sábado, 12 de julho de 2025

Jair de Sousa: Bolsonarismo - traição à pátria, de verde e amarelo

Só pode ser mais indignante do que a disposição de trair a pátria o fato de que aqueles que o fazem se escudam nas cores da própria pátria.

Começamos a semana envolvidos em debates sobre o balanço da recém-concluída cúpula dos BRICS, no Rio de Janeiro. Muitos se mostravam inteiramente satisfeitos com a magnitude do evento e os inúmeros acordos importantes estabelecidos entre seus integrantes.

Por sua vez, outros punham em questionamento essas alegações de êxito em razão da ausência física de duas figuras de grande destaque no bloco: o presidente russo, Vladimir Putin, e seu homólogo chinês, Xi Jinping. Assim, suas ausências sinalizariam uma nítida perda de relevância do acontecimento e, em consonância, do prestígio de Lula e de nosso país, por não termos conseguido ganhar a confiança de todos.

Contudo, todo esse panorama nebuloso começou a se dissipar nos dias seguintes.

Com a divulgação da nota do governo de Donald Trump comunicando que os Estados Unidos aplicariam taxações adicionais de 10% aos membros dos BRICS e àqueles países que aderissem às suas propostas, dirimiu-se qualquer dúvida que ainda permanecia em nossa mente: o encontro foi, sim, plenamente exitoso. A prova disso é o fato de ter incomodado o imperialismo gringo a ponto de eles partirem para um ato de agressão de tamanha proporção.

Entretanto, isso seria pouco diante do que estava por vir. Pouco depois, em uma carta do próprio chefe da potência imperialista, o governo dos Estados Unidos se metia de cheio nas questões internas de nosso país e anunciava que, devido ao processo legal em curso contra o patriarca do bolsonarismo por sua participação no frustrado golpe de Estado de janeiro de 2023, seriam aplicadas tarifas alfandegárias de 50% a todos os produtos brasileiros exportados para lá, como punição pelo ajuizamento do líder do golpe.

Mas cabe uma indagação: o que poderia induzir o presidente de um país, em pleno século XXI, por mais poderoso que fosse, a atuar de modo ainda mais infame do que ocorria nos tempos em que o Império Romano ditava as regras a seu bel-prazer?

E é na resposta a essa pergunta que vem à tona a questão da traição à pátria. Não nos esqueçamos de que um dos integrantes do clã bolsonarista se licenciou de seu cargo parlamentar no Brasil para se instalar nos Estados Unidos, com a determinação de operar diuturnamente junto a Donald Trump e seus funcionários, com vistas a encontrar formas de derrotar o atual governo brasileiro e instalar o patriarca do bolsonarismo, ou alguém a ele achegado, no comando de nosso país.

Imbuído desse propósito, o delfim do bolsonarismo, radicado temporariamente em terras gringas, tem se dedicado a arquitetar planos que buscam destruir a capacidade de nosso país de se sustentar com autonomia e soberania. Tudo tem sido feito para orientar Donald Trump e seu grupo de extrema-direita nazifascista sobre como golpear os interesses do povo brasileiro, de modo a gerar o máximo de dificuldades possível para nossa nação.

Evidentemente, para cumprir seu plano de retomar o comando político do Brasil, o bolsonarismo não se acanha diante de nenhuma sordidez. Muito mais do que provavelmente, eles devem ter se comprometido a entregar e franquear aos grandes capitalistas gringos e suas corporações todos os nossos recursos e nossas empresas estatais. Seguramente, o petróleo e a Petrobrás estão na mira central de seus disparos.

É muito compreensível que Donald Trump se empenhe para livrar da prisão seu aliado maior em nosso país. Ele sabe da importância de contar com alguém que não hesita em colocar os interesses dos Estados Unidos acima dos do povo brasileiro. Então, para quem raciocina de acordo com o que pensa Donald Trump, é muito válido e desejável ter na direção de uma nação que ele deseja espoliar uma pessoa e um grupo político que sempre estarão dispostos a cooperar para que se consuma o projeto trumpista de “Fazer os E.U.A. ser grandes novamente”.

Este é um momento de crucial importância para todos os brasileiros de coração. É chegada a hora de defender a pátria de verdade. O bolsonarismo é traição a tudo o que significa independência, soberania e dignidade do povo brasileiro. Por mais que se disfarcem com as cores verde e amarela, seu entreguismo e viralatismo falam muito mais alto. A podridão da traição exala por todos os poros do bolsonarismo e de seus controladores do grande capital da elite do atraso.

•        Tarifa Bolsonaro é o preço da traição. Por Julimar Roberto

Onde Bolsonaro mete a colher, o Brasil sai perdendo. A última prova disso veio com o anúncio de uma tarifa absurda de 50% sobre todos os produtos brasileiros importados pelos Estados Unidos — medida incentivada por Eduardo Bolsonaro, diretamente do seu exílio dourado em território norte-americano.

E o que isso significa? Significa que a economia brasileira, já afetada por instabilidades globais e internas, agora perderá bilhões em exportações. O agronegócio — aquele mesmo que fez campanha de trator pelo mito — será duramente atingido, principalmente nas negociações de carne e café, produtos líderes na nossa pauta comercial com os EUA. Na realidade, a tarifa que passa a vigorar a partir de 1º de agosto atinge em cheio toda uma cadeia produtiva, com impacto direto em empresas, empregos e na balança comercial.

Em atitude criminosa de lesa-pátria, Eduardo Bolsonaro articulou e comemorou a retaliação estadunidense como se fosse um troféu. Escreveu carta agradecendo a Trump e nomeando a taxação de “tarifa Moraes”, num ataque direto ao Supremo Tribunal Federal. Mas sua estratégia não colou, porque o nome correto de mais esse golpe é “tarifa Bolsonaro”. Foram eles que cutucaram o vespeiro. E agora, até empresários bolsonaristas estão batendo cabeça e contabilizando os prejuízos.

Na carta, Trump não mediu as palavras e foi categórico ao afirmar que a tarifa era uma retaliação ao julgamento de Jair Bolsonaro no Tribunal Superior Eleitoral. Ou seja, para tentar proteger o pai, o deputado licenciado ajudou a enfiar uma faca nas costas do Brasil. Um patriotismo ao contrário — que aplaude sanções estrangeiras e prejudica o próprio povo.

Enquanto isso, o presidente Lula se recusou a ceder. “Se eles cobrarem 50% da gente, a gente cobra 50% deles”, disse o mandatário brasileiro ao afirmar que o Brasil é soberano, e que essa relação comercial tem que ser de igual para igual. Ainda mais quando se trata de um país como os EUA, para quem o Brasil historicamente mais compra do que vende. Dá para responder, negociar e manter a cabeça erguida.

E para quem está assustado com o impacto nos eletrônicos ou nos iPhones da vida, vale reforçar que quase tudo já vem da China mesmo. Os próprios chineses não demoraram a esfregar na cara do mundo que são eles que fabricam a maioria dos produtos das marcas americanas. Então, se for para taxar, há alternativas — o que não dá é para aceitar calado um ataque tarifário promovido por quem se diz patriota, mas age como inimigo interno.

Eduardo Bolsonaro não é só um político de extrema direita. Ele é, hoje, um risco concreto à integridade econômica e institucional do Brasil. Sua conduta precisa, sim, ser investigada com rigor. E sua possível cassação deve ser discutida como um passo necessário para mostrar que nossa democracia não tolera sabotagem.

O bolsonarismo não se cansa de tentar transformar o Brasil em palco de guerra ideológica. Mas agora o feitiço virou contra o feiticeiro. A base que ajudou a eleger Bolsonaro está começando a sentir no bolso o que é apoiar um projeto político que só tem compromisso com a autoproteção da família e dos próprios interesses.

Se o mito virou prejuízo, que fique a lição de que o Brasil não pode ser governado a partir de ressentimentos, fanatismo e subserviência a potências estrangeiras.

 

Fonte: Brasil 247

 

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