obesidade, condição que já está associada à formação de miomas.
A segunda hipótese é a associação entre
comportamento sedentário, inflamação crônica e deficiência de vitamina D, que
também já foram relacionados com o risco aumentado para o aparecimento de
miomas.
Fonte: Metrópoles

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