terça-feira, 5 de setembro de 2023

7 de setembro: qual é o futuro da polarização política no Brasil?

Os movimentos autoritários mais lembrados da história da humanidade, como o nazismo alemão ou o fascismo italiano, possuíam em comum o fator psicológico como impulsionador da manipulação em massa da população para cumprimento do objetivo destes sistemas na época.

Os líderes populistas, personalidade excêntricas em sua essência, destilavam ideias de segregação racial, e diversas outras transgressões dos direitos humanos em meio ao maior conflito armado que o mundo presenciou, a Segunda Guerra Mundial.

Apesar de belicamente derrotados, algumas das ideias daquele período infelizmente ficaram enraizadas em pequenos grupos da sociedade contemporânea, voltando à tona através de alguns ex-líderes globais, como Donald Trump e Jair Bolsonaro, que fomentam o crescimento da polarização política com ideias alinhadas ao espectro da extrema direita.

Bolsonaro não reconheceu a derrota para o atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva e, como costumeiramente fez ao longo dos anos, colocou em dúvida o sistema eleitoral brasileiro, reconhecidamente um dos melhores do mundo, com sua rapidez na apuração dos votos eletrônicos e segurança inviolável das urnas.

Seus seguidores, incentivados por notícias falsas e um possível movimento do então presidente em realizar um novo golpe de estado no Brasil, se instalaram em quartéis generais espalhados pelo país na esperança de que o resultado, já consumado, pudesse ser alterado. Assim, o estopim de toda essa situação ocorreu no dia 8 de janeiro de 2023.

•        8 de janeiro: bolsonaristas atacam símbolos da democracia brasileira

Era um domingo como qualquer outro em Brasília, e após a posse presidencial ter ocorrido sem nenhum problema, ninguém esperava que a Praça dos Três Poderes, símbolo da democracia brasileira, fosse tomada por apoiadores de Bolsonaro, vindos do quartel general da capital do país.

A síntese do bolsonarismo foi naquele dia exposta ao vivo para os quatros cantos do mundo, em meio à raiva da derrota, misturada com um patriotismo exagerado, quase integralista, quando cerca de 4 mil pessoas, de jovens a idosos, entraram e depredaram diversos locais no Palácio do Planalto, Congresso Nacional e Supremo Tribunal Federal.

A repercussão e os desdobramentos daquele dia perduram até hoje, e a CPMI tenta elucidar com maior propriedade todos os envolvidos, diretos e indiretos, financiadores e auxiliadores do vandalismo presenciado.

Enquanto o país caminha para mais um dia 7 de setembro, existe uma perspectiva de que o Dia da Independência seja encarado de modo diferente do que foi nos anos anteriores. O então presidente Bolsonaro utilizava o 7 de setembro como forma de aumentar o ufanismo de sua base de seguidores, através da manipulação dos símbolos nacionais, mas também como campanha eleitoral no final de sua trajetória como presidente do país.

Os apoiadores do ex-presidente nutrem a esperança de que, mesmo sem poder concorrer às eleições, continue liderando a extrema direita no Brasil. Bolsonaro demonstra a intenção de mostrar toda sua força política junto ao seu eleitorado cativo, apoiando e fazendo campanha para o candidato escolhido em 2026.

A força demonstrada pelo conservadorismo nacional, que foi capturado pelo bolsonarismo, e o seu poder de influência sobre parte da população brasileira não devem ser subestimadas no futuro. A capacidade de criar atmosferas propícias ao tumulto e a tentativa de desorganização da ordem natural da sociedade como um todo é o modus operandi desse grupo.

 

       Governo monitora possíveis manifestações no 7 de Setembro

 

A cinco dias do tradicional desfile do 7 de Setembro, as forças de segurança do Distrito Federal estão monitorando possíveis manifestações para a Esplanada dos Ministérios na data comemorativa.

Oficialmente, nenhuma manifestação está programada, mas a CNN apurou que a cúpula da segurança do DF recebe e analisa há meses diversos materiais que já chegaram na inteligência da Secretaria de Segurança Pública (SSP) do DF.

Há alguns avisos compartilhados em redes sociais e aplicativos de mensagens monitorados pelo setor específico e compartilhados com a Polícia Militar do DF. A SSP garante que “tudo é analisado”.

Na semana passada também houve um alerta do ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, que enviou ofício ao governo do Distrito Federal (GDF) sobre convocações para atos de manifestação na data.

O documento foi direcionado ao governador Ibaneis Rocha (MDB) e ao secretário de Segurança, Sandro Avelar

Dino compartilhou dez vídeos “que tratam de supostas manifestações articuladas e previstas para ocorrer em 7 de Setembro de 2023”. O documento foi recebido pelo secretário executivo, Alexandre Patury, pois Avelar está de férias.

Como resposta, a governadora em exercício do DF, Celina Leão (PP), afirmou, na sexta-feira (1º), que a programação para o feriado de 7 de Setembro contará com mais policiais do que a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O governador Ibaneis Rocha está em viagem a Washington (EUA), no evento Lide Brazil Development Forum 2023. O chefe do Executivo local tomou conhecimento da situação e externou preocupação com novas manifestações na Esplanada.

“Semana que vem vamos ter o 7 de Setembro e há uma preocupação para todos sobre o que vai acontecer, porque o 7 de Setembro passado foi marcado por uma atuação política, não só uma atuação cívica”, disse o governador.

“Então tem-se muito medo do que pode acontecer nesses eventos, e a gente tem de trabalhar de forma muito preparada com as nossas forças”, completou.

Em 8 de janeiro, Ibaneis Rocha foi afastado do cargo por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF) após os ataques às sedes dos Três Poderes.

A CNN apurou com fontes do GDF que há uma preocupação maior em cada grande evento marcado para a Esplanada para que “não volte a acontecer” [o afastamento]. O governador deve voltar a Brasília antes da cerimônia.

 

       'Não vamos permitir que se repita o 8 de janeiro', diz Dino sobre 7 de setembro

 

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino (PSB), afirmou, na manhã desta segunda-feira (4), que há um “clima de tranquilidade” para as comemorações do Dia da Independência.

Dino garantiu que as forças de segurança já estão trabalhando para evitar ataques durante as solenidades marcadas para a próxima quinta-feira (7), como os registrados em 8 de janeiro.

“Não há, até agora, nenhuma indicação objetiva de que o 7 de setembro seja marcado por algum tipo de ataque. Infelizmente, há, daqui e de lá, cards na internet, isso demanda um acompanhamento”, disse o ministro.

A declaração foi dada durante o evento de lançamento do Programa de Ação na Segurança (PAS) e o Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci 2), em Vitória, no Espírito Santo.

O ministro também afirmou que as ameaças de protestos ou ataques ainda existentes são “algo residual”. Segundo Dino, o governo federal acredita que as comemorações irão transcorrer bem.

Na última semana, o Ministério da Justiça enviou um ofício ao governo do Distrito Federal (GDF) alertando sobre convocações para atos de manifestação na data.

O documento foi direcionado ao governador Ibaneis Rocha (MDB) e ao secretário de Segurança do DF, Sandro Avelar.

Como resposta, o governo local pediu apoio à Força Nacional para a cobertura da segurança do evento.

“A senhora governadora em exercício esteve conosco, a governadora Celine, e nos demandou um apoio da Força Nacional. A pedido do governo do Distrito Federal, nós estamos mobilizando no caso de Brasília, a Força Nacional, e há mobilização própria das forças armadas”, confirmou Flávio Dino.

A governadora em exercício do DF, Celina Leão (PP), também afirmou que a programação para o feriado de 7 de Setembro contará com mais policiais, inclusive, do que a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O governo planeja um efetivo recorde para proteger a Esplanada dos Ministérios.

 

       Bolsonaristas criticam Exército e pregam “fique em casa” no 7/9

 

As redes sociais das Forças Armadas do Brasil (Exército, Marinha e Aeronáutica) têm sido movimentadas por bolsonaristas, com a proximidade do 7 de Setembro. Os comentários pregam um boicote aos tradicionais desfiles de independência pelo país.

Indignados, eles usam o mote “fique em casa”, uma analogia à ação de proteção contra o novo coronavírus em 2020, mas que era contestada por Bolsonaro e seus seguidores.

Alguns também aderiram à campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que, ao invés da participação dos desfiles cívicos, pediu a doação de sangue dos apoiadores. De acordo com o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está “desesperado” com a data, alegando a possibilidade dos desfiles serem um fiasco de público.

Já o governo Lula alega que o 7 de Setembro foi “sequestrado” pelo bolsonarismo nos últimos anos. A ideia é “resgatar” o dia e fazer um ato cívico nacional.

•        “Covarde”

Nas redes, as Forças Armadas têm recebido críticas. Apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) seguem comentando sobre a prisão e processo contra os manifestantes golpistas que invadiram o Congresso, Planalto e STF no dia 8 de janeiro.

Para os bolsonaristas, o Exército se acovardou ao permitir a prisão dos envolvidos que também participavam de um acampamento na porta do quartel da instituição em Brasília.

Os internautas também lembram da investigação da PF (Polícia Federal) que mira militares suspeitos de participação na venda de presentes recebidos pela Presidência na era Bolsonaro. O termo mais comum usado é o de “melancia”, que se refere ao Exército ser verde por fora e vermelho (cor atribuída ao comunismo) por dentro. Muitas postagens trazem imagens com essa referência.

 

       Brasil completa 201 anos de Independência com episódios importantes de sua história

 

O início das comemorações alusivas à Semana da Pátria aconteceu na sexta-feira, (1°). A Proclamação da Independência do Brasil é lembrada todos os anos por alunos de diversas escolas, entidades civis e forças militares do Estado de Rondônia. Neste ano, a abertura solene teve a presença de servidores, estudantes, autoridades e membros de todas as forças militares de segurança no Palácio Rio Madeira – PRM, em Porto Velho. A solenidade contou com o acendimento da pira, pelo estudante e paratleta Danilo Silva, simbolizando o calor patriótico do povo brasileiro, com o hasteamento da Bandeira do Brasil e o Hino Nacional, Hino da Bandeira e de Rondônia.

É tradição da população prestigiar todos os anos os festejos comemorativos nas principais cidades do país, que são marcados por desfiles dos quais participam tropas das Forças Armadas: Marinha do Brasil, Exército e Aeronáutica, escolas, instituições e entidades civis.

Para o professor e historiador Célio Leandro da Silva, o ato da Independência do Brasil representa muito para a história, pois foi o pontapé inicial para a sociedade democrática. “Se temos o direito de escolha, é graças aos eventos históricos que vêm acontecendo ao longo do tempo. A Independência do Brasil marcou uma ruptura e o país pode começar a organizar sua gestão política”, considerou.

O governador de Rondônia, Marcos Rocha, declarou que ser brasileiro é acreditar na força da Pátria e do povo, buscando sempre fazer o melhor, como cidadão, em prol do Estado e país. “O amor à nossa Pátria e o respeito aos símbolos nacionais são dois sentimentos que precisamos valorizar. É preciso ressaltar o quão importante é a formação de bons cidadãos, que respeitem os valores e princípios, e trabalhem na construção de um Brasil melhor para todos nós”, salientou.

INDEPENDÊNCIA DO BRASIL

O marco histórico da Independência do Brasil foi o grito do Ipiranga, realizado por Dom Pedro I em 7 de setembro de 1822. O historiador Célio Leandro ressaltou que, a data é um momento importante da história, pois a partir deste ato, surgiram mais tarde outros movimentos como a Proclamação da República e hoje, o país é uma democracia reconhecida internacionalmente, devido aos eventos históricos que foram vivenciados.

“Participar da Semana da Pátria, prestigiar o desfile cívico, é lembrar de pessoas que suaram, lutaram e morreram para que hoje possamos ter essa liberdade. A partir da Independência do Brasil, o país começou a traçar seus rumos políticos, e ao longo da história, fomos conseguindo uma democracia que de fato somos hoje”, pontuou o professor e historiador.

A partir de 1808, diversas mudanças foram implementadas no país por causa da transferência da Família Real portuguesa para o Rio de Janeiro, como a abertura dos portos e a elevação do Brasil à condição de reino. A Revolução Liberal do Porto de 1820 deu início ao processo de separação de Portugal do Brasil, pelas divergências de interesses existentes. Após o retorno de Dom João VI para Portugal, Dom Pedro ficou no Brasil como príncipe regente.

No “Dia do Fico”, Dom Pedro comprometeu-se em permanecer no Brasil. Após o grito de independência, houve guerras de independência em algumas partes do país. Dom Pedro foi aclamado e depois coroado imperador do Brasil, tornando-se Dom Pedro I e iniciando o Primeiro Reinado.

 

       Vereador cobra participação da Bahia no 7 de Setembro

 

O vereador e jurista Edvaldo Brito (PSD) aprovou em plenário na última sessão, na quarta-feira (30), requerimento pedindo esclarecimentos ao prefeito Bruno Reis sobre a participação dos representantes da Bahia no desfile comemorativo da Independência do Brasil, no próximo dia 7, em Brasília.

Brito lembra que, em julho de 2019, a Câmara Municipal de Salvador aprovou o projeto de lei apresentado por ele que determinava à capital baiana enviar anualmente uma delegação para participar do Desfile da Pátria. Proposição destaca os heróis do 2 de Julho: João das Botas, Joana Angélica, Maria Quitéria e Maria Felipa, que estão com seus nomes no Livro dos Heróis Nacionais, no Panteão da Pátria e da Liberdade Tancredo Neves, na capital federal.

Dois meses depois, o PLE foi transformado na Lei 9.483/2019. Em seguida, veio a pandemia e o desfile foi suspenso nos dois anos seguintes, como relembra o vereador, destacando que a capital baiana jamais cumpriu esta lei, o que fez com que Brito pedisse os esclarecimentos ao Executivo.

“O Brasil precisa conhecer cada vez mais os heróis baianos e a nossa luta no 2 de Julho para consolidar a independência do Brasil, evitando o esfacelamento da nação em diversos países, como ocorreu com a América espanhola. É preciso urgência para determinar as providências para garantir a participação dos baianos no desfile da próxima quinta-feira”, frisou.

 

Fonte: Por Fabiano Horimoto, pela Contatto/CNN Brasil/Itatiaia/Metrópoles/Secom Gov-RO/Tribuna da Bahia

 

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