Recebido
com vaias, Jerônimo participou do
cortejo em celebração ao 2 de Julho
O
'circuito de vaias' que acompanha o governador do estado da Bahia ainda parece
longe de ter um fim. Nesta quarta-feira (2), Jerônimo Rodrigues (PT) participou
do tradicional desfile em celebração à Independência do Brasil na Bahia e foi
recebido com reprovações sonoras pelo público que acompanhava o cortejo na
saída da Lapinha.
Durante
o período de festejos juninos, o governador foi vaiado ao menos quatro cidades
baianas: Itabuna, Ipiaú, Livramento de Nossa Senhora e Mucugê.
Junto
ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que participa do desfile de 2 de Julho
pelo quarto ano consecutivo, o governador e o vice Geraldo Jr. saíram por volta
das 10h do Colégio da Soledade com o chefe do executivo brasileiro, a primeira
dama Janja, as ministras Anielle Franco e Margareth Menezes, o ministro do Rui
Costa e o semador Jaques Wagner e foram seguidos por apoiadores locais.
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Tradicional cortejo cívicoreúne milhares de pessoas
Ao
nascer do sol, o Largo da Lapinha já estava cheio de gente animada para
acompanhar mais uma edição do tradicional desfile do Dois de Julho, que este
ano celebra os 202 anos da Independência da Bahia. Uma data que é muito mais
que um feriado: é orgulho, resistência e memória viva do povo baiano, como
explicou Rosane Pacheco, que mora há cinco anos em Salvador, mas acompanha o
desfile há quatro décadas.
“Essa
data representa a história que não é contada. Não sou de Salvador, mas tenho
aprendido muito com as nossas histórias e me sinto pertencente. Aqui se vê toda
essa mistura acontecendo, essa libertação. Dois de Julho para mim é isso”,
pontuou ela.
Logo às
8h, o governador Jerônimo Rodrigues participou da cerimônia de abertura, com o
hasteamento das bandeiras ao som do Hino Nacional, executado pela Banda de
Música da Marinha do Brasil.
“É
nossa alegria, porque nós começamos desde o dia 25 de junho, em Cachoeira, e
hoje a consolidação. Desde criança e adolescente que eu participava dessa data,
desfilando pela escola, fazendo as apresentações, fui crescendo e, cada vez
mais, me consolidando enquanto um cidadão que tem consciência do Dois de Julho.
Agora como governador, forçar para que a gente possa incluir no currículo
escolar, para explicar às nossas crianças, adolescentes e jovens, o significado
dessa data”, disse Jerônimo no início do cortejo.
Durante
o trajeto até o Pelourinho, onde o cortejo segue com o presidente Lula e o
governador, o que se via eram famílias inteiras vestidas de branco, azul e
vermelho, muitas com crianças nos ombros, acompanhando os carros alegóricos.
Oscarlinda Souza trouxe o filho Mateus Silva para assistir. De acordo com ela,
é muito importante conhecer o significado desta celebração. “Representa o
fortalecimento de uma data muito importante. Fico feliz também de trazer ele
para reconhecer e ver como é a Independência da Bahia e do Brasil”, disse ela.
Ao
longo do trajeto, muita demonstração de civismo. Valdeir Pessoa foi uma delas.
Há muitos anos que ela assiste o cortejo. “ É uma data muito especial, que
comemora muitas coisas boas para o nosso estado e nosso país. Não é só pensar
na festa, é pensar o que significa o Dois de Julho. Que todos venham em paz.
Feliz Dois de Julho!”, disse, ela espera que as crianças da escola onde
trabalha conheçam a representatividade e a importância desta data.
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Jerônimo apoia nacionalização do 2 de Julho
resente
nas comemorações do 2 de Julho, o governador Jerônimo Rodrigues comemorou o
encaminhamento do projeto de lei que busca tornar a data como o Dia Nacional da
Consolidação da Independência do Brasil.
O PL,
que foi enviado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao Congresso
Nacional, visa valorizar o marco da expulsão definitiva das tropas portuguesas
do Brasil, em 1823, um ano após a Proclamação da Independência pelo imperador
Pedro I, no dia 7 de setembro de 1822.
"Alegria
grande. O Lula chegou ontem, agradecemos a ele pelo envio do projeto de lei ao
Congresso pedindo que a data do 2 de Julho seja reconhecida como uma data
nacional, essa é a nossa alegria e o que vamos celebrar no dia de hoje. A Bahia
é o coração da independência e o desejo é que o Brasil inteiro entenda isso. Os
heróis nossos não são portugueses. São brasileiros. A caminhada simboliza
isso", pontuou o governador.
Na
proposta, que foi assinada por Lula ao lado do ministro da Casa Civil, Rui
Costa, e do líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), ambos
ex-governadores do estado, o presidente reconhece o apagamento histórico da
data e dos heróis baianos, algo que foi endossado por Jerônimo.
"Nós
lemos nos livros de história e vemos na mídia, inclusive, que a gente não
participou da história da independência. Vemos sempre os heróis que não são
brasileiros, não são baianos. O 2 de Julho faz com que a gente revele as
verdadeiras pessoas que lutaram pela independência no Brasil. Duas Marias e
Joana Angélica assumiram esse lugar. E hoje reverenciamos elas", disse.
• Jerônimo diz que Rui Costa pediu
adiamento da inauguração da BYD
O
governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), revelou ontem que o ministro da
Casa Civil, Rui Costa, tentou adiar a inauguração da fábrica da montadora
chinesa BYD em Camaçari para poder participar da solenidade. Segundo Jerônimo,
Rui ficou “sentido” por não estar presente e chegou a solicitar à empresa o
adiamento da agenda.
“Falei
com ele hoje mais cedo. Está acontecendo o lançamento do Plano Safra e o
presidente Lula determinou que ele o acompanhasse, até porque o presidente virá
para participar conosco amanhã do 2 de Julho. Já combinamos que ele [Rui Costa]
virá junto. Mas ele está sentido, porque gostaria muito de estar aqui com a
gente”, afirmou Jerônimo, durante entrevista coletiva.
O
governador acrescentou que Rui “fez de tudo” para remarcar a inauguração.
“Inclusive pediu para que a BYD prorrogasse essa agenda, que seria no dia 26.
Mas tenho certeza que ele e o presidente Lula estarão conosco quando for para
fazer a entrega dos primeiros carros”, pontuou.
A
fábrica da BYD foi instalada no antigo complexo da Ford e marca um novo
capítulo para a indústria automotiva baiana. No evento, Jerônimo destacou a
expectativa de que a unidade entre em operação ainda neste segundo semestre,
com montagem de veículos elétricos e híbridos no sistema SKD/CKD – kits
enviados da China para montagem local. A nacionalização de componentes está
prevista para ocorrer até o fim de 2025.
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Modelo
O
primeiro modelo a ser produzido será o BYD Dolphin Mini. “Dentro em breve, com
certeza, a BYD vai dar data para inaugurar [a linha de montagem]. Realmente, eu
sobrevoei, me reuni com eles essa semana, e eles apresentaram para mim que nós
ficaríamos impactados”, relatou o governador, que visitou a sede da empresa na
China no ano passado.
Jerônimo
também ressaltou a importância do projeto para a transição energética e o
desenvolvimento tecnológico da Bahia. “Hoje, 47 anos depois que o Polo foi
criado, vejo um protagonismo muito forte. Não é um polo qualquer, é um polo com
vertente da transição energética, inovação tecnológica, uso de equipamentos que
vão nos ajudar a descarbonizar a economia”, disse.
A BYD
promete investir R$ 5,5 bilhões no projeto, que ocupa uma área de 4,6 milhões
de metros quadrados. A planta terá capacidade para produzir até 150 mil
veículos por ano e deve gerar cerca de 20 mil empregos diretos e indiretos.
• Cientista político vê eleição de 2026
como divisor de águas para ACM Neto
Em
entrevista à Tribuna, o cientista político Cláudio André, professor da
Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab)
e pesquisador da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), avaliou os
possíveis rumos do vice-presidente nacional do União Brasil, ACM Neto, e a
influência do lulismo nas próximas eleições estaduais.
Sobre o
futuro político do ex-prefeito de Salvador, Cláudio André apontou que a
tendência mais provável é a manutenção do projeto estadual. “Acredito que a
estratégia política hoje colocada no âmbito eleitoral por ACM Neto seja, de
fato, disputar o governo da Bahia. E, a partir do resultado, ele irá se cacifar
para pensar em voos mais nacionais, por exemplo, como ministro ou como outro
espaço que, em uma eventual derrota, obviamente, se ele vencer, ele será
governador. Então, eu vejo muito nessa linha, nesse momento”, avaliou.
Para o
professor, a eleição de 2026 representa um momento decisivo para ACM Neto. “O
ano de 2026 será o ano de um ponto de alerta laranja na carreira política, na
liderança de ACM Neto na Bahia. É aquele momento mesmo de que ele vai viver um
ponto de mutação. Uma segunda derrota pode o diminuir politicamente, mas com
certeza ele vai levar em consideração, a partir do resultado, uma transição
para um novo lugar", disse.
"Esse
novo lugar pode ser no governo federal, pode ser participando de um novo
mandato ou, saindo vitorioso, ele se tornará governador da Bahia – e isso
mudará completamente a sua trajetória política. Então, eu vejo dessa maneira:
um ano muito desafiador”, acrescentou.
Ao
analisar o impacto do lulismo na política estadual, Cláudio André reforçou que
o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) segue como ator determinante
no cenário baiano. Em 2022, a força do lulismo foi apontada como fundamental
para a vitória de Jerônimo Rodrigues (PT). Para o próximo ano, o cientista
político acredita que o contexto nacional e a imagem do governador serão
decisivos.
“Eu
vejo que o lulismo vai, sim, ser um elemento decisivo para as eleições de 2026.
Se ele for vivenciar uma crise, isso pode, sim, afetar o voto na Bahia, a
disputa estadual. Assim como ele pode se estabelecer como um trunfo, como eu
disse anteriormente, para as eleições de 2026”.
Cláudio
André também destacou que, diferentemente de 2022, Jerônimo chegará à disputa
com a visibilidade de quem já ocupa o cargo de governador. “Diante de uma
eleição na qual o governador Jerônimo já será muito mais conhecido, será
avaliado – sua imagem será avaliada pelos eleitores, o seu governo –, então é
uma eleição completamente diferente. Mas a força do lulismo, no âmbito geral,
ela está posta, e isso a gente deve levar em consideração”, opinou.
À
reportagem, o pesquisador ressaltou que a influência do lulismo estará atrelada
diretamente à avaliação do terceiro mandato de Lula. “É esse humor em nível
nacional e como vai se refletir na Bahia que a gente deve entender e que a
gente deve olhar – em especial, as pesquisas que podem começar a definir esse
quadro de uma forma muito melhor, no âmbito de pesquisas que monitorem a
percepção dos eleitores baianos”, completou.
• Kleber Rosa é lançado pré-candidato ao
governo
O
Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) oficializou ontem (1º) a pré-candidatura
de Kleber Rosa ao governo da Bahia nas eleições de 2026. O anúncio foi feito
por meio de um manifesto assinado por seis correntes internas da sigla.
Vale
lembrar que Kleber Rosa concorreu ao mesmo cargo em 2022 e terminou em quarto
lugar, com 48.239 votos, atrás de João Roma (PL), ACM Neto (União Brasil) e
Jerônimo Rodrigues (PT), atual governador. Em 2024, disputou a Prefeitura de
Salvador e obteve 138.610 votos, ficando em segundo lugar. O desempenho o
colocou à frente do vice-governador Geraldo Júnior (MDB), em uma eleição
vencida por Bruno Reis (União Brasil), reeleito com 78,67% dos votos.
No
manifesto, os signatários destacam a segurança como uma das prioridades. “O
povo baiano quer viver e com segurança”, diz o texto, que critica a condução da
política de segurança nos governos do PT, apontando o modelo atual como
responsável pelo cenário de letalidade policial e genocídio da juventude negra.
O documento é assinado pelas correntes Resistência, Insurgência, Subverta,
Fortalecer, Coletivo Palmares Resiste e Frente Nacional de Lutas (FNL).
As
críticas se estendem a outras áreas, como educação, meio ambiente e serviços
públicos. O manifesto acusa o governo de Jerônimo Rodrigues de promover o
“sucateamento do serviço público”, praticar “privatizações indiretas” e manter
“conivência com os interesses do agronegócio”. Também denuncia a falta de
investimentos estruturantes nas universidades estaduais e a ausência de
valorização dos profissionais da educação.
Ainda
segundo o texto, a pré-candidatura de Kleber Rosa propõe romper com pactos
políticos tradicionais e fortalecer alianças com movimentos sociais, ativistas
e intelectuais engajados na transformação estrutural da realidade baiana.
"Manter viva a compreensão crítica e a consciência do povo baiano para
derrotar a extrema direita a nível nacional continuará sendo o maior desafio da
política em 2026", pontua o manifesto.
"E
essa tarefa precisa ser acompanhada por um balanço honesto, crítico e
necessário sobre os 20 anos de governos estaduais liderado pelo PT na Bahia
que, embora seja uma contenção para o retorno de um projeto das velhas
oligarquias e aprofundamento da miséria, implementa políticas nocivas para
avanços sociais, econômicos e de garantia da vida do nosso povo, evidenciados
principalmente nas políticas de segurança pública, educação, meio ambiente e
serviços públicos que estão cada dia mais distantes de um projeto popular, que
coloque a garantia da vida no centro das prioridades", completa o texto.
Fonte:
Correio/A Tarde/Tribuna da Bahia

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