quinta-feira, 3 de julho de 2025

Menopausa e saúde mental: por que a ansiedade aumenta nessa fase?

Durante a menopausa, muitas mulheres enfrentam um paradoxo silencioso: enquanto o corpo desacelera, a mente parece acelerar. A ansiedade, que pode surgir ou se intensificar nesta fase, provoca uma sensação constante de agitação mental, mesmo quando o corpo sinaliza cansaço e necessidade de pausa. Essa desconexão entre corpo e mente é mais comum do que se imagina e impacta profundamente a qualidade de vida da mulher madura.

“É como se a mente estivesse sempre em estado de alerta, mesmo em situações que não oferecem risco real. Essa hiperatividade mental pode levar ao esgotamento emocional e comprometer o dia a dia da mulher”, explica a nutricionista e chef de alimentação saudável Giovanna Agostini, especialista em climatério e menopausa. Segundo ela, sintomas como insônia, dificuldade de concentração, palpitações e sensação de urgência são manifestações típicas desse desequilíbrio.

Muitas mulheres, no entanto, não associam esses ocorridos à menopausa e acabam normalizando o sofrimento. “O primeiro passo é reconhecer que a ansiedade pode sim ser um reflexo da transformação hormonal. Buscar ajuda especializada permite agir com mais clareza e eficiência sobre os sintomas”, pontua a especialista.

Uma das estratégias mais eficazes nesse processo é o cuidado com a alimentação. Nutrientes como magnésio, triptofano e vitaminas do complexo B, presentes em alimentos como banana, aveia, castanhas, ovos e cacau puro, contribuem para a produção de neurotransmissores que regulam o humor. “Escolhas alimentares conscientes melhoram os níveis de energia e favorecem uma estabilidade emocional mais duradoura”, afirma a Dra. Giovanna.

Outro recurso natural e acessível são os chás calmantes. Opções como camomila, melissa, lavanda, folha de maracujá e valeriana contêm compostos com leve efeito ansiolítico e sedativo. Eles ajudam a acalmar o sistema nervoso, melhoram o sono e promovem sensação de relaxamento. “Incluir chás na rotina noturna é uma forma simples de autocuidado que favorece o bem-estar, especialmente em um corpo mais sensível às mudanças hormonais”, orienta a especialista.

Além disso, a prática de atividade física regular tem impacto direto sobre a saúde mental. Exercícios como caminhada, ioga ou alongamentos estimulam a liberação de endorfinas, substâncias associadas à sensação de prazer e calma. Estabelecer horários regulares para dormir, reduzir o uso de telas à noite, evitar cafeína no fim do dia e adotar técnicas de respiração profunda também são atitudes eficazes para desacelerar a mente.

Em casos mais persistentes ou intensos, o acompanhamento profissional é essencial. “Se mesmo com ajustes no estilo de vida os sintomas não melhorarem, é importante investigar. Suplementação individualizada, psicoterapia, em alguns podem ser necessárias. Cada mulher tem um ritmo próprio e merece um cuidado personalizado”, conclui Giovanna Agostini.

•        Insônia na menopausa? Veja dicas eficazes para melhorar seu sono nessa fase

A menopausa é um período de transição na vida da mulher, marcado por mudanças hormonais significativas. A queda nos níveis de estrogênio e progesterona pode impactar diretamente o ciclo do sono, causando insônia, despertares noturnos e dificuldade em atingir um repouso profundo. Segundo a Associação Brasileira do Sono, cerca de 60% das mulheres na menopausa sofrem com alterações na hora do descanso. No entanto, adotar alguns hábitos em sua rotina podem ajudar a minimizar esse incômodo e melhorar a qualidade do repouso.

A alimentação tem um papel crucial nesse processo. Alimentos ricos em triptofano, como banana, aveia, leite e nozes, auxiliam na produção de serotonina, um neurotransmissor essencial para a regulação do descanso noturno. “Evitar cafeína e alimentos ultraprocessados no final do dia também é essencial, pois podem dificultar o relaxamento do organismo”, explica a nutricionista e chef de alimentação saudável, Giovanna Agostini, especialista em climatério e menopausa.

A suplementação também pode ser uma aliada importante. “O magnésio e a melatonina são substâncias fundamentais para um descanso de qualidade. O magnésio ajuda a relaxar os músculos e reduzir a ansiedade, enquanto a melatonina regula o ciclo circadiano e favorece um repouso profundo”, afirma a especialista.

Estabelecer uma rotina noturna também é essencial para preparar o corpo para o descanso. Criar um ambiente propício para dormir, com pouca luminosidade, temperatura agradável e redução do uso de telas antes de deitar, pode fazer toda a diferença. “A luz azul dos eletrônicos inibe a produção de melatonina, o hormônio responsável pelo ciclo do sono. Portanto, evitar telas pelo menos uma hora antes de dormir é uma medida eficaz”, alerta Giovanna.

Outras alternativas que auxiliam no relaxamento incluem o consumo de chás calmantes após o jantar, como camomila, lavanda, melissa, valeriana e folha de maracujá. Além disso, utilizar óleo essencial de lavanda no quarto ou no travesseiro pode ajudar a induzir um descanso mais tranquilo e profundo.

A adoção da meditação e respiração profunda antes de dormir, ajudam muito a acalmar a mente e reduzir a ansiedade noturna. Além disso, manter um horário regular para ir deitar e acordar pode ajudar a reprogramar o ritmo biológico e melhorar a qualidade do repouso a longo prazo.

Se mesmo com essas mudanças a insônia persistir, é importante buscar orientação profissional. “Cada organismo reage de uma forma às mudanças da menopausa, e um acompanhamento especializado pode ajudar a encontrar soluções personalizadas para melhorar o descanso e o bem-estar”, finaliza Giovanna.

•        Hipertensão afeta 15% de gestantes e também acomete mulheres na menopausa

A hipertensão arterial é uma condição crônica e multifatorial, frequentemente sem sintomas aparentes, marcada pela elevação contínua da pressão sanguínea (≥ 140 mmHg e/ou ≥ 90 mmHg). Considerada um dos principais fatores de risco metabólico, ela tem grande impacto na mortalidade geral, além de ser uma das principais causas de doenças cardiovasculares (DCV). Por ser uma doença silenciosa, pode se manifestar sem sinais perceptíveis, mas, quando surgem, os sintomas mais comuns incluem tontura, falta de ar, palpitações, dores de cabeça recorrentes e alterações na visão.

De acordo com dados do Ministério da Saúde (leia aqui), no Brasil, estima-se que cerca de 15% das gestantes desenvolvam síndromes hipertensivas, que incluem hipertensão gestacional e pré-eclâmpsia. As síndromes hipertensivas na gestação são a principal causa de morte materna no país, com taxas que podem chegar até 170 óbitos maternos por 100 mil nascidos vivos em serviços especializados em alto risco obstétrico.

“O acompanhamento ginecológico deve abranger todos os ciclos da vida da mulher, desde adolescência, passando pela gravidez, até a senescência. O controle da hipertensão é fundamental para saúde e bem-estar da mulher”, comenta José Maria Soares Junior, ginecologista e presidente da Comissão de Ginecologia Endócrina da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO)

Ele explica que, na menopausa, há vários fatores que podem influenciar na pressão arterial sistêmica, como o aumento de peso, a resistência insulínica e ativação do sistema renina-angiotensina-aldosterona – um sistema hormonal que desempenha papel essencial na regulação da pressão arterial, do volume sanguíneo e do equilíbrio de água e sais no corpo. Entre as orientações dos ginecologistas, é recomendado incluir a mudança de estilo de vida com aumento da atividade física e dieta nutricional adequada para perda de peso.

O médico acrescenta sobre a importância em avaliar a história clínica da paciente durante a consulta, como sedentarismo, tabagismo, alcoolismo e antecedentes familiares relacionados com hipertensão arterial sistêmica e doença cardiovascular. “A avaliação antropométrica e da frequência e aferição da pressão arterial fazem parte da consulta do ginecologista. Contudo, o tratamento deve ser compartilhado com o cardiologista ou o clínico geral, que são mais aptos no tratamento desta afecção”, alerta o ginecologista, que também é palestrante do 62º Congresso Brasileiro de Ginecologia e Obstetrícia – CBGO, que acontece de 17 a 20 de maio no Riocentro, RJ.

Avaliar os hábitos alimentares como consumo de alimentos processados e ultra-processados frequentemente são outros fatores de atenção, bem como o uso de medicamentos. “A primeira gestação é um fator de risco independente para pré-eclâmpsia”, acrescenta o ginecologista. A avaliação do índice de massa corpórea (IMC) também pode ser importante na paciente com obesidade, principalmente a mórbida. “Quando indicada, a terapia estrogênica pode auxiliar na melhora da pressão arterial”, finaliza o médico.

“A polêmica da predição e prevenção da pré-eclâmpsia”, “Pré-eclâmpsia: reduzindo a razão de morte materna”, “Síndromes hipertensivas da gravidez” e “Pré-eclâmpsia:

 

Fonte: Saude Debate

 

Nenhum comentário: