quarta-feira, 2 de julho de 2025

IL x APLV: Entenda as diferenças entre intolerância à lactose e alergia à proteína do leite

O leite de vaca é um dos alimentos mais consumidos no mundo e é muito usado em receitas por ser considerado completo do ponto de vista nutricional. Apesar dos benefícios, o alimento pode desencadear reações adversas no corpo devido aos seus vários componentes considerados alergênicos e diferentes fisiopatologias.

Para falar sobre os desafios que envolvem o consumo do leite, Jasmine, marca referência em alimentação saudável, traz as orientações da nutricionista Karla Maciel.

<><> Por que o leite é recomendado para uma alimentação saudável?

O alimento contém macronutrientes como a lactose (carboidrato) caseína e proteínas do soro (fração proteica), triacilgliceróis, colesterol (gorduras), bem como micronutrientes (cálcio, magnésio, sódio, potássio, fósforo, ferro, zinco, cobre, selênio e vitaminas A, D, E e K).

<><> Como surge a intolerância a lactose (IL)?

A lactose é conhecida como principal carboidrato no leite de vaca, mas, muitas pessoas desconhecem seus efeitos no organismo.

A nutricionista explica que após a ingestão, ela é hidrolisada em monossacarídeos (ou seja, glicose e galactose) por uma enzima chamada lactase.

“Os monossacarídeos são posteriormente absorvidos no sangue a partir da mucosa intestinal. A lactase é expressa apenas em células intestinais maduras, pelo menos com 34 semanas de idade gestacional no bebê. A Intolerância à lactose (IL) é reflexo da má digestão por conta da baixa atividade ou ausência da enzima lactase”, elucida a nutricionista.

Nos bebês prematuros, a IL geralmente acontece porque a produção da enzima ainda não é suficiente. Mas a intolerância também pode surgir em qualquer fase da vida e ter intensidades diferentes — leve, moderada ou grave — dependendo da quantidade de lactase que a pessoa produz.

“Existem pessoas que conseguem produzir a lactase, embora em baixa quantidade, e há pessoas que não produzem nenhuma concentração da enzima. A “dietoterapia” será indicada de acordo com o grau da intolerância”, complementa.

<><> APLV X IL

A nutri esclarece que a alergia à proteína do leite de vaca (APLV) se relaciona com a fração proteica do leite. “Trata-se de uma reação do sistema imunológico ao consumir as proteínas do leite, principalmente à caseína, à beta-lactoglobulina e à alfa-lactoalbumina”.

O que difere as duas é que, enquanto a IL está relacionada à má digestão a nível intestinal do carboidrato lactose, a APLV se relaciona com um processo exacerbado do nosso sistema imunológico quando recebe a proteína do leite, que desencadeia sintomas extra intestinais (fora do intestino)”, compara.

“Vale lembrar que a alergia às proteínas do leite de vaca (APLV) é mais frequente na primeira infância, principalmente em crianças com idade inferior a 3 anos. Esta alergia é geralmente transitória, sendo que a tolerância se desenvolve até no terceiro ano de vida”, acrescenta ainda.

<><> As restrições alimentares para os dois casos são as mesmas?

A alergia às proteínas do leite de vaca e a intolerância à lactose exigem cuidados alimentares diferentes. Saiba como lidar com as condições!

Na intolerância à lactose, que relativamente é mais simples de monitoramento, a nutri pontua que o consumo de leite e derivados pode ser realizado de duas formas.

1- Escolhendo opções no mercado que já são isentas de lactose.

“Hoje encontramos diversas marcas que facilitam a rotina alimentar do público consumidor como a Jasmine, que disponibiliza produtos sem lactose identificados pelo ícone presente no rótulo das embalagens” detalha.

 2- Uso de suplementos com base da enzima lactase para administração via oral

Responsável por promover a digestão da lactose quando existir o consumo concomitante de leite e derivados contendo a lactose.

Atenção: No caso da APLV, é necessária a exclusão total de leite de vaca e seus derivados, uma vez que o processo alérgico acontece com quantidades mínimas de consumo da proteína. Sendo assim, estes alimentos devem ser substituídos por leites de origem vegetal, com base de oleaginosas, cereais e leguminosas.

Sendo grande parte dos alimentos produzidos com leite em sua composição, como o intolerante à lactose e/ou à proteína do leite pode manter uma rotina alimentar adequada nutricionalmente?

Para suprir os nutrientes presentes no leite, como micronutrientes e proteínas, principalmente, é possível encontrar diversas opções de leites vegetais no mercado.

Feitos à base de oleaginosas como amêndoas, castanhas e nozes, cereais como aveia e arroz, são ótimos substitutos do leite de vaca, seja para consumo in natura, ou para uso em receitas variadas.

Estas bebidas vegetais já são enriquecidas com micronutrientes como cálcio e vitamina D, por exemplo, para atender as necessidades na ausência do consumo de leite.

“Além disso, estes nutrientes podem ser encontrados em outros alimentos de origem vegetal, como na semente de gergelim, que apresenta 7 a 8 vezes mais teor de cálcio do que no leite; vegetais folhosos verdes-escuros (espinafre, almeirão, brócolis e couve); sementes de chia e linhaça; cereais e leguminosas em geral (como feijão e lentilha)”, finaliza

•        Saúde intestinal pode ser chave no controle de doenças autoimunes, aponta especialista

Muito além da digestão, o intestino exerce um papel fundamental no equilíbrio do sistema imunológico. Segundo a nutricionista Aline Quissak — pesquisadora em nutrição clínica, especializada em imunidade e CEO da plataforma Scanner da Saúde —, cerca de 70% das células imunes do corpo estão localizadas na mucosa intestinal, o que torna esse órgão uma peça central na prevenção e no controle de doenças autoimunes.

“A integridade do intestino e o equilíbrio da microbiota intestinal influenciam diretamente a forma como o corpo responde a agentes internos e externos. Quando essa barreira se rompe, por disbiose ou aumento da permeabilidade intestinal, abre-se caminho para o desenvolvimento de processos inflamatórios que podem desencadear doenças autoimunes”, explica Aline.

Entre as doenças associadas a esse desequilíbrio estão:

•        Tireoidites autoimunes (Hashimoto e Graves)

•        Artrite reumatoide

•        Lúpus eritematoso sistêmico

•        Psoríase

•        Esclerose múltipla

•        Doença celíaca e outras enteropatias autoimunes

De acordo com a nutricionista, a presença de bactérias benéficas como Akkermansia muciniphila, Faecalibacterium prausnitzii, Bifidobacterium longum, Eubacterium hallii e Roseburia spp. tem efeito direto sobre a integridade da mucosa intestinal. “Essas cepas produzem ácidos graxos de cadeia curta, como o butirato, que reduzem a inflamação e fortalecem as junções celulares, mantendo a barreira intestinal eficiente”, complementa.

<><> O que fazer nesses casos?

Há diversas estratégias eficazes e validadas por evidências científicas para melhorar a saúde intestinal e, com isso, reduzir o impacto das doenças autoimunes:

1. Probióticos específicos

•        Faecalibacterium prausnitzii: ação anti-inflamatória (em desenvolvimento como probiótico de nova geração)

•        Bifidobacterium longum BB536: equilibra respostas imunes

•        Lactobacillus rhamnosus GG e GR-1: reforçam a barreira intestinal

2. Alimentos moduladores da microbiota

•        Inulina e FOS (cebola, alho, chicória): aumentam cepas benéficas

•        Psyllium e grão-de-bico: favorecem F. prausnitzii e Roseburia

•        Chá verde, cacau e frutas vermelhas (ricos em polifenóis): estimulam A. muciniphila

3. Correção da permeabilidade intestinal

Nutrientes como butirato, glutamina, zinco e vitamina D são recomendados para restaurar a barreira intestinal e reduzir inflamações sistêmicas.

4. Dieta anti-inflamatória personalizada

A especialista indica a dieta do Mediterrâneo e abordagens plant-based ricas em fibras como aliadas no aumento da diversidade microbiana e no controle imunológico. Alimentos ultraprocessados, ricos em açúcares, glúten (em indivíduos sensíveis) e aditivos químicos devem ser evitados.

5. Prebióticos e compostos bioativos com dosagem orientada

Aline destaca a importância de incluir compostos funcionais na dieta:

•        Inulina e FOS: 5 a 10 g/dia

•        Amido resistente: 15 a 30 g/dia (batata resfriada, banana verde)

•        Polifenóis: ≥500 mg/dia (mirtilo, chá verde)

Por fim, a especialista lembra que tudo isso deve ser feito por um profissional capacitado e de forma individualizada. “Modular a microbiota intestinal é uma abordagem clínica que precisa ser feita de forma personalizada, com base em exames de microbioma, sintomas clínicos e objetivos do tratamento. Essa é a chave para promover qualidade de vida e, em muitos casos, alcançar a remissão sustentada das doenças autoimunes”, conclui.

•        Câncer de rim: com sintomas silenciosos, diagnóstico precoce ainda é um desafio

Silencioso e muitas vezes identificado por acaso em exames de imagem, o câncer de rim segue como uma neoplasia pouco debatida. Apesar de representar cerca de 3% dos tumores malignos urológicos no Brasil, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), sua incidência está crescendo, especialmente entre pessoas com fatores de risco como tabagismo, obesidade, hipertensão e alto consumo de carne vermelha e gordura animal. Para ampliar a conscientização sobre a doença, esse mês marca a campanha Junho Verde, com foco na divulgação de sintomas, fatores de risco, formas de diagnóstico e avanços no tratamento.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 400 mil pessoas são diagnosticadas com câncer renal todos os anos, com cerca de 150 mil mortes atribuídas à doença. “Estamos diante de uma condição silenciosa, mas que, quando identificada precocemente, apresenta altas chances de cura. Nosso papel é estimular o cuidado com a saúde renal e levar informação qualificada à população, especialmente aos grupos de risco”, afirma Stênio Zequi, líder do Centro de Referência em Tumores Urológicos do A.C.Camargo Cancer Center.

<><> Fatores de risco da doença e diagnóstico precoce

Apesar de considerada de baixa incidência, a doença acomete mais frequentemente homens entre 50 e 70 anos, sendo menos comum entre as mulheres. A presença de casos na família, aliada a hábitos como hipertensão, tabagismo, obesidade e diabetes, aumenta o risco. Por isso, manter o acompanhamento médico regular é essencial, uma vez que o diagnóstico precoce ainda é um desafio.

O tabagismo, em especial, tem sido apontado como um dos principais fatores, não apenas no desenvolvimento do câncer renal, mas também no desfecho de seus tratamentos. Um estudo de Harvard, publicado na revista JAMA Surgery, com coparticipação da equipe médica do A.C.Camargo, traz dados de mais de 44 mil pacientes. Nela, foi revelado que fumantes têm risco 50% maior de morrer até três meses após uma cirurgia oncológica, quando comparados a não fumantes. O urologista Stênio Zequi ressalta a importância de tentar modificar esses fatores de risco. “Sempre recomendamos ter uma boa alimentação, reduzindo o sódio, o açúcar e o tabagismo, além de praticar atividades físicas e fazer exames com frequência”, afirma.

<><> Mobilização global pela saúde dos rins

Neste ano, a campanha internacional liderada pelo IKCC – International Kidney Cancer Coalition – reúne organizações de pacientes de mais de 40 países. Com o tema “Cuide bem do seu rim”, o movimento de 2025 traz um guia simples com três exames renais essenciais para quem vive com a doença, além de dicas de estilo de vida e orientações práticas para pacientes e cuidadores.

A partir de uma pesquisa global da IKCC com 2.677 pacientes e cuidadores foi possível fazer uma análise sobre o tipo de neoplasia. O levantamento apontou que, pela primeira vez, mais da metade dos pacientes (55%) se sentiu plenamente envolvida nas decisões sobre seu tratamento, um avanço importante em relação às edições anteriores.

Entre os participantes, 62% foram diagnosticados com carcinoma de células claras, a forma mais comum da doença, e 36% convivem com doença metastática. Outro dado que chama atenção: 39% relataram alterações na função renal após o tratamento.

<><> Estou com câncer de rim. E agora?

Receber o diagnóstico de câncer de rim pode ser desafiador, mas hoje há diversas opções de tratamento disponíveis, que variam conforme o estágio da doença e as condições clínicas do paciente. A cirurgia segue como o principal recurso com técnicas minimamente invasivas como a laparoscopia ou a cirurgia robótica, que reduzem o tempo de recuperação e as complicações pós-operatórias.

Nos casos mais avançados, há alternativas como terapias-alvo e imunoterapia, que têm revolucionado o tratamento do câncer renal ao estimular o próprio sistema imunológico a combater as células tumorais.

 

Fonte: Saúde & Bem Estar

 

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