sábado, 16 de dezembro de 2023

Armas 'Frankenstein': falta de controle nos EUA alimenta facções ao redor do mundo, diz mídia

Sob uma nova tática de tráfico internacional, a legislação estadunidense, conhecida por ser leniente quando se trata da compra e da venda de armas de fogo, está alimentando facções criminosas na América Latina e no resto do globo, aponta uma reportagem da Bloomberg.

Segundo uma investigação do Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos, traficantes de armas internacionais adotaram a tática de enviar cada componente dos fuzis e das pistolas em pacotes separados, de modo a se esquivar da fiscalização americana.

Para comprar um fuzil AR-15, exemplifica a matéria, é preciso ir até uma loja licenciada e passar por uma verificação de antecedentes do Departamento Federal de Investigação (FBI, na sigla em inglês).

No entanto, é possível fazer um AR-15 comprando cada parte de maneira individual por meio de sites da Internet que vendem essas peças.

De acordo com a legislação americana, o único componente regulamentado — no caso de fuzis — é o receptor inferior (lower receiver), em que o fabricante deve estampar a marca e o número de série. É por meio desse dado, da presença de informações de apenas um componente, que as autoridades identificaram o uso do método por facções da América do Sul, como o Primeiro Comando da Capital (PCC), o Comando Vermelho (CV) e cartéis na Colômbia, na Bolívia e no Equador.

Por serem montadas partes por partes, os investigadores apelidaram essas armas como 'armas Frankenstein'.

Em cooperação com as forças de segurança norte-americanas, as autoridades brasileiras conseguiram identificar uma das rotas utilizadas para a entrada desses armamentos no Brasil. Os componentes eram comprados de diversos fornecedores nos EUA e entregues em Miami na residência dos traficantes.

De lá, as partes são escondidas em entregas de celulares, roupas, impressoras ou maquinários direcionadas ao estado do Amazonas. Uma vez no Norte do Brasil, as armas partem por terra para o resto do país, separadas ou já montadas.

 

Ø  Acadêmico: Ásia se lembra do passado colonial da OTAN e não quer ver potências do bloco de volta

 

O presidente russo Vladimir Putin ponderou a possível justificativa que a OTAN pode ter ao se juntar aos EUA em sua estratégia "pivô para a Ásia", de tentar "conter" a China, dado que o bloco literalmente tem a palavra "Atlântico" em seu nome.

"Vemos o que está acontecendo em torno da Rússia e da China. Vemos tentativas do Ocidente de transferir as atividades da OTAN para a Ásia, que claramente vão além do escopo dos objetivos da carta desta organização. É chamada de bloco do Atlântico Norte – o que estaria fazendo na Ásia? Mas não, eles estão se arrastando para a Ásia, provocando, escalando a situação, criando novos blocos político-militares de composição variável", disse Putin ontem (14) durante a coletiva de imprensa anual.

Washington já procurou recentemente erguer várias alianças regionais na Ásia, incluindo o Diálogo de Segurança Quadrilateral (ou Quad) com a Austrália, a Índia e o Japão, bem como o pacto de segurança da AUKUS com Camberra e Londres - prometendo à Austrália acesso à tecnologia de submarinos nucleares em troca de acesso às bases militares.

Por sua vez, autoridades chinesas e a mídia criticaram a Aliança Atlântica por sua retórica hostil, com a agência Xinhua acusando o bloco ocidental de "espalhar seus tentáculos para a região da Ásia-Pacífico com o objetivo expresso de conter a China", enviando "caças e navios de guerra para exercícios militares nas águas circundantes da China" e planejando criar um escritório de ligação controverso no Japão.

No entanto, "só porque o Japão, Coreia do Sul e a Austrália estão sugerindo que eles não se importariam de ter uma presença da OTAN, isso não significa que o resto dos países da região quer a OTAN lá", observa Shaun Narine, professor de relações internacionais e ciência política na Universidade St. Thomas em New Brunswick, Canadá.

"Quando você olha como o Sudeste Asiático tem respondido em geral à questão do crescente antagonismo entre os Estados Unidos e o Ocidente e a China, os países do Sudeste Asiático não querem escolher entre os EUA e a China. Eles querem uma região pacífica. Eles querem uma região onde oportunidades de negócios e oportunidades econômicas são o que impulsiona a interação regional", disse o professor à Sputnik.

O legado do colonialismo europeu tem sido uma "grande força" na definição do sentido de história e nacionalismo da região, na opinião do professor. Assim, muitas nações, regiões regionais estão "muito relutantes em ter os países ocidentais de volta" de forma militar.

Os países do Sul Global têm sido "recebedores" da violência das potências ocidentais "durante séculos". Desta forma, "eles são muito mais cuidadosos sobre como eles lidam com a questão das alianças militares, alianças militares ocidentais, expandindo-se em sua região", concluiu o acadêmico.

 

Ø  Irã diz que Netanyahu 'arrasta' campanha de Biden e crédito dos EUA para o conflito em Gaza: 'Fardo'

 

Para o enviado do Irã na Organização das Nações Unidas (ONU), "Israel tornou-se cada vez mais um fardo para os EUA em termos de custos materiais, políticos, morais e de reputação na cena global".

Nesta sexta-feira (15), o embaixador iraniano nas Nações Unidas, Amir Saeid Iravani, disse que o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, corre o risco de prejudicar ainda mais a imagem e influência global de Washington, junto à sua própria campanha eleitoral, se não conseguisse pôr fim à guerra em curso de Israel na Faixa de Gaza.

"Israel não tem capacidade para empreender invasões sem o apoio inequívoco dos EUA. À medida que o conflito em Gaza persiste, o custo associado deste apoio aumenta exponencialmente. Surge uma conjuntura crítica em que os EUA devem considerar condicionar e restringir este apoio ou correm o risco de serem vítimas das ambições frustradas da liderança israelense", disse o embaixador em entrevista à revista Newsweek.

Na visão de Iravani, "[Benjamin] Netanyahu vê o seu futuro político ligado à continuação da guerra em Gaza, enquanto Biden vê as suas perspectivas de reeleição ligadas ao fim das hostilidades. Este conflito de interesses torna-se cada vez mais incontrolável à medida que a guerra persiste, representando um desafio significativo", afirmou.

O representante do Irã na ONU ainda acredita que Washington deve "realizar uma reavaliação abrangente da sua estratégia de segurança nacional em relação ao Oriente Médio".

Ele cita diversos conflitos como os que aconteceram no Iraque, Afeganistão e Síria, onde os EUA tiveram "custos materiais exorbitantes [...], perda de milhares de vidas [...], erosão da credibilidade do seu aparelho militar e de inteligência e, no final, culminou em um acordo no Afeganistão com o Talibã [organização sob sanções da ONU por atividade terrorista] que facilitou o seu regresso ao poder", analisou.

"Os EUA encontram-se em uma posição precária, tendo testemunhado um declínio na sua influência [...] recorrendo ao poder duro e ao reforço da presença militar como medida compensatória. No entanto, as bases militares norte-americanas na região contribuíram para agravar as questões regionais, em vez de servirem como solução."

Por fim, Iravani considera ser "imperativo que o governo dos EUA chegue a uma conclusão estratégica sobre se a continuação das políticas erradas e já comprovadamente falhas se alinha com os seus interesses, ou se é necessário traçar um novo rumo. A decisão, em última análise, está em suas mãos", complementou.

Na terça-feira (12), ao perceber que está sendo "arrastado" para o conflito, Biden mudou um pouco sua retórica e pela primeira vez pressionou Netanyahu publicamente ao dizer que "Israel precisa mudar seu governo" ou acabaria por "perder apoio global". No entanto, na quarta-feira (13), a chancelaria israelense disse que continuaria sua campanha em Gaza "com ou sem apoio internacional", conforme noticiado.

 

Ø  Apesar de concordarem em substituir combustíveis fósseis, EUA ainda precisam deles, diz Casa Branca

 

O assessor para o Clima da administração norte-americana disse que os EUA ainda precisarão de usar combustíveis fósseis antes de completar a transição energética.

Os EUA não podem descartar imediatamente o petróleo e o gás, disse o assessor da Casa Branca para o Clima, Ali Zaidi, em declarações na quinta-feira (14) à agência norte-americana Bloomberg.

Para atender à demanda no curto prazo, os EUA precisam "aceitar a realidade do estoque que temos, seja em edifícios, transporte ou no setor de energia", disse Ali Zaidi durante a entrevista.

"Mas estamos rapidamente transferindo esse estoque para a energia limpa", acrescentou ele.

Os EUA são o segundo maior emissor de gases de efeito estufa do mundo. Ainda assim, estão sendo abertos e licitados novos campos petrolíferos, e os exportadores estão enviando mais gás natural liquefeito para o exterior, apesar de centenas de bilhões de dólares em gastos com iniciativas climáticas e de energia limpa sob a Lei de Redução da Inflação de 2022.

Entre 30 de novembro a 12 de dezembro passado, foi realizada a cúpula climática COP28, durante a qual quase 200 países, incluindo os Estados Unidos, assinaram um pacto para abandonar os combustíveis fósseis ao longo do tempo.

 

Ø  Rússia lamenta permissão finlandesa para acesso dos EUA a bases militares: 'Havia respeito mútuo'

 

Porta-voz do Kremlin disse que quando a infraestrutura militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) entrar no país vizinho, "será obviamente uma ameaça para a Rússia".

Moscou lamentou nesta sexta-feira (15) a decisão de Helsinque de assinar documentos que passam a permitir o acesso dos Estados Unidos a bases militares no país, disse o porta-voz da presidência russa, Dmitry Peskov.

"Isso certamente levará [ao aumento da tensão com a Rússia]. E só podemos lamentar nesse sentido, porque tínhamos realmente excelentes relações com a Finlândia, […] ninguém ameaçava ninguém, não houve problemas, não houve reclamações mútuas, ninguém violou os interesses do outro, houve respeito mútuo", disse Peskov a jornalistas.

Os militares norte-americanos terão acesso a 15 instalações militares na Finlândia, incluindo bases aéreas e navais, guarnições, campos de treino, armazéns e quartéis da guarda de fronteira.

Ao mesmo tempo, o DCA permitirá que as forças estadunidenses acomodem equipamentos, suprimentos e materiais de defesa no país nórdico, assim como liberará a entrada e circulação de aeronaves, navios e veículos dos EUA.

 

Fonte: Sputnik Brasil

 

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