sábado, 16 de dezembro de 2023

'As religiões de matriz africana veem o meio ambiente como divindades', afirma diretora do Ministério da Igualdade Racial

Oxum, as águas doces, Yemanjá, a água do mar, Ossain, as plantas. Os orixás, materializados e representados pela natureza, propõem para os praticantes das religiões de matriz africana uma relação de amor e cuidado com o meio ambiente.

Apesar de ainda distantes das rodadas de negociações sobre as mudanças climáticas e mesmo de eventos como a COP 28 (Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas), que ocorre em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, desde 30 de novembro, os terreiros e espaços das religiões de matriz africana são locais de culto e exaltação à natureza.

"As religiões de matriz africana veem o meio ambiente como divindades. Nós somos um povo que cultua a natureza", afirma Luzineide Borges, diretora de políticas para povos e comunidades tradicionais de matriz africana e povos de terreiro, do Ministério da Igualdade Racial (MIR).

A diretora compõe a delegação do ministério na COP 28 e destaca a relação de simbiose entre meio ambiente e as religiões de matriz africana. "Todas as nações não existiriam se não cultuassem a natureza". 

Luzineide Borges participou de um painel organizado pelo Instituto de Estudos da Religião (ISER) com o tema de "Religião e Espiritualidade como temas chave para garantir a justiça climática". Ao lado de figuras como Ronilson Pacheco, integrante do ISER, Selma Dealdina, coordenadora da CONAQ, Fray Scarel, Movimento Laudato Si, da Argentina, Luzineide Borges destacou ações feitas pelo MIR em parceria de outras pastas a nível federal.

Ela falou do esforço que tem sido desenvolvido para a construção de orientações para garantia de regularização fundiária dos territórios, assegurar as estratégias dos terreiros para preservação ambiental, entre outras medidas.

·        COP 30 em Belém

Por isso, ela tem uma expectativa de ver as lideranças de terreiro com maior espaço de escuta nas discussões sobre o futuro climático do planeta. A COP 30, em Belém (PA), é vista como uma grande possibilidade de se concretizar essa meta.

"A luta pela preservação do território pertence também aos povos de matriz africanas e povos de terreiro. A nossa presença na COP 30 é importantíssima não só para falar e para denunciar sobre a questão do racismo ambiental", pontua.

Para Luzineide, as religiões de matriz africana têm a possibilidade e o papel de pautar, para além das violências sofridas, caminhos futuros para a resolução dos problemas climáticos do mundo. "Nós podemos apresentar propostas de preservação do ambiente como um todo, da natureza da do ecossistema, sem essa desvinculação de homem e a natureza, da mulher e a natureza".

 

Ø  Águas do Rio São Francisco chegaram pela primeira vez a uma das cidades mais populosas do interior do Nordeste

 

As águas da transposição do Rio São Francisco percorreram 51 quilômetros pela Adutora do Agreste, captadas na cidade de Belo Jardim, e chegaram pela primeira vez à Estação de Tratamento de Água do Petrópolis, em Caruaru, no Agreste Pernambucano.

O município é o segundo mais populoso do interior do estado e o quatro do interior do Nordeste, com 378 mil habitantes, segundo o Censo Demográfico 2022, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O teste foi realizado neste domingo (10) pelos técnicos da Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa), que comemoraram os resultados. “Mais uma etapa vencida da fase de testes do novo trecho da Adutora do Agreste, que contará com 796 km de extensão quando a 1ª Etapa for concluída. Nesta fase que está em testes, serão beneficiadas oito cidades do Agreste, entre elas, Caruaru e São Caetano”, destacou a estatal.

A partir de agora, para que a água bruta captada no canal da transposição seja tratada e distribuída à população de Caruaru, serão iniciados ajustes operacionais necessários na própria adutora e também na estação de tratamento de água. Além das atividades em Caruaru, os técnicos da Compesa prosseguirão com os testes que alcançam as demais cidades planejadas nesta fase.

O novo trecho destinado à captação de água do Ramal do Agreste, entre os municípios de Arcoverde e Pesqueira, vai beneficiar cerca de 650 mil pessoas, de oito cidades – Pesqueira, Alagoinha, Sanharó, Belo Jardim, São Bento do Una, Tacaimbó, São Caetano e Caruaru. “Estamos intensificando os trabalhos, com equipes montadas em esquema de revezamento, a fim de que o novo trecho entre em operação com a maior brevidade possível”, enfatizou o presidente da Compesa, Alex Campos.

Ele também destacou a retomada dos investimentos em obras de abastecimento em Pernambuco a partir da liberação de recursos do governo federal e do estado, o que tem permitido a aceleração dos grandes empreendimentos voltados à ampliação da oferta de água para o Agreste, região que detém o pior balanço hídrico de Pernambuco e do Nordeste.

“Esperamos, em breve, fazer a entrega desta etapa da Adutora do Agreste, mas sem perder de vista os testes de outras duas grandes obras que beneficiarão o Agreste, falo das adutoras de Serro Azul e do Alto Capibaribe, cujas águas começam a chegar na casa da população ainda no primeiro semestre de 2024”, complementou Alex Campos.

Concluída esta fase, em que são beneficiadas oito cidades, as intervenções da Adutora do Agreste continuarão até a finalização da 1 ª Etapa, empreendimento que absorverá R$ 2 bilhões, garantindo 2 mil litros de água por segundo para 23 cidades do Agreste e Sertão. “Já atingimos 79% da conclusão da obra e estamos a caminho da sua finalização, após uma década de execução”, finalizou o presidente Alex Campos.

 

Ø  Cidades mais violentas da Amazônia são alvo de garimpo, desmatamento e tráfico de drogas, aponta estudo

 

As dez cidades mais violentas da região amazônica sofrem com a presença dos mercados do garimpo, desmatamento, tráfico de drogas, entre outros. O estudo "Cartografias da Violência na Amazônia", publicado pelo Instituto Mãe Crioula e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) nesta quinta-feira (30), mostra como os municípios da região amazônica estão com números acima da média nacional em casos de homicídio.

A cidade mais violenta da região é a de Floresta do Araguaia, localizada no Sul do Pará, com a taxa de 128,6 mortes para cada 100 mil habitantes. A média nacional no Brasil em 2022 foi de 23,3, enquanto a da Amazônia legal foi de 33,8, 45% superior aos dados nacionais.

Em Floresta do Araguaia há uma combinação de fatores que explicam os altos índices de violência, como a disputa de fazendeiros e madeireiros por terras da região. Mapeamento do Ministério Público apontou para a existência de 13 conflitos fundiários na região.

O segundo município mais violento também fica no Pará, a cidade de Cumaru do Norte, com uma média de 128,5 mortes para cada grupo de 100 mil habitantes. A cidade lida com o garimpo, com operações de controle de órgãos públicos, como a Polícia Federal, que em junho de 2023 fechou seis garimpos ilegais na região.

Mato Grosso tem o terceiro município da lista, a cidade de Aripuanã, no norte do estado, com a estatística de 121,8 mortes para cada grupo de 100 mil habitantes. O município convive com a exploração de madeira e a retirada de árvores de territórios indígenas. O garimpo ilegal é outro problema existente na região.

As outras cidades que compõem as 10 mais violentas da região também sofrem a influência do crime organizado, das disputas existentes entre Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC). A presença das facções se faz na cidade de Nova Maringá (MT), a décima mais violenta, e Mocajuba (PA), a quinta da lista, e Cumaru do Norte (PA), a segunda.

O método utilizado pelos pesquisadores foi o de analisar os números de mortes para cada grupo de 100 mil habitantes entre os anos de 2020 e 2022. A metodologia foi utilizada para evitar um número desproporcional para uma cidade em um único ano devido a um evento pontual, caso de uma chacina.

 

Fonte: Jornalismo Preto Livre/Agencia Sertão

 

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