'As religiões de matriz africana veem o
meio ambiente como divindades', afirma diretora do Ministério da Igualdade
Racial
Oxum, as águas doces, Yemanjá, a água do mar,
Ossain, as plantas. Os orixás, materializados e representados pela natureza,
propõem para os praticantes das religiões de matriz africana uma relação de
amor e cuidado com o meio ambiente.
Apesar de ainda distantes das rodadas de
negociações sobre as mudanças climáticas e mesmo de eventos como a COP 28
(Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas), que ocorre em Dubai,
nos Emirados Árabes Unidos, desde 30 de novembro, os terreiros e espaços das
religiões de matriz africana são locais de culto e exaltação à natureza.
"As religiões de matriz africana veem o meio
ambiente como divindades. Nós somos um povo que cultua a natureza", afirma
Luzineide Borges, diretora de políticas para povos e comunidades tradicionais
de matriz africana e povos de terreiro, do Ministério da Igualdade Racial
(MIR).
A diretora compõe a delegação do ministério na COP
28 e destaca a relação de simbiose entre meio ambiente e as religiões de matriz
africana. "Todas as nações não existiriam se não cultuassem a
natureza".
Luzineide Borges participou de um painel organizado
pelo Instituto de Estudos da Religião (ISER) com o tema de "Religião e
Espiritualidade como temas chave para garantir a justiça climática". Ao
lado de figuras como Ronilson Pacheco, integrante do ISER, Selma Dealdina,
coordenadora da CONAQ, Fray Scarel, Movimento Laudato Si, da Argentina,
Luzineide Borges destacou ações feitas pelo MIR em parceria de outras pastas a
nível federal.
Ela falou do esforço que tem sido desenvolvido para
a construção de orientações para garantia de regularização fundiária dos
territórios, assegurar as estratégias dos terreiros para preservação ambiental,
entre outras medidas.
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COP 30 em Belém
Por isso, ela tem uma expectativa de ver as
lideranças de terreiro com maior espaço de escuta nas discussões sobre o futuro
climático do planeta. A COP 30, em Belém (PA), é vista como uma grande
possibilidade de se concretizar essa meta.
"A luta pela preservação do território
pertence também aos povos de matriz africanas e povos de terreiro. A nossa
presença na COP 30 é importantíssima não só para falar e para denunciar sobre a
questão do racismo ambiental", pontua.
Para Luzineide, as religiões de matriz africana têm
a possibilidade e o papel de pautar, para além das violências sofridas,
caminhos futuros para a resolução dos problemas climáticos do mundo. "Nós
podemos apresentar propostas de preservação do ambiente como um todo, da
natureza da do ecossistema, sem essa desvinculação de homem e a natureza, da
mulher e a natureza".
Ø Águas do
Rio São Francisco chegaram pela primeira vez a uma das cidades mais populosas
do interior do Nordeste
As águas da transposição do Rio São Francisco
percorreram 51 quilômetros pela Adutora do Agreste, captadas na cidade de Belo
Jardim, e chegaram pela primeira vez à Estação de Tratamento de Água do
Petrópolis, em Caruaru, no Agreste Pernambucano.
O município é o segundo mais populoso do interior
do estado e o quatro do interior do Nordeste, com 378 mil habitantes, segundo o
Censo Demográfico 2022, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE).
O teste foi realizado neste domingo (10) pelos
técnicos da Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa), que comemoraram os
resultados. “Mais uma etapa vencida da fase de testes do novo trecho da Adutora
do Agreste, que contará com 796 km de extensão quando a 1ª Etapa for concluída.
Nesta fase que está em testes, serão beneficiadas oito cidades do Agreste,
entre elas, Caruaru e São Caetano”, destacou a estatal.
A partir de agora, para que a água bruta captada no
canal da transposição seja tratada e distribuída à população de Caruaru, serão
iniciados ajustes operacionais necessários na própria adutora e também na
estação de tratamento de água. Além das atividades em Caruaru, os técnicos da
Compesa prosseguirão com os testes que alcançam as demais cidades planejadas
nesta fase.
O novo trecho destinado à captação de água do Ramal
do Agreste, entre os municípios de Arcoverde e Pesqueira, vai beneficiar cerca
de 650 mil pessoas, de oito cidades – Pesqueira, Alagoinha, Sanharó, Belo
Jardim, São Bento do Una, Tacaimbó, São Caetano e Caruaru. “Estamos
intensificando os trabalhos, com equipes montadas em esquema de revezamento, a
fim de que o novo trecho entre em operação com a maior brevidade possível”,
enfatizou o presidente da Compesa, Alex Campos.
Ele também destacou a retomada dos investimentos em
obras de abastecimento em Pernambuco a partir da liberação de recursos do
governo federal e do estado, o que tem permitido a aceleração dos grandes
empreendimentos voltados à ampliação da oferta de água para o Agreste, região
que detém o pior balanço hídrico de Pernambuco e do Nordeste.
“Esperamos, em breve, fazer a entrega desta etapa
da Adutora do Agreste, mas sem perder de vista os testes de outras duas grandes
obras que beneficiarão o Agreste, falo das adutoras de Serro Azul e do Alto
Capibaribe, cujas águas começam a chegar na casa da população ainda no primeiro
semestre de 2024”, complementou Alex Campos.
Concluída esta fase, em que são beneficiadas oito
cidades, as intervenções da Adutora do Agreste continuarão até a finalização da
1 ª Etapa, empreendimento que absorverá R$ 2 bilhões, garantindo 2 mil litros
de água por segundo para 23 cidades do Agreste e Sertão. “Já atingimos 79% da
conclusão da obra e estamos a caminho da sua finalização, após uma década de
execução”, finalizou o presidente Alex Campos.
Ø Cidades
mais violentas da Amazônia são alvo de garimpo, desmatamento e tráfico de
drogas, aponta estudo
As dez cidades mais violentas da região amazônica
sofrem com a presença dos mercados do garimpo, desmatamento, tráfico de drogas,
entre outros. O estudo "Cartografias da Violência na Amazônia",
publicado pelo Instituto Mãe Crioula e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública
(FBSP) nesta quinta-feira (30), mostra como os municípios da região amazônica
estão com números acima da média nacional em casos de homicídio.
A cidade mais violenta da região é a de Floresta do
Araguaia, localizada no Sul do Pará, com a taxa de 128,6 mortes para cada 100
mil habitantes. A média nacional no Brasil em 2022 foi de 23,3, enquanto a da
Amazônia legal foi de 33,8, 45% superior aos dados nacionais.
Em Floresta do Araguaia há uma combinação de
fatores que explicam os altos índices de violência, como a disputa de
fazendeiros e madeireiros por terras da região. Mapeamento do Ministério
Público apontou para a existência de 13 conflitos fundiários na região.
O segundo município mais violento também fica no
Pará, a cidade de Cumaru do Norte, com uma média de 128,5 mortes para cada
grupo de 100 mil habitantes. A cidade lida com o garimpo, com operações de
controle de órgãos públicos, como a Polícia Federal, que em junho de 2023
fechou seis garimpos ilegais na região.
Mato Grosso tem o terceiro município da lista, a
cidade de Aripuanã, no norte do estado, com a estatística de 121,8 mortes para
cada grupo de 100 mil habitantes. O município convive com a exploração de
madeira e a retirada de árvores de territórios indígenas. O garimpo ilegal é
outro problema existente na região.
As outras cidades que compõem as 10 mais violentas
da região também sofrem a influência do crime organizado, das disputas
existentes entre Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC). A
presença das facções se faz na cidade de Nova Maringá (MT), a décima mais
violenta, e Mocajuba (PA), a quinta da lista, e Cumaru do Norte (PA), a
segunda.
O método utilizado pelos pesquisadores foi o de
analisar os números de mortes para cada grupo de 100 mil habitantes entre os
anos de 2020 e 2022. A metodologia foi utilizada para evitar um número
desproporcional para uma cidade em um único ano devido a um evento pontual,
caso de uma chacina.
Fonte: Jornalismo Preto Livre/Agencia Sertão

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