Luiz Carlos Azedo: "Depoimento de Mauro Cid desorientou defesa de
Bolsonaro"
Ao optar pela Lei de Murici, a defesa do
tenente-coronel Mauro Cid deixou o ex-presidente Jair Bolsonaro e os demais
envolvidos no caso da venda das joias recebidas de presente da Arábia Saudita,
inclusive a primeira-dama Michele Bolsonaro, diante de um desastre anunciado,
que pode até terminar na cadeia. O depoimento de Mauro Cid à Polícia Federal
durou 10 horas e quebrou o pacto de silêncio em torno do ex-presidente da
República, que está cada vez mais vendido na história.
O ex-ajudante de ordens teve tempo de sobra para
explicar o "rolo" do Rolex cravejado com brilhantes que Bolsonaro
recebeu de presente da Arábia Saudita, além de outras joias. Foi vendido nos
Estados Unidos pelo general Lorena Cid, seu pai, e recomprado pelo advogado
Frederick Wassef, para ser devolvido ao Patrimônio da União. Nos bastidores da
Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos Atos Golpistas, negocia-se
uma delação premiada com a defesa de Mauro Cid. Seu novo advogado, Cezar
Bitencourt, adotou uma linha independente da defesa.
Em conversa com o ministro do Supremo Tribunal Federal
(STF) Alexandre de Moraes, responsável pelo inquérito, o presidente da CPMI,
deputado Arthur Maia (PP-BA), e a relatora, senadora Eliziane Gama (PSD-MA),
receberam sinal verde para fazer o acordo. Há dúvidas sobre as consequências
jurídicas que um acordo dessa natureza teria: seria um fato jurídico inédito,
sujeito a eventual nulidade.
O depoimento de Mauro Cid desorientou a defesa de
Bolsonaro (PL) e da ex-primeira-dama Michelle, que estavam sendo blindados por
uma única versão dos fatos. Por essa razão, permaneceram em silêncio ao serem
interrogados pela PF. A PF colheu oito depoimentos de forma simultânea, para
impedir que uma só versão fosse combinada pelos advogados.
Também foram ouvidos: o general Lorena Cid, que foi
colega ex-presidente na Aman; o advogado Frederick Wassef; o ex-chefe de
Comunicação da Presidência Fábio Wajngarten; e os ex-assessores especiais
Marcelo Câmara e Osmar Crivellati. O advogado de Bolsonaro adotou a linha de
que o ministro Alexandre de Moraes não é o juiz natural do caso, que deveria
tramitar em Guarulhos, em cujo aeroporto as joias foram apreendidas pela
Receita Federal.
A grande preocupação de Mauro Cid seria com a
própria família, principalmente seu pai, que participou da operação de venda do
Rolex nos Estados Unidos. A PF já tem muitas provas, inclusive trocas de
mensagens incriminatórias entre o ex-ajudante de ordens e o ex-secretário de
Comunicação Fábio Wajngarten. Segundo o jornal O Estado de São Paulo, uma delas
dizia: "o pior é que está tudo documentado", ao se referir ao empenho
de Bolsonaro para recuperar as joias apreendidas no aeroporto de Guarulhos, em
2021, com um assessor do ex-ministro de Minas Bento Albuquerque. Wajngarten
respondeu a Mauro Cid: "Eu nunca vi tanta gente ignorante na minha vida".
Bolsonaro tentou reaver as joias antes de viajar para os EUA, em dezembro de
2022.
Cada um por si
A linha adotada pelo advogado Cezar Bitencourt na
defesa de Mauro Cid é a Lei de Murici, em meio a declarações contraditórias,
inclusive sobre a delação premiada. Argumenta que Mauro Cid cumpria ordens
diretas do presidente da República. "Em tempo de Murici, cada um cuida de
si", disse o coronel Pedro Tamarindo, ao ordenar a retirada das tropas do
Exército na terceira campanha de Canudos, um dos maiores desastres militares de
nossa história, depois de assumir o seu comando.
Consagrado na Guerra do Paraguai, o sanguinário
coronel Moreira César fora nomeado para comandar a terceira expedição militar
contra Canudos, após o fracasso das anteriores, diante dos jagunços de Antônio
Conselheiro. Partiu do Rio para a Bahia com 1.281 soldados, seis canhões Krupp,
cinco médicos, dois engenheiros militares, ambulâncias e um comboio de munições
e mantimentos. Foi mortalmente ferido no ventre, quando se preparava para
invadir o arraial de Antônio Conselheiro. Foi substituído pelo coronel Pedro
Tamarindo, que decidiu recuar, após sete horas de combate. Foi trágico aquele 3
de fevereiro de 1897.
"Recolhidas as armas e munições de guerra, os
jagunços reuniram os cadáveres que jaziam esparsos em vários pontos.
Decapitaram-nos. Queimaram os corpos. Alinharam depois, nas duas bordas da
estrada, as cabeças, regularmente espaçadas, fronteando-se, faces volvidas para
o caminho. Por cima, nos arbustos marginais mais altos, dependuraram os restos
de fardas, calças e dólmãs multicores, selins, cinturões, quepes de listras
rubras, capotes, mantas, cantis e mochilas(…) empalado, erguido num galho seco,
de angico, o corpo do tenente-coronel Tamarindo", revelou-nos Euclides da
Cunha (Os Sertões, Ateliê).
Noblat:
Por que Mauro Cid decidiu cantar, cantar até perder a voz se for o caso
De trás para frente: não foi porque, de repente,
tenha se convencido de que só a verdade liberta. Para ele, para tantos, a
verdade é uma coisa relativa, algo que obedece às circunstâncias. Se for
conveniente, ela deve ser dita, do contrário, escondida.
Mauro Cid, ex-ajudante de ordem de Bolsonaro nos
últimos quatro anos, não decidiu contar parte do que sabe à Polícia Federal
porque só agora, e com atraso, reconhece que o ex-presidente a quem serviu com
tamanho zelo pôs a democracia em perigo.
Por mais que, com aquela carinha e penteado, pareça
um idiota, com ar de adolescente desligado do mundo ao seu redor, ele teve que
estudar muito para chegar a tenente-coronel. Em algum momento, aprendeu a
distinguir democracia de ditadura.
Não aprendeu que o golpe de 64 que suprimiu a
democracia foi um golpe porque isso não se ensina nas academias militares;
muito menos que fez um tremendo mal ao país, porque isso também não se ensina.
Mas ali também não se ensina que golpe é coisa boa.
Ensina-se, de maneira errada, que o artigo 142 da
Constituição confere às Forças Armadas o papel de intervir sempre que a ordem
pública estiver ameaçada. Noutras palavras: a missão de tutelar o Poder Civil,
e não de serem tuteladas por ele.
Também não foi porque se arrependeu de ter feito do
seu pai, o general Mauro Cesar Lourena Cid, um muambeiro de joias roubadas por
Bolsonaro do Estado brasileiro, e de ter se transformado, ele mesmo, em
muambeiro. Não foi por isso.
Mauro Cid decidiu cantar, cantar porque concluiu
que Bolsonaro estava prestes a repetir com ele o que fez com tantos outros:
cortar-lhe a cabeça para salvar a sua. Talvez Mauro Cid tenha imaginado que com
ele não seria assim. Enganou-se. Seria.
Por meio de terceiros, Bolsonaro tentou acalmar
Mauro Cid, garantindo-lhe que estavam juntos, que sempre estariam juntos, e que
por isso fechasse o bico. Até que avistou uma casca de banana do outro lado da
rua e resolveu ir pisá-la, como de costume.
Foi quando Bolsonaro disse que Mauro Cid tinha
autonomia para tomar decisões sem consultá-lo. Decisões sobre pagamento de
despesas com o cartão corporativo da Presidência, manejo de presentes e trocas
de mensagens sobre o que bem entendesse.
Bolsonaro tirou o seu da reta, pôs na reta o de
Mauro Cid, o do pai de Mauro Cid, e o de quem mais necessário fosse. Nada de
excepcional na trajetória de um covarde. Só que Mauro Cid pensou que com ele
seria diferente. Não foi. O amor engana. Taí.
<><> Clã Bolsonaro estaria revoltado
com Wassef, que ganhou novo apelido
Frederick Wassef, que já admitiu ter ido aos
Estados Unidos para recomprar um relógio Rolex que havia sido vendido dentro de
um esquema ilegal de apropriação de bens que deveriam ser incorporados ao
patrimônio do Estado brasileiro e que Jair Bolsonaro tentou surrupiar, teria
ganhado um novo apelido entre pessoas próximas do ex-presidente.
Segundo o jornalista Ricardo Noblat, o círculo mais
íntimo de Bolsonaro estaria se referindo ao advogado como "Wassefalo",
sinalizando uma provável ira do ex-mandatário contra o homem que escondeu
Fabrício Queiroz em um imóvel na cidade de Atibaia (SP).
A irritação do clã Bolsonaro com Wassef teria como
motivação o fato do advogado ter falado muito mais do que "devia" em
depoimento à Polícia Federal (PF) na última quinta-feira (31). Diferentemente
de Jair, Michelle e do ex-assessor de Comunicação do antigo governo, Fabio
Wajngarte, Wassef não manteve o silêncio - pelo contrário, falou por mais de 4
horas.
Um dos principais temores de Jair Bolsonaro, para
além do depoimento de Wassef, é o conteúdo que a PF pode encontrar nos
celulares do advogado, que já estão sob perícia.
• Racha
na defesa
Enquanto a Polícia Federal (PF) aprofunda as
investigações sobre o tráfico de joias recebidas pelo governo brasileiro para
venda nos EUA, uma guerra interna entre os advogados Frederick Wassef e Fabio
Wajngarten, ex-assessor de comunicação da Presidência (Secom), implodiu a
estratégia de defesa da Organização Criminosa e complicou ainda mais a situação
de Jair e Michelle Bolsonaro (PL).
O racha ficou explícito na quinta-feira (31)
durante o depoimento simultâneo marcado pela PF. Bolsonaro e Michelle seguiram
a estratégia do silêncio, proposta por Wajngarten e os advogados Paulo Bueno e
Daniel Tesser. Além deles, o coronel Marcelo Câmara também se calou na oitiva.
Já Mauro Cid e o pai, o general Mauro Lourena Cid,
decidiram falar e deram de ombro para a estratégia armada por Wajngarten.
Wassef, que já ameaçou dar o nome do
"mandante" da recompra do Rolex, falou por quatro horas no depoimento
à PF. Mais ligado a Mauro Cid, o tenente Osmar Crivelatti também ignorou à
orientação dos advogados de Bolsonaro.
O racha na estratégia de defesa é uma extensão da
guerra entre Wassef e Wajngarten.
Pivô do caso das "rachadinhas", que deu
guarida a Fabrício Queiroz em seu sítio em Atibaia, Wassef quer se vingar de
Wajngarten, que o classificou como "burro demais" em troca de
mensagens com Mauro Cid durante a operação de recompra do Rolex nos EUA.
"Por isso era muito melhor a gente se
antecipar", diz Wajngarten sobre a devolução das joias ao Tribunal de
Contas da União (TCU). "Mas o gênio do [Marcelo] Câmara e Fred contaminam
tudo”, emenda, antes de atacar diretamente a capacidade cognitiva do advogado.
A exposição da conversa provocou a ira em Wassef,
que a amigos próximos tem dito que vai "acabar com Wajngarten".
O advogado do clã Bolsonaro tem dito ainda que o
"corno judeu", como se refere a Wajngarten, tem vazado informações e
"plantado" notícias contra ele.
O racha caiu como uma bomba na defesa de Bolsonaro,
que adotou o silêncio para evitar contradições no depoimento à PF que poderiam
complicar ainda mais a situação dele diante do avanço das investigações.
Embora tenha adotado a estratégia definida por Wajngarten,
Bolsonaro teme a chegada de informações sobre uma investigação conduzida pela
PF em parceria com o FBI, que mira um suposto esquema de lavagem de dinheiro
com imóveis nos EUA.
De acordo com as investigações, Bolsonaro e Wassef
seriam cúmplices na empreitada, que teria resultado na compra de cerca de 20
imóveis em nome de laranjas - entre eles a ex-esposa do advogado, Maria
Cristina Boner.
A PF apura se o suposto esquema estaria relacionado
às joias, mas mira ainda os contratos da Globalweb Outsourcing, empresa fundada
por Maria Cristina, que recebeu mais de R$ 41,6 milhões em contratos com o
governo Bolsonaro.
A briga entre Wassef e Wajngarten divide Bolsonaro,
que não pode soltar a mão de nenhum dos dois comparsas investigados na
Organização Criminosa das joias.
Para isso, a defesa pretende ganhar tempo
questionando a legitimidade do processo tramitar no Supremo Tribunal Federal
(STF), sob o manto de Alexandre de Moraes.
A estratégia busca ainda desviar o foco das
denúncias incitando apoiadores radicais contra o ministro da corte, um dos
alvos preferenciais do ex-presidente durante seu mandato.
Hélio
Negão cobra Campos Neto após vazamento sobre Bolsonaro
O deputado Hélio Negão (PL) cobrou do presidente do
Banco Central, Roberto Campos Neto, respostas sobre o vazamento de informações
sigilosas de Bolsonaro.
Amigo pessoal do ex-presidente da República, Hélio
Negão quer que o chefe do BC dê “informações detalhadas acerca do vazamento de
doações recebidas via Pix por Bolsonaro nos seis primeiros meses de 2023“. O
parlamentar enviou um requerimento ao gabinete de Campos Neto.
“É possível determinar o período em que o referido
vazamento ocorreu? É possível determinar se houve alguma relação do referido
vazamento com a retirada do Conselho de Controle de Atividades Financeiras
[Coaf] do âmbito do Banco Central do Brasil e a sua vinculação temporária ao
Ministério da Fazenda?”, questiona o deputado.
“Quais
medidas estão sendo tomadas pelo Banco Central do Brasil para evitar novos
vazamentos e a utilização do aparato estatal para exposição de informações
sigilosas?”, prosseguiu Hélio Negão.
Em julho, a imprensa revelou que o ex-presidente
recebeu R$ 17 milhões em doações. O movimento teve início após aliados
patrocinarem uma campanha de vaquinha para ajudar Bolsonaro a quitar multas
aplicadas pela Prefeitura de São Paulo por descumprimento de regras sanitárias
durante a pandemia.
A divulgação da notícia desagradou ao entorno de
Bolsonaro, uma vez que expôs o enriquecimento do ex-presidente, que devia cerca
de R$ 1 milhão, uma fração perto do total arrecadado com a vaquinha.
As
mentiras, trapalhadas e ataques à imprensa de Jair e Michelle Bolsonaro em
evento do PL Mulher
As participações do ex-presidente Jair Bolsonaro e
da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro no encontro distrital do PL Mulher,
neste sábado (2) em Brasília, foram marcadas por mentiras, trapalhadas e
ataques à imprensa.
A presença do ex-presidente não tinha sido
confirmada oficialmente, mas o roteiro seria ele aparecer em um telão, de
surpresa, diante dos presentes para dizer algumas palavras.
Em dado momento, Michelle avisou sobre a aparição,
informou que “aquele presidente que não perdeu as eleições” iria falar. No
entanto, como o Brasil já sabe, Bolsonaro foi derrotado nas urnas e agora está
inelegível.
Jair não esperou a hora certa para entrar e
tampouco fez sua participação através do telão. Resolveu aparecer de surpresa,
fisicamente, por um dos cantos do palco, atropelando a fala de uma das
participantes com os urros de “mito” dos presentes que logo começaram.
Nesse momento, todos passaram a aplaudir Bolsonaro,
incluindo o mestre de cerimônia. Quem se incomodou e chamou a atenção do
ex-presidente e dos demais presentes foi a própria Michelle.
“Vamos deixar ela terminar a fala dela e daqui a
pouquinho ele vai falar. Acalmem-se. Sentem-se. Amor, só um minutinho. Vamos
sentar todo mundo em respeito, ele entrou antes da hora. Mito depois, agora
não,” pediu.
• Animosidades
com a imprensa
Mesmo estando credenciados para acompanhar o
evento, os jornalistas que compareceram para fazer a cobertura foram impedidos
de entrar no encontro. A alegação da organização foi curta e grossa:
“jornalista não pode”.
As informações a respeito do evento foram obtidas
pelo portal Uol que conseguiu acessar o evento, uma vez que seus profissionais
não se identificaram e não portavaram crachás.
A respeito da imprensa, a ex-primeira-dama fez uma
fala classificada como “discurso em tom pastoral” pelo repórter presente em que
qualificou os meios de comunicação como “veículos de desinformação”. O reclame
de Michelle remonta de 2019, quando se falava sobre os cheques depositados a
ela por Fabrício Queiróz.
“Pensei em morrer por tantos ataques que sofri da
mídia, e eu cheguei só querendo fazer o bem, como muitos aqui fazem o bem e
sofrem,” afirmou.
"Bolsonaro
vai ser preso. Ele abusou do direito de abusar", diz Joaquim de Carvalho
Ao comentar o escândalo das joias sauditas e da
venda dos presentes oficiais do governo pelo clã Bolsonaro, o jornalista
Joaquim de Carvalho afirmou que é apenas questão de tempo até Jair Bolsonaro
(PL) ser preso. Segundo Joaquim, já estão provados os crimes de peculato e
obstrução de justiça - e vale lembrar que, neste segundo caso, a prisão
preventiva pode ser autorizada.
"O Bolsonaro vai ter que ser preso, vai chegar
a hora que ele vai ser preso. Ele abusou do crime de abusar. Não é como se
alguém tivesse direito de abusar, [acontece que] às vezes se tolera, mas ele
transformou isso em rotina, em regra. A questão do peculato já está
provada", disse o jornalista durante sua participação no Bom Dia 247 deste
sábado (2).
Joaquim mencionou o papel do advogado da família
Bolsonaro, Frederick Wassef, que ficou encarregado de recomprar um relógio
Rolex de ouro branco e diamantes, recebido como presente oficial do governo
brasileiro por autoridades da Arábia Saudita, que havia sido vendido nos EUA:
"a obstrução de justiça também está provada, tentaram apagar o rastro do
crime, porque se não era crime não precisavam fazer o que fizeram: uma operação
clandestina para o Wassef recomprar um bem público para poder devolver. Isso é
obstrução de justiça. Fizeram, depois sabiam que erraram e depois tentaram
enganar a Justiça".
"Então vão ter consequências, a prisão de
Bolsonaro vai ocorrer. Mas como eu disse, isso depende de movimentos também da
sociedade", concluiu.
Fonte: Correio Braziliense/Metrópoles/Fórum/Brasil
247

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