terça-feira, 14 de outubro de 2025

“O governo não pode manter em cargos quem traiu a base”, diz Carlos Zarattini

O deputado federal Carlos Zarattini (PT-SP) avaliou que a recente derrota do governo na Câmara dos Deputados, envolvendo uma medida provisória de impacto fiscal, foi resultado direto da articulação política do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. As declarações foram feitas em entrevista ao programa Boa Noite 247.

Segundo Zarattini, o Palácio do Planalto havia construído um acordo para aprovar o texto, que incluía concessões e o apoio de partidos como PP, União Brasil e Republicanos. No entanto, o cenário mudou com a entrada em cena de lideranças estaduais e nacionais da oposição. “Nós vimos o governador do estado de São Paulo atuar fortemente junto com o Ciro Nogueira do PP, junto com Rueda do União Brasil para derrubar a medida provisória”, relatou o deputado.

<><> Pressão sobre bancadas e racha em partidos da base

De acordo com Zarattini, Tarcísio de Freitas chegou a ligar pessoalmente para parlamentares pedindo votos contrários ao texto. Essa movimentação teria gerado pressões adicionais, já que deputados mantêm cargos vinculados ao governo estadual e dirigentes partidários controlam fundos eleitorais. “Isso fez uma pressão muito grande sobre as bancadas e acabou que a gente teve, ontem, praticamente uma traição lá na comissão mista”, afirmou.

O parlamentar destacou que o governo esperava uma margem confortável na votação, mas terminou vencendo por apenas um voto. “Nós tínhamos combinado o apoio do PP, o apoio do União Brasil, o apoio do Republicanos. Seriam mais três votos para nós. Então poderíamos ter chegado a 16 votos contra apenas nove da oposição. Mas ali já teve uma primeira traição e agora ficou escancarada essa interferência do governador de São Paulo”, disse.

Zarattini também mencionou a participação de Gilberto Kassab, presidente do PSD, que teria atuado contra a medida, embora parte significativa de sua bancada tenha votado com o governo.

<><> Impacto fiscal e alternativas

O deputado lembrou que a não aprovação da medida provisória representa perda estimada de R$10 bilhões em 2025 e de R$20 bilhões no ano seguinte, segundo cálculos do Ministério da Fazenda. Questionado sobre saídas para recompor a arrecadação, ele destacou que a equipe do ministro Fernando Haddad dispõe de diversos instrumentos.

“O Ministério da Fazenda é muito potente, tem condições de operar de muitas formas. Não só tem decreto sobre impostos regulatórios, como o IOF e o IPI, como tem diversas medidas que podem ser feitas através de portaria, Banco Central, Conselho Monetário Nacional”, explicou. Zarattini também levantou a possibilidade de reedição de temas por meio de novas medidas provisórias ou projetos de lei com urgência.

<><> Relação com a base e defesa de cortes em cargos

Para o deputado, o episódio exige uma resposta firme do governo em relação a partidos e parlamentares que ocupam cargos mas não oferecem sustentação política. “Nós vamos dar nome aos bois. Nós temos a lista de quem votou contra, de quem tem cargo no governo. Eu, pelo menos, acho que o governo não pode se furtar a tirar cargos daqueles que não cumpriram com o mínimo, que é apoiar o governo”, declarou.

Zarattini rejeitou a ideia de que essa postura seria retaliação. “Quem tá retalhando contra o governo são esses deputados. Quem foi agredido aí, quem tá apanhando, é o governo. Se você tem dentro do governo uma pessoa que não apoia, que toda hora sabota, vamos continuar com essa turma dentro do governo? Deu, né?”, afirmou.

<><> Perspectivas políticas

O parlamentar avaliou ainda que a derrota faz parte de um cenário em que Tarcísio de Freitas assume posição de liderança na oposição. “Agora ele tá na linha do quanto pior, melhor. Ele quer prejudicar o governo, inclusive com uma mentira absurda de que o governo vai ter mais 20 bilhões para gastar. Esses 20 bilhões ajudariam o governo a cumprir a meta fiscal, não são para gastar”, ressaltou.

Na visão de Zarattini, a disputa política deve se intensificar, mas o governo manterá as condições de governabilidade até as eleições. “Nós vamos entrar agora na votação da LDO e do orçamento. São os dois projetos mais importantes e não vejo muita coisa polêmica além disso. Depois, o Brasil vai para o voto, que é o mais importante”, concluiu.

¨      Governo exonera Centrão de cargos no segundo escalão após rejeição de MP

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva cumpriu sua promessa e "meteu a faca", conforme avisou mais cedo o líder no Congresso, José Guimarães (PT-CE). Uma série de indicações do Centrão a cargos de segundo escalão do Executivo foi exonerada, informou o site Correio Braziliense nesta segunda-feira (13). 

A decisão vem após o Centrão na Câmara e a extrema direita sabotarem, na última semana, a votação de uma medida provisória (MP) tributária do governo do presidente Lula, em meio às discussões sobre o equilíbrio das contas públicas com a aprovação da ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda (IR), pela própria Câmara e de forma unânime. Uma das figuras centrais na derrubada da MP, que, na realidade foi retirada de pauta, foi o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos)

De acordo com a reportagem, os cortes atingem o PP, presidido pelo senador Ciro Nogueira (PI), o PSD, liderado por Gilberto Kassab, além de nomes do União Brasil e do MDB.

As demissões, de acordo com o portal G1, já alcançaram até agora:

  • Caixa Econômica Federal;
  • Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf);
  • Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan);
  • Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit);
  • Superintendências no Ministério da Agricultura.

Uma série de deputados da bancada governista defenderam a expulsão de membros do Centrão do governo após a MP caducar. Enquanto isso, a equipe econômica do governo Lula avalia quais medidas irá tomar para compensar a renúncia fiscal gerada pela isenção do IR para quem ganha até 5 mil reais por mês e pela derrubada de uma MP anterior, que aumentaria o Imposto Sobre Operações Financeiras (IOF)

Contudo, os bolsonaristas seguem firmes em seus esforços para barrar qualquer iniciativa arrecadatória do governo Lula, afirmando serem contra o aumento de impostos, inclusive para os super-ricos. 

•        'Que os eleitos pelo povo votem em leis favoráveis ao povo', diz arcebispo de Aparecida

 O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB), participou neste domingo (12) da missa solene em homenagem a Nossa Senhora Aparecida, realizada no Santuário Nacional, em Aparecida (SP). O evento reuniu milhares de fiéis e também contou com a presença de autoridades políticas. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), havia confirmado participação, mas cancelou a ida de última hora. No lugar dele, o governo estadual foi representado pelo secretário de Governo, Gilberto Kassab (PSD), relata o jornal O Globo.

Durante a celebração, presidida pelo arcebispo de Aparecida, Dom Orlando Brandes, a mensagem central foi um apelo ao compromisso social dos representantes eleitos. Em sua homilia, ele destacou a urgência de políticas públicas voltadas aos mais necessitados: “Que a Mãe Aparecida nos ajude que os que foram eleitos pelo povo votem em leis favoráveis ao povo de Deus, favoráveis aos pobres”.

<><> Mensagem pela justiça social

Dom Orlando ressaltou que a paz e a convivência saudável só são possíveis com a redução da miséria no país. “Quando diminui a pobreza, nós vamos experimentando o que é a paz, a convivência e o que é vida. Segunda esperança: que diminuam as desigualdades sociais, que são muitas”, afirmou diante de uma multidão de devotos.

A missa, considerada a mais importante das sete programadas para o Dia da Padroeira do Brasil, reuniu cerca de 35 mil fiéis no interior do Santuário Nacional. Segundo estimativas do governo paulista, entre os dias 3 e 12 de outubro, aproximadamente 450 mil pessoas passaram pela cidade para participar das celebrações religiosas.

<><> Tradição e fé

O Dia de Nossa Senhora Aparecida, celebrado em 12 de outubro, é um dos maiores eventos do calendário católico brasileiro e mobiliza romeiros de todas as regiões do país. A presença de autoridades como o vice-presidente reforça a relevância da data não apenas do ponto de vista religioso, mas também político e social, diante do apelo da Igreja por medidas mais efetivas no combate à pobreza e às desigualdades.

•        Sou apenas mais um… Por Adhemar Bahadian

Sou apenas mais um a temer que a personalidade mercurial de Trump venha a aprofundar as já mais do que tensas relações internacionais com a retomada do tarifaço sobre a China, desta vez por causa das chamadas terras raras.

Sou apenas mais um a ver com crescente inquietação a possibilidade de que a política de combate ao tráfico de drogas sirva de pretexto para ações militares crescentes contra a Venezuela, fato que teria óbvias consequências para o Brasil e para a América do Sul.

Sou apenas mais um a constatar que a Câmara dos Deputados insiste em dificultar a política de redução das desigualdades sociais quando renova a discrepância da incidência do imposto de renda entre super-ricos, pessoas físicas e jurídicas, algumas destas últimas envolvidas em jogos de azar.

Sou apenas mais um a ver que a linguagem parlamentar se contaminou de maneira aparentemente inextirpável com as mais do que abusivas noções do falecido Olavo de Carvalho a defender que a grosseria e até mesmo a ofensa pessoal são instrumentos do debate político.

Sou apenas mais um a lamentar a absoluta falta de cortesia de alguns deputados diante de ministros de Estado convidados a expor os trabalhos de suas pastas ao Poder Legislativo.

Sou apenas mais um a respeitar e agradecer a compostura do ministro da Fazenda diante de ataque a sua lisura intelectual e moral quando atacado por figuras menores do Parlamento que o impedem de prestar à população as informações de que todos necessitamos.

Sou apenas mais um a perceber com esperança crescente que a sociedade brasileira, independentemente de suas inclinações políticas, cada vez menos respeita os abusos de linguagem, a falta de respeito diante de servidores públicos honrados e com vasta história de dedicação ao interesse nacional, como o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, ou ao assessor internacional do presidente da República, embaixador Celso Amorim, homem que ocupou durante décadas altos postos no Brasil e no Exterior.

Sou apenas mais um a me lembrar do tempo em que no plenário da Câmara de Deputados se ouvia em silêncio a exposição da posição brasileira contra a exclusão de Cuba do sistema interamericano.

Sou apenas mais um a lembrar San Tiago Dantas, Afonso Arinos de Melo Franco, e até mesmo os mais veementes dos oradores de nossos tempos, como Carlos Lacerda e Leonel Brizola.

Sou apenas mais um a lamentar que o debate parlamentar se amesquinhe e provoque tanto entre políticos quanto entre eleitores a perplexidade a sinalizar, outra vez, que apenas uma derrota da Democracia e um regime autoritário possa nos levar a melhor destino.

Sou apenas mais um a não ter perdido a certeza de que o Brasil se tornará um país renovador de caminhos mais justos para o futuro. A atenção inquestionável que, nos últimos meses, a politica externa brasileira merece da comunidade internacional é prova evidente do peso de nosso equilíbrio e de nossa coragem nos momentos complexos por que ainda passamos.

Sou apenas mais um a reconhecer que o discurso do ministro Barroso, em sua despedida do Supremo Tribunal Federal, talvez tenha sido o depoimento humano mais sensível sobre os traumas que vivemos nos últimos anos em que o ódio, de forma persistente e desabusada, quase nos levou a um cisma nacional de terríveis consequências.

Sou então apenas mais um desta geração, da qual muito me orgulho, e que agora adentra mais de 80 anos de vida, geração em que muitos de nossos irmãos pagaram com a vida a defesa da Democracia. Agora, neste pôr de sol geracional que se avizinha, reconheço com sobriedade que esta geração terá, no limite de suas possibilidades, honrado seu compromisso patriótico.

E sou, finalmente, apenas mais um, que desejo a nossos filhos e netos melhor futuro.

 

Fonte: Brasil 247/JB

 

Nenhum comentário: