Ricardo
Mezavila: Congresso da mamata x Agora é a vez do povo
O
governo popular do Partido dos Trabalhadores resolveu contra-atacar aos golpes
que vem recebendo do Congresso Nacional. O PT saiu das cordas e partiu para
ofensiva com apoio da classe trabalhadora. O ringue não é o mesmo que viu o
Partido nascer e crescer, porém os tempos exigem que a luta, antes na rua,
aconteça na interatividade de compartilhamentos de conteúdos pelas redes
sociais.
A
reação começou a surtir efeito e as Organizações Globo sentiram o peso de um
punho forjado na luta de classes. O Jornal Nacional, porta-voz da elite
econômica, pateticamente, fez um apelo para que ninguém critique o Congresso
nas redes sociais.
A
matéria do JN veio após uma série de vídeos, feitos a partir da inteligência
artificial, explicar de forma didática e direta como deputados e senadores
legislam contra os interesses da população, reduzindo direitos e privilegiando
a elite econômica.
Os
vídeos não contêm fake news, exibem as entranhas do poder como ele é, mostram o
tabuleiro manipulado por reis, rainhas e bispos corruptos, encastelados e de
costas para os peões.
Com tom
de voz hegemônico, uma âncora da GloboNews diagnosticou que esses ‘ataques’ do
governo contra o Congresso podem acirrar ainda mais a disputa do ‘eles contra
nós’. A impositiva âncora, representante da casta jornalística, perdeu a
oportunidade de reproduzir um gráfico demonstrando o percentual de 1% ‘eles’ e
de 99% ‘nós’.
O
fenômeno ‘pobre de direita’ que faz parte do bolo dos 99% da população de
trabalhadores, vota em candidatos servis e aduladores para que se mantenha o
status quo da minoria, subjugando a maioria à pobreza.
A
campanha massiva nas redes tem como objetivo maior esclarecer essa parte do
eleitorado que vive a ilusão de pertencimento a um estrato social que o enxerga
como tapete.
Agora é
a vez do povo!
¨ O preço da democracia
sequestrada. Por Julimar Roberto
O
Brasil vive uma distorção perigosa entre os poderes da República. O Congresso
Nacional, que deveria se limitar à tarefa de legislar em nome da coletividade,
tem avançado sobre as atribuições do Executivo e se consolidado como um poder
paralelo — dominado por interesses próprios, barganhas de bastidores e manobras
que colocam o Governo Federal em xeque. O que se vê, na prática, é um
Parlamento que interfere diretamente na condução das políticas públicas,
impondo sua pauta particular e inviabilizando decisões estratégicas,
especialmente aquelas voltadas aos mais pobres.
Exemplo
disso foi a recente derrubada de vetos presidenciais que tentavam conter danos
fiscais e sociais provocados por jabutis legislativos. Em vez de apoiar medidas
que buscavam aliviar o peso da desigualdade — como a taxação de super-ricos e a
isenção do Imposto de Renda para quem ganha até 5 mil reais — o Congresso
preferiu defender seus próprios privilégios. Ignorou a vontade popular,
desprezou a justiça tributária e demonstrou, mais uma vez, que o projeto de
país que o move não é o da maioria trabalhadora, mas o das elites e de seus
próprios currais eleitorais.
Ao
interferir no decreto que elevava o IOF sobre fundos exclusivos e offshore, o
Poder Legislativo não apenas enfraqueceu a arrecadação, mas atacou diretamente
uma das poucas iniciativas concretas de tributação sobre os muito ricos. E o
fez com desenvoltura, escancarando que não há compromisso com a construção de
um sistema mais justo — apenas com o jogo de interesses que se sustenta por
emendas bilionárias, acordos informais e chantagens institucionais.
Não
bastasse o estrangulamento das pautas sociais, deputados e senadores seguem
criando despesas irresponsáveis, como a aprovação da criação de mais cadeiras
na Câmara Federal — medida que vai gerar um gasto anual de mais de R$ 65
milhões com salários e verbas de gabinete. Aumentam o tamanho da máquina
pública sem nenhum compromisso com a eficiência ou com o retorno para a
sociedade. Quando o presidente Lula, corretamente, ameaçou vetar essa
ampliação, os próprios parlamentares responderam com retaliação política e
novos entraves à governabilidade.
Diante
de tantos ataques, o governo se viu obrigado a recorrer ao Supremo Tribunal
Federal para tentar garantir sua própria capacidade de governar. Trata-se de
uma inversão total da lógica democrática ao vermos o Executivo, eleito com mais
de 60 milhões de votos, tendo que buscar proteção contra a sabotagem do
Parlamento. E o mais grave é que essa desestabilização não parte de uma
oposição coerente com um projeto alternativo de país — ela é feita, em larga
medida, pela base congressual que se diz aliada, mas que atua como operadora de
interesses corporativos, de lobbies e da manutenção de privilégios.
É
urgente recolocar o Congresso em seu devido lugar. Legislar não é governar.
Fiscalizar não é obstruir. A construção de políticas públicas é tarefa do
Executivo, e é papel do Legislativo aperfeiçoá-las, não sabotá-las. O país não
pode continuar sendo refém de um Poder eleito pelo voto popular que, ao invés
de representar quem o elegeu – o povo -, age como balcão de negócios. O Brasil
precisa de reformas — política, tributária, social — e todas elas passam pela
recuperação do espírito público no Parlamento.
Se os
parlamentares continuarem operando como um poder autônomo voltado para seus
próprios interesses, continuarão servindo de obstáculo ao desenvolvimento
nacional. O que está em jogo é a soberania popular e a capacidade do Governo
Federal responder às demandas urgentes da população. Lula foi eleito para
governar, e não para ficar refém da autorização de deputados e senadores que
transformaram a política em moeda de troca. O país precisa avançar — e, para
isso, o Congresso precisa recuar.
¨ Isto é a velha luta
de classes, estúpido! Que situação essa, a nossa! Hélio B. Costa
Ao ser
acusado de ter inventado a luta de classes, Marx respondeu que não fora ele a
“inventá-la”, mas que ela fora, desde sempre, a força motriz da História, pois
desde a antiguidade, ela se manifestou em todos os modos de produção, do
escravocrata ao capitalismo.
Isso
parece ser o que acontece hoje na sociedade brasileira. É fato que essa luta,
em dada conjuntura, pode se dar de forma amena, até mesmo com alguma modalidade
de aliança de classes, ou se dar de forma mais acirrada, em uma situação de
crise, quando as “classes” se veem despojadas de certos privilégios ou de perda
de poder. A sociedade é constituída de vários segmentos sociais que se
identificam e formam as duas classes mais importantes: a dos detentores de
poder e a daqueles que são a grande maioria, os despossuídos de poder. Para
simplificar, na conjuntura brasileira atual, vamos dizer que existam, de um
lado, a oligarquia econômico-financeira, e, de outro, a grande maioria da
população, assalariados de todos os segmentos de trabalhadores e segmentos de
classe média.
O que
vemos hoje, escancarada a falência da chamada Frente Ampla, que foi importante
para a eleição de um governo que derrotou a continuação da extrema direita em
2022, é o acirramento da luta ideológica dos dois lados polarizados da política
brasileira em nível macro. O adiantamento do cenário eleitoral de 2026 é o
reflexo dessa luta. E por que isso pode ser caracterizado como uma luta
ideológica de classes? Porque, na realidade, do que se trata é a luta por dois
modelos (em nível geral) de governo: de um governo do que poderíamos chamar de
progressista, porque carrega a preocupação com os interesses mais gerais da
população e, de outro, a preservação dos interesses de uma classe defensora dos
valores do capital (de forma ampla, dos interesses da classe mais rica, que não
querem ceder em nada, em favor de uma mínima repartição de renda).
As
evidências desse confronto podem ser percebidas, nos últimos tempos, pela luta
travada pelo governo Lula no Congresso Nacional para aprovar pautas progressistas
em favor de uma política redistributiva da renda. O fator a culminar esse
confronto foi a aprovação do veto ao aumento do IOF ocorrido na semana passada.
Ficou aí estampado o acirramento da “luta de classes” da parte daqueles que
comandam o capital financeiro da nação, coadjuvado pelo seu “exército
mercenário” da grande maioria dos componentes do Congresso Nacional. Isto que
foi encarado e tido como uma derrota do governo Lula e, portanto, uma derrota
da grande maioria dos brasileiros é o que escancara essa verdadeira luta de
classes.
O que
move o desenrolar dessa luta, como em todo combate, é a correlação de forças de
cada lado. É essa correlação de forças que definirá 2026. De um lado, temos o
famoso 1% da população brasileira, uma minoria, portanto, representada pelos
super-ricos, que, em tese, não pagam impostos e detêm a maior parte da renda
nacional. De outro, a grande massa da população, representada pela classe
trabalhadora e segmentos de classe média e demais segmentos sociais. Para
simplificar, a primeira é o capital financeiro e industrial, representado pelo
chamado mercado. O outro, os assalariados e despossuídos de toda sorte.
Estamos
diante de dois agrupamentos que se digladiam pelos ganhos da renda nacional. Na
presente conjuntura, o segundo grupo está representado pelo governo Lula na sua
plataforma de governo em favor de políticas públicas minimamente coerente aos
anseios dessa população. De outro, a oligarquia rentista que não quer ceder em
nada para um mínimo de amenização da situação de desigualdade social. À sempre
acusação do mote “nós contra eles”, da parte dos rentistas, hoje, fica
evidente, que o mote deveria ser “eles contra nós”. Na correlação de forças,
simplificadamente, temos o seguinte resultado: da parte deles, o poder de
coação do capital e o domínio de seu braço parlamentar, já que tem a maioria
dos congressistas. Mas de outro, o governo tem a seu favor um arsenal grande de
conquistas e entregas a apresentar à Nação: economia em crescimento, uma
situação de quase pleno emprego, políticas públicas em funcionamento com
efetividade e muito mais.
O que
falta e como conduzir essa luta para reverter a situação em favor do governo e,
portanto, em favor da grande maioria da população? Nesses últimos dias, o
governo tem se esforçado em fazer o embate correto: acionamento do STF em
relação à constitucionalidade do veto ao IOF. Tem denunciado a insensatez dos
chamados bilionários (as 150 mil pessoas) em não ceder um pouco que seja, ao
benefício de milhões (o presidente da Câmara foi saudado como “herói” em
recente jantar que reuniu o BBB – bilionários, banqueiros e...). Todas essas
ações precisam ser diversificadas e multiplicadas. O famoso mercado não é uma
entidade etérea, ela é composta por nomes e pessoas facilmente identificáveis.
Quiçá não seria oportuno dar a conhecer seus nomes?
Entretanto,
esse confronto deve ser feito com sabedoria e, a nosso favor, o presidente Lula
é um craque na articulação dos atores sociais e políticos. Ele, um negociador
por excelência, saberá conduzir essa luta. A luta política é feita em uma arena
em que se digladiam atores sociais com valores ideológicos e interesses
difusos. Essa luta tem que ter estratégia e torna-se necessário dosar táticas
de negociação e conciliação, quando a situação permitir e táticas de confronto,
mesmo que duros, quando for preciso. O momento atual exige o embate, o
contraponto, a oportunidade de ir à população e demonstrar quem é contra as
políticas progressistas. É hora de mobilizar. É hora de exibir os feitos desse
terceiro mandato, alcançados a despeito da vigência dos 15% de juros, a
despeito de todas as dificuldades junto ao Legislativo, a despeito da oposição
da direita e da extrema direita, a despeito do “mercado” e, em suma, a despeito
de todos os problemas que foram enfrentados.
É
preciso preparar, de antemão, os confrontos de 2026, porque é disso que se
trata.
¨ PL da Devastação do
parlamentarismo brasileiro e as garras do imperialismo. Por Luiz Fernando
Padulla
A
recente aprovação do Projeto de Lei 2159/2021 pelo Senado Federal e a
praticamente certeza de aprovação junto ao Congresso dada sua maioria
esmagadora (74% dos deputados e deputadas) da chamada bancada do agronegócio e
da mineração, mostra não apenas o retrocesso nas questões ambientais em pleno
momento em que é urgente medidas de proteção do meio ambiente, mas como essa
corja golpista e lesa-pátria segue servindo aos interesses do imperialismo
estadunidense. Dando nome a tais partidos: PP, PL, PSD, União Brasil e
Republicanos (lembre-se deles nas próximas eleições!)
Não
irei abordar neste breve artigo a questão já amplamente denunciada e
escancarada dos interesses escusos do agronegócio latifundiário e sua política
de lucro às custas da degradação ambiental e exploração social e econômica da
nação. Quero trazer um novo ponto de vista que carece de igual atenção: a
mineração das chamadas terras raras.
Mas
antes vamos definir do que se tratam tais terras: é um grupo de elementos
químicos (cerca de 17 deles) que apresentam propriedades físico-químicas
semelhantes e são encontrados na natureza associados a certos minerais. Apesar
do nome, a raridade se dá não pela existência em si, mas pela dificuldade de
extração com a viabilidade econômica.
Hoje a
China é a principal fonte desses elementos com 49% das reservas, seguida do
Brasil (23%), disparadamente à frente da terceira maior que está na Índia
(7,7%).
Tais
minerais são hoje peças fundamentais para o desenvolvimento de tecnologia de
ponta relacionadas diretamente com a transição energética, como ímãs de alta
performance, baterias de carros elétricos, turbinas eólicas; além disso, são
essenciais para telas de dispositivos eletrônicos, catalisadores, fibra óptica
para internet, aparatos médicos e, principalmente para artigos militares (como
mísseis guiados de precisão, satélites e radares).
Nesse
último caso, é latente o interesse da indústria bélica estadunidense dado que
na atual conjuntura e relações geopolíticas conturbadas com os chineses,
coloca-se sob ameaça o futuro de desenvolvimento de armamentos, principal carro
chefe do imperialismo (e, consequentemente, a manutenção de suas guerras).
Assim, não devemos encarar como mera coincidência que esse projeto esteja sendo
ofertado para atender justamente aos interesses dos EUA que continuam olhando
para o Brasil como seu quintal – e cuja relatoria está nas mãos de Tereza
Cristina (PP-MT), a “musa do veneno”, ex-ministra da Agricultura do
(des)governo Bolsonaro e uma das responsáveis pelo Pacote da Destruição que
envolveu a fragilidade para liberação de agrotóxicos, assim como desmontes socioambientais
diversos.
Um
projeto que conta com o apoio e subserviência deste que é o pior Congresso
Nacional desde a redemocratização. Um projeto por si só absurdo e abusivo, que
teve até a manifestação contrária da própria Organização das Nações Unidas
(ONU), em carta direcionada ao governo brasileiro.
Entre
as propostas absurdas desde projeto de lei - não à toa chamado do “PL da
Devastação” - está a fragilidade de licenciamentos ambientais que, por exemplo,
no Artigo 8º, visa acelerar projetos estratégicos para o país com a Licença por
Adesão e Compromisso (LAC). No caso específico que trato aqui, a extração
desses minerais raros envolve processos e técnicas químicas muito poluidoras,
incluindo ácidos fortes e solventes. Mas que, de acordo com a declaração do
empreendimento classificado como de médio ou pequeno impacto, bastaria alegar
que suas atividades não causarão dano ambiental que estaria liberado, isento,
portanto, de uma análise técnica aprofundada.
Temos
também a chamada Licença Ambiental Especial (LAE), tratada no Artigo 19º, que
acelera a liberação de projeto estratégicos para o governo federal, com a
missão de “desburocratizar o sistema”. Assim, de forma direta e resumida, se
houver demora, promove-se o licenciamento automaticamente – como uma punição
por “atrasar o progresso da nação”. Importante salientar que a demora que tanto
criticam ocorre por duas situações: o sucateamento e falta de pessoal
responsável pelos órgãos de avaliação ambiental, e pela necessidade de
pesquisas sérias e tecnicamente confiáveis, o que efetivamente demanda tempo.
Outros
Artigos como 40º, coloca em risco ainda maior as terras indígenas e quilombolas
– povos originários que mais preservam o ambiente natural. Em sendo aprovada,
garantirá que apenas as reservas já homologas e certificadas estariam isentas
desses abusos, que poderiam avançar para aqueles em processo de homologação
(será esse também o motivo da investida da bancada ruralista e mineradora que
derrubou o decreto presidencial que havia homologado duas novas reservas em
Santa Catarina na metade do ano?).
Resumidamente,
esse é um projeto de claros interesses políticos e econômicos...externos! Não
acredito mais em coincidências quando se trata de política. Ainda mais com
capachos do imperialismo ocupando cargos públicos para atender interesses
estrangeiros, com o argumento raso de um progresso colonial, degradante,
desumano.
Em
nossa frágil democracia, esse é mais um alerta: de nada adianta a grande
preocupação com cargos executivos (governadores e presidentes), se não
estivermos atentos ao legislativo (deputados e senadores) que, infelizmente,
são os que efetivamente governam no país como se fossemos um regime
parlamentarista, travestido de presidencialismo. E ainda que tomem atitudes
lesa-pátria que podem (e devem) ser contestadas junto ao Poder Judiciário
(STF), tal judicialização das decisões promove a propaganda que tanto desejam
para desacreditar o STF perante a opinião pública e culpabilizar os “ministros
esquerdistas/lulistas/comunistas”.
(Basta
ver o que está acontecendo com a negativa deste mesmo Congresso em barrar o
aumento de impostos do IOF para os milionários/bilionários e a isenção e
redução de pagamento de impostos para os mais pobres).
O
xadrez da geopolítica multipolar é complexo e não podemos admitir que sejamos
tratados como um mero peão, principalmente sendo sabotados por jogadores que
servem ao inimigo do BRICS+. Para esses, temos que seguir sendo uma colônia,
aculturada, fornecedora de matéria-prima e mão-de-obra barata para o
enriquecimento da minoria que ainda hoje manda e desmanda no mundo.
E você,
caro(a) leitor(a), concorda com isso? Tenho certeza que não! A não ser que faça
parte dos 0,21% da população brasileira milionária (ou seja, um dos 433 mil),
ou ainda, dos 0,000032% (69 bilionários). Você se encaixa nessa pequena fração
que segue isenta ou paga a mesma quantia que nós, trabalhadores e trabalhadoras
pagamos?
Fonte:
Brasil 247

Nenhum comentário:
Postar um comentário