Armas 'Frankenstein': falta de controle nos EUA alimenta facções ao
redor do mundo, diz mídia
Sob uma nova tática de tráfico internacional, a
legislação estadunidense, conhecida por ser leniente quando se trata da compra
e da venda de armas de fogo, está alimentando facções criminosas na América
Latina e no resto do globo, aponta uma reportagem da Bloomberg.
Segundo uma investigação do Departamento de
Segurança Interna dos Estados Unidos, traficantes de armas internacionais
adotaram a tática de enviar cada componente dos fuzis e das pistolas em pacotes
separados, de modo a se esquivar da fiscalização americana.
Para comprar um fuzil AR-15, exemplifica a matéria,
é preciso ir até uma loja licenciada e passar por uma verificação de
antecedentes do Departamento Federal de Investigação (FBI, na sigla em inglês).
No entanto, é possível fazer um AR-15 comprando
cada parte de maneira individual por meio de sites da Internet que vendem essas
peças.
De acordo com a legislação americana, o único
componente regulamentado — no caso de fuzis — é o receptor inferior (lower
receiver), em que o fabricante deve estampar a marca e o número de série. É por
meio desse dado, da presença de informações de apenas um componente, que as
autoridades identificaram o uso do método por facções da América do Sul, como o
Primeiro Comando da Capital (PCC), o Comando Vermelho (CV) e cartéis na
Colômbia, na Bolívia e no Equador.
Por serem montadas partes por partes, os
investigadores apelidaram essas armas como 'armas Frankenstein'.
Em cooperação com as forças de segurança
norte-americanas, as autoridades brasileiras conseguiram identificar uma das
rotas utilizadas para a entrada desses armamentos no Brasil. Os componentes
eram comprados de diversos fornecedores nos EUA e entregues em Miami na
residência dos traficantes.
De lá, as partes são escondidas em entregas de
celulares, roupas, impressoras ou maquinários direcionadas ao estado do
Amazonas. Uma vez no Norte do Brasil, as armas partem por terra para o resto do
país, separadas ou já montadas.
Ø Acadêmico:
Ásia se lembra do passado colonial da OTAN e não quer ver potências do bloco de
volta
O presidente russo Vladimir Putin ponderou a
possível justificativa que a OTAN pode ter ao se juntar aos EUA em sua
estratégia "pivô para a Ásia", de tentar "conter" a China,
dado que o bloco literalmente tem a palavra "Atlântico" em seu nome.
"Vemos o que está acontecendo em torno da
Rússia e da China. Vemos tentativas do Ocidente de transferir as atividades da
OTAN para a Ásia, que claramente vão além do escopo dos objetivos da carta
desta organização. É chamada de bloco do Atlântico Norte – o que estaria
fazendo na Ásia? Mas não, eles estão se arrastando para a Ásia, provocando,
escalando a situação, criando novos blocos político-militares de composição
variável", disse Putin ontem (14) durante a coletiva de imprensa anual.
Washington já procurou recentemente erguer várias
alianças regionais na Ásia, incluindo o Diálogo de Segurança Quadrilateral (ou
Quad) com a Austrália, a Índia e o Japão, bem como o pacto de segurança da
AUKUS com Camberra e Londres - prometendo à Austrália acesso à tecnologia de
submarinos nucleares em troca de acesso às bases militares.
Por sua vez, autoridades chinesas e a mídia
criticaram a Aliança Atlântica por sua retórica hostil, com a agência Xinhua
acusando o bloco ocidental de "espalhar seus tentáculos para a região da
Ásia-Pacífico com o objetivo expresso de conter a China", enviando
"caças e navios de guerra para exercícios militares nas águas circundantes
da China" e planejando criar um escritório de ligação controverso no
Japão.
No entanto, "só porque o Japão, Coreia do Sul
e a Austrália estão sugerindo que eles não se importariam de ter uma presença
da OTAN, isso não significa que o resto dos países da região quer a OTAN
lá", observa Shaun Narine, professor de relações internacionais e ciência
política na Universidade St. Thomas em New Brunswick, Canadá.
"Quando você olha como o Sudeste Asiático tem
respondido em geral à questão do crescente antagonismo entre os Estados Unidos
e o Ocidente e a China, os países do Sudeste Asiático não querem escolher entre
os EUA e a China. Eles querem uma região pacífica. Eles querem uma região onde
oportunidades de negócios e oportunidades econômicas são o que impulsiona a
interação regional", disse o professor à Sputnik.
O legado do colonialismo europeu tem sido uma
"grande força" na definição do sentido de história e nacionalismo da
região, na opinião do professor. Assim, muitas nações, regiões regionais estão
"muito relutantes em ter os países ocidentais de volta" de forma
militar.
Os países do Sul Global têm sido "recebedores"
da violência das potências ocidentais "durante séculos". Desta forma,
"eles são muito mais cuidadosos sobre como eles lidam com a questão das
alianças militares, alianças militares ocidentais, expandindo-se em sua região",
concluiu o acadêmico.
Ø Irã diz que
Netanyahu 'arrasta' campanha de Biden e crédito dos EUA para o conflito em
Gaza: 'Fardo'
Para o enviado do Irã na Organização das Nações
Unidas (ONU), "Israel tornou-se cada vez mais um fardo para os EUA em
termos de custos materiais, políticos, morais e de reputação na cena
global".
Nesta sexta-feira (15), o embaixador iraniano nas
Nações Unidas, Amir Saeid Iravani, disse que o presidente dos Estados Unidos,
Joe Biden, corre o risco de prejudicar ainda mais a imagem e influência global
de Washington, junto à sua própria campanha eleitoral, se não conseguisse pôr
fim à guerra em curso de Israel na Faixa de Gaza.
"Israel não tem capacidade para empreender
invasões sem o apoio inequívoco dos EUA. À medida que o conflito em Gaza
persiste, o custo associado deste apoio aumenta exponencialmente. Surge uma
conjuntura crítica em que os EUA devem considerar condicionar e restringir este
apoio ou correm o risco de serem vítimas das ambições frustradas da liderança
israelense", disse o embaixador em entrevista à revista Newsweek.
Na visão de Iravani, "[Benjamin] Netanyahu vê
o seu futuro político ligado à continuação da guerra em Gaza, enquanto Biden vê
as suas perspectivas de reeleição ligadas ao fim das hostilidades. Este
conflito de interesses torna-se cada vez mais incontrolável à medida que a
guerra persiste, representando um desafio significativo", afirmou.
O representante do Irã na ONU ainda acredita que
Washington deve "realizar uma reavaliação abrangente da sua estratégia de
segurança nacional em relação ao Oriente Médio".
Ele cita diversos conflitos como os que aconteceram
no Iraque, Afeganistão e Síria, onde os EUA tiveram "custos materiais
exorbitantes [...], perda de milhares de vidas [...], erosão da credibilidade
do seu aparelho militar e de inteligência e, no final, culminou em um acordo no
Afeganistão com o Talibã [organização sob sanções da ONU por atividade
terrorista] que facilitou o seu regresso ao poder", analisou.
"Os EUA encontram-se em uma posição precária,
tendo testemunhado um declínio na sua influência [...] recorrendo ao poder duro
e ao reforço da presença militar como medida compensatória. No entanto, as
bases militares norte-americanas na região contribuíram para agravar as
questões regionais, em vez de servirem como solução."
Por fim, Iravani considera ser "imperativo que
o governo dos EUA chegue a uma conclusão estratégica sobre se a continuação das
políticas erradas e já comprovadamente falhas se alinha com os seus interesses,
ou se é necessário traçar um novo rumo. A decisão, em última análise, está em
suas mãos", complementou.
Na terça-feira (12), ao perceber que está sendo
"arrastado" para o conflito, Biden mudou um pouco sua retórica e pela
primeira vez pressionou Netanyahu publicamente ao dizer que "Israel
precisa mudar seu governo" ou acabaria por "perder apoio
global". No entanto, na quarta-feira (13), a chancelaria israelense disse
que continuaria sua campanha em Gaza "com ou sem apoio
internacional", conforme noticiado.
Ø Apesar de
concordarem em substituir combustíveis fósseis, EUA ainda precisam deles, diz
Casa Branca
O assessor para o Clima da administração
norte-americana disse que os EUA ainda precisarão de usar combustíveis fósseis
antes de completar a transição energética.
Os EUA não podem descartar imediatamente o petróleo
e o gás, disse o assessor da Casa Branca para o Clima, Ali Zaidi, em
declarações na quinta-feira (14) à agência norte-americana Bloomberg.
Para atender à demanda no curto prazo, os EUA
precisam "aceitar a realidade do estoque que temos, seja em edifícios,
transporte ou no setor de energia", disse Ali Zaidi durante a entrevista.
"Mas estamos rapidamente transferindo esse
estoque para a energia limpa", acrescentou ele.
Os EUA são o segundo maior emissor de gases de
efeito estufa do mundo. Ainda assim, estão sendo abertos e licitados novos
campos petrolíferos, e os exportadores estão enviando mais gás natural
liquefeito para o exterior, apesar de centenas de bilhões de dólares em gastos
com iniciativas climáticas e de energia limpa sob a Lei de Redução da Inflação
de 2022.
Entre 30 de novembro a 12 de dezembro passado, foi
realizada a cúpula climática COP28, durante a qual quase 200 países, incluindo
os Estados Unidos, assinaram um pacto para abandonar os combustíveis fósseis ao
longo do tempo.
Ø Rússia
lamenta permissão finlandesa para acesso dos EUA a bases militares: 'Havia
respeito mútuo'
Porta-voz do Kremlin disse que quando a
infraestrutura militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN)
entrar no país vizinho, "será obviamente uma ameaça para a Rússia".
Moscou lamentou nesta sexta-feira (15) a decisão de
Helsinque de assinar documentos que passam a permitir o acesso dos Estados
Unidos a bases militares no país, disse o porta-voz da presidência russa,
Dmitry Peskov.
"Isso certamente levará [ao aumento da tensão
com a Rússia]. E só podemos lamentar nesse sentido, porque tínhamos realmente
excelentes relações com a Finlândia, […] ninguém ameaçava ninguém, não houve
problemas, não houve reclamações mútuas, ninguém violou os interesses do outro,
houve respeito mútuo", disse Peskov a jornalistas.
Os militares norte-americanos terão acesso a 15
instalações militares na Finlândia, incluindo bases aéreas e navais,
guarnições, campos de treino, armazéns e quartéis da guarda de fronteira.
Ao mesmo tempo, o DCA permitirá que as forças
estadunidenses acomodem equipamentos, suprimentos e materiais de defesa no país
nórdico, assim como liberará a entrada e circulação de aeronaves, navios e
veículos dos EUA.
Fonte: Sputnik Brasil

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