quarta-feira, 23 de julho de 2025

STF forma maioria e confirma decisão de Moraes que aplicou medidas restritivas a Bolsonaro

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) referendou a decisão do ministro Alexandre de Moraes, que determinou uma série de medidas restritivas ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

Luiz Fux foi o único contrário às medidas, por isso elas se mantiveram. O presidente da Primeira Turma, Cristiano Zanin, assim como os ministros Flávio Dino e Cármen Lúcia, acompanharam Moraes, consolidando maioria para manter as restrições impostas a Bolsonaro.

A análise ocorreu no plenário virtual, formato de julgamento em que os ministros apresentam seus votos na página eletrônica do STF.

<><> Voto dos ministros

Fux foi o último dos cinco ministros da turma a votar no plenário virtual da Corte.

No voto publicado na noite dessa segunda, minutos antes do fim do prazo para manifestação, ele afirma que a amplitude das medidas "restringe desproporcionalmente direitos fundamentais".

"Em decorrência dessa constatação, verifico que a amplitude das medidas impostas restringe desproporcionalmente direitos fundamentais, como a liberdade de ir e vir e a liberdade de expressão e comunicação, sem que tenha havido a demonstração contemporânea, concreta e individualizada dos requisitos que legalmente autorizariam a imposição dessas cautelares", avalia o ministro.

Ele prossegue: "Deveras, mesmo para a imposição de cautelares penais diversas da prisão, é indispensável a demonstração concreta da necessidade da medida para a aplicação da lei penal e sua consequente adequação aos fins pretendidos".

Portanto, para Fux, "à luz desses requisitos legais, não se vislumbra nesse momento a necessidade, em concreto, das medidas cautelares impostas".

Em seu voto, publicado ainda na sexta-feira (18), Flávio Dino chamou de "sequestro da economia de uma Nação" a ação de Donald Trump em favor de Jair Bolsonaro (PL).

"Esta coação assume uma forma inédita: o 'sequestro' da economia de uma Nação, ameaçando empresas e empregos, visando exigir que o Supremo Tribunal Federal pague o “resgate”, arquivando um processo judicial instaurado a pedido da Procuradoria-Geral da República, sob a regência exclusiva das leis brasileiras. O Direito Constitucional Comparado registra intervenções armadas contra Tribunais, cassações de magistrados, 'court packing plan', dissolução política de Cortes. Mas esse 'sequestro' certamente merecerá muitos estudos acadêmicos, inclusive nas Universidades dos Estados Unidos, por seu caráter absolutamente esdrúxulo'", escreveu o ministro.

Cármen Lúcia afirmou que a motivação das medidas está evidenciada pelas "numerosas postagens juntadas ao processo".

"A necessidade da manutenção das medidas cautelares decretadas na decisão que se propõe referendar está evidenciada pelas numerosas postagens juntadas no processo, nas quais constam indícios de esforços desenvolvidos por Eduardo Bolsonaro e Jair Bolsonaro para interferir no regular trâmite da ação [sobre tentativa de golpe], na qual Jair Bolsonaro é réu", afirmou Cármen Lúcia em seu voto.

<><> Decisão de Moraes

Em decisão individual, confirmada pela maioria dos demais ministros ainda na sexta-feira (18), Moraes determinou uma série de medidas cautelares contra Bolsonaro.

>>>> Entre elas:

•        uso de tornozeleira eletrônica;

•        recolhimento domiciliar entre 19h e 6h e finais de semana;

•        proibição de se comunicar com embaixadores e diplomatas estrangeiros;

•        proibição de se comunicar com outros réus e investigados;

•        proibição de acesso às redes sociais.

A partir das investigações da Polícia Federal e do parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR), o ministro considerou que Jair e Eduardo Bolsonaro, deputado federal e filho do ex-presidente, atuaram para:

"Tentar submeter o funcionamento do Supremo Tribunal Federal ao crivo de outro Estado estrangeiro, por meio de atos hostis derivados de negociações espúrias e criminosas com patente obstrução à Justiça e clara finalidade de coagir essa CORTE no julgamento" da ação penal da trama golpista. Este processo tem como um dos réus o ex-presidente.

"As condutas de Eduardo Nantes Bolsonaro e Jair Messias Bolsonaro caracterizam CLAROS e EXPRESSOS ATOS EXECUTÓRIOS e FLAGRANTES CONFISSÕES DA PRÁTICA DOS ATOS CRIMINOSOS", afirmou o ministro.

Ex-presidente Jair Bolsonaro dá entrevista à agência Reuters após ser alvo de medidas restritivas em 18 de julho de 2025. — Foto: REUTERS/Mateus Bonomi

De acordo com Moraes, ficaram caracterizados os crimes de coação no curso do processo, obstrução de investigação de infração penal que envolva organização criminosa e atentado à soberania.

<><> Por que Bolsonaro é alvo de medidas cautelares?

O ex-presidente Jair Bolsonaro responde a um processo penal no Supremo Tribunal Federal por tentativa de golpe de Estado em 2022.

Ao longo da tramitação de um inquérito e de uma ação penal, investigados podem ser alvo de medidas restritivas de direitos. São as medidas cautelares, decretadas de forma temporária para garantir que o processo penal siga seu curso de forma regular, sem interferências indevidas.

Além disso, na investigação contra o filho do ex-presidente, Eduardo Bolsonaro, a Polícia Federal identificou o alinhamento dos dois em ações ilícitas. Por isso, solicitaram a aplicação das medidas, o que teve parecer favorável da Procuradoria-Geral da República.

<><> Medidas cautelares são previstas em lei?

Sim. O Código de Processo Penal permite que o juiz, a requerimento do Ministério Público ou da polícia, aplique as medidas, de forma isolada ou cumulativa.

A aplicação das providências deve seguir:

•        a necessidade para aplicação da lei penal, para a investigação ou a instrução criminal e, nos casos expressamente previstos, para evitar a prática de infrações penais;

•        a adequação da medida à gravidade do crime, circunstâncias do fato e condições pessoais do indiciado ou acusado.

<>#<> Saiba quais obrigações Bolsonaro deve cumprir após decisão de Moraes

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, nesta segunda-feira (21), manter a decisão individual do ministro Alexandre de Moraes, que impôs uma série de medidas restritivas ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

Desde a sexta-feira (18), com a determinação do magistrado, o ex-presidente está usando tornozeleira eletrônica e deve obedecer a uma série de obrigações. Segundo a legislação penal, se houver descumprimento, Bolsonaro pode ter a prisão preventiva decretada.

Veja a lista:

>>> Bolsonaro não pode:

•        se comunicar com embaixadores e diplomatas estrangeiros;

•        se comunicar com outros réus e investigados; isso inclui o filho Eduardo Bolsonaro, os réus e investigados pela tentativa de golpe de Estado em 2022;

•        acessar as redes sociais, mesmo que de forma indireta; nesta segunda (21), Moraes esclareceu que a proibição de uso de redes "inclui, obviamente, as transmissões, retransmissões ou veiculação de áudios, vídeos ou transcrições de entrevistas em qualquer das plataformas das redes sociais de terceiros, não podendo o investigado se valer desses meios para burlar a medida".

>>> Bolsonaro está obrigado a:

•        🚨usar tornozeleira eletrônica; relatórios diários sobre o uso do equipamento serão enviados pela Secretaria de Administração Penitenciária do Distrito Federal ao gabinete do ministro Alexandre de Moraes;

•        🚨fazer o recolhimento domiciliar entre 19h e 6h e integral nos feriados, dias de folga e fins de semana; o local onde mora será informado às autoridades e ele não pode se ausentar da comarca onde mora (o Distrito Federal);

•        🚨guardar a distância de 200 metros de embaixadas e consulados de países estrangeiros com representação no Brasil.

As medidas cautelares restringem os direitos de investigados ao longo de uma apuração penal. Previstas em lei, são necessárias para garantir a regular tramitação do processo.

¬¬¬¬¬ Veja algumas perguntas e respostas sobre o caso a seguir.

>>> 1 - Por que Bolsonaro pode ser alvo de medidas cautelares?

O ex-presidente Jair Bolsonaro responde a um processo penal no Supremo Tribunal Federal por tentativa de golpe de Estado em 2022.

Ao longo da tramitação de um inquérito e de uma ação penal, investigados podem ser alvo de medidas restritivas de direitos. São as medidas cautelares, decretadas de forma temporária para garantir que o processo penal siga seu curso de forma regular, sem interferências indevidas.

Além disso, na investigação contra o filho do ex-presidente, Eduardo Bolsonaro, a Polícia Federal identificou o alinhamento dos dois em ações ilícitas. Por isso, solicitaram a aplicação das medidas, o que teve parecer favorável da Procuradoria-Geral da República.

>>> 2 - Medidas cautelares são previstas em lei?

Sim. O Código de Processo Penal permite que o juiz, a requerimento do Ministério Público ou da polícia, aplique as medidas, de forma isolada ou cumulativa.

A aplicação das providências deve seguir:

•        a necessidade para aplicação da lei penal, para a investigação ou a instrução criminal e, nos casos expressamente previstos, para evitar a prática de infrações penais;

•        a adequação da medida à gravidade do crime, circunstâncias do fato e condições pessoais do indiciado ou acusado.

>>> 3 - O que acontece em caso de descumprimento?

Se alguma medida for descumprida, isso pode levar o ex-presidente à prisão. É o que prevê a legislação penal.

Isso porque a desobediência às obrigações impostas pode ser vista como tentativa de atrapalhar o andamento do processo.

Nesse contexto, a avaliação passa a ser que as medidas não foram suficientes para impedir as ações ilícitas. Por isso, passa a ser justificada a possibilidade de decretação de prisão.

Se houver descumprimento, o pedido de prisão é feito pelos investigadores e cabe à Justiça avaliar o caso.

Ou seja, dentro do que prevê a lei, como investigado e réu nos procedimentos penais no STF, o ex-presidente Jair Bolsonaro está suscetível a uma prisão preventiva, caso haja elementos que comprovem que persiste a tentativa de obstruir o processo ou se as medidas restritivas forem desobedecidas.

>>> 4 - Bolsonaro já tem contra si alguma medida restritiva?

Sim. Bolsonaro já tem o passaporte apreendido, por determinação do Supremo Tribunal Federal. Essa medida é anterior, de fevereiro deste ano.

>>> 5 - O que já disse a defesa de Bolsonaro sobre as medidas?

Em nota divulgada após a decisão de Moraes, no dia 18, a defesa de Jair Bolsonaro afirmou que as medidas cautelares são uma punição por "atos de terceiros" e que o ex-presidente não disse frases "atentatórias à soberania nacional".

•        Por que o ministro Luiz Fux votou contra medidas restritivas a Jair Bolsonaro?

O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), foi o único ministro da Primeira Turma a votar contra a imposição de uma série de medidas restritivas ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), determinadas por Alexandre de Moraes.

Como os demais ministros votaram para confirmar a decisão do relator (entenda mais abaixo), Bolsonaro permanece obrigado a usar tornozeleira eletrônica e está proibido de usar redes sociais ou se comunicar com os demais investigados pelo Supremo.

Fux foi o último dos cinco ministros da turma a votar no plenário virtual da Corte.

No voto publicado na noite desta segunda-feira (21), minutos antes do fim do prazo para manifestação, ele afirmou que a amplitude das medidas "restringe desproporcionalmente direitos fundamentais", como a "liberdade de ir e vir" e de "expressão e de comunicação".

Para o ministro, não houve "demonstração contemporânea, concreta e individualizada dos requisitos que legalmente autorizariam a imposição dessas cautelares".

Ele continua: "É indispensável a demonstração concreta da necessidade da medida para a aplicação da lei penal e sua consequente adequação aos fins pretendidos".

"À luz desses requisitos legais, não se vislumbra nesse momento a necessidade, em concreto, das medidas cautelares impostas", avaliou Fux.

Em um trecho específico, o ministro se posiciona contra a proibição de uso das redes sociais.

"Destaque-se que parte das medidas cautelares impostas, consistente no impedimento prévio e abstrato de utilização dos meios de comunicação indicados na decisão (todas as redes sociais), confronta-se com a cláusula pétrea da liberdade de expressão".

Segundo Fux, a decisão não deve ser referendada com base em princípios constitucionais, "pelo menos por ora".

"Tratando-se de análise cautelar e ainda perfunctória dos fatos, reservo-me a prerrogativa de reavaliação dessas questões quando do exame do mérito das 'possíveis condutas ilícitas', tal como categorizado na decisão."

Sanções do governo Trump

Na sexta-feira (18), horas após a operação da Polícia Federal que cumpriu a determinação do STF e impôs as medidas cautelares a Bolsonaro, os Estados Unidos suspenderam os vistos do relator do caso, Alexandre de Moraes, e de outros sete ministros do tribunal.

🔎 Os ministros André Mendonça, Nunes Marques e Luiz Fux ficaram de fora da lista.

Marco Rubio, secretário de Estado do governo Donald Trump, que cuida das relações dos Estados Unidos com os outros países, anunciou que revogou os vistos americanos para Moraes, "de seus aliados e de seus familiares imediatos".

De acordo com fontes do governo federal, além Moraes, tiveram seus vistos suspensos:

•        Luís Roberto Barroso, o presidente da Corte;

•        Edson Fachin, vice-presidente;

•        Dias Toffoli;

•        Cristiano Zanin;

•        Flavio Dino;

•        Cármen Lúcia; e

•        Gilmar Mendes.

Além dos ministros, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, também teve a permissão para entrar nos Estados Unidos suspensa.

o anunciar a medida, Rubio disse que Trump deixou claro que o governo norte-americano responsabilizará estrangeiros responsáveis pela censura de expressão protegida nos Estados Unidos.

"A caça às bruxas política do Ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, contra Jair Bolsonaro criou um complexo de perseguição e censura tão abrangente que não apenas viola direitos básicos dos brasileiros, mas também se estende além das fronteiras do Brasil, atingindo os americanos", diz a postagem de Rubio na rede social X.

<><> Votos no Supremo

O presidente da Primeira Turma do STF, Cristiano Zanin, assim como os ministros Flávio Dino e Cármen Lúcia, acompanharam Moraes, relator do caso, consolidando maioria para manter as restrições impostas a Bolsonaro.

Em uma decisão dentro do inquérito que investiga a atuação do filho do ex-presidente, o deputado Eduardo Bolsonaro, contra instituições brasileiras nos Estados Unidos, o ex-presidente foi alvo de medidas cautelares. Como:

•        uso de tornozeleira eletrônica;

•        proibição de uso de redes sociais;

•        toque de recolher noturno e nos fins de semana;

•        além de restrições de contato com seus filhos, diplomatas e outros investigados.

 

Fonte: g1

 

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