segunda-feira, 4 de setembro de 2023

Urariano Mota: As “descobertas” da Educação do governador Tarcísio em São Paulo

Está na notícia “Gestão Tarcísio 'ensina' que capital tem praia e Pedro 2º assinou Lei Áurea” do UOL. Essa desinformação absoluta está no material didático distribuído às escolas paulistas desde abril deste ano, para mais de 3 milhões de alunos. Tamanho é o descaso pela pesquisa histórica, tamanho é o desprezo pela mínima informação, que produziram estas primeiras descobertas da pedagogia bolsonarista: Jânio Quadros, quando prefeito, proibiu o biquíni nas praias da cidade de São Paulo! Mas que revolucionário, ele trouxe o mar para a cidade.  A confusão é compreensível, se por compreensão queremos dizer um esforço de entendimento para a brutal ignorância: Jânio Quadros proibiu o biquíni, mas quando era presidente do Brasil, aquele continente que cerca a capital paulista. De fato, no resto do país havia e há praias sem pudor e sem moral. Então Jânio Quadros, no seu atraso, recuou ao tempo de prefeito. Daí que, se dermos alguma asa à imaginação, daí que, confuso, perturbado, renunciou à frente para trás com os pés tortos, como nesta foto:

E a pedagogia do governador Tarcísio, que rejeitou os livros do Ministério da Educação do Brasil, foi mais longe, ou mais perto do asno:  zurrou que Dom Pedro II assinou a lei da abolição da escravatura. Faz sentido, não é? O poder era do imperador, portanto, mandou o jamegão no lugar da filha. Ou seja, esses fascistas são sábios na continuidade da ignorância histórica. São mestres em dar patadas, de geração a geração. O grande Stanislaw Ponte Preta já havia escrito que

“Joaquim José

Que também é

Da Silva Xavier

Queria ser dono do mundo

E se elegeu Pedro II”

Sérgio Porto só não podia prever que Dom Pedro II acabaria com a escravidão, para arrependimento da direita brasileira até hoje.

Mas continuemos, porque existem zurros para todas as disciplinas dos pobres alunos submetidos ao governador de São Paulo. Olhem só, beber água é um perigo. Isso porque existe transmissão de doenças pela água, como Alzheimer e Mal de Parkinson.  E mais perda de concentração e deficiência de memória, além de problemas cognitivos. Olhem, só podemos acreditar que os autores do material didático beberam muito dessa água, muita, e ficaram dementes. A se acreditar na ciência suicida dos seus slides para os alunos.

A reportagem não avançou sobre os coices das disciplinas de Português e Matemática. Então, estamos livres para imaginar o que foi distribuído aos estudantes. (E perdoem a nossa miséria de imaginação diante do que de fato os educadores de direita cometem).  Podemos perfeitamente imaginar que o desconfiado Bentinho, do Dom Casmurro,  tenha sido chamado de corno nas aulas, porque, afinal, Capitu teria aplicado sobre a cabeça do personagem adornos de chifres. E que dizer das Memórias Póstumas de Brás Cubas, onde um morto escreve as suas memórias? Hem, só pode ser um livro de terror. Um morto se levanta do túmulo e fala que não deixou a ninguém o legado da sua miséria. Só os ossos a se mexerem na escuridão! E a safadeza do conto Missa do Galo, onde um jovem fica desejando a dona da casa, que lhe dá alguns lances do colo desejado. Em vez de ir à missa o cara fica secando a mulher do dono da casa. Escroto e pervertido. E aquele Castro Alves, poeta dos escravos, que só pode servir para os negros? Hem? Passemos à conjugação de verbos, mas só os regulares. Nada de se meter com os irregulares, do português dos degenerados.   

É provável que não escape das patas desses educadores de Tarcísio nem a necessária Matemática, a chamada ciência exata. Por exemplo,  o   zero deve ter sido confundido com o conjunto vazio. Ambos são “nadEntão n”, certo? Não vamos complicar. E mais, quem não se comportar direito, às direitas, vai ter 3 aulas de matemática por dia. Que é para prender que coisa ruim é o castigo de estudar números. Então, resolvam a operação: 1 + 2 x 6 = 18. Nunca o resultado 13, como se ensina nos livros do governo Lula, somente para insinuar a sua eleição. Pois sim. Treze noves fora, zero.

E por aí vai. Mas tenho que encerrar o artigo. Eu sempre digo que a realidade é mais poderosa que a imaginação. Quem diria que chegaríamos a esse ponto?

 

       Os educadores de Tarcísio. Por Paulo Henrique Arantes

 

 A Secretaria da Educação do Estado de São Paulo segue o padrão bolsonarista do governador Tarcísio de Freitas, aquele que se elegeu sem conhecer São Paulo e aplaude chacinas policiais. Por padrão bolsonarista entendamos, aqui, a ignorância preponderante.

Slides – material didático, na visão da Pasta - do Centro de Mídias SP, criado supostamente para “contribuir com a formação dos profissionais da Rede e ampliar a oferta aos estudantes de uma educação mediada por tecnologia, de forma inovadora, com qualidade e alinhada às demandas do século XXI”, ensinam que a Lei Áurea foi assinada por D. Pedro II e que 36 dividido por 9 dá 6. Para os educadores de Tarcísio, a Capital paulista fica no Litoral.

Erros em materiais didáticos podem ser corrigidos, mas o problema maior é outro. Quem aponta é César Callegari, que integrou por 12 anos o Conselho Nacional de Educação e foi secretário municipal da Educação de São Paulo à época do prefeito Fernando Haddad.

“Inaceitável é a tentativa de imposição de uma única visão sobre os conteúdos educacionais, e de transformar professores em meros exibidores de slides. Em educação, diversidade e autonomia dos professores e das escolas são virtudes a serem respeitadas. O Programa Nacional do Livro Didático há décadas vem assegurando essas virtudes”, disse Callegari à coluna.

Antes de sequestrar da Princesa Isabel a honra de libertar os escravos, o governo Tarcísio abrira mão dos livros componentes do Programa Nacional do Livro Didático, do MEC, anunciando a aquisição de material exclusivamente digital. Diante das esperadas reações negativas, o governador bolsonarista deu meia volta e pediu ao MEC a reintegração de São Paulo ao PNLD.

O uso dos livros selecionados pelo MEC é o mínimo que se espera do governo de São Paulo para ensinar suas crianças. Nem se cogita imaginar que Tarcísio de Freitas arrisque algum gesto progressista no campo da educação. Trata-se de um governador que autorizou o batismo de um logradouro público com o nome do Coronel Erasmo Dias, ícone da ditadura que invadiu a PUC-SP e prendeu estudantes e professores.

Em São Paulo, bons tempos educacionais vivia a Capital quando a prefeita chamava-se Luiza Erundina e o secretário municipal da Educação, Paulo Freire. Alguém que disse coisas como esta: “Não basta saber ler que ‘Eva viu a uva’. É preciso compreender qual a posição que Eva ocupa no seu contexto social, quem trabalha para produzir a uva e quem lucra com esse trabalho”.

      Alguém arrisca medir a distância entre Paulo Freire e os educadores de Tarcísio?

 

       Com políticas desastrosas, Tarcísio de Freitas é aprovado por 30% dos eleitores da capital

 

O governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos) tem aprovação de 30% dos eleitores da capital paulista. Segundo pesquisa Datafolha publicada nesta sexta-feira (1°), 38% dos paulistanos avaliam como regular e 27% consideram ruim ou péssimo. A rejeição ao governador é maior (35%) entre os entrevistados com mais instrução (35% de rejeição) e entre os que reprovam a gestão do prefeito Ricardo Nunes (61%).

O apoio ao governador bolsonarista de São Paulo é maior entre evangélicos simpáticos ao ex-presidente Jair Bolsonaro (37%), pessoas com 60 anos ou mais (37%) e entre aqueles que avaliam reeleger Ricardo Nunes (49%). Para os eleitores, pesam contra o governo problemas na área de segurança e as políticas desastradas, que exigem o recuo do governo.

Os dados fazem parte de pesquisa recente do Datafolha, que inclui a intenção de votos para prefeito da capital. As entrevistas foram feitas nesta terça (29) e quarta (30), com 1.092 eleitores. A margem de erro é de três pontos para mais ou para menos.

Segundo o instituto, o desempenho de Tarcísio é menor que o registrado em abril em todo o estado. Os dados, que hoje poderiam ser outros, mostraram que 44% dos paulistas consideravam o governo ótimo ou bom. E 11% o rejeitavam. A avaliação regular também ficou em 39%, como a atual pesquisa, na capital.

Tarcísio de Freitas perderia a eleição se fosse hoje

E se a eleição estivesse sendo disputada agora, o governador apoiado por bolsonaristas seria derrotado pelo então adversário, o hoje ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT) que ficaria com 54,5% dos votos válidos, contra 45,5%. O levantamento mostra ainda outro resultado negativo para Tarcísio: o candidato apoiado por ele à reeleição, Ricardo Nunes (MDB), sairia derrotado por Guilherme Boulos (Psol).

A avaliação do eleitorado paulistano ocorre em meio a derrotas de Tarcísio de Freitas com suas propostas desastradas. Em meados de agosto, ele e seu secretário de Educação recuaram da decisão de rejeitar os livros didáticos do Ministério da Educação. A decisão veio após forte repercussão negativa de toda a sociedade, inclusive de setores conservadores. A Justiça paulista acolheu ação de parlamentares e concedeu liminar mandando o governo voltar atrás.

A proposta de Tarcísio era substituir os livros didáticos enviados sem custo pelo Ministério da Educação (MEC), de qualidade reconhecida, por materiais 100% digitais, incluindo slides. Materiais esses sem qualidade pedagógica, conforme atestou a Associação Brasileira de Autores de Livros Educativos (Abrale). Além do desrespeito à língua portuguesa, trazem erros de informação em conteúdo já usados por estudantes do 6º ano.

 

Fonte: Brasil 247/RBA

 

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